Marcel Powell

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Marcel Powell
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O violonista Marcel Powell nasceu em Paris – França em 1982 e é músico profissional desde os 9 anos de idade, seu professor foi seu pai um dos ícones da música brasileira e mestre do violão brasileiro Baden Powell.

Com o pai além das aulas em casa, teve a oportunidade de aprender seu ofício viajando, gravando, e atuando profissionalmente pelo mundo. Com Baden, Marcel gravou dois discos: Baden Powell e filhos (1994) que foi gravado ao vivo no Rio de Janeiro – RJ e Suíte Afro consolação (1997) gravado no Japão, ambos com a participação de seu irmão Philippe Baden ao Piano;

Em 2005 formou o “Marcel Powell trio’’ que rendeu o disco “corda com bala’’ lançado no Brasil pelo selo ‘’Rob Digital’’ e no Japão em 2013 pelo selo “Respect Records’’. Marcel Powell tem seis discos lançados no Brasil, Europa e Japão. Recentemente lançou pelo selo Kuarup o CD – “Violão, voz e Zé Kéti’’ acompanhado do cantor carioca Augusto Martins. Uma bela Homenagem ao compositor Zé Kéti.

Ele já atuou em 16 países entre América do Sul, Europa e Asia. Foi consagrado pelo conceituado crítico musical Tárik de Souza como “jovem mestre do violão brasileiro’’ em 2006, vencendo no mesmo ano o Prêmio Rival Petrobrás de melhor instrumental solo’’ com disco “Aperto de mão’’ lançado pelo selo “Rob digital’’. Já Atou profissionalmente com grandes nomes da MPB como: Diogo Nogueira, Emilio Santiago, Leni Andrade, Alcione, Elymar Santos, Adriana Calcanhotto, Maria Bethânia e grandes instrumentistas nacionais e internacionais como: Léo Gandelman, Hamilton de Holanda, Gilson Peranzzetta, Armandinho, Raul de Souzae Sadao Watanabe.

Segue abaixo entrevista exclusiva de Marcel Powell para a 28.03.2016:

01-) Ritmo Melodia – Qual sua data de nascimento e sua cidade natal?

Marcel Powell – Eu nasci no dia 30/03/1982, em Paris – França, batizado como Louis Marcel Baden Powell de Aquino.

02-) RM – Fale do seu primeiro contato com a música?

Marcel Powell – Com três anos e meio de idade na cidade Baden-Baden – Alemanha tocando Violino. E toquei Violino até os cinco anos de idade, mais ou menos, e foi quando eu cheguei ao Rio de Janeiro – RJ.

03-) RM – Qual sua formação musical e acadêmica fora música?
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Marcel Powell – A minha formação dentro e fora da música são incompletas no contexto de Diplomas e aprendizado. Eu não cheguei a finalizar na escola o segundo grau, hoje ensino médio. E na música as minhas aulas foram em casa com meu pai (Baden Powell), mas na música, mesmo após um diploma o nosso aprendizado não termina. Podemos ter adquirido um conhecimento muito bom após um diploma, porém como diz o meu pastor Mauricio Fragale, que é um sábio homem de Deus: o Bom é inimigo do ótimo, e não a nada que esteja bom que não possa melhorar.

04-) RM – Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Marcel Powell – Nenhuma influência deixou de ter importância na minha vida musical. A primeira influência muito forte foi com meu pai (Baden Powell), como é até hoje e outras foram sendo acrescentadas ao longo da vida, como por exemplo, o fantástico pianista francês: Michel Petrucciani e o Organista francês Eddy Louiss, desde que eu ouvi-os pela primeira em Paris, quando morei na minha adolescência marcaram muito minha vida. E outros músicos maravilhosos foram tomando lugar na minha vida: Egberto Gismonti, Gilberto Gil, João Nogueira, Leni Andrade, Michel Legran, e por ai vai.

Alguns artista tem ordem cronológica de entrada na minha vida, começou pelo meu pai e em seguida Leni Andrade, depois de um show dela que assisti no teatro Rival no Rio de Janeiro. Eu tinha 10 ou 11 anos de idade, que show da Leni, em seguida Michel Petruciani e Eddy Louis em Paris já com 12 anos de idade, depois não me lembro muito da ordem mais esses 4 primeiros foram marcantes.

