Lucymar

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A cantora e compositora paraibana Lucymar desde cedo esteve em contato com a música, isto graças ao seu pai (Juvino Malaquias da Silva), um boêmio tocador de Banjo da orquestra filarmônica da cidade.

Lucymar morava em Santa Luzia juntamente com seu pai, sua mãe, que se chamava Sebastiana Cristina, e mais 10 irmãos. Na infância ela sempre foi uma criança extrovertida, comunicativa e carismática e desde muito pequena sempre gostou de cantar. As primeiras apresentações foram em eventos comemorativos da escola e festas carnavalesca, junina e natalina. Estas festas eram realizadas pela prefeitura na rua e no Yaiu Clube, um tradicional clube de Santa Luzia, no fim dos anos cinquenta.

Em 1962, Lucymar, na época com 16 anos, veio com toda a sua família morar em Campina Grande (PB). Na Rainha da Borborema a jovem cantora conseguiu se apresentar na Rádio Borborema, no programa “Domingo Alegre”. Devido ao seu talento Lucymar foi contratada pela Rádio para fazer parte do elenco de cantores da emissora. As apresentações na Rádio Borborema fizeram com que Lucymar recebesse vários convites para cantar em outras rádios da cidade e em tradicionais clubes de Campina Grande e da região. Nesta época Lucymar dividia sua vida entre os estudos e a profissão de cantora e aos poucos ela se tornou uma artista muito conhecida na cidade.

Lucymar era a mais requisitada para cantar músicas de políticos e para se apresentar em comícios, tanto em Campina Grande como em outras cidades da Paraíba, isto entre a metade dos anos sessenta e início dos anos setenta, quando gravou músicas inesquecíveis para vários candidatos. Devido ao grande sucesso na cidade Lucymar resolveu tentar uma maior projeção para a sua carreira artística no Rio de Janeiro. O grande incentivador para ela fosse para o Rio de Janeiro foi o amigo e cantor de Forró Messias Holanda. Em 1972 Lucymar chegou à cidade maravilhosa. Levou consigo uma fita com algumas músicas gravadas por ela. Com a intenção de divulgar o seu trabalho como cantora em uma rádio que existia na Vila Vintém, este o bairro onde Messias Holanda morava com sua família no Rio de Janeiro. A rádio do bairro tocava as músicas de Lucymar e mais tarde, com a ajuda do amigo Messias Holanda, ela conseguiu a oportunidade de cantar no famoso auditório da Rádio Globo, no programa de Forró apresentado por Jackson do Pandeiro e Adelson Alves. A apresentação da jovem forrozeira paraibana foi maravilhosa. O público que estava no auditório lhe aplaudiu de pé. Ela agradou a todos e principalmente ao “Rei do Ritmo”, Jackson do Pandeiro. Vários artistas também iriam cantar no programa, entre eles, “O Rei do Baião”, Luiz Gonzaga.
Ele perguntou o que ela iria fazer no programa. Ela respondeu que iria cantar. Quando acabou a apresentação dela, ele olhou para ela e disse: “Não é que a danada canta mesmo”. Lucymar ao terminar a sua apresentação, o Jackson do Pandeiro foi rapidamente em sua direção e perguntou se ela gostaria de participar do seu conjunto musical e também de gravar, cantando em um LP. Lucymar de pronto aceitou o convite irrecusável para qualquer artista. Em 1975 teve a oportunidade de pela primeira vez participar da gravação de um LP. O trabalho do qual Lucymar participou foi uma coletânea de Forró que trouxe o título de “A Tuba da Muiê”. Este LP foi todo produzido por Jackson do Pandeiro e contou com a participação de outros artistas de Forró, entre eles o cantor de coco Chico Mota e o próprio Jackson do Pandeiro. Na capa do disco, Lucymar aparece segurando uma Tuba.

Graças a este trabalho ela conseguiu um contrato na gravadora Copacabana Discos. Um artista que também impulsionou a ida de Lucymar para a gravadora Copacabana foi o cantor Genival Lacerda, seu padrinho de disco na gravadora, e que devido a grande amizade também veio a se tornar o seu compadre familiar. De 1976 a 1978 Lucymar foi contratada pela Copacabana Discos e teve como produtor musical de seus LPs Lindolfo Barbosa, o Lindú, cantor e sanfoneiro líder do Trio Nordestino. Na Copacabana Lucymar gravou trabalhos individuais e também participou de coletâneas de Forró ao lado de outros artistas como: Trio Nordestino, Marinês, Assisão, Zenilton, Antônio Barros e Cecéu, Geraldo Correia, Genival Lacerda, Negão dos oito Baixos, Zé do “X”, Zé Mamede e sua Gente Esquentada. Os discos gravados por Lucymar na Copacabana foram: “O Namoro e a Poupança”, gravado em 1976 e “Nordeste que amo”, em 1978.

