Marcus Lucenna

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Marcus Lucenna
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Cantor, compositor, poeta popular, radialista, agitador cultural Marcus Lucenna, nasceu em Mossoró (RN) e ainda adolescente radicou-se no Rio de Janeiro (RJ)  e desenvolveu uma sólida carreira artística sem jamais perder as suas raízes – a veia poética dos cantadores repentistas e cordelistas do Nordeste.

Mesmo com um pé fincado no regionalismo, Marcus Lucenna é um cidadão do mundo, com uma visão global pautada na cidadania e na valorização do ser humano, cuja principal base de ação é o Rio de Janeiro, terra que o acolheu.  Há mais de dez anos, exerce forte militância política em partidos de esquerda, sendo filiado, atualmente ao PC do B. Foi gestor do Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas (Feira de São Cristóvão), para onde convergem, todos da Nação Nordestina e também pessoas de todos os recantos do planeta, encantados com a riqueza cultural de nossa gente.

Marcus Lucenna conseguiu aproximar, ainda mais, a boa gente carioca do povo Nordestino, realizando eventos com grandes nomes do samba, que se revezavam na pauta de atrações com os melhores expoentes da música nordestina.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Marcus Lucenna para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 25.06.2018:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

 Marcus Lucenna: Nasci no dia 31 de dezembro de 1959, em de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Marcus Lucenna: Sou oriundo de uma família de muitos artistas, das artes plásticas à música. Mas a música está presente em minha genealogia, desde gerações bem anteriores à minha. Convivo com a música desde que tomei consciência de mim. Meu pai, o “Major Lucena de Mossoró” é violeiro e repentista. Ele com certeza foi minha primeira e mais próxima influência nos primeiros momentos da minha vida.

03) RM: Qual a sua formação musical e formação acadêmica fora da área musical?

Marcus Lucenna: Sou autodidata em música. Aprendi sozinho ou por contato e observação, convivendo e tocando com bons músicos. Aliás, sempre gostei de tocar com bons músicos.  E também sou jornalista.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

 Marcus Lucenna: As minhas influências musicais são inúmeras. Mas como gosto de me definir como um poeta-cantador, eu tenho muita influência dos cantadores repentistas, dos emboladores de coco, dos cordelistas, de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, da geração de nordestinos que compreende de Raul Seixas à Belchior, Fagner, Alceu Valença, Ednardo, Zé Ramalho, dos cantadores da cena musical mundial como: Bob Dylan, Charles Aznavour e Jaques Brel. Sempre gostei de cantores que cantam as suas próprias criações, mesmo que cantem também as obras dos outros e que tenham em suas obras, letras marcantes e de fácil compreensão popular. Carrego até hoje essas influências. Mesmo que eu tenha me desencantado com a postura de alguns dos meus ídolos ao longo do tempo, não deixei de gostar das suas obras musicais, que se tornaram arquétipos para mim.

 05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

 Marcus Lucenna: Cantando e tocando violão na cozinha da minha casa para minha mãe (fazendo duetos com ela que cantava muito bem), tentando pegar os versos improvisados por meu pai enquanto viajava com ele, nas rodas de jovens da minha geração, nos festivais de colégios e para encantar as primeiras namoradas.

06) RM: Quantos CDs lançados (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que se destacaram?