05-) RM – Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Marcel Powell – A minha carreira profissional começa no Rio de Janeiro – RJ com 10 anos de idade, depois de um pedido meu feito ao meu pai para me ensinar Violão. Eu já dando umas arranhadas nas cordas por conta própria, pelo fato da ambiência musical ser muito forte na minha em casa. E nas festas sempre estavam presentes Billy Blanco, João Nogueira, Paulo César Pinheiro, Ronaldo do Bandolim etc… Daí eu comecei a me interessar e fiz o pedido ao meu pai para começar na carreira musical.

06-) RM – Fale do seu primeiro CD (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical do CD? E quais as músicas que se destacaram no CD?

Marcel Powell – O meu primeiro CD sem o meu pai (Baden Powell), na verdade é o meu terceiro, pois eu já havia gravado dois anteriores com meu pai e meu irmão. Esse disco foi lançado no Japão unicamente e foi produzido por um produtor japonês chamado Yoshida que atuou também como baterista. Esse disco foi gravado no Rio de Janeiro em 2002, eu tive alguns convidados como Diogo Nogueira, Claudia Telles, Ana Martins (filha da Joyce), Jorge Simas (Violão de 7 cordas), Jorge Helder (Baixo), Pedro Amorim (Bandolim), Marcos Suzano (Percussão), arranjos do Alain Pierre, Philippe Baden Powell (Piano). Um disco instrumental embora tenha algumas faixas cantadas, as faixas que mais gosto são Lua Aberta (João de Aquino / Paulo Frederico), Berimbau (Baden Powell / Vinicius de morais) e Vou deitar e rolar (Baden Powell / Paulo César Pinheiro).

Discografia em ordem cronológica:

(2013) Violão, Voz e Zé Kéti (Augusto Martins e Marcel Powell)
(2009) Marcel Powell Trio – Corda com Bala
(2005) Marianna Leporace Canta Baden – Participação Especial
(2005) Aperto de Mão
(2003) Que Falta você me Faz – Participação Especial
(2003) A Bossa de Billy Blanco – Participação Especial
(2002) Samba Novo
(1997) Baden Powell Suite Afro Consolação
(1994) Baden Powell e Filhos

07-) RM – No seu primeiro CD só tem uma composições de sua autoria. O que lhe motivou escolher os clássicos da MPB para o seu primeiro CD e não as próprias composições?

Marcel Powell – Eu não tenho muitas composições, e nem me dedico muito a compor. E o produtor e eu escolhemos as músicas que seriam gravadas.

08-) RM – Como você define seu estilo musical?

Marcel Powell – Música Instrumental Brasileira pura e genuína.

09-) RM – Como você se define como violonista?

Marcel Powell – Eu sou um concertista de Violão.

10-) RM – Quais as principais técnicas que você indica para quem quer tocar bem o violão?

Marcel Powell – Técnica de apoio e arpejos.

11-) RM – Você teve aula de Violão com seu pai Baden Powell?

Marcel Powell – Sim.

12-) RM – Como era o Baden como professor?

Marcel Powell – Bastante rigoroso e detalhista, mas seus ensinamentos eram preciosos e sou muito grato á Deus por cada um, desses ensinamentos.

13-) RM – Como foi para você escolher o Violão tendo seu pai como o “Rei do Violão”?

Marcel Powell – Foi uma escolha muito natural, como todo filho tem o pai como herói, eu tinha o meu pai (Baden Powell) como meu herói na música. E isso era um fator que me fez querer ainda mais ser violonista, quando se é criança não se tem a preocupação com possíveis comparações, criticas ou elogios. O fato do Baden, ser o “Rei do Violão”’ não me atrapalhou, na verdade até me incentivou e foi determinante para que eu escolhesse o Violão, pois era extremamente fascinante e prazeroso ouvir o meu pai tocar Violão, e me dava vontade de tocar também.

14-) RM – Na sua opinião vendo a trajetória do seu pai. O que você faria igual e o que faria diferente?

Marcel Powell – Quando eu nasci boa parte da trajetória já estava acontecendo e muita coisa eu não acompanhei porque não era nascido. E cada artista tem a sua trajetória e eu não acredito em nenhuma fórmula que possa ser copiada para ser bem sucedido em qualquer área. O que eu faço até hoje é extrair musicalmente do meu pai, suas interpretações, sonoridade que ele tirava do Violão, mas misturo com outras influências de outros músicos que ouço e que me identifico.

15 -) RM – Quais os cantores e cantoras que você admira?

Marcel Powell – Leni Andrade, Emilio Santiago, Alcione, João Nogueira, Jane Duboc, Rosa Passos, Fabiana Cozza, João Bosco, Maria Rita, Diogo Nogueira, entre outros.

