Márcia Morelli

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A cantora e compositora paulista Márcia Morelli têm uma voz grave e singular, além de ser ótima percussionista. É uma autodidata e mostra toda sua criatividade através das melodias agradáveis e letras inteligentes. Nasce ao mesmo tempo letra e melodia.

Com uma poesia urbana, realista que pode chocar os mais românticos, mas agradável de ouvir. A semelhança da voz e do estilo Cássia Ellen, é por puro referencial. Tem composições no mais variados gêneros musicais: Rock, Balada, Xote, Samba, Choro, Batuque, Blues e MPB Pop. Márcia trabalhou muitos anos com musicais para teatro, tem um acervo enorme de letras, crônicas e poemas. Gravou em 2005 seu primeiro CD – “tempo. com”, é todo autoral e independente. Contou com a participação dos músicos: René Seabra , JhonnyMarcelo SkenavoPriscila BriganteMarco Bertaglia , Felipe SoaresFabiano de Castro. São 11 canções inéditas. Ela não pára de produzir e já trabalha no segundo CD.

Segue abaixo a entrevista exclusiva com Márcia Morelli para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01 Dezembro 2007:

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?  

Márcia Morelli: Nasci no dia 26 de agosto de 1966 em São José do Rio Preto – SP.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música. 

MM – Minha tia Ivete (irmã do meu Pai) é professora de piano, cresci na casa dela, ouvindo os alunos. Comecei aprender piano clássico aos 05 anos. Meu pai tem um vozeirão e antes de sofrer um AVC tocava Violino e violão. Pelo menos uma vez por mês nos reuníamos em volta do piano à noite para ouvirmos minha tia, meu pai e uma cantora chamada Nadir “afilhada da minha avó”. Era muito bom! Minha mãe ouvia rádio o dia inteiro! Segundo minha mãe eu cantada no berço com seis meses (risos).

3-) RM – Qual sua formação musical e\ou acadêmica (Teórica)? 

Márcia Morelli: Interrompi as aulas de Piano no sexto ano e comecei a estudar Violão popular aos 11 anos de idade, depois me interessei por ritmos afro brasileiro e fui pesquisar sozinha, então descobri que amo percussão. Também fiz teoria musical em um curso ministrado pela Ordem dos Músicos do Brasil de teoria musical. Mas não tenho uma formação acadêmica. Pretendo retomar as aulas de Piano ainda esse ano.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente? 

Márcia Morelli: Meu pai ama seresta e tango, cresci ouvindo muito tangos e serestas. Aos 13 anos de idade, eu cantava com José da Conceição (um músico clássico e violonista maravilhoso) que me apresentou todo repertório de Elis Regina e Ivan Lins. Minha mãe adorava Beth Carvalho, Agepê, Benito di Paula, Maria Bethânia e minha tia era fã de Moacir Franco. Ouvi centenas de vezes esses discos. Toda essa diversidade me deu versatilidade, e foi de extrema importância ouvir tudo! Eu era fã da Janes Joplin!  

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical? 

Márcia Morelli: Comecei com um convite do violonista José da Conceição que tocou com Elis Regina, em Araraquara – SP, cantando em pizzarias, cafés, casas noturnas aos 13 anos de idade com a permissão de meus pais (Roberto Carlos Morelli e Guaraciaba Dias Machado).

06) RM: Fale do seu primeiro CD.

Márcia Morelli: Gravei meu primeiro CD – “Tempo.com”, em 2005 no estúdio Tonelada em São Paulo. Participaram oito músicos que foram uma benção, superprofissionais e talentosos estou gravando o segundo esse ano (2007). Dos Músicos do Cd: O baixista René Seabra (ex Golpe de Estado), o baterista Jhonny (toca com Christian e Ralf), Marcelo Skenavo é multi-instrumentista (Da Galera do Rockestra), percussões e bateria Priscila Brigante (toca com Chico César, Renato Teixeira, Creolina, Vozes Bugras), no violão 7 cordas Marco Bertaglia (Um mestre), no acordeon Felipe Soares, no pianista Fabiano de Castro. E o super Rodrigo Loli engenheiro de som e dono do estúdio que foi excepcional na mixagem, timbres e direção.

07) RM: Como você define seu estilo?

