Luís Avelima

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Luís Avelima
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O cantor, compositor e poeta paraibano Luís Avelima tem muita historia para contar. Chegando nos anos 60 no “Sul Maravilha” vivenciou os anos de chumbo da ditadura militar. Foi militante do PCB e teve muitos amigos que tomaram porradas e foram torturados.

Iniciou a sua vida artística como poeta e fez parte de entidades culturais. Nesses longos anos de experiências atuo como produtor cultural na secretária municipal de cultural de São Paulo e atualmente na secretaria de cultura do Estado. Um artista que conviveu com as diversas vertentes da música popular brasileira. Com dois CDs gravados: o “Prata” e o“Nobreza”. Mostra sua verve de interprete no CD – NOBREZA conta com a participação das cantoras: Maria Dapaz  na antológica “Tropeiros da Borborema” de Rosil Cavalcanti/Raimundo Ásfora e Maria Alcina em “Veja (Margarida)” de Vital Farias e  “Cabeça d’ Água” de  Gerônimo, o autor canta com Luís Avelima e tem a participação especial de Oswaldinho do Acordeon. O CD tem arranjos de Bira Marques. Um CD com uma sonoridade lírica – telúrica que faz voltamos ao tempo da inocência. É pena que artista, com grande sensibilidade de poeta tenha poucos registros fonográficos. Fazendo com quer seus discos sejam pérolas raras dentro da banalidade musical atual.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Luís Avelima para  a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em Outubro de 2004:

01) RitmoMelodia: Fale do seu primeiro contato com a música.

Luís Avelima: Nasci no dia 06 de agosto em Alagoa Nova – PB uma região onde a música era uma constante. Sejam com os cantadores de coco, sejam com as rezadeiras de novenas, os repentistas. Isso se juntava ao que ouvia em minha casa. Minha mãe gostava muito de cantar umas coisas diferentes, acalantos, canções de amores perdidos. Para além de tudo, uma coisa que me impressionava era o canto das carpideiras. As chamadas “incelenças” – que futuramente eu viria a incorporar em meu canto – me tocavam fundo. Elas me levavam a um misto de pavor e de deleite. Cantavam a morte, mas eu sentia que naquilo ia também a vida. Acho que foi depois disso que entrei numa escola chamada Filarmônica Santa Cecília, a única do meu tempo.

02) RM: Quais as suas influências musicais?

Luís Avelima: Nasci em Alagoa Nova, uma pequena cidade encravada no lombo da Serra da Borborema – PB, uma espécie de sentinela do brejo. Como mencionei anteriormente, posso dizer que minhas principais influências foram as carpideiras e o canto dos repentistas. Os matutos quando vinham à feira de domingo me pediam para ler os folhetos de Cordel. Eu os lia, lembro-me agora, dando uma entonação toda especial. Era um ator, um intérprete e não sabia. Havia um cantador chamado Gavião que era uma fera. Por Alagoa Nova passaram todos aqueles que se tornaram famosos, que hoje aparecem em antologias, são estudados nas universidades, etc. Lembro-me perfeitamente do poeta Manoel Camilo dos Santos, autor do famoso “Viagem ao País de São Saruê”. Fora isso, Luiz Gonzaga me marcou muito. Gostava muito de ouvir os bolerões, Silvinho, Gastão Formenti, as composições de Jaubert de Carvalho. 

03) RM: Fale do seu início na carreira musical.

Luís Avelima: Minha vida musical sempre foi muito confusa. Numa hora eu cantava, noutra fazia poesia. Mas tem uma coisa curiosa: quando estudava na Filarmônica Santa Cecília, lá na Paraíba, o maestro Josaphat Rodrigues – que havia regido a Banda da Polícia Militar do Rio de Janeiro—certa vez ao me ouvir cantar, tomou-me a clarineta dizendo que com a afinação que eu tinha na voz não precisa usar outro instrumento. No momento não entendi e não o perdoei por muitos anos. Mas voltando à pergunta, foi no Rio de Janeiro que decidi cantar. E não tinha outro jeito: estavam sempre ao lado de músicos, de cantores, compositores. Por exemplo: no Forró Forrado, no bairro do Catete, cuja programação era definida pelo João do Vale, me encontrava sempre com Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Gonzaguinha, o pessoal do Trio Nordestino, além de uma leva de cantores novos que ia aparecendo, como é o caso dos cearenses.

04) RM: Fale da sua chegada no “Sul Maravilha”. 

