Marcelo Lavrador

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Marcelo Lavrador
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O cantor, compositor, violonista paulistano Marcelo Lavrador toca violão desde os sete anos de idade.

Seu estilo de tocar mistura o clássico, o flamenco, o violão tipicamente brasileiro, o jazz e o rock. Trabalhou em algumas gravações comerciais e é professor de guitarra, violão e baixo. Nas suas composições pode-se notar essa mistura de diversos estilos. Seu trabalho como compositor, porém, vai além do gênero instrumental, ele é também letrista. Participou de alguns Festivais de Música obtendo algumas premiações, como primeiro lugar no Festival de Mogi Guaçu – SP em 2004; segundo lugar no Festicar de Araucária em 2004; melhor instrumentista do Festicol de Colatina em 2004; melhor violonista do Festival de Voz e Violão de Maricá em 2004; melhor instrumentista do Festival Moenda da Canção de 2005 em Santo Antônio da Patrulha – RS; melhor letrista nos Festivais de Americana-SP em 2005; melhor letrista no Canta Prados em 2005; segundo lugar no Festival de Barueri-SP em 2007, segundo lugar no Festival de Itaquaquecetuba – SP em 2008, segundo lugar no Festival de Ponta Grossa – PR em 2008, primeiro lugar no Festival de São Vicente-SP.

Lançou dois álbuns instrumental: Casa das Bruxas e Constelações. O primeiro é visceral e tem influência flamenca e música regional brasileira. A música Casa das Bruxas foi finalista do Projeto Nascente USP em 2001 e do FAMPOP de Avaré – SP em 2003 e obteve premiações também em outros Festivais de música. Ela abre e traz o título do CD, mas também anuncia o que vem na sequência. O segundo traz composições mais suaves e serenas. Evocam vibrações pacíficas e tranquilas, ideais para a prática de meditação e relaxamento. Convida o ouvinte à fazer uma viagem para observar as estrelas, durante uma noite: do fim de tarde até o amanhecer. Com exceção da primeira e da última música, intituladas “Final de Tarde” e “Sol Nascente”, as outras oito faixas trazem os nomes de constelações.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Marcelo Lavrador para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 16.04.2011:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Marcelo Lavrador: Nasci no dia 16 de abril de 1973 em São Paulo. Portanto, tenho apenas 20 anos de carreira, lógico (risos).

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música,

Marcelo Lavrador: Sou filho de nordestinos, baiano por parte de pai e cearense por parte de mãe. Lembro que tinha muitas festas em casa, com muita música. E meu tio (irmão de meu pai, que é músico e cantor), quando estava em São Paulo, era quem comandava a cantoria. Lembro também de minha bisavó paterna Dona Anita, tocando, cantando valsas e choros no violão. Ela morreu aos 1982, eu tinha 9 anos de idade, mas ainda consegui aprender uma valsinha com ela.

03) RM: Qual a sua formação musical e acadêmica fora música?

Marcelo Lavrador: Fiz o curso técnico em mecânica dos 15 aos 19 anos na antiga Escola Técnica Federal de São Paulo. Depois me formei em Economia pela USP.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Marcelo Lavrador: Eu sempre ouvi diversas coisas ao mesmo tempo e isso é até hoje. De Luiz Gonzaga Iron Maiden, de Paco de Lucia a Hermeto Pascoal, de Ulisses Rocha a Steve Vai, de Badi Assad a Steve Morse, de Lenine a Sepultura, de Uakti a Deep Purple, de Arismar do Espírito Santo a Van Halen, de Tom Jobim a Duofel, Villa Lobos a Joe Satriani. Enfim, jazz, blues, música instrumental brasileira, música popular brasileira, rock, heavy metal, música erudita. Todas foram e são importantes. Às vezes fico um tempo sem ouvir determinado artista ou estilo, mas um dia sempre volto para uma visitinha.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Marcelo Lavrador: Bem, eu toco violão desde os 7 anos de idade. A guitarra elétrica veio alguns anos depois. Sou professor de música há mais de dez anos, mas bem antes de me formar em Economia, até antes de entrar na Faculdade eu já tocava em bares, com bandas ou solo. Porém, até dois anos após a formatura sempre tive uma atividade paralela. A partir de 2003 é que eu mergulhei integralmente na música. A grana pode não ser muita, mas a satisfação é plena.

