Luque Barros

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Luque Barros
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O violonista, cantor e compositor gaúcho Luque Barros começou a carreira profissional  em 1991 tocando em uma banda de baile e a fim de expandir as possibilidades musicais e profissionais, veio para São Paulo em 1997 aos 22 anos de idade, logo ingressando na Banda Glória, de Fred Mazzuchelli, onde até hoje permanece.

Fez parte da banda de Vanessa da Mata de 2002 a 2007 e já trabalhou com diversos artistas, entre eles: Kléber Albuquerque, Andréia Dias, Elza Soares,  Chico e Renato Teixeira,  Nô Stopa, Roseli Martins, Ricardo Herz, Iara Rennó, Elaine Guimarães, Ortton, Gisele De Santi, Otto, DonaZica, Zé Guilherme, Gero Camilo, Tulipa Ruiz, Marcelo Jeneci, Carlos Zhimber, Evandro Camperom, e já dividiu o palco com muitos músicos amigos como Gustavo Ruiz, Marcelo Monteiro, Caio Lopes, Milton Mori, Swami Jr, Meno del Picchia, Alessandro Penezzi, Pedro Ito, Allen Alencar, Rodrigo Campos, Rogério Rochlitz, Zeca Loureiro, Fabá Jimenez,  Fabrício Gamboji, Guilherme Kastrup, Fernando Catatau, Fernando Caneca, Luiz Brasil, Marcus Teixeira, Fernando Thomaz, Daniel Brita, Hugo Carranca e Marcelo Castilha.

Trabalhou como revisor no songbook de Vitor Ramil lançado em 2013 e gravou uma participação no mais recente disco da banda brasileira de death metal Krisiun. Tem um disco lançado em 2013 em tributo a banda inglesa de heavy metal Iron Maiden interpretado em 3 violões intitulado “Can We Play With Maiden”, com o trio Trezazez, ao lado de Caio Andrade e Estevan Sinkovitz, e está lançando seu primeiro disco solo de cantor e compositor.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Luque Barros para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbos em 14.11.2016:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Luque Barros – Nasci no dia 15 de fevereiro de 1975 em Ijuí – Rio Grande do sul.

02-) RM – Fale do seu primeiro contato com a música?

Luque Barros – Devo ter tido meu primeiro contato com a música já na barriga de minha mãe, a professora Elzi, pois meu pai, o viajante Rossevelt, tocava violão e cantava em casa. Obviamente a minha primeira memória só vem por volta dos seis ou sete anos de idade com ele cantando e tocando no violão as canções do Noel Guarany ou colocando seus discos para escutar nos domingos de manhã. E através de meu irmão mais velho, Rafael, que dividia o quarto comigo e que tinha um aparelho de som “3 em 1” ao lado da cama e muitos discos de todas bandas de pop, rock e heavy metal que eram sucessos no início dos anos 80.

03-) RM – Qual sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Luque Barros – Sou músico autodidata e estudei Administração na URI – em Santo Ângelo – RS sem concluir o curso.

04-) RM – Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Luque Barros – O festival Rock in Rio de 1985 foi decisivo e fundamental para que dentro de mim se afirmasse com toda a força o desejo de ser músico e/ou artista. Eu já vinha dessa convivência com a música através de meu pai, como eu disse, e quando vi tantos cantores e cantoras, tantas bandas maravilhosas ali naquele festival, eu nunca mais tive dúvida sobre minha paixão e vocação.

O que me influência hoje ainda é o que eu ouvia na infância, Noel Guarany e Cenair Maicá; os dois artistas gaúchos que meu pai amava e as bandas que meu irmão me mostrava: Iron Maiden, Ac/Dc, Scorpions, Deep Purple, Led Zeppelin, Black Sabbath, Rush, Pink Floyd, Supertramp, The Police, The Cure, Legião Urbana, Titãs e os compositores que aprendi a amar na adolescência: Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, Tom Jobim, Djavan, Vitor Ramil, Nei Lisboa, Fito Paez, Jorge Drexler e mais recentemente Roberto Carlos.

05-) RM – Quando, como e onde  você começou a sua carreira profissional?