No Rio de Janeiro a artista se apresentava em programas de Forró de TVs e rádios e nos forrós existentes na cidade. Os forrós mais famosos eram: “Na sombra do juazeiro”, no centro da cidade; “Forró dos nordestinos”, no bairro de São Cristóvão; “Forró da Ilha”, no bairro da Ilha do Governador, “Forró de Caxias”, na cidade Duque de Caxias na região metropolitana do Rio de Janeiro.
Lucymar fez a sua trajetória artística entre as cidades do Rio de Janeiro e Campina Grande, sempre ao lado do esposo, o cantor e compositor Elino Julião e dos filhos: Elino Julião Júnior, que é cantor e professor de Educação Física; André Luiz, músico, cantor, compositor, jornalista e professor de língua portuguesa; Priscila Maila, que é advogada e João Paulo, falecido ainda na infância. Lucymar possui uma marca histórica dentro dos festejos juninos em Campina Grande, ela faz parte de um grupo de artistas que realizaram a primeira edição do “Maior São João do Mundo” em 1986. Todo o ano Lucymar se apresenta no Parque do Povo para seus fãs e admiradores, sempre cantando o tradicional Forró Pé-de-Serra.

Após a sua saída da gravadora Copacabana Discos no início dos anos 80, ela deu continuidade a sua carreira gravando três discos que foram lançados pela gravadora Sondise, os LPs foram: “Na sombra do Juazeiro”, gravado em 1992 no estúdio Somax do Recife (PE) e “Forró safadinho”, em 1993 no estúdio Guriatã em Campina Grande. Estes dois discos com a participação especial do esposo Elino Julião. O terceiro disco lançado pela gravadora Sondise foi o LP “Deitar e Rolar”, gravado em 1994 no estúdio Somax do Recife.

Lucymar é uma artista eclética e gravou alguns discos cantando o gênero musical Romântico. O primeiro disco foi lançado em 2004: “Lucymar Puro Romantismo” Vol. 3. O segundo disco “Puro Romantismo Grandes Sucessos” lançado em 2005. Após esta fase romântica, Lucymar gravou mais dois discos cantando forró: “Meu Forró é Bom Demais” e o mais recente é “Meu forró é forró”.

Lucymar é uma “Lenda viva do forró”, ela dá continuidade a sua carreira artística cantando o autêntico forró em casas de shows deste gênero musical em várias cidades brasileiras, em especial nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, onde possui um público fiel ao seu trabalho que lota os espaços que a cantora realiza a suas apresentações.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Lucymar para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 08.08.2018:

01) Ritmo Melodia : Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Lucymar: Eu nasci em 08.12.1955 na cidade de Santa Luzia do Sabugi na Paraíba. Registrada como Marluce Malaquias da Silva.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Lucymar: Meu primeiro contato com a música foi com cinco anos de idade quando acompanhava meu pai, “seu Juvino Malaquias”, nos ensaios da Orquestra da cidade de Santa Luzia do Sabugi na Paraíba. Meu pai tocava Banjo e eu cantarolava as músicas da época acompanhada por ele.

03) RM: Qual a sua formação musical e formação acadêmica fora da área musical?

Lucymar: Minha formação musical é um “Don divino”. Comecei a cantar desde criança e ao longo da minha carreira fui me aperfeiçoando ouvindo vários artistas da época como, por exemplo: Ângela Maria, Dalva de Oliveira, Marinês, Nelson Gonçalves e outros artistas.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Lucymar: Minhas influências musicais no passado foram artistas como, por exemplo, Ângela Maria, Dalva de Oliveira, Nelson Gonçalves. No presente minha influência musical vem de artistas forrozeiros como, por exemplo: Messias Holanda, Lindú do Trio Nordestino, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e até os dias atuais todos são referências importantíssimas no meu cenário musical.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Lucymar: Comecei profissionalmente a cantar na minha cidade Santa Luzia do Sabugi na Paraíba com 12 anos de idade nos carnavais dos clubes sociais da cidade. Ainda adolescente minha família veio morar em Campina Grande (PB) e fui contratada pra cantar na Rádio Borborema, de cantora de rádio foi um salto para cantar em grandes eventos da cidade, gravações musicais e shows em campanhas políticas, e jingles comerciais. Em Campina conheci meu grande amigo e artista Messias Holanda que foi meu incentivador para buscar um voo mais alto até a cidade maravilhosa (Rio de Janeiro) para tentar gravar meu primeiro vinil (Compacto simples, duplo ou Long Play).

