Maciel Melo

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Maciel Melo
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“Um caboclo sonhador” é assim que se define Maciel de Melo Santos, quarto dos onze filhos do casal Heleno Rodrigues dos Santos e Maria de Lourdes.

A arte sempre esteve presente em sua vida, desde pequeno escutou os acordes da sanfona do seu pai nas festas da região. Como toda criança, fez as traquinagens dignas de um menino que nasceu em meio às velhas brincadeiras que hoje já não mais existem: Garrafão, bola de gude, pião, carreirão, barra-bandeira, bola de meia, além dos carrinhos de lata que construía com a mesma delicadeza e cuidado com que hoje compõe suas canções. Foi músico da Bandinha Marcial de Iguaraci (PE), sua cidade natal. Fez duas peças de teatro: “O Gato Bossa Nova” e “A Bruxinha que era boa”, ambas de Maria Clara Machado, na época do curso ginasial na década de 70 em Sobradinho (BA). Em 1978, já residindo em Petrolina (PE), entrou para o Grupo Teatral Guterima, em que fez “A Crucificação de Cristo” e alguns espetáculos musicais. A partir daí, começou a sua carreira como compositor e cantor. Para ele, a música tem o objetivo de educar, tocar o mais íntimo sentimento, sem mistérios, mas com a magia de um trabalho artesanal.

Com seu violão, um chapéu que lhe é característico, os versos de Maciel Melo, traz a memória de um baú de lembranças que lhe dão sustança para compor e alimentar sua criatividade. Histórias carregadas de sotaques nordestinos das quais não abrem mão de conta-las e reconta-las em prosa e verso. Com sua facilidade em tecer poesias impregnadas de lirismo, sua presença nos palcos é um espetáculo completo de brasilidade, de nordestinidade e de culto à beleza da música e da poesia.

Maciel Melo é hoje uma referência da música nordestina. Autor de sucessos gravados por grandes vozes do país: Elba Ramalho, Fagner, Dominguinhos, Xangai, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho, Quinteto Violado, Flávio José, entre tantos outros. As suas músicas contagiam com o seu ritmo, encanta por sua poesia e valoriza nossa mistura cultural. Bonitas de ouvir, gostosas de dançar, trazem em si componentes os quais se tornam únicas. Compositor de vários sucessos como o clássico: “Caboclo Sonhador”, “Que nem Vem Vem”, “Tampa de Pedra”, “Terra Prometida”, “Caia por cima de mim”, “Isso vale um abraço”, “Jeito Maroto”, “Dê cá um Cheiro”, “Pra ninar meu coração”, “O velho arvoredo Retinas”, “Rainha, Dama de Ouro”, “Duas Caravelas”, “João e Duvê”, dentre tantas outras referências da Música Popular Brasileira. O primeiro impulso foi quando o “Quinteto Violado” gravou “Erva Doce”, em 1985.