06) RM: Quantos CDs lançados (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil de cada CD? Quais as músicas que se destacaram em cada CD?

Marcelo Lavrador: Meu dois CDs são instrumentais, em que o principal instrumento é o Violão. Mas tenho várias canções com letras que ainda não tive a oportunidade de lançá-las. O primeiro CD – “Casa das Bruxas” é de 2001. É mais agressivo que o segundo CD – “Constelações”, de 2008. “As Bruxas” são mais viscerais, têm uma forte influência de música flamenca, mas também da música brasileira regional e instrumental. Não tenho filhos preferidos em nenhum dos dois. Mas, se for para destacar, eu destacaria do primeiro as músicas: “Casa das Bruxas”, “Música Atlântica”, “Canto do Fogo” e “Baião de Dois da Adenir”. Do CD – “Constelações” eu destaco as músicas: “Final de Tarde”, “Pégasus”, “Órion” e “Cruzeiro do Sul”.

CD – “Casa das Bruxas” foi produzido por Eduardo Gebara, contou com a presença de alguns amigos, Luiz Eduardo no baixo, Wilson Mister Emanuel no violino, Mingo Jacob na percussão e o próprio Eduardo Gebara.

O segundo CD – “Constelações” foi produzido por mim e por Bruno Pompeo que também executou o Teclado, samples e plugins. E contou com as participações de Marcus Sancturis no sitar e percussão, de Zé Gomes, morto em 2008, no violino e Juliana Kehl vocalize e que também fez a arte e o projeto gráfico da capa.

07) RM: Qual o perfil do seu trabalho musical?

Marcelo Lavrador: Pelas minhas diversas influências, eu componho muitas coisas diferentes. Estas diferenças estão tanto nas canções como nas músicas instrumentais. Não sei definir um perfil. Simplesmente procuro compor com alma e com honestidade.

08) RM: Qual a influência da técnica do Violão Flamenco no seu trabalho musical?

Marcelo Lavrador: No primeiro trabalho “Casa das Bruxas” esta influência é muito mais forte que no segundo “Constelação”. Eu quando adolescente fui a um show de Paco de Lucia e saí crente que tinha visto um ET. Procurei conhecer um pouco mais sobre a música flamenco. E também sobre compositores espanhóis como TarregaIsaac Albeniz e outros. Mas também a influência dos violonistas brasileiros é muito forte no meu trabalho.

09) RM: Como você se define como violonista?

Marcelo Lavrador: Um compositor.

10) RM: Como foi a sua formação como violonista?

Marcelo Lavrador: Eu tive alguma formação em escolas, como o CLAM, a ULM, o EMT (em que fiz alguns cursos de teoria). Mas também passei muito tempo desenvolvendo, estudando, criando sozinho, muito através da intuição. Meus principais mestres foram Conrado Paulino e Ulisses Rocha, que dispensam comentários. Atualmente estou fazendo um curso breve de improvisação com Michel Leme, que é também um monstro. Mas gosto de citar a Badi Assad como mestra, apesar de nunca ter estudado com ela. Eu passei muito tempo durante a adolescência tocando guitarra em bandas de rock. Porém, achava que estava papagaiando, macaqueando guitarristas gringos sem criar nada que eu realmente gostasse. Até que vi um show daquela bruxa (Badi Assad) em 1994 e fiquei tão impressionado que parei de tocar por quase um mês. A partir de então voltei definitivamente para o Violão. Sou guitarrista ainda, mas o Violão desde então voltou a ser meu instrumento principal, aquilo que era no começo desde que me entendo por gente.

11) RM: Na sua opinião quais as principais técnicas que um violonista deve conhecer e praticar?

Marcelo Lavrador: O Violão é um instrumento ingrato muitas vezes. Você tem que agradá-lo o tempo todo, mas nem sempre ele está para conversa com você. Porém, se você deixá-lo uns dois dias, ele te deixa uma semana, se você deixá-lo uma semana, ele te deixa um mês. Bem, eu nunca deixei o meu um mês sem meus paparicos, não sei do que ele é capaz de fazer comigo depois (risos). O estudo de Violão é eterno, sempre tem coisas novas para aprender.

12) RM: Qual é o maior defeito que um violonista deve evitar?