 Marcus Lucenna: Comecei a gravar em 1989, ainda estávamos no tempo do vinil. Fiz meu primeiro LP – “Cantolínea Psicordélica” na POLYGRAM e já comecei minha carreira gravando com um time de músicos que estavam nas fichas técnicas dos discos dos grandes artistas da MPB. Vou destacar aqui o arranjador e guitarrista do projeto: Joca de Natal, que vinha da banda “Flor de Cactus” e que tocou guitarra e arranjou discos antológicos do Geraldo Azevedo. Os sanfoneiros (instrumentistas basilares em meu trabalho) foram: Zé Américo e Severo do Acordeon. Era um disco acústico usamos naipes de sopros em algumas músicas, muita percussão, etc. Eu me estenderia muito se fosse informar a ficha técnica inteira. Gravei quatro vinis e uns dez CDs. Sou chamado pelos meus admiradores de “Cantador dos Qu4tro Cantos”, exatamente por ter gravado discos com perfis variados. Já gravei de Tango a Rumba, passando por sambas, chorinhos, lambadas, etc. Costumo dizer que a minha marca é não ter uma única marca. Uma característica que gosto de manter em meus trabalhos é a sanfona. Se eu gravar um Rock ele vai ter sanfona tocando nele. Músicas que se destacaram: “Tome Cheiro”, “O salvador Daqui”, “A evolução do Mundo”, “O Velho Chico”, “Serenin Serenin”, “Detalhes de dois Reis”, “Um Seixo no Riacho”, “O Cantador dos Qu4tro Cantos”, “ Vexame”, “Forró 3001”, “A profecia”, “A capa do Super Homem”. Acabei de Gravar mais um CD, gravei em Fortaleza (CE) com dois grandes maestros da minha praia nordestina, Adelson Viana e Tarcísio Sardinha e mais um time de excelentes músicos.

07) RM: Como é o seu processo de compor uma canção?

 Marcus Lucenna: Sou repentista. A música e o poema nascem casadinhos. Quase que no improviso. Por isto, não tenho parceiros constantes, mesmo tendo feito músicas com muitos amigos compositores.

08) RM: Quais são seus principais parceiros musicais em composição?

 Marcus Lucena: Como falei componho muito sozinho. Mas ao longo da minha carreira fiz algumas músicas com pessoas importantes para mim, com quem eu gostaria de ter um registro poético musical das nossas amizades. Dei a elas poemas para musicarem ou peguei melodias delas para eu colocar letras ou musiquei letras delas, como: Luiz Vieira, Mirabô, Capinam, Mário Lago Filho, Maria Rio Branco, Vicente Telles, Zé Lima, Roque da Paraíba, Edson Show, Chico Pessoa, Zé do Norte, dentre outros.

09) RM: Quem gravou as suas músicas?

 Marcus Lucenna: Durante muito tempo eu não tinha interesse que outros intérpretes gravassem as minhas músicas que eu gostaria de gravar cantando, antes de passá-las para outros (as) cantores (as). Então, eu liberava aquelas músicas minhas, que eu não estava interessado em gravá-las. Mesmo assim vários artistas gravaram as minhas músicas e algumas fizeram sucessos, com Bartô Galeno, Chico Pessoa, Carlos Rilmar, Banda Shi Ray, Zé Lima, Enan Racan, Vicente Telles, Mara de Rouche, Banda Xoteados, Vicente e Bandas, etc.

10) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

 Marcus Lucenna: Eu já passei por grandes gravadoras quando a indústria fonográfica ainda estava a todo vapor e foi uma beleza. Depois fundei meu próprio selo e continuei a minha carreira com as benesses e os ônus de cuidar de tudo que uma carreira necessita. Atuei muitas vezes sozinho ou com o apoio do meu entorno afetivo. E em alguns momentos me associando a uma teia de profissionais que fazem o mesmo que eu e que se complementam, se ajudam mutuamente para sobreviverem do que gostam a música e a poesia cantada.

11) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferençar dentro do seu nicho musical?

Marcus Lucenna: Procuro me apresentar bem nos shows e ser atencioso com os fãs para ser lembrado de forma positiva por eles. Acima de tudo, respeito o trabalho do contratante, especialmente quando vejo muito público nos meus shows, eu penso: Que bom, meus contratantes fizeram um bom trabalho de divulgação. Não caio na vaidade de pensar, que aquelas pessoas chegaram até ali pelos meus lindos olhos. Elas podem até gostar de mim, mas para saberem que eu me apresentaria ali e se pautarem para vir me ver, muito trabalho foi feito. Acho importante também, gravar músicas com letras turbinadas com a força mágica do apelo emocional ou que tenham pegadas dançantes. Mas, a sorte também conta. Como conta também, aproveitar oportunidades existentes ou criá-las, se elas não existirem.

 12) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

 Marcus Lucenna: Gravam-se projetos musicais com baixos orçamentos e isto democratiza o acesso ao mercado. Por outro lado, o mercado é inundado com produções de baixa qualidade técnica e criativa.

13) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Marcus Lucenna: Uma revelação (estou falando de Forró) que tocou nas rádios e ocupou a mídia competitivamente nos últimos vinte anos, que vendeu muitos CDs e que chegou às casas e discotecas dos brasileiros de todas as classes sociais, foi somente o Falamansa. Outros fizeram sucessos regionais, aí temos bem mais gente espalhadas por muitos estados do Brasil. Falamansa ao mesmo tempo em que fez alguns belos trabalhos, mas regrediu e não emplacou mais nenhum sucesso como: “Rindo à toa”, “Xote dos milagres”, etc. O cenário do Forró, hoje está positivo de novo. Luiz Gonzaga deixou uma profecia que o Forró (os ritmos nordestinos) estoura a cada vinte anos e isto vem ocorrendo, desde os anos quarenta quando ele surgiu. Então, segundo esta profecia daqui até 2020, o Forró vai surpreender de novo criando uma nova onda, que levará o Brasil a conhecer bons Forrozeiros.

14) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

 Marcus Lucenna: Ser contratado e não fazer o show. Aconteceu três vezes, cada uma por um motivo diferente. Vou contar dois desses casos, não contarei o terceiro, esse aconteceu em Bicas (MG), me sinto mal, só de lembrar da picaretagem da qual fui vítima. No primeiro, fui contratado para inaugurar uma casa de shows em Caxias (RJ), na Rodovia Whashington Luiz, numa área de bairros populares e com muitos nordestinos. O ano deve ter sido 2001 por aí. A casa lotou, era um espaço muito bonito e a população veio para prestigiar a inauguração e ver o meu show. Durante a semana da inauguração, o dono do espaço me ligou pedindo uma orientação. Quem colocar antes do meu show para aquecer o ambiente. Eu falei: “Coloque dois trios de forró se revezando até eu chegar para cantar”. Ele, um empresário inexperiente neste ramo, dono de um restaurante grande na Barra da Tijuca que tinha música ao vivo e que resolvera investir em uma casa de shows populares na Baixada Fluminense, estava meio perdido, confuso em que linha de eventos deveria seguir pautando naquele seu novo espaço: O Forró? O Pagode? O Funk? Uma mistura de tudo isto? Estava chovendo propostas de shows no seu escritório e ele estava zonzo, tonto, sem saber o que contratar. Ele ainda argumentou comigo: “Eu tenho aqui um grupo de Funk que é do programa da Xuxa. Estão me oferecendo por um preço barato para tocar antes de você na inauguração da casa. Eu acho que será legal eles se apresentarem, pois a Xuxa poderá dar um alô do nosso evento. O que você acha?” Eu disse: “É água e óleo, esta mistura não vai dá química. Você vem fazendo uma divulgação do meu show em uma área em que sou conhecido e o forrozeiro gosta do clima bem nordestino”. Ele não me ouviu e contratou o tal grupo. Pense em uma coisa pra dá errado. Quando eu cheguei para ir para o camarim o “climão” estava formado, o povo pedindo a devolução do dinheiro dos ingressos e saindo da casa dizendo que pagaram para dançar forró e não para dançar em um baile Funk. Um inferno! O dono da casa desesperado me pedia: “Vá para o palco e acalme o povo”. Eu disse: “Meu amigo eu não posso tirar do palco os artistas que você contratou, nem vou querer ficar mal com o povo da Xuxa”, desconversei. Já tinha recebido o meu cachê antecipado. Hoje essa mistura (Forró e Funk) dá química, muita coisa mudou de lá para cá, mas naquele tempo Forró e Funk não casavam.  Outra vez foi um show beneficente na Barra da Tijuca com Elba Ramalho, Eu e o humorista cearense Falcão. Caiu um dilúvio no Rio de Janeiro nesta tarde/noite. Quando chegamos ao local do show, tinham umas vinte pessoas na casa e o Falcão saiu com esta: “Ao invés de fazermos show, nós vamos convidar vocês para jantar e fica tudo certo”. Cantamos cada um, umas duas músicas e jantamos com a plateia.

15) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical? 