Luís Avelima: Minha vinda para o sul do país se deu de forma natural. Os anos 60 foram ricos e contraditórios. O que aconteceu a partir de 1964 esfacelou a cultura e a vida de centenas de pessoas. Um imenso trator, uma roldana que não parava de girar. Tantas cabeças foram cortadas, tantos futuros abortados… O contato com a grande cidade não deixou de propiciar um choque. O desenvolvimentismo, a luta estudantil, a cultura tentando sobreviver em guetos. Vivi um Rio de Janeiro febril. Vi o mar de Copacabana, o Cristo Redentor de braços abertos. Um Rio com uma boêmia já decadente, a Lapa em decadência, a valentia de Madame Satã, o malandro do morro cedendo espaço para uma marginália confusa. Mas para além de tudo, uma juventude vigorosa e um Partido Comunista vivo, embora na clandestinidade. E subi morros, convivi com periferias.

05) RM: Fale da sua vivência com a música e militância política.

Luís Avelima: A música em minha vida vem de longe. Uma coisa atávica. Cantava descompromissado. Um dia resolvi estudar. Entrei na Filarmônica Santa Cecília para aprender clarinete, mas o maestro incentivou-me a cantar. Durante minha vida tive muito incentivo dos amigos, inclusive do pessoal da Jovem Guarda. Aliás, até hoje mantenho aproximação forte com alguns deles: Jerry Adrianni, Wanderléa, Waldirene, Nenê, de “Os Incríveis”. O “Quinteto Violado” também foi muito importante na minha vida, me deu forças para cantar as belezas deste imenso país. Minha militância política não foi por modismo. Digo isso, porque naquela época todo mundo se dizia de Esquerda. Mas o Partido Comunista era mesmo muito sério. Prisão é algo complicado. Mas não foi só eu . O Brasil vestiu uma máscara verde-oliva, maltratou seus filhos, expulsou, matou. E só queríamos mudar, ter dignidade, justiça social. As perseguições nos tornaram paranoicos. Éramos (os comunistas) o câncer da nação. A igreja propagou o negativismo, mentiu a seus fiéis. O militarismo só ditou normas, definindo o modo de vida, costumes. E não teve muita dificuldade para imprimir o seu selo na música e no futebol. Muitas canções se adaptaram às graças do regime. O rádio de pilha mostrava os gols da seleção brasileira ao som de “Pra frente Brasil”, abafando o grito dos torturados. A experiência no exterior foi interessante, rica. Vivi momentos importantes da vida da União Soviética, inclusive o seu processo de queda. De um dia para outro as coisas foram desmoronando, as pessoas enlouquecidas gritando liberdade, exigindo mudanças, economia de mercado. E queriam uma economia que nem conheciam. Imaginavam algo igual a Suécia, Estados Unidos. Muitas vezes eu os surpreendia com uma pergunta: “E vocês não querem discutir a economia de mercado que se aplica em Bangladesh, na Bolívia?”. As discussões tomavam conta das praças, dos parques, das ruas, mas eram discussões caóticas. Deu no que deu. Agora dificilmente tem volta. A vitrine capitalista fez a cabeça de todos.

06) RM: Em que ano você fixou residência em São Paulo? Qual a importância dessa cidade na sua vida pessoal e profissional?

Luís Avelima: Troquei o Rio de Janeiro por São Paulo em 1964. O crítico Fábio Lucas já disse em artigo num dos jornais paulistanos que “poucos poetas cantaram a cidade de São Paulo com tanta força e em tão poucas linhas”. São Paulo é uma cidade que amamos e odiamos ao mesmo tempo. Já vivi no exterior, mas não suporto a ideia de viver longe desta cidade. Ela é mãe, madrasta, fere, mata. No entanto não consigo enxergar outro solo que amamente tão bem a seus filhos e adotados. Há espaço para tudo e todos. Praticamente todos os artistas que conheço tiveram a sua formação ou começaram a fazer o seu pé de meia em São Paulo. Na vida pessoal, ela me deu “régua e compasso” (como diz na música), e no lado profissional favoreceu-me muitíssimo. Foi nela que me tornei respeitado, ainda que no restrito meio intelectual. Principalmente foi nela que aprendi a ser cada vez mais nordestino.

07) RM: Como foi a sua experiência e vivência no CPC (Centro Popular de Cultura) ?

Luís Avelima: Meu lado poético aflorou ainda mais com a vida carioca. Mas terminei trocando o mar pelo concreto. Agora, ao invés do Cristo Redentor, eu mirava a grande torre do JaraguáSão Paulo era efervescente, com seus intelectuais e artistas. Mas também havia os porões, os cárceres, a paranoia. Os encontros intelectuais na Biblioteca Mário de Andrade são inesquecíveis. Colocava em prática o aprendizado do CPC, que foi a grande clareira: Ferreira Gullar e Vianinha, entre outros, enchiam as páginas dos Cadernos do Povo Brasileiro. Ali eram debatidos os temas mais candentes da vida brasileira. O próprio Vianinha me ensinou novos caminhos: como lidar com a linguagem teatral, como pensar as questões políticas dentro da arte. Sinto saudades de Ênio Silveira, de Hélio Pelegrino. Por outro lado, minha militância literária levou-me a travar contatos com nomes como Carlos Drummond de Andrade, Mário Quintana, Ferreira Gullar, Lygia Fagundes Telles.