Marcelo Lavrador: Eu não diria somente para violonistas, mas para instrumentistas em geral. Na hora de tocar, não se preocupar com mais nada a não ser tocar com o coração. Há muitos instrumentistas que tocam como máquinas, têm muita técnica, mas falta intensidade, falta deixar fluir a pulsação das veias para o instrumento; como se o instrumentista, o instrumento e a música fossem uma coisa só. Outra coisa importante é conhecer e respeitar os limites do seu corpo. Muitos instrumentistas têm problemas de tendões, LER (Lesão do Esforço Repetitivo). Eu mesmo comecei a ficar mais atento para postura na hora de estudar e passei a praticar RPG, depois que o problema de “umidade avançada” começou a me causar fortes dores nas costas.

13) RM: Existem violonistas mais vaidosos que vocalistas?

Marcelo Lavrador: Eu não acredito que isto seja possível. Já vi muitas coisas nesta vida, mas isto ainda não. Se alguém encontrar uma mosca branca destas me mostre.

14) RM: Quais os violonistas que foram e são a sua referência?

Marcelo Lavrador: Baden Powell, Sebastião Tapajós, Raphael Rabello, Paco de Lucia, Badi Assad, Duo Assad, Ulisses Rocha, Conrado Paulino, Turíbio Santos, Duo Fel, Paulinho Nogueira, Paulo Bellinati, Michael Hedges, Egberto Gismonti, André Gereissati, será que esqueci mais alguém? Provavelmente.

15) RM: Você também canta?

Marcelo Lavrador: Sim, trabalho muitas vezes como cantor. Às vezes até mais que como violonista. Participo de muitos Festivais de Música pelo Brasil afora, às vezes minha irmã, Mariana Timbó é a intérprete, ás vezes sou eu mesmo que tenho que dá a cara à tapa.

16) RM: Você estudou técnica vocal?

Marcelo Lavrador: Quando tocava em bares, sozinho, esquema voz e violão, no final da noite eu ficava quase afônico. Forçava a voz por não ter técnica nenhuma, então fui fazer algumas aulas. A voz é um instrumento como outro qualquer, tem que cuidar.

17) RM: Quais os cantores e cantoras que você admira?

Marcelo Lavrador: Mônica Salmaso, Renato Braz, Milton Nascimento, Mariana Timbó, Badi Assad, Lenine, Djavan, Rita Ribeiro, Ná Ozzetti, Clarissa Bruns, Janaína Pereira, Ney Matogrosso, Elomar, Geraldo Azevedo, Xangai, Zé Ramalho, João Nogueira, Gilberto Gil, Bruce Dickinson, Ian Gillan, Dio, Ozzy Osbourne e etc.

18) RM:  Como é o seu processo de compor música instrumental? Você também compõe canção?

Marcelo Lavrador: O processo de compor é tão variado como as minhas influências. Componho bastante com o instrumento em mãos, isolado, recluso, mas também sem ele, em conjunto ou parceria, andando na rua, cantarolando, no trânsito, no banco, caminhando na praia ou até sentado na privada. Afinal de contas obra é obra. Se não servir dá descarga. Décadas atrás, eu escrevia poesias e compunha músicas, mas não conseguia juntar as duas coisas. Comecei compondo música instrumental, peças para violão, as poesias diversas, até então não pensava em musicá-las, assim como não pensava em pôr letras nas minhas melodias. Algumas pessoas me perguntavam se eu tinha canções com letras. Eu tinha poemas, tinha letras e tinha melodias, mas havia um abismo entre elas. Busquei a ponte para o abismo e passei a musicar alguns de meus poemas. Um dos primeiros foi o poema “Lavrador” que escrevi na época do colégio técnico aos 16 anos, foi por coincidência a primeira música com letra que inscrevi em Festivais de Música. Desde então, “Lavrador” passou a ser meu sobrenome. Passei a lavrar nas terras dos sons e das palavras, às vezes a colheita é mais farta e rápida, às vezes ela custa a aparecer, mas sempre brota algo destas terras. Gosto das parcerias, sempre aparecem ideias que eu mesmo jamais pensaria, sejam elas palavras ou melodias.

19) RM: Quem já gravou as suas músicas com letras?

Marcelo Lavrador: Clarissa Bruns, Moni Correa, Mariana Timbó, Cataia.

20) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Marcelo Lavrador: A independência te dá total liberdade de criação. Estamos falando de arte, não de produto enlatado para simplesmente vender como chiclete. Para produtoras e selos cujo compromisso é unicamente financeiro, definitivamente o meu trabalho não interessa a eles. Ainda bem! Mas a desvantagem está na divulgação e na distribuição. Apesar de ser independente de selos, o meu trabalho é totalmente dependente de mim. Então, eu sempre procuro parceiros que tenham os mesmos valores em relação à arteA internet é uma ferramenta importantíssima para quem desenvolve uma carreira independente como eu. Esta entrevista aqui na Ritmo Melodia é um ótimo exemplo disto. E sem ter que pagar jabá nenhum para divulgar, o máximo que eu pago é uma cerveja bem gelada qualquer dia destes… Para quem tiver interesse e paciência, meus dois CDs podem ser baixados da internet. Para baixar as Constelações clique:  http://umquetenha.org/uqt/?p=11683

Para baixar a Casa das Bruxas: http://umquetenha.org/uqt/?p=3215

Às vezes dá um problema de conexão ULR, aí copie e cole na barra de endereços que dá certo. Algumas pessoas me disseram “mas você não está ganhando nada liberando os CDs?”. Muito pelo contrário, graças a este tipo de divulgação, muita gente que não me conhecia me convida hoje para fazer workshop e shows. Ali, sempre estou vendendo meus CDs, para quem quiser tê-los palpáveis à mão.

21) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira na cena musical instrumental?

Marcelo Lavrador: A música instrumental é música pura, fala por si. Ela é atemporal, universal, se funde com outras influências, tanto regionais, étnicas, como acadêmicas. E esta transformação é fascinante. Hoje parece algo muito natural o jazz misturado com ritmos latinos, mas isto é fruto de uma transformação, de uma fusão. Você pode não falar a mesma língua de um instrumentista e nem de quem está te ouvindo, mas mesmo assim você consegue se comunicar com eles, passar e receber muitas mensagens. É interessante como a nossa música instrumental é reverenciada, é imitada em diversos países. Existem reverência e referência com relação à nossa música instrumental. Mas no nosso país ela é considerada pela grande mídia como alternativa, quase uma música de gueto. Faça uma enquete nas ruas perguntando às pessoas se conhecem Hermeto Pascoal, o maior músico do mundo. Veja depois o resultado. Pergunte também quem é o BBB (Bunda X Bunda X Bunda = Bunda3) da semana, veja o resultado.

22) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Marcelo Lavrador: O melhor e o pior possível. Artistas e músicos talentosíssimos se apresentam em lugares como SESC, Centros Culturais, Teatros e Festivais de Música por todo o país. Mas a grande mídia e os produtores comprometidos unicamente com o lucro, vendem este monte de lixo que é só ligar a televisão para ver e ouvir. É como se a Televisão fosse uma janela e alguém atirasse através dela um monte de cocô dentro da tua casa. Ave Santa Clara! O nosso ex-ministro da Cultura Gilberto Gil (que como cantor e compositor eu admiro) em uma entrevista, ainda ministro, no canal MultiShow rebateu essa história de quem chama a música comercial de lixo. Ele disse que o lixo era o produto de qualquer trabalho criativo, e que depois que nós seres humanos nos alimentamos, vamos defecar. As fezes provinham do alimento que nos serve energia para trabalharmos e criarmos, nos elevarmos até espiritualmente, aquela verborragia que lhe é peculiar. Então o nosso ex-ministro concluiu: “… em última instância, o nosso cocô é Deus!” Genial, não? Depois desta frase eu perdi completamente a esperança de alguma melhora no cenário cultural e musical durante a sua gestão. Temos que fazer por nós mesmos. A frase “… cocô é Deus” dizia acima de tudo de que lado o ministro da cultura sambava, tomando emprestada a expressão de Chico Science. O que acontece no cenário musical assim como na cultura como um todo é uma consequência do que acontece com a educação. Com esta história de que o mercado é soberano, formam-se profissionais úteis, funcionais, mas não se forma cidadãos. Não é à toa que muitos apologistas da “soberania do mercado” questionam a existência das universidades públicas e as verbas a elas destinadas, que no nosso país são as instituições que mais desenvolvem pesquisas científicas.  Em suma, é o mercado subordinando a ciência, as artes, a cultura e a educação, aos seus interesses funcionais. A consequência disso só pode ser desastrosa. Não sei se a médio, se longo prazo ou se já estamos vivendo este desastre.