06) RM: Quantos CDs lançados (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que se destacaram?

Lucymar: Em 1974 eu fui me apresentar na Rádio Globo do Rio de Janeiro acompanhada do meu grande amigo Messias Holanda para participar do programa de forró de Adelson Alves e Jackson do pandeiro. Quando terminei a minha participação cantando no programa e vinha descendo a escada da Rádio, o Jackson vinha correndo e chamou assim: “Morena, topa gravar um trabalho comigo e participar do meu conjunto”. E foi assim que nasceu o meu primeiro musical gravado no Rio de Janeiro em uma coletânea já participando do conjunto musical do “Rei do Ritmo Jackson do Pandeiro” com o título a “Tuba da Muiê”, eu estou na capa do disco segurando na foto o instrumento musical (a Tuba). Participavam desse conjunto além de Jackson do Pandeiro, seus dois irmãos (Chico Mota, Boréu), Lucymar e o Severo que era o sanfoneiro. Essa era a banda que acompanhou o mestre Jackson por todo Brasil. Em seguida gravei pela gravadora Copacabana Discos no Rio de Janeiro o disco (LP) “O namoro e a poupança” em 1976. É um disco muito especial dentro da minha carreira artística. Neste disco tem o meu grande sucesso “O Namoro e a Poupança”, um xote de João Silva e João Baroni. Uma música tocada em todas as rádios do Brasil, principalmente no Sudeste, Norte e Nordeste. Por causa do sucesso em 1977 esta música fez parte de uma coletânea de sucessos chamada “12 Maiorais do Nordeste”, lançada pela Copacabana Discos. Essa coletânea traz as músicas de Forró e Carimbo mais tocadas nas rádios de todo o Brasil em 1976 e 1977. A coletânea conta com músicas como: Trio Nordestino, Alípio Martins, Giovane, Marinela, Candango do Ypê, Arlindo Betti, Pinduca, Genival Lacerda, Lucymar, Assisão e Negrão dos 8 Baixos. E depois o disco “Nordeste que amo” em 1978. Esse disco trouxe de sucesso a minha música “Tenha dó”, em parceria com Kim de Oly. A partir dos trabalhos lançados pela gravadora Copacabana tornei-me uma artista conhecida no cenário do Forró. E participei de mais duas coletâneas com vários artistas como: Genival Lacerda, Trio Nordestino, Antônio Barros e Cecéu, Zé do X, Geraldo Corrêa, Marinês, e muita gente boa. Todos os meus trabalhos gravados em vinil tiveram a marca de uma artista que sempre cantou, compôs, e defendeu a bandeira do forró. Meus LPs (Long Play) gravados na Copacabana Discos foram produzidos por Lindú do Trio Nordestino. Os arranjos foram de amigos como Dominguinhos e o maestro Pachequinho. Gravei na década de 90 mais três LPs: “Forró Safadinho”, “Deitar e Rolar” e “Na Sombra do Juazeiro” pela gravadora Som Max em Recife (PE) e teve a participação do meu esposo, o grande artista, Elino Julião. Gravei seis CDs, sendo o atual com o título “Forró é forró” gravado em 2014.

07) RM: Como é o seu processo de compor canção?

Lucymar: Compor é um “Dom Divino” sem explicação, acontece, vem uma inspiração e nascem letra e melodia.

08) RM: Quais são seus principais parceiros musicais em composição?

Lucymar: Meus parceiros em composições foram: João Gonçalves, Arnaldo Sambaton, Lindolfo Barbosa (Lindú do Trio Nordestino), Messias Holanda e Kim de Oly.

09) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Lucymar: Quando a artista é contratada por uma gravadora, toda despesa financeira e investimentos era responsabilidade da gravadora. Hoje em dia o artista tem que ter dinheiro para gravar o seu trabalho. Depois ter dinheiro para divulgar, e tem o risco de não obter sucesso no seu projeto. Esse é o ponto negativo da carreira musical independente.

10) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Lucymar: No passado ser contratado por uma gravadora no sudeste do país era chegar ao degrau maior da carreira musical, mas precisava ter muito talento, essa era a dificuldade maior, mas graças a Deus e ao meu talento, eu cheguei lá. Hoje em dia tem artista quem tem dinheiro para investir, e em alguns casos sobra dinheiro e falta talento. Essa é a realidade atual do nosso mundo musical. Continuo no mercado sendo aceita pelos os meus fãs que se renovam a cada apresentação que faço devido a minha característica ser a mesma de sempre sem render-me aos modismos, cantando desde o inicio o forró autêntico.

11) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia de gravação (home estúdio)?

Lucymar: A vantagem é que o processo de gravação é mais rápido e qualidade perfeita, mas o custo é alto. Esse é o desafio para o artista que tem que pagar os custos de gravação e custear as despesas.

12) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Lucymar: O lado positivo da internet para os artistas de hoje, é gravar uma música, lançar em uma plataforma digital ou rede social. O artista leva para o público a sua música sem gastos com transportes, hotéis, alimentação, combustível para automóveis. Hoje divulgar a música é bem mais barato, pois as pessoas com os seus computadores e smartphones tem o mundo em suas mãos. E CD já não se comercializa e hoje se faz downloads de músicas. A internet veio para facilitar a vida do artista quanto a divulgação do seu trabalho.

13) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Lucymar: Estou fazendo clips de músicas gravadas e lançando pela internet, divulgação em redes sociais apresentando em vídeos trechos dos meus shows, fotos, programas de rádio e tv. 14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Lucymar: Dentro do palco eu mesma construo o meu repertório, figurino, escolho meus músicos, tudo com a intenção de levar o meu melhor para o meu público. E fora do palco o trabalho é o planejamento de viagens para divulgação e outras atividades. E sempre estou participando diretamente dos processos que envolvem o desenvolvimento de minha carreira musical.

15) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Lucymar: Infelizmente a música que ganha espaço na grande mídia é a que propaga o consume de bebidas alcoólicas e outras drogas e a desvalorização da mulher. Infelizmente, artistas que cantam bem e tem uma proposta musical rica para nossos ouvidos e mentes não interessam aos programas de TV, eventos privados e até eventos públicos de prefeituras por esse mundo a fora. Os empresários do mercado musical dizem que é o povo que preferi as músicas descartáveis, mas é um jogo aonde a alienação é empurrando goela a baixo. Essa é a minha resposta para o cenário atual da nossa música em todos os rimos. Sobre revelações do nosso forró tem muita gente boa e jovem aparecendo, mas afirmo que nosso forró continua de pé graças aos grandes artistas que começaram essa historia: Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, Dominguinhos, Antônio Barros e Céceu, João Silva, Elino Julião, Genival Lacerda, Marinês, eu (Lucymar), Messias Holanda, Anastácia, Pedro Sertanejo, João Gonçalves e tantos outros. Esses artistas têm músicas que são sucessos e foram gravas a mais de 40 anos e são cantadas pelo público até os dias atuais. E são artistas consagrados cada um com a sua historia e o seu valor e a sua contribuição a nossa música e cultura nordestina.

16) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Lucymar: Convivi e trabalharam comigo grandes músicos do cenário do forró como, por exemplo: Abdias e seus 8 baixos, Dominguinhos, Geraldo Correia, Sivuca, Zé Calixto e tantos outros. Foram músicos que tanto eram gigantes na humildade quanto no talento e aprendi muito com cada um deles.

17) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Lucymar: Um dos fatos que mais marcaram a minha carreira musical foi quando jovem e recém-chegada da Paraíba ao Rio de Janeiro me apresentei no auditório da Rádio Globo para cantar. E aguardando a minha vez sentada nas escadas da subida do auditório me deparei com o Rei do Baião Luiz Gonzaga ao meu lado também aguardando a sua vez, pois iria encerrar com “chave de ouro” a madrugada de forró daquele dia. O programa era apresentado por Adelson Alves e Jackson do Pandeiro. Gonzaga me perguntou: “O que estais fazendo aqui menina? De onde tu és?” e eu disse: sou da Paraíba, do sertão, da cidade de Santa Luzia. Ele disse: “Muito bem”, e continuou a prosear comigo e pergunto “o que estava fazendo ali”, eu disse: vou cantar. Ele falou: “E tu canta?”, eu disse: canto sim. Quando voltei da minha apresentação; feliz da vida por ter sido aplaudida por todos; o “Rei do Baião” olhou pra mim e com aquele jeito sério e voz forte me disse: “num é que a danada canta mesmo”. Esse foi o maior troféu da minha carreira musical, a aprovação do “Rei do Baião” em 1975, dali por diante graças a Deus comecei a me destacar no cenário artístico.

18) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Lucymar: O que me deixa mais feliz é a renovação do meu público no Brasil, por onde passo, eu consigo agradar e ser aplaudida. E ver a alegria das pessoas diante do meu dom divino de cantar forró. O que me deixa triste é a desvalorização do artista do forró autêntico; financeiramente falando, se paga pouco para quem junto com o povo são responsáveis pela festa, pois as festas juninas do nosso Brasil são feitas para artistas do forró e não de outros ritmos musicais. E cada um no seu quadrado, carnaval é Samba, Rodeio é Sertanejo, São João é Forró, e por aí vai.

19) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Lucymar: Campina Grande (PB), terra do Maior São João do Mundo, que já produziu grandes artistas para o cenário nacional do forró. Hoje não tem uma casa de show voltada para o forró autêntico. O artista é desvalorizado com cachê pequeno na festa junina da cidade, ou seja, a realidade de muitas cidades do nosso nordeste. Empresário e políticos dizem que estão promovendo a cultura, mas a realidade é outra. E sem falar na descaracterização das festas juninas com artistas que nada têm a ver com o forró e ganhando milhões por uma apresentação.

20) RM: Quais os músicos e bandas locais que você recomenda ouvir?

Lucymar: Os 3 do nordeste, Elino Julião Júnior, Biliu de Campina, Amazan, Ton Oliveira, Luizinho Calixto.

21) RM: Quais os fatores que faltam para uma cidade universitária e de forte comércio como Campina Grande, ter um mercado melhor para a profissão de músico?

Lucymar: Incentivo que não existe por parte de empresários e políticos para que de fato aconteça uma valorização merecida para a classe artística.

22) RM: Campina Grande que realiza o Maior São João do Mundo gera de fato um mercado profissional para os forrozeiros?

Lucymar: Atualmente não existe esse tal mercado de trabalho para os forrozeiros, antigamente até que existia principalmente na época Junina, mas hoje em dia existe talvez espaço para tudo menos os forrozeiros autênticos.

23) RM: O que falta para o Festival de Inverno ter o mesmo destaque que o Maior São João do Mundo?

Lucymar: Incentivo financeiro, pois qualquer manifestação de arte sem apoio de empresas e políticos ela não tem como acontecer, crescer, se expandir.

24) RM: Campina Grande que faz o Maior São João Mundo, tem espaços para dançar forró fora do mesmo de junho?

Lucymar: Desconheço.

25) RM: Quais os outros gêneros musicais que é forte em Campina Grande?

Lucymar: Não só em Campina Grande, mas na maioria das cidades do Brasil, o modismo musical é que tem espaço, infelizmente.

26) RM: Fale da sua relação pessoal e profissional com João Gonçalves?

Lucymar: Grande amigo e parceiro em composições gravadas que já gravei.

27) RM: Fale da sua relação pessoal e profissional com Luiz Gonzaga?

Lucymar: Tive contato com o Rei do Baião Luiz Gonzaga nos programas de Rádio no Rio de Janeiro e São Paulo nos anos 70. E por várias vezes também nos encontramos em estúdios de gravação.

28) RM: Fale da sua relação pessoal e profissional com Jackson do Pandeiro?

Lucymar: Meu grande amigo, frequentei a sua casa na Penha no Rio de Janeiro. E participei do seu conjunto musical em apresentações por todo Brasil. Foi o meu grande incentivador que me deu a primeira oportunidade de gravar em disco participando do disco “A Tuba da Mulher” em 1974.

29) RM: Fale da sua relação pessoal e profissional com seu esposo Elino Julião?

Lucymar: Meu Esposo, Pai dos meus quatro filhos, sendo um falecido (o João Paulo), Elino Julião Júnior, André Luiz e Priscila Maila que moram comigo em Campina Grande (PB). Elino foi um grande incentivador na minha carreira musical. E gravamos juntos dois LPs e gravei músicas de Elino. E tivemos uma convivência de mais de 30 anos juntos, um companheiro amável e carinhoso, um ótimo Pai.