Márcia Morelli: Adoro compor MPB, Pop e samba. Então acho que sou MPB mesmo (riso).

08) RM: Quais são seus principais parceiros musicais?  

Márcia Morelli: Não tenho parcerias, por enquanto faço tudo sozinha. Fiz mês passado uma letra para o grupo de rock Pedra. Quer dizer fiz dois terços da letra!

09) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente? 

Márcia Morelli: Prós: você aprende tudo sobre o universo fonográfico e é dono do seu nariz! Faz o que quiser com seu trabalho. Contras: não tem espaço em rádios, grandes casas, têm uma dificuldade imensa em divulgar porque falta dinheiro. Dificulta para levar o show a outras cidades! É isso. As coisas melhoraram para mim, pois agora eu tenho Selo (Cooperativa de Música de São Paulo) e distribuidora (Tratore).

10) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Márcia Morelli: As revelações: Adriana Calcanhoto, Marisa Montes, Carlinhos Brown, Zeca Baleiro, Jorge Vercilo, Lenine, Cássia Eller, Ana Carolina, Zélia Duncan, Titãs, Marina Lima, Chico César, Vanderly, dos últimos 20 anos são muitos. Da galera Pop, MPB que é minha praia acho que o pessoal está segurando a onda com a mesma qualidade! E se citar os independentes a lista seria enorme e cheia de talentos!

11) RM: Nos apresente a cena musical paulistana e quais os lugares que abrem espaço para o artista independente? 

Márcia Morelli: Não há muitos lugares para independentes, mas não podemos deixar de citar espaços muito interessantes: Villaggio Café, FNAC, Livrarias Saraiva, Livraria Cultura, Crowne Plaza, Clube Caiubi, Sescs, Itaú Cultural, Teatro FECAP, Centro Cultural São Paulo.

12) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosto, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Márcia Morelli: Felizmente nunca me aconteceu nenhuma situação vexatória, desagradável! Acho que é de tanto que eu oro antes dos shows (risos).

13) RM: Como é seu processo de compor? 

Márcia Morelli: É bem simples. Eu sento e escrevo. Componho no silêncio, às vezes no violão, escrevo letra e música simultaneamente ou apenas letras. Em outras ocasiões fico com uma melodia por vários dias antes de compor a letra. Eu leio muito, sou uma devoradora de livros, então tudo me inspira. Seja o cotidiano, minha história, temas atuais, às vezes um pensamento. Assim é que acontece. Sem horário, sem premeditar, basta eu me propor a compor que sempre sai alguma coisa.

14) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical? 

Márcia Morelli: Mais feliz é quando as pessoas reconhecem meu trabalho, digo a qualidade e o carinho com que foi criado. O respeito a ele. E triste, é esbarrar em grana toda hora. Jabás, Assessoria de imprensa, e ver tantos como eu, com trabalhos lindos emudecidos, quase invisíveis!

15) RM: O que você diria para alguém que quer trilhar uma carreira musical? 

MM – Acredite piamente que você atingirá todos os seus objetivos. Porque perdi muito tempo ouvindo: “Música não dá dinheiro”, “não dá para sobreviver”. E com isso desperdicei um tempo precioso trabalhando em áreas que nada tinham a ver comigo! Se quiser comece acreditando, priorizando sua carreira.

16) RM: Quem são os músicos conhecidos que você se espelha como um padrão de criatividade e profissionalismo? 

Márcia Morelli: Lenine, Maria Bethânia, Zeca Baleiro, Chico César, Kleber Albuquerque, Élio Camalle, Klébi Nori.

17) RM: Você acredita que sua música vai tocar nas rádios sem o jabá? 

Márcia Morelli: Acredito porque minhas canções já tocam em mais de 20 emissoras de rádios nacionais, dois internacionais e nunca paguei nada. Ainda existe profissionais, que se você tem qualidade e o perfil da rádio, a música entra na programação.

18) RM: Quais os projetos futuros?

Márcia Morelli: Estou agora concentrada no novo disco. Quero retomar aulas de piano, fazer um curso de Home Studio, trazer parceiros para minhas canções, viajar com shows pelo interior de São Paulo e outros Estados. Encontrar um empresário (a) para viabilizar meu trabalho.

19) RM: Quais os seus contatos?

Márcia Morelli: [email protected]

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.