Luque Barros – Em meados de 1991 fui convidado a trabalhar em uma banda de baile chamada Faixa Nobre na cidade de Santo Ângelo – RS que fica a 40 km de Ijuí – RS. Eu tinha 16 anos de idade e ainda cursava o colegial.

06-) RM – Quantos CDs lançados, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que entraram no gosto do seu público?

Luque Barros – O CD – Muito Pouco Menos Mais (2015) é meu primeiro disco solo autoral como cantor e compositor. Antes disso participei como violonista e baixista de discos de diversos artistas como: Vanessa Da Mata, Carlos Zhimber, Andréia Dias, Banda Glória, Krisiun e também lancei um disco com o meu trio de violões Trezazêz interpretando Iron Maiden.

Participaram das gravações do meu CD solo: Caio Lopes (bateria), Estevan Sinkovitz (guitarra e baixo), Gustavo Ruiz (baixo e guitarra), Allen Alencar (guitarra), Daniel Brita (guitarra), Caio Andrade (guitarra), Fernando Catatau (guitarra), Giovani Barbieri (teclados), Marcelo Jeneci (teclados), Ricardo Herz (violino), Amílcar Rodrigues (trompete), Jorge Cirilo (sax tenor), Allan Abbadia (trombone) e Simone Julian (flauta e flautim).

Defino o som do CD como MPB-pop-rock-romântica-exagerada… Se é que se pode dizer assim (risos) !

07-) RM – Como você define seu estilo musical?

Luque Barros – Sou um músico com formação pop-roqueira que mais tarde mergulhou na MPB tradicional e juntou isso com a música regional gaúcha. Com uma queda incurável pelas músicas lentas que falam de amor, os boleros, as baladas, ou como dizia meu amigo e gênio da guitarra Fernando Catatau: “Eu gosto mesmo é de música triste”.

08-) RM – Você estudou técnica vocal?

Luque Barros – Não, mas tenho vontade, ainda.

09-) RM – Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Luque Barros – Acredito que o estudo existe para que possamos lapidar e usar melhor o potencial que temos e isso serve para qualquer dom que uma pessoa tenha. Como disse antes, apesar de nunca ter estudado, eu tenho vontade de um dia estudar com algum profissional.

10-) RM – Quais as cantoras(es) que você admira?

Luque Barros – Sem falar em compositores, pegando só o canto mesmo… Eu diria que esses foram e são ainda meus professores de canto: João Gilberto, Caetano Veloso, Jorge Drexler, Vitor Ramil, Orlando Silva, Djavan, Renato Russo, Paulinho Moska, Elis Regina, Gal Costa, Elaine Guimarães, entre os brasileiros. O Noel Guarany e o Cenair Maicá (gaúchos) e alguns argentinos como o Jorge Cafrune e o Fito Paez também amo.

Além disso, guardo profundo carinho pelos cantores de pop-rock e heavy metal da infância, que sempre sonhei em cantar como eles: Bruce Dickinson do Iron Maiden, Klaus Meine do Scorpions e até mesmo o Ozzy Osbourne que apesar de estranho tinha e tem muita personalidade no canto.

11-) RM – Como é seu processo de compor?

Luque Barros – Todas as músicas do meu disco são minhas, não tenho parceiros. O curioso é que componho desde a adolescência quando formei minhas primeiras bandas de rock e nessa época eu apenas pegava as letras do meu parceiro e poeta Marcos Magno Mendonça e as musicava. Ou seja, comecei compondo em parceira, mas hoje em dia só componho sozinho.

Na verdade, desde que me afastei dele em meados dos anos 90 e vim para São Paulo passei a compor sozinho. Sento, pego o violão e começo a tocar e cantar tudo que me vem à cabeça, ideias, trechos, refrões, e até mesmo músicas inteiras que vêm quase prontas como foi o caso da canção “Muito Pouco Menos Mais” que dá nome ao disco. Dependendo do meu estado de espírito no momento, eu escolho alguns tipos de levadas (ritmos) ou de acordes mais “pra cima” ou mais introspectivos. Gravo todas essas ideias e deixo-as lá até o dia em que ouço de novo e sento para lapidar, cortar pedaços, acrescentar coisas… Algumas músicas do disco estavam lá guardadas, “rascunhadas” desde 2007, 2008, outra desde 2011, e só fui acabá-las dias antes de começar a gravar o disco.