08) RM: Quantos discos gravados? Quais as músicas que você destaca?

Luís Avelima: Sou da época do vinil. Tenho um vinil gravado e participação em algumas coletâneas. Fiquei muito tempo sem gravar, mas a chegada do CD animou-me: tenho dois CDs gravados: o “Prata” e o “Nobreza”. São discos de intérprete. Gosto muito das gravações de “Fado das Gaiolas”, do Fernando Lona e“Nobreza”, do Djavan. Mas não desprezo, por exemplo, a gravação de “Tropeiros da Borborema” de Rosil Cavalcanti e Raimundo Ásfora, que canto com Maria Dapaz e “Veja (Margarida) – Vital Farias”, que divido com Maria Alcina.

09) RM: Defina o seu estilo musical e artístico?

Luís Avelima: Eu não discuto muito essa coisa de estilo. Estilo talvez seja a forma como você cante, interprete. De qualquer forma, sou uma espécie de menestrel. Canto as coisas simples do povo, o amor telúrico a terra, a singeleza do dia-a-dia do campo. Às vezes sou um Catulo de Paula, noutras um Zé do Norte, mas tenho um lado romântico. Gosto muito do Roberto Carlos dos primeiros discos, embora não cante nada dele. Artisticamente sou um cantor enraizado no popular. O problema é que ser cantor de raiz hoje em dia é não ser nada. Já me perguntaram: por que você canta essas coisas tristes, que falam de canto de sabiá, de rios e ribeiras, de sol poente? Por que você não canta o que está por aí: os “breganojos”, a música pra pular brasileira, as lacraias…? Parece até sacrilégio cantar Elomar, Vital Farias (uma de minhas paixões), João Bá, Gereba… Eu sou um cantador.

10) RM: Fale de sua experiência nos movimentos sociais e culturais no início da sua carreira.

Luís Avelima: Já me disseram que se minha vida tivesse seguido outro caminho… Bom, logo cedo aprendi que tínhamos que combater as diferenças. Combater diferença nunca foi tirar do rico e dá para o pobre, mas propiciar para os desprovidos a condição de vida digna, estudo, comida, moradia decente. O Partido Comunista Brasileiro (PCB) foi uma grande escola. Lá aprendi o que é solidariedade. Os sofrimentos nunca me impediram de lutar. Ver amigos morrendo, sendo torturados, desterrados era reforçar a vontade de prosseguir lutando, embora com a alma sangrando. Foi nos movimentos sociais que enriqueci minha verve poética. Participei de inúmeros movimentos culturais, fui um dos primeiros poetas brasileiros a utilizar o mimeógrafo para mostrar minha poesia, fui o primeiro escritor jovem a assumir um cargo importante numa entidade de abrangência nacional: secretário-geral da União Brasileira de Escritores.

11) RM: Qual a sua opinião sobre o mercado fonográfico atual?

Luís Avelima: É tudo muito confuso. Só privilegia o que é consumido rapidamente, sem deglutição. Deve ter seus problemas sérios. Às vezes acho mesmo que ao lançar uma “lacraia da vida”, estão entrando numa de desespero de causa. O tempo da banalidade pode ser curto, espero. Não é possível que o mercado possa ser controlado por uma mão de ferro, por aqueles que só pensam no faturamento. O mais triste é que muitos de nossos colegas se submetem aos caprichos desta besta-fera. Vivem me contando umas coisas absurdas. Dizem que tem um cara lá no Ceará que compra todos os horários de rádios pelo Brasil afora, aluga lojas de discos, contrata cantores (?) e se dana a lançar grupo disso e daquilo, com os nomes mais esquisitos, pagando uma espécie de salário mínimo, sei lá. É um forró sem pé nem cabeça, distante do tradicional Forró pé de serra. Tudo está congestionado pela má qualidade. Não há lugar para Antonio Barros, Marinês, Trio Nordestino, Petrúcio Amorim, Amazan. Não há lugar para os que realmente fazem algo que importa.

12) RM: Fale de sua atuação como produtor cultural.