30) RM: Fale da sua relação pessoal e profissional com seu filho Elino Julião Júnior?

Lucymar: Meu filho Primogênito, um exemplo de ser humano honesto e amável. Ele segue a profissão do pai (Elino Julião) com muito orgulho e competência. Um bom compositor, cantor, músico, produtor. Dois discos meus, foram produzidos por Júnior. E gravei as suas músicas, me orgulha muito do seu amor por mim e sua dedicação pela minha carreira musical. Ele é o meu maior fã e eu sou sua fã. Um Irmão maravilhoso para André e Priscila. Ele é um grande amor na minha vida.

31) RM: Fale da sua relação pessoal e profissional com Biliu de Campina?

Lucymar: Biliu é um grande amigo meu e convidei-o para participar de um disco cantando comigo. Ele é um irreverente seguidor do mestre Jackson do Pandeiro.

32) RM: Fale da sua relação pessoal e profissional com Dominguinhos?

Lucymar: Um dos meus maiores amigos na música. Ele participou dos meus trabalhos na gravadora Copacabana sendo arranjador e gravei músicas dele em parceria com Anastácia em todos os meus LPs. Foi um ser humano humilde, humano, carinhoso. Isso era Dominguinhos para mim.

33) RM: Fale da sua relação pessoal e profissional com Anastácia?

Lucymar: Minha amiga até hoje. Gravei várias músicas dela e canto as suas músicas nas minhas apresentações.

34) RM: Fale da sua relação pessoal e profissional com Capilé?

Lucymar: Grande amigo e participou cantando comigo no meu mais recente disco. Temos uma grande amizade.

35) RM: Fale da sua relação pessoal e profissional com Marinês?

Lucymar: Uma irmã, na música, na vida pessoal, moramos em Jardim Palmares, Ilha do Governador no Rio de Janeiro. Eu frequentei a sua casa, fazíamos compras juntas em Caxias e Campo Grande. Tudo isso a procura de comida típica do Nordeste. E cantávamos também nos forró do Rio de Janeiro como, por exemplo: Catete, forró da Ilha etc. Marinês me incentivou muito no forró. Ela, já morando aqui em Campina Grande frequentava muito minha casa, sinto muita saudade das nossas conversas, a nossa Rainha do Xaxado. Sei da sua importância e legado que ele deixou para música Nordestina, uma Mestra. Uma grande artista na nossa música Nordestina.

36) RM: Fale da sua relação pessoal e profissional com Alcymar Monteiro?

Lucymar: Grande Alcymar, meu amigo, conheço a sua historia ainda um jovem compositor chegando ao Rio de Janeiro. Um grande cantor e compositor Nordestino que defende a nossa bandeira do forró.

37) RM: Fale da sua relação pessoal e profissional com Assisão?

Lucymar: Começou comigo na Copacabana Discos, conheci e conheço de perto e recentemente estivemos juntos no Festival “Nata Forrozeira” em São Paulo. Assisão frequentava comigo a casa do nosso grande produtor Lindú do Trio Nordestino na Copacabana discos no Rio de Janeiro.

38) RM: Fale da sua relação pessoal e profissional com Lindú?

Lucymar: Antes de tudo foi meu irmão na música. Eu frequentava a casa de Lindú e a sua esposa Mariazinha era minha amiga, os seus filhos são queridos por mim. Eu me emociono até hoje em falar de Lindú, gravei músicas dele. Lindú foi meu produtor musical na Copacabana Discos no Rio de Janeiro, me ensinou muito, um ser com um coração gigante, cheio de bondade, respeito e carinho.

39) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Lucymar: Sim. Até nos dias atuais me surpreendo acessando as rádios do Brasil e ainda escuto os meus sucessos sendo tocados.

40) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Lucymar: Acredite em DEUS, acredite nos seus sonhos, acredite no seu talento e vá em frente.

52) RM: Quais os projetos futuros?

Lucymar: São vários os projetos idealizados e que serão concretizados. Vem um novo trabalho. O mais importante é a vontade de cantar e saúde que Deus me dá para continuar fazendo o que gosto, cantar e cantar.

53) RM: Quais os seus contatos para show e para seus fãs?

Lucymar: Meus contatos para show e fãs são minhas redes sociais.

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.