Prá mim o processo de composição é sofrido, passo por um período de rejeição muito forte até me acostumar com as coisas que crio, sou muito auto-crítico, sempre acho que pode melhorar e dentro disso posso dizer que mesmo compondo a mais de 25 anos, ainda estou começando e desenvolvendo esse compositor, uma vez que dediquei a maior parte de meu tempo a ser músico instrumentista e copista, primeiro nos bailes, depois nos bares e por fim acompanhando artistas.

12-) RM – Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Luque Barros – Acho relativa essa independência e talvez, de certa forma, esse conceito tenha se modificado ao longo do tempo. O que é ser independente? Juntar seu dinheiro e bancar a produção e poder fazer “o que bem quiser”? Antigamente existiam as gravadoras, algumas ainda existem até hoje, mas a pergunta é quem, de fato, subjugava-se aos conceitos estéticos do mercado? Será que existem artistas “fabricados”, “vendidos” ao investimento, ao capital?

Quem são eles? Os superpopulares? Caetano Veloso ou Gilberto Gil sempre foram financiados e, em algum momento, algum executivo chegou pra eles e disse: ”essa música vende, aquela não vende”? Ambos possuem uma obra inquestionável de imenso valor e qualidade artística.

Mas e o Luan Santana, e o Gustavo Lima, o que é a música deles, o que carrega de arte, de questionamento, de denúncia de uma sociedade desigual e decadente? Ou será puro entretenimento fútil e emburrecedor? Show de luzes, explosões, lasers e a parafernália toda?

Bem, acho que tenho mais perguntas do que respostas, como você pode notar…

Quanto à produção do meu CD, eu tive um pequeno financiamento de um amigo para as gravações e depois para a prensagem e distribuição tive a parceria do Flávio Alvez da Sete Sóis. Então não considero ser um trabalho independente ainda que eu não pertença a nenhuma gravadora e não tenha prazos ou compromisso algum com o mercado, desfrutando assim de certa liberdade para construir minha carreira.

13-) RM – Quais as estratégias de planejamento da sua carreira musical dentro e fora do palco?

Luque Barros – Como sou músico e continuo acompanhando artistas: Banda Glória, Elza Soares e outros, a minha carreira como cantor e compositor acontece em paralelo. É preciso dizer que estamos em um momento econômico difícil no país e que a quantidade de shows diminuiu drasticamente, bem como os valores dos cachês, então eu penso em poder apresentar meu show onde quer que seja, tendo uma boa estrutura, independente de ser contratado ou de receber cachê de bilheteria. Mas levo tudo isso com muita calma. Demorei quase 10 anos para por em prática o projeto do disco, meu tempo é vagaroso e aos poucos vou mostrando esse trabalho utilizando todos os recursos que estiverem disponíveis sem muita ansiedade ou stress. As coisas vão acontecendo no tempo certo.

14-) RM – Quais as ações empreendedoras que você prática para desenvolver a sua carreira musical?

Luque Barros – Possuo uma página no faceboook e um site e é por ali que divulgo meu trabalho, além de um canal no youtube. Pessoalmente estou sempre em contato com músicos e artistas e esse é um meio que uso bastante pra fazer contatos, conhecer pessoas e lugares.

15-) RM – O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Luque Barros – Só ajuda. A internet é uma das mais belas coisas que existem. Permite o contato com pessoas distantes, é um espaço maravilhoso para interagir com as pessoas. Desde que você saiba usar e que procure saber o que está fazendo, como está usando, quem está recebendo suas coisas, suas postagens.

16-) RM – Quais as vantagens e desvantagens do fácil acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Luque Barros – Ter um estúdio em casa, mesmo que bem simples, me permitiu pré produzir algumas composições e antes de gravar para valer, conseguir visualizar a minha música com as roupas e cores que ela poderia vir a ter. Não vejo nada de desvantajoso em se ter essa ferramenta na mão hoje em dia.  Costumo gravar muito eu cantando para ouvir e corrigir erros de interpretação.

17-) RM – No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Luque Barros – Não encaro minha carreira como competição nem ambiciono concorrer com ninguém. Canto porque amo cantar e não poderia viver sem isso. Creio que naturalmente tenho um estilo próprio e isso me faz único, como muitos outros amigos e pares que admiro. Interagir com eles e tocar na banda deles me proporcionam estar vivo dentro do presente e da minha profissão.