16-) RM – Nos apresente a cantora Karla Powell?

Marcel Powell – A Karla é minha esposa, estamos juntos há 16 anos, ela possui uma voz incrível, fizemos algumas apresentações pelo Rio de Janeiro, mas ela nunca trabalhou profissionalmente cantando. E atualmente ela trabalha comigo como produtora.

17-) RM – Nos apresente o seu irmão Philippe Powell?

Marcel Powell – Meu irmão Philippe é Pianista profissional, um grande músico, atualmente vive em Paris-França. E viaja pelo mundo fazendo apresentações e também dá aula de música em Paris.

18-) RM – Como é seu processo de compor?

Marcel Powell – Como eu disse anteriormente eu não componho muito, tenho algumas poucas composições que vieram naturalmente.

19-) RM – Você faz música com letra?

Marcel Powell – Nunca fiz.

20-) RM – Você já colocou melodia em letra pronta?

Marcel Powell – Sim. Tenho músicas com Paulo César Pinheiro e Diogo Nogueira.

21-) RM – Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Marcel Powell – Uma carreira independente se tem muita liberdade de escolha, acaba se tornando o seu próprio produtor. Eu tenho que tomar sozinho muita decisões. E nesse processo a minha esposa (Karla) me ajuda muito. É preciso estar atento no que está rolando no seu mercado de atuação. Ouvir os trabalhos dos colegas, etc… Enfim, eu não diria que são vantagens ou desvantagens, mas diria que são maneiras diferentes de desenvolver a carreira musical.

Eu tive alguns parceiros maravilhosos que eu não posso deixar de citá-los: Gravadora Rob Digital, recentemente a Gravadora Kuarup, e também um selo japonês Respect-record, todos são parceiros que ajudaram e ajudam no desenvolvimento e divulgação da minha carreira musical, ou seja independente realmente ninguém é.

20-) RM – Como você analisa o cenário da música instrumental brasileira. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Marcel Powell – Dentro da música instrumental brasileira tem acontecido uma grande renovação, tanto de interpretes e compositores. Dois grandes exemplos são: Hamilton de Holanda e Yamandu Costa. Eu citor também o violonista Alessandro Penezzi, o acordeonista Toninho Ferraguti, o Bandolinista Daniel Migliavacca, entre outros. Mas A galera mais antiga continua produzindo a mil por hora: Victor Biglione, Gilson Peranzzetta, Amilton Godoy, etc…

21-) RM – Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Marcel Powell – Hamilton de Holanda, Amilton Godoy, Victor Biglione, Gilson Peranzzetta.

22-) RM – Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosto, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Marcel Powell – Certa vez quando estava passando o som a tarde para realizar o show a noite, havia alguém na plateia que se incomodou por eu estar passando som, e quis brigar, mas tudo acabou bem.

23-) RM – O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Marcel Powell – Na verdade eu nunca parei para analisar isso na minha carreira musical. Eu vejo que tem muita coisa que eu posso e que vou progredir na minha carreira.

24-) RM – Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

Marcel Powell – Eu moro no Rio Janeiro-RJ, é um cenário musical bastante conhecido, cercado de rodas Sambas, rodas de Choro, pop rock, Pagode, Sertanejo, enfim, tem tudo para todos os gostos.

25-) RM – Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Marcel Powell – Tem acontecido um pouco de tudo e tem para todos os gostos e Gêneros.
26-) RM – Você acredita que as suas músicas tocarão nas rádios sem pagar o jabá?

Marcel Powell – Eu já tive a felicidade de me ouvir tocando na Rádio, e eu não paguei jabá nenhum para isso.

27-) RM – O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Marcel Powell – Tenha Muita convicção daquilo que você deseja e quer. E tome as suas decisões baseadas no que você acredita e não no que os outros acreditam para você.

20-) RM – Quais os seus projetos futuros?

Marcel Powell – Eu atualmente acabo de fazer um disco novo só com a obra do meu pai (Baden Powell) iniciando as comemorações dos 80 anos que ele completaria ano que vem, com convidados Hamilton de Holanda (Bandolim 10 cordas), Daniel Migliavacca (Bandolim), Victor Biglione (Violão de aço), Gilson Peranzzetta (Piano). O disco se chama ”Só Baden”, ainda não foi lançado estamos aguardando as gravadoras. Paralelamente temos outro projeto que fará parte dessas comemorações que será um show com Cantores.

20-) RM – Contatos ?
Marcel Powell – [email protected] | [email protected]

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.