Luís Avelima: Tive sorte. Fui responsável por praticamente todos os grandes eventos que aconteceram na cidade de São Paulo nos anos 90. Dirigi as Casas de Cultura (recebi 6 e deixei 14), abri espaços para que os artistas pudessem mostrar seu trabalho – em todas as áreas, incluindo aí apoio à arte circense, aos ciganos. Os primeiros movimentos do RAP começaram comigo. As pessoas sabem disso, embora muitos torçam o nariz. Produzi espetáculos de nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa no Parque Ibirapuera, Oscar Peterson, Ray Charles, Nina Simone, possibilitei a vinda de grandes orquestras como a Filarmônica de Nova YorkFilarmônica de Israel, regidas por maestros do porte de um Zubin MethaKurt Masur. Ultimamente fui coordenador de produção do mais importante festival de música do país – o Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão – SP.

13) RM: O que tem de novo na cena musical em São Paulo e no Brasil?     

Luís Avelima: Em São Paulo há muita gente boa desenvolvendo um trabalho sério e pouco comentado. Tem gente boa: Maria Dapaz, Cris Aflalo, Daysi Cordeiro, Celso Viáfora, Daniela Lassálvia, Consuelo de Paula, Peri. Incluo-os não só como bons em São Paulo, mas no Brasil, ao lado de Vital Farias (sempre novo),Vanessa da Mata, Renato Motha, uma garota que vi bebê – a Maria Rita.Tem muita gente boa, fazendo uma música com certo respiro, que certamente estou esquecendo.

14) RM: Quais foram e são seus ídolos no meio musical e político?

Luís Avelima: Politicamente, meu ídolo maior era Lênin. Depois vinha Bukhárin e Che Guevara. No Brasil, admirei muito o Mário Covas, o Franco Montoro. Meu ídolo brasileiro talvez tenha sido Teotônio Vilela. Musicalmente não tive um ídolo propriamente dito, mas me apaixonei pela Wanderléa, que é hoje uma de minhas mais belas amizades. Sabe de quem eu gostei muito? Da Chavela Vargas, uma cantora meio mexicana, que por muito tempo ficou desaparecida e foi trazida de volta pelo Pedro Almodóvar (Cineasta Espanhol). Você precisa ouvi-la cantando La LLorona..

15) RM: Fale dos prós e contras de uma carreira musical e artística.

Luís Avelima: É difícil. Cada um é cada um. O que acontece a um dificilmente acontece a outro. Vejo como positivo o trabalho honesto, responsável, de qualidade. O contra numa carreira é a enganação. Muita gente se ilude – ou está iludindo. O que detesto realmente numa carreira artística é o pedantismo. Não consigo entender como uma pessoa luta a vida inteira para atingir uma posição e ao chegar nela esquece tudo e todos. Tem uns – que eu os conheço – que querem ser mais importantes que Deus. E eu viverei para certificar-me de que eles não são Deus.

16) RM: Fale da participação dos artistas brasileiros no Festival Mundial da Juventude em Cuba em agosto de 1997. 

Luís Avelima: Hoje há muita gente fazendo um trabalho de peso. É bom que se registre os nomes de Daniel Gonzaga, Celso Viáfora, Vicente Barreto, Luiz Carlos Bahia e cantoras como Kátia Teixeira, Deyse Cordeiro, Vânia Bastos, Susana Salles, Ná Ozzetti; no samba dou um destaque a Luiz Carlos da Vila. Além de bom compositor é um cara solidário. Tive oportunidade de conviver de perto com ele em Cuba, quando fomos ao Festival Mundial da Juventude. Essa viagem foi importante, principalmente pela disposição dos artistas brasileiros em colaborar com Cuba em momento tão penoso. Dou salvas a Belchior, Luiz Carlos Bahia, Marcus Vinícius, Christina Buarque, Luis Carlos Borges, Victor Hugo, Nei Lopes, Luiz Carlos da Vila, Claudio Nucci, Miucha, Ana de Hollanda, às meninas do Quarteto em Cy, os garotões do MPB4. Mais que uma lição, foi um ajuntamento de irmandade.

17) RM: Quais são seus projetos futuros como artista e produtor cultural?

Luís Avelima: Como artista quero continuar compondo e cantando. Cantando para um público que me é fiel, que sabe o que canto. Quero terminar um disco no qual reúno composições minhas em parceria com nomes como Antonio Barros, Maria Dapaz, Cláudio Nucci, Eduardo Santhanna (dos Trovadores Urbanos), Bira Marques, Gerônimo (o rei da Bahia), entre outros. Na qualidade de produtor, gostaria muito de continuar abrindo espaços, dando oportunidade para essa gente boa que faz arte no Brasil.

18) RM: Quais seus contatos?

Luís Avelima: [email protected]   | (11) 99205-3124

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.