18-) RM – Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Luque Barros – O cenário é muito bom, tem muita gente talentosa fazendo música, compondo e cantando e gravando discos. Posso citar o Cidadão Instigado, uma banda forte, coesa, original com uma obra sólida, 5 ou 6 discos já gravados e cada vez melhores. Dos mais recentes tenho ouvido a Ava Rocha e o Ian Ramil, dois maravilhosos compositores, artistas e ótimos letristas. Tem o Evandro Camperom, um virtuose da canção, da palavra cantada, compositor pernambucano pouco conhecido, mas prá mim um dos maiores do Brasil na atualidade.

Sou também grande admirador do Marcelo Jeneci, da Tulipa Ruiz, do Ortton, da Gisele de Santi, trabalhei com todos eles, somos praticamente da mesma geração e aprendemos muitas coisas juntos. Com o Jeneci, eu trabalhei 8 anos na banda da Vanessa da Mata, outra ótima compositora que, embora tenha se tornado mais “pop” ultimamente, sempre dominou a arte de musicar as palavras. Sofri uma grande transformação quando convivi com Jeneci e com o Fernando Catatau (líder do Cidadão Instigado), foi graças a eles que eu evoluí em um período em que andava um pouco estagnado. Eles me mostraram que está na essência, que está dentro e não fora, a riqueza, o conteúdo e a beleza de nossa musicalidade.

Devo citar também o Kiko Dinucci, o Rômulo Fróes e o Rodrigo Campos que são excelentes compositores, já maduros, sempre em atividade, com vários trabalhos junto com outros músicos geniais como o Marcelo Cabral, o Guilherme Kastrup e o Thiago França. Estou falando de pessoas próximas a mim, mas veja quantas boas bandas têm pelo Brasil. Conheci recentemente a Dingo Bells, de Porto Alegre, e a Selton, também de gaúchos, radicada na Itália, todos muito bons.

E se formos pra área instrumental tem músicos incríveis que apareceram, o Yamandú Costa com quem tive o prazer de conviver logo da sua chegada em São Paulo em 2000, o Hamilton de Holanda, o Milton Mori que muito me ensinou sobre arranjos, o Swami Jr, querido amigo que logo fiz quando cheguei por aqui na capital, o Choro das 3, o Ricardo Herz, a lista é longa…

19-) RM – Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Luque Barros – Toda essa lista aí de acima (risos). Mas tenho que dizer que trabalhar com caras como Pepeu Gomes e Zeca Baleiro é uma coisa maravilhosa. Profissionais de altíssimo nível além de caras muito legais. Tem a Maria Alcina que é uma super querida, canta muito e alegra o ambiente sempre.

20-) RM – Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Luque Barros – Uma vez, num baile, lá nos idos de 1995, tive que largar o Baixo, e ir apartar uma briga entre a cantora e o tecladista que iam sair na porrada. Eu estava cantando e ouvi a discussão no fundo do palco, olhei para trás e não tive duvida, fui lá separá-los e mandar que parassem, pois o baile estava rolando, o salão estava cheio e aquilo era uma loucura…

Nessa época de baile acontecia de tudo. Paravam o ônibus da banda na estrada, prendia por falta de documentação, esse fato aconteceu várias vezes. Numa dessas o Tecladista que era diabético teve uma crise de hiperglicemia e precisou correr pro hospital. Não tendo nenhum veículo disponível naquele momento de urgência, um homem que estava passando de carro nos levou até a cidade mais próxima. O problema é que ele estava bêbado e eram 10 horas da manhã, e simplesmente saiu numa velocidade assustadora, tinha um velho galaxy e me lembro até hoje de ver o ponteiro bater nos 200 km/h. Foi tenso, mas chegamos ao hospital bem e no fim deu tudo certo.

Ficar sem receber é mais comum do que se imagina, uma pena. Mas quanto ao público creio que sempre é um desafio trazer a atenção das pessoas para o que você está fazendo e mesmo que pareça que seu som não vai agradar ou qualquer coisa do tipo, você sempre tem que se esforçar, essa é a graça, o jogo nunca está ganho antes de começar. É uma dança, rola uma comunicação, você propõe, sente. Mesmo em shows de artistas consagrados, com raras exceções, cada show é diferente do outro e sempre há que se esforçar para “ganhar” a plateia.