23) RM: Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Marcelo Lavrador: Depende do público que você menciona. Eu admiro meus mestres e todos os artistas e músicos que citei como referência. Eles são exemplos que eu procuro seguir.

24) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Marcelo Lavrador: Muitas histórias… Eu tocava com a minha irmã, Mariana Timbó em alguns bares na Vila Madalena. Uma vez um dono de bar chamou a gente para tocar numa quinta-feira. Quando chegamos ao lugar, tinha meia dúzia de gato pingado e o dono do bar que tinha combinado conosco (um velho bigodudo com a cara cheia de cachaça assistia a um jogo na televisão, nos olhou com aquela cara de “quem são vocês?”). O garçom sem graça ainda pediu para que nós esperássemos o fim do jogo para começar a tocar. Demos meia-volta e fomos embora. Mas já cometi várias gafes, como pisar no cabo da guitarra e arrancá-lo na hora do solo. Derrubar amplificadores, microfones, instrumentos que por alguma razão se enrolaram nos meus pés. Xingar em sigilo, falar aquele belo palavrão  por causa da aparelhagem do lugar esquecendo que o microfone estava ligado. Uma vez, tocando em um bar com um percussionista, um casal bêbado que estava dançando, caiu em cima da gente. Já caí de cara no palco quando ia subindo para dar uma canja. Bem, histórias bizarras, algumas engraçadas outras nem tanto, não faltam.  Existe aquela pergunta clássica de muitos gerentes e donos de bares que adoram ganhar em cima do músico, fazem: “Você tem um público para trazer?”. Eu respondo com uma pergunta tão cretina quanto: “Quando você contrata um garçom, você também pergunta se ele vai levar uma galera para comer e beber no teu bar?” Este é o tipo de lugar que já embalei muitas moscas com as minhas canções.

25) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Marcelo Lavrador: Feliz é fazer algo com paixão acima de tudo. Mas o que me deixa triste é não ser valorizado muitas vezes como profissional. E isso não é só comigo individualmente, mas com toda uma classe. A nossa precisa se organizar e se unir como uma verdadeira classe profissional, com seus direitos e deveres, como qualquer outra. Os camelôs, que é uma categoria considerada da economia informal, conseguem se organizar e se unir de forma muito melhor que os músicos.

26) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Marcelo Lavrador: Muitos artistas talentosos, músicos excelentes se apresentam diariamente em São Paulo. As opções são as mais variadas é só ver os diversos guias. Ainda assim é muito artista para pouco palco, muita bunda para pouco talco.

27) RM; Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Marcelo Lavrador: O CD – Na Zoada do Arame de Ricardo Vignini, além do seu trabalho inovador com a Moda de Rock e de sua banda Matuto Moderno. O CD – Foto do Satélite de Arismar do Espírito Santo. São os que mais que recomendo.

28) RM: – Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Marcelo Lavrador: Em rádios que valorizam a arte e a música por si como a Educativa de Curitiba, algumas músicas minhas já tocam; instrumentais dos meus dois CDs e canções, como é o caso de “Sem Louvor e Sem Censura” gravada por Clarissa Bruns.

29) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Marcelo Lavrador: Estude, acredite. Você vai ouvir que vai morrer de fome, que música não dá dinheiro, que não é profissão. Muitas vezes pessoas com a melhor das intenções vão tentar fazer com que você desista e procure algo decente para fazer, ou que pelo menos que leve a música como uma simples diversão. Mas se o vírus da música está na sua veia, não adianta. Então, estude bastante, atualize-se, conheça tudo o que puder. Siga os melhores exemplos.

30) RM: Quais os seus projetos futuros?

Marcelo Lavrador: Quero fazer um CD de canções que já tenho o projeto, chamará “De Volta ao Lagamar”. Outro CD instrumental chamado “Regiões”. E terminamos as gravações da banda que faço parte, “Caldeira”, que em breve faremos a divulgação.

31) RM: Quais seus contatos ?

Marcelo Lavrador: (11) 97317 – 3421 | [email protected]

| www.myspace.com/marcelolavrador

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.