Marcus Lucenna: Fico feliz ao ver espetáculos artísticos com casas cheias, com um público alegre e participativo. No entanto fico muito triste, quando vejo artista velho que fez muito sucesso, abandonado e passando por dificuldades financeiras. Nossa classe artística, especialmente a parte mais bem sucedida que atua em grandes eventos e arrecadam muito em direitos autorais, precisa ser mais generosa e criar condições de proteção para os nossos velhos que não administraram bem suas carreiras ou foram abandonados pela sorte e estão mal nos finais de suas vidas.

18) RM: Você acredita que sem o pagamento do Jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

 Marcus Lucenna: Em algumas emissoras que tenham perfis menos sistemáticos, toca sim. Em alguns programas pontuais feitos por aficionados do gênero que eu canto, também toca. Um bom divulgador que milita há muito tempo no meio radiofônico e conheça como o sistema midiático funciona e que seja íntimo dos comunicadores, dos diretores de programação das Rádios e TVs das cidades onde ele atua faz milagre acontecer na divulgação de um artista. Contratá-lo custa caro, mas dá para virar sócio dele e se o artista cair nas suas graças, adeus viola. É sucesso na certa. As amizades e relações interpessoais que um artista possa estabelecer com o meio midiático, também fazem milagres, além das permutas entre execuções das suas músicas por shows com os sistemas de comunicação ou os interesses que um artista possa despertar neles. Fora disto, o jabá também existe (pagar para a música ser tocada). Mas, o drible no famoso jabá pode ser dado, senão nenhum artista pobretão viraria sucesso.

19) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Marcus Lucenna: Traga muito amor pela música e confie no seu taco. Vá fundo e não desista se você sentir que consegue agradar o povo. Se você sabe que tem carisma, tem consciência do seu valor, bata na pedra dura com a tenacidade do frágil pingo d’água, que você vai furá-la. Se fores de fato talentoso, só falta a grande mídia te apoiar que o sucesso vem e isto você poderá conseguir se insistir, persistir e não desistir. Outra coisa: Não sinta inveja de quem faz sucesso. O sucesso e a sorte não gostam de invejosos.

20) RM: Quais os prós e contras dos Festivais de Música?

Marcus Lucenna: As cartas marcadas são os contras. Os prós são as amizades que fazemos com novos músicos e cantores (as), a confraternização, etc. O Último Festival de Música em que me classifiquei foi o FENAC – Festival Nacional da Canção em Minas Gerais, em 2015. Toquei na cidade de Guapé (MG), a música de minha autoria “Sansão e os Filisteus”. Matei as saudades do início da minha carreira, onde os Festivais de Música eram a tônica. Este Festival de Música é muito antigo e tradicional. Desde os anos oitenta eu tenho participado dele.

21) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música ainda são relevantes para revelar novos talentos?

Marcus Lucenna: Não! Nenhum sucesso da atualidade surgiu em Festivais de Música. Nem esses programas de revelação de talentos emplacam megas artistas de apelo popular. As redes sociais têm revelado mais artistas, que os Festivais de Música nos últimos tempos.

 23) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Marcus Lucenna: Uma tragédia!  A grande mídia em uma ponta, super expõe os velhos artistas já estabelecidos há décadas e que hoje só se repetem e na outra ponta massifica músicas de baixa qualidade, cantada por talentos duvidosos para atender um público nada exigente quanto ao valor artístico do intérprete ou das suas cantigas. Somos obrigados a ouvir o ótimo dos mais velhos, aqueles fonogramas gravados em suas épocas de ouro até enjoarmos de tanta repetição ou então mudarmos de estação, para não ofendermos os nossos ouvidos, ouvindo uma música de baixa qualidade. Enquanto isto a música boa, aquela música feita no agora e que tem qualidade (junto com seus criadores e intérpretes), não são mostradas (os).

24) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

 Marcus Lucenna: São excelentes espaços, que fomentam boa parte da nova cena musical Brasileira.

25) RM: O circuito de Forró nos Bairros no Rio de Janeiro como anda?