21-) RM – O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Luque Barros – O que me deixa feliz é quando eu saio do palco com a verdadeira sensação de que fiz o meu melhor, me entreguei, me esforcei, transcendi. E fico feliz em conhecer gente diferente o tempo todo. Viajar é uma grande paixão.

Fico triste em ver exploração, competição. Essa loucura por grana, sabe? Pessoas que não pagam o que combinam, ou que atrasam o pagamento. Ou que fazem as coisas exclusivamente por dinheiro. Eu sou meio sonhador, mas creio que não sou o único, assim como dizia John Lennon.

Penso que cada vez mais e mais estamos presos na ideia da economia como sendo a base pro desenvolvimento humano e não é! Estamos algemados, escravizados pela estrutura e pelo paradigma econômico. Vivemos vidas pequenas, o trabalho, a família, as compras e as contas. Reduzimos o mundo. Não temos mais tempo de vida, pois o desperdiçamos para conseguir dinheiro para, supostamente, viver. Mas isso não é viver. Isso prá mim é ser um robô repetidor, algo ínfimo pra um ser humano de possibilidades intelectuais e culturais imensas, ilimitadas até, eu diria. Estamos estagnados e longe de sermos uma civilização.

22-) RM – Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Luque Barros – Moro em São Paulo e creio que todos que citei acima representam bem a cena musical daqui. Gisele de Santi, Evandro Camperom, Marcelo Jeneci, Chico Salem, Ortton, Kiko Dinucci, Rômulo Fróes, Tulipa Ruiz, Marrero, Ela Solo Amore, Rodrigo Campos, Guilherme Kastrup, Cidadão Instigado, Guri Assis Brasil, Lineker, Karina Buhr

23-) RM – Você acredita que as suas músicas tocarão nas rádios sem pagar o jabá?

Luque Barros – O que é o jabá? Como ele funciona? Sinceramente não sei e por um lado nem pretendo saber. Seria leviano falar dessa ou daquela rádio sem saber.

24-) RM – O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Luque Barros – Qualquer carreira exige esforço, determinação, coragem, foco e trabalho. Não tem glamour em ser músico, embora essa profissão envolva muita vaidade. Há que se ter cuidado com isso e procurar saber, perguntar quantas vezes for preciso, “o que eu quero dizer? O que eu sinto com relação ao mundo e à vida?” Ser sincero e fazer aquilo que o coração manda, sem concessões. Especificamente acho que um músico deve ouvir todos os estilos de música e estar à maior parte do tempo com seu (s) instrumento (s). O seu instrumento musical é o seu meio de comunicação, sua arma, seu fuzil, como dizia o poeta. E quando largar o instrumento deve ler um livro (risos).

25-) RM – Quais os prós e contras do Festival de Música?

Luque Barros – Festivais podem ser espaços interessantes para se mostrar bandas novas e promover também o encontro entre artistas. Mas não pode haver competição.

26-) RM – Como você analisa a cobertura feita pela mídia da cena musical brasileira?

Luque Barros – Hoje em dia a mídia é um negócio abrangente. Só em canais de televisão já poderia citar muitos os que veiculam música, sendo pop, conhecida ou não. Mas, infelizmente, os canais abertos que atingem a maioria da população ainda se restringem em mostrar alguns poucos e os mesmos artistas. Acho difícil fazer uma crítica mais específica, pois como eu disse não entendo muito sobre como funciona esse “pagar pra tocar”.

27-) RM – Quais os seus projetos futuros?

Luque Barros – Já tenho material inédito para um segundo disco de cantor e compositor. Pretendo também gravar uma homenagem ao meu pai fazendo um disco só com musicas gaúchas. E sonho em dividir o palco com o Roberto Carlos (muitos e muitos risos!!).

28-) RM – Quais seus contatos para show e para os fãs?

Luque Barros – Meu site www.luquebarros.com.br | www.facebook.com/luquebarros | [email protected] | o contato de minha produtora executiva Elaine Guimarães (11) 99938 – 2233.

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.