Maciel viajava para cada estado do país onde houvesse um Festival de Música, uma chance de mostrar a sua arte. Ganhou diversos prêmios. Dentre eles, um primeiro lugar, no “Canta Nordeste”, da TV Globo, em 1995, com “Meninos do Sertão”, parceria com Petrúcio Amorim, também gravada, em 2000, por Zé Ramalho, entrando como trilha sonora da novela “Marcas da Paixão”, da TV Record. Em 2008 quando foi terceiro lugar o Festival de Música e Arte de Garanhuns-PE. Em 2003, conquistou as telonas, com a participação de Zéu Britto, em “Dama de Ouro”, incluída na trilha da comédia romântica “Lisbela e o Prisioneiro”, dirigida por Guel Arraes e estrelada por Selton Mello e Débora Falabella. Em 2013 com a música “Rainha” na trilha sonora da novela “Flor do Caribe” da TV Global. Em 2016 fazendo juntamente com seu amigo Xangai uma dupla de repentistas no elenco da novela “Velho Chico” da TV Global. Em 2012 fez no Linconl Center em Nova York uma homenagem ao Rei do Baião Luiz Gonzaga. Esse Caboclo faz uma música simplesmente atemporal, como toda grande arte que se preze.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Maciel Melo para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 26.05.2018:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Maciel Melo: Eu nasci no dia 26 de maio de 1962, mês das mães, mês de Maria, mês que a flores desabrocham e ficam à espera que algum filho grato, venha e lhe tire um cacho, para ofertar àquela que lhe botou no mundo. A cidade é Iguaraci, alto Sertão do estado de Pernambuco, mais precisamente na região do Vale do Pajeú. O Sol causticante; castigava a alma e enrugava aos poucos o rosto do povo de minha terra. Isso é o preâmbulo de um livro que escrevi, intitulado “A poeira e a estrada”. Não seria sertão se assim não fosse. Tenho orgulho de ter nascido lá, naquela paisagem cinzenta, ressequida e cálida. Carrego com muito gosto, em meu pensamento, as lembranças de uma infância árida, cheia de sonhos e sons de passarinhos típicos da caatinga. Eles me enchem os ouvidos de melodias com cheiro de chão, fazendo em meu canto uma fornalha. Euclides da Cunha dizia, que “o sertanejo é antes de tudo um forte”, pois bem, nasci num lugar, onde a chuva é passageira e o sol é quem dirige “o trem da consciência”. Aspiro o bafo quente e empoeirado da poesia do sertão. Encho meus pulmões de cinza, e espirro no verde da imaginação. Aí eu viajo, vou a Garanhuns (PE), terra de Domjnguinhos, vou lá a Triunfo (PE), passo em Bezerros (PE), vou lá a Carnaíba, berço de Zé Dantas, passo em São José, onde os violeiros se encantam, depois vou à Campina Grande (PB), terra de Zé Laurentino e aproveito pra dar uma passadinha em Alagoa Grande (PB) aonde nasceu Jackson do Pandeiro.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Maciel Melo: Segundo a minha mãe, no meu primeiro choro, uma sanfona entoava uma cantiga de ninar. Meu pai era sanfoneiro. Dos bons viu! Minha mãe era uma cantadeira de hinos religiosos que dava gosto de ver, e ouvir. Seu Heleno e Dona Lourdes. Meus eternos mentores espirituais. Lá em casa, sempre havia alguma música tocando em algum lugar. O banheiro foi meu primeiro estúdio. A música escorria pelo ralo e vazava pelas brechas da porta sempre que alguém tomava um banho. Sempre demorei muito quando ia tomar banho. O eco do banheiro da minha infância está entranhado em meu juízo. Foi lá que cantei pela primeira vez, uma canção que dizia assim: “Se algum dia à minha terra eu voltar, quero encontrar as mesmas coisas que deixei. Quando o trem parar na estação, eu sentirei no coração, a alegria de voltar…” interpretada por Agnaldo Timóteo. Naquela época tudo era fantasia, tudo era divino, tudo era maravilhoso.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Maciel Melo: Sou autodidata. Aprendi com a vida tudo que sei. Os bares, os Botequins, os Festivais de músicas, as conversas com os cantadores de Viola, os causos contados nas prosas de calçadas, depois da janta, fizeram de mim esse cidadão, artista e sonhador. Existia em minha época uma revista de música chamada Vigu, que também me ajudou bastante. Uma revista musical que eu colecionava, era com ela que eu aprendia a cantar e a tocar as modas do momento. No dia em que vi uma música minha publicada na Vigu, foi o dia mais emocionante de minha vida. A música era: “Que nem vem-vem”, na época gravada por Elba Ramalho.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Maciel Melo: Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Geraldo Azevedo, Chico Buarque de Hollanda, Bob Dylan e Waldick Soriano. Tem mais, mas esses foram imprescindíveis para minha formação. Sempre ouvi um pouco de tudo, mas sempre procurei manter o meu sotaque intacto. Acho fundamental na personalidade de um artista a nitidez de sua origem. Não me lembro de ter excluído algum ídolo meu, de minha lista de prediletos. Todos os que eu escolhi para serem meus mentores intelectuais, nunca me decepcionaram.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Maciel Melo: No ano de 1978, fui morar numa cidade por nome de Petrolina (PE) no Estado de Pernambuco, terra natural de Geraldo Azevedo, cidade vizinha a Juazeiro da Bahia, onde nasceu outro gênio da música brasileira: João Gilberto. Eu tinha 16 anos de idade, foi ali às margens do Rio São Francisco, que começou tudo. O primeiro Festival de Música que participei, foi lá. Ganhei em primeiro lugar, logo no primeiro, daí não parei mais, ganhei mais uns, perdi outros, e assim segui até que fui bater em São Paulo, onde compus o primeiro sucesso: “Caboclo sonhador”, gravado por Fagner, Flávio José, por mim, e tornou-se uma daquelas músicas que não pode faltar no repertório de qualquer forrozeiro. Lá participei de um grupo de teatro e poesia. “GUTERIMA”, fazíamos uma espécie de saraus poéticos musicais, um tanto às escondidas. Era final dos anos 70, e ainda havia uns resquícios da ditadura, proibindo qualquer manifestação de cunho político. Eu ouvia na época uma música Cálice de Chico Buarque e Gilberto Gil, interpretada por Milton Nascimento que falava assim: “Como beber dessa bebida amarga, tragar a dor, engolir a labuta, mesmo calada a boca resta o peito, silêncio na cidade não se escuta…”. Foi uma época em que amadureci bastante, o rádio tocava músicas que faziam a gente pensar, refletir e questionar sobre os direitos e os deveres do cidadão.