Marcus Lucena: Hoje o Forró no Rio de Janeiro está quase que todo concentrado na Feira de São Cristóvão e lá o Forró neste instante, por problemas conjunturais, não anda bem das pernas. Mas os forrozeiros do Rio de Janeiro são guerreiros e abrem novas frentes e novos espaços onde atuarem. Sr. Adélio da Silva, fundador do Forró Forrado e Francisco Camêlo, estão programando o Forró regularmente às noites terças-feiras na casa de shows “Cariocando” no bairro do Catete. E no bairro da Lapa, alguns estabelecimentos também abrem espaço para o Forró de Raiz como o Clube Democráticos, o Rio Scenarium, dentre outros. O SESC está apoiando o IPHAN na construção do registro para tombamento como Patrimônio Imaterial e Cultural do Brasil, do Forró de Raiz. No SESC Flamengo está se reunindo os forrozeiros que atuam na Cidade Maravilhosa com a paraibana Joana Alves, Marcelo Fraga, diretores do SESC e do IPHAN, para a construção do Fórum do Forró de Raiz, que aconteceu entre os dias 26, 27 e 28 de abril no Rio de Janeiro, espalhando-se por várias unidades do SESC e culminando com um grande show de encerramento do mesmo, lá na Feira de São Cristóvão, com a participação de vinte artistas forrozeiros, cada um cantando duas músicas do seu repertório de shows.

26) RM: Fale de sua atuação como cordelista.

Marcus Lucenna: Tenho alguns cordéis famosos como: “A Peleja do Cérebro Com o Coração”, “ A Voz de Luiz Gonzaga Traduz o Grande Sertão”, “ O Amor e a Vida Nos Tempos da AIDS”, “ Dívida Eterna, Eles Gastam e Nós Pagamos”. Sou Acadêmico da ABLC – Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Ocupo a cadeira número 07, cujo Patrono é João Martins de Athayde e já fui diretor Cultural da instituição.

 27) RM: Fale de sua atuação com os repentistas.

Marcus Lucenna: Sou apaixonado pela cantoria de repente e um grande divulgador desta arte musical e poética do nordeste. Os repentistas são para mim os maiores artistas do mundo. Eles fazem seus shows sem repertório. O repertório é composto na hora e no calor da plateia.

28) RM: Fale de sua atuação como radialista.

Marcus Lucenna: Tive programa nas maiores emissoras de Rádio do Rio de Janeiro. Sempre quis dar voz aos milhões de nordestinos que moram no Rio e grande Rio. Eles não ouvem as suas músicas prediletas tocando sistemáticamente no rádio carioca. Eu atendia esta demanda e fazia muito sucesso. Há três anos estou afastado do Rádio. Mas sou sempre cobrado por meu público a voltar a apresentar programa em Rádio. Nesse ínterim, fiz um progarama de TV chamado “Marcus Lucenna De Repente”, fiquei um ano na NGT canal 17 da NET aqui no Rio.

30) RM: Fale de sua atuação como gestor da Feira de São Cristóvão.

 Marcus Lucenna: Foi uma bela experiência. Dirigindo o Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, eu pude servir ao meu povo. Fiz obras importantes nela, produzi grandes eventos e trouxe o melhor do nordeste e do que os nordestinos gostam, para se apresentar por lá. E me orgulho de ter deixado uma estátua do Padre Cícero em uma das entradas, para abençoar quem frequenta e quem trabalha nela. Por minha luta junto aos feirantes e seus frequentadores, para que ela não fosse arrancada de São Cristóvão em um passado recente e em seu lugar fosse construído um Shopping, a Feira de São Cristóvão me fez ganhar os títulos de Cidadão Carioca e Cidadão Fluminense das duas casas legislativas (as famosas Casas do Povo), a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro e a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Um grande orgulho para este “Pau de Arara” que chegou ao Rio de Janeiro sem nada, sem alavanca e nem ponto de apoio e que já ganhou tanto deste lugar que amo e que me adotou como seu filho legítimo.

 31) RM: Quais os projetos futuros?

Marcus Lucenna: Acabei de gravar um novo CD e estou lançando dois livros neste ano de 2018. O CD lançarei no período junino e os livros na Bienal do Livro de São .

32) RM: Quais os seus contatos para show e para seus fãs?

 Marcus Lucenna: (21) 99613 – 8938 | [email protected]

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.