06) RM: Quantos CDs lançados, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que entraram no gosto do seu público?

Maciel Melo: Creio que ao todo, foram publicados 15 CDs, 2 DVDs, e dois livros. O primeiro foi em 1987, gravado nos estúdios livre em Salvador (BA), por Felipe Cavaliere e Milton Dória. Os músicos que participaram desses e de outros discos, foram diversos, sempre mudo a formação de um disco para outro. Mantenho um ou outro, é bom sempre variar, devido à peculiaridade que cada músico tem. É uma questão orgânica, gosto de ter em meus trabalhos energias positivas diversas, e essas energias vem deles. Já participaram dos meus discos: Zeca Pagodinho, Elba Ramalho, Renato Teixeira, Dominguinhos, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Fagner, Zé Ramalho e tantos outros, se for citar todos, eu vou acabar sendo injusto com alguns, por esquecimento. A primeira música minha gravada em disco, foi um xote intitulado “Erva-Doce”, uma música minha de parceria com um músico chamado João Neto, um guitarrista pernambucano da cidade de Garanhuns (PE), gravada pelo “Quinteto Violado”. Depois Elba Ramalho grava a música “Que nem Vem-vem”, também gravada pelo cantor paraibano Flávio José. Daí por diante veio: Zé Ramalho, gravando uma música minha e de Petrúcio Amorim: “Meninos do Sertão”, no disco “Nação nordestina”. E Zeca Pagodinho, gravou comigo a música: “Que Nem Giló”, uma música da discografia de Luiz Gonzaga. E Dominguinhos gravou “A lavadeira”. E Alceu Valença gravou comigo “Assum Preto” do repertório do Rei do Baião. Quase todos os cantores da música nordestina já gravaram as músicas do Maciel Melo. Ultimamente tenho ampliado um pouco mais o meu leque de parceiros. Tenho feito parcerias com Geraldo Azevedo, Renato Teixeira, Xangai, Ananias Júnior, Spok, Carlos Villela, Maviael Melo, Anchieta Dali e João Sereno. Sou um tanto compulsivo, componho quase que diariamente. Sinto necessidade de está mexendo com as palavras.

Discografia e fatos importantes: Em 1987 lancei o primeiro LP – “Desafio das Léguas”. Em 1995 lancei o CD – “Alegria de nós dois”. E foi primeiro lugar no Festival Canta Nordeste. Em 1996 lancei o CD – “Janelas”. Em 1997 lancei o CD – “Retinas”. Em 1998 lancei o CD – “Jeito Maroto”. Em 1999 lancei o CD – “Sina de Cantador” e “Só Forró”. Em 2000 lançou o CD – “Isso Vale um Abraço”. Em 2001 lancei o CD – “Acelerando o Coração” e “Só Forró II”. Em 2002 lancei o CD – “Solado da Chinela”. Em 2005 lancei CD – “Dê cá um cheiro”. Em 2006 lancei o CD – “Nascente”. Em 2008 lancei o CD / DVD – “Isso Vale um abraço” (Ao Vivo) e fui terceiro lugar no Festival de Música e Arte de Garanhuns-PE. Em 2009 lancei o CD – “Sem ouro e sem mágoa”. Em 2010 lancei o CD – Debaixo do Meu Chapéu”. Em 2012 Show no Lincoln Center em Nova Iorque em Tributo a Luiz Gonzaga e Gravei o segundo DVD – ”A Poeira e a Estrada”. Em 2013 publiquei a minha Biografia “A Poeira e a Estrada”, fui Homenageado pela cidade do Recife durante as Festividades Juninas e Lancei o CD – “Minha Metade”. Em 2014 lancei o CD – “Perfume de Carnaval – É Frevo!”. Em 2015 – lancei CD – “Na quentura do Mormaço”. Em 2016 fiz parte do elenco da Novela Global Velho Chico.

 07) RM : Como você define o seu estilo musical?

Maciel Melo: Eu sou um compositor de música popular nordestina. Não gosto muito de rótulos, mas se tivesse que classificar o que faço, diria que faço uma música árida, brejeira, sertânica. Não digo que é sertanejo, porque o que rotularam de sertanejo hoje em dia, na verdade é uma música urbana cantada em dueto, não vejo elementos que caracterize o sertão nos hits atuais. A música sertaneja é por natureza, uma música que tem uma aridez em sua estética. Flui a sertanidade à flor da pele de quem canta, compõe ou toca. Tem um mormaço em sua sonoridade, que aquece a alma de quem está ouvindo. Por isso prefiro dizer que faço uma música cidadã. Eu sou um cidadão brasileiro nordestino. Minha música é do Nordeste brasileiro. É isso.

08) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Maciel Melo: É fundamental para quem interpreta. No meu caso, o fato de ser compositor me acomodou. Sou meio preguiçoso, e como já que estava compondo, nunca dei muita importância ao estudo, mas sei que é necessário. Se estivesse começando hoje pensaria diferente. Fui me aprimorando com a idade, com o exercício da profissão. A necessidade de existir, de me tornar um profissional visível, foi me obrigando a pesquisar outros sons, outro gêneros, e até as variantes que existem dentro do próprio estilo que escolhi para viver. A fusão de ritmos, de assuntos, sonoridades, faz bem.

09) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Maciel Melo: Elba Ramalho, Joan Baez, Maria Betânia, Elza Soares e Cesária Évora.

10) RM: Como é o seu processo de compor?

Maciel Melo: Não tenho uma fórmula definida. Trabalho com o cotidiano das pessoas. Gosto de compor sobre o meu momento. Tenho músicas confessionais, canções brejeiras, canções de amores, canções de sol e de lua, canções de cunho político, religioso, em fim… Faço o que me der na telha, o que estiver sentindo no momento.

11) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Maciel Melo: Tenho alguns parceiros musicais esporádicos. E 80% do meu trabalho sou eu, 20% são em parceria, mas tenho uns parceiros de responsa: há pouco tempo fiz uma canção com o Renato Teixeira, “No infinito do azul“. Com Geraldo Azevedo tenho duas: “Duas caravelas”, “Quatro dias de amor”, e uma em andamento. Com Xangai tenho três canções: “Canarinho Verde, “A pedra e o Limo”, “A Lenda do Velho Chico”. Com Carlos Vilella, tenho: “Palavra por palavra” e ”Bom começo”, com Maviael Melo tenho uma. Com Maestro Spok tenho outra, em fim… Eu tive há muito tempo atrás, no começo de minha carreira um parceiro que durou um bom tempo, Virgílio Siqueira, depois nos perdemos de vista, mas deixamos na história, duas canções que até hoje, quando me esqueço de cantá-las, o povo pede: “Retinas” e “Nos Tempos de Menino”. Gosto de escrever e, como vivo me embrenhando pelos sertões de minha terra, assunto é o que não falta.

12) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Maciel Melo: A vantagem de trabalhar independente, é que você é quem escolhe o que cantar. A desvantagem é a distribuição e a divulgação que ficam um tanto limitadas. Normalmente quem faz música independente, não tem muito recurso. E mesmo que pague o jabá nas rádios, a música de fácil assimilação (descartável) é mais poderosa, é como querer enxugar gelo.

13)RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Maciel Melo: Uso as redes sociais para me promover e também para fazer contato com os produtores de eventos. Tenho uma equipe de produção que me auxilia e dar suporte.   Faço clipes para postar nas plataformas digitais e utilizo bastante o Facebook, Instagram, o Spotify e outros aplicativos.

14) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Maciel Melo: No meu caso, só ajuda. Não me prejudica em nada. Utilizo-a como uma ferramenta de trabalho. É lá que me divulgo, me propago sem ter que está me humilhando, em salas de espera de canais de televisão ou de emissoras de rádio, que não tem nenhum compromisso com a verdade do povo. É necessário deixar claro que não estou generalizando, existe ainda por aí, algumas resistências radiofônicas e televisivas.

15) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Maciel Melo: Todas as vantagens possíveis. Só existe vantagem. A tecnologia só ajuda não atrapalha. A placa mãe da tecnologia é a mente humana.

16) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Maciel Melo: Procuro ser o mais autêntico possível. Devido à facilidade de se gravar hoje em dia, a qualidade e a veracidade do que se faz é imprescindível. A autocrítica é o objetivo principal. É preciso que tenha uma personalidade muito explícita na carreira.

17) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Maciel Melo: O forró já teve seu tempo de glória. Hoje, infelizmente percebo que ele está sendo esmagado pela avalanche de outros gêneros, provocados pelas grandes mídias. Não quero aqui ser pessimista, mas sinto que cada vez mais se fortalece uma música de pura apelação midiática, e com Isso, enfraquece o autêntico forró. Sou um dos que ainda resiste, mas até quando? A idade vai chegando e com ela o cansaço também. Acho que no sul e no Sudeste do país curte o mais o autêntico forró nordestino, que no Nordeste. A televisão é implacável, em insistir em ditar modas, costumes e hits. Mas eu vou continuar fazendo o que meu coração diz.

18) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Maciel Melo: Gilberto Gil. Grande artista, grande cidadão, grande menestrel. Um grande administrador de sua carreira.

19) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Maciel Melo: Tenho 35 anos de carreira. Já tive muitos atropelos, muitos desconfortos, mas fui mais aplaudido que vaiado. Na verdade nunca fui vaiado, já tive públicos que não era meu, mas também não me hostilizaram. Ficavam indiferentes. Isso já me ocorreu varias vezes.

20) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Maciel Melo: O aplauso é a felicidade do artista. O descaso do poder público, e a alienação cultural de uma grande parcela da juventude, me entristece bastante.

21) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Maciel Melo: Moro em Recife (PE). Tenho o privilégio de morar nessa cidade musicalmente rica.  Existe uma pluralidade cultural muito grande aqui. Aqui temos: Frevo, Maracatus, Ciranda, Forró, coco e caboclinhos.

22) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Maciel Melo: Spok, Nando Cordel, Silvério Pessoal, Petrucio Amorim, Santana, Alcimar Monteiro, Jorge de Altinho, Maestro Forró, Irah Caldeira, Cristina Amaral, Nena Queiroga. Tem muito mais, peço desculpas se esqueci de alguém, mas Pernambuco tem muita gente boa.

23) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Maciel Melo: Nunca paguei jabá. Meu dinheiro se acabava sempre no término da produção dos meus discos. Também acho que o artista não deveria pagar pra tocar seu trabalho. Quem inventou o jabá, a meu ver foram aqueles que não tinha talento, mais tinha dinheiro.

24) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Maciel Melo: Seja honesto com seu trabalho, seja digno, seja você mesmo.

25) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Maciel Melo: Não vejo mais os Festivais de Música, como uma janela. Hoje penso que os Festivais são apenas reuniões de artistas mostrando musicas entre si, tentando ganhar um prêmio em dinheiro para manterem-se vivos. Não existem mais gravadoras para lançar nada que sai de Festivais, nem de canto nenhum.

26) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Maciel Melo: Só divulgam o que interessa aos interesses comerciais de suas empresas.

27) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Maciel Melo: Únicos espaços dignos de respeito para com o público, a música, o teatro e a dança. São eles que ainda me dão esperança de continuar resistindo.

28) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Maciel Melo: Não tenho nada para dizer, porque não são bandas de forró.

29) RM: Quais os seus projetos futuros?

Maciel Melo: Lancei um disco agora a pouco tempo, que está disponibilizado nas plataformas, YouTube, iTunes, Deezer e Spotify, que chama-se “Outra Trilha”. Estou lançando um livro de crônica, que se chama “O refúgio das interrogações”.

30) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Maciel Melo: (81) 99973 – 6869 (WhatsApp) | [email protected]

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.