Luano Soares – Odoiá

Luano Soares – Odoiá 1 Entrevista - Música - Revista Ritmo Melodia
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O cantor, compositor, percussionista e guitarrista gaúcho Luano Soares cresceu em meio a música e às forças da natureza vinda dos Orixás.

Aos três anos de idade já tocava tambor e outros instrumentos de percussão nas festividades religiosas. Com o passar dos anos foi se aperfeiçoando na música, fazendo novas amizades e participações com bandas de estilos variados. Mesmo feliz por estar entre músicos e estar fazendo o que gosta, sentia um vazio em sua vida, sabia que queria ter seus próprios “irmãos de caminhada”, pessoas de fé, guerreiros como ele e enfim com estes montar uma banda. Em 2003, Luano foi convidado para fazer percussão com uma banda na praia de Santa Teresinha, litoral gaúcho; a banda havia fechado shows por um período de duas semanas. Em um domingo a tarde, quando os salva-vidas já encerravam seu turno de trabalho, Luano nadava na praia, quando de repente foi puxado por uma correnteza, afogando-se não conseguia ficar emerso, quando lhe faltou as forças imergiu, viu então Iemanjá, “a rainha do mar”, envolta por seus cabelos longos ela puxou-lhe pelos cabelos para cima e lhe disse que não era a hora de desistir, o sonho estava por vir e a caminhada a começar, e ele desmaiou. Ao acordar viu um salva-vidas ao seu lado em meio à multidão, o mesmo lhe disse: – Cara, você nasceu de novo, já era para eu estar em casa, mas a beleza do mar hoje me segurou na praia até mais tarde. A partir desse momento começou a agradecer por estar vivo com a saudação usada em sua religião africana a Iemanjá, “Omi Odo Odoyá”. Nesse momento Luano compreendeu que as forças da natureza lhe prestigiam desde que nasceu, e que deveria fazer algo para proteger a natureza também. E com esta força que a natureza reuniu a ele pessoas especiais, com diferentes histórias de vida, mas com o mesmo sonho, formar uma banda, que leve o amor e o respeito a natureza, e com palavras de confiança passar as pessoas que os ouvem boas vibrações. Através dessa inspiração que surgiu o nome da Banda Odoiá, formada em 2003, no Bairro Bom Jesus em Porto Alegre (RS), fazendo um reggae de raiz.

O videoclipe “Cigana” foi um dos escolhidos pela audiência para encerrar o programa Tele Domingo em 17/04/2012. A Banda Odoiá já foi entrevistada e teve sua matéria divulgada nos jornais Diário Gaúcho, no espaço Estrelas da Periferia e Jornal de Viamão, apresentou-se também no programa Radar da TVE, no Jornal da Band Verão e Rádio Band Porto Alegre AM 640 e Radio Atlântida Passo fundo 97.1 FM) gajarão da Ubratv.

Em 2011 a Banda Odoiá lança o seu primeiro CD – “Siga o seu caminho” com a equipe da EB. Produtora, que contribuiu renovando a sonoridade das músicas, tendo como produtor musical Marcio Fucks, que já trabalhou com grandes nomes como, Jimmy Luv, Lion Kucha, Tati Portella da “Chimarruts” entre outros. O CD leva o nome da música carro chefe “Siga o seu caminho”, e conta com mais dez músicas e participações de “peso” como Marietti Fialho, Thais Ross, Edgar (Dega) e Alex (Função). Em 2012 é gravado o primeiro clip da banda, com a música “Cigana”, o mesmo é filmado em São Leopoldo (RS) com a direção de Francisco Mazzuca, fotografia e montagem Roberto Knorr, arte João Barboza, produção Cristiano Machado, e com as participações de Keli Frois, Thais Ross, Matheus Piccoli e Vitório Beretta.

Reggae na mente e no coração. Com as influências musicais de Bob Marley, a banda Odoiá busca neste gênero musical uma opção política pela paz e uma forma para explicar às pessoas que precisam de um objetivo para seguir suas vidas. O Reggae aqui no Sul ainda é meio incompreendido, ele não é visto como música; como em São Luís do Maranhão que já existe uma grande vertente de Reggae, e já é conhecido como “A Jamaica Brasileira”. Sabendo que as pessoas se identificam ouvindo música, o Reggae da Odoiá trás letras que falam do cotidiano, de sentimentos, da natureza, de sonhos, da dificuldade em que vivemos e da luta diária contra as drogas. Dialogando com as pessoas em situação de dificuldades, tentando amenizar seus sofrimentos e transformar aquele momento em felicidade. Para ter paz é preciso chegar perto da violência e modificá-la. O impossível se faz na hora, o milagre demora um pouco.

A vontade da banda Odoiá é estar perto das pessoas, para que elas ouçam e admirem o seu trabalho, fazendo com que suas músicas e as vibrações positivas da natureza alcancem seus corações, e assim encontrem a esperança de um futuro melhor.

Segue abaixo entrevista com Luano Soares – Banda Odoiá para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 18.03.2019:

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e sua cidade natal?

Luano Soares – Banda Odoiá: Eu sou o Luano Soares, nasci no dia 24.10.1981 em Porto Alegre- RS.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Luano Soares – Banda Odoiá: Meu primeiro contato com a música foi através da comunidade onde moro, junto com a cena musical local, que acontecia nos anos 90, influenciado pelo gênero RAP.

03) RM: Qual a sua formação musical e acadêmica fora música?

Luano Soares – Banda Odoiá: Na música sou autodidata aprendi a tocar percussão, guitarra e cantar. E sou técnico em informática e trabalho na segurança privada de uma loja de joias.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Luano Soares – Banda Odoiá: No passado o RAP foi muito importante, pois foi a porta de entrada para o universo musical, hoje, escuto diversos estilos musicais: Black Music, Samba, Reggae. Apesar de não escutar RAP e Hip-Hop direto, nenhum dos gêneros deixou de ser importante. Sou hoje a soma de todas as minhas influências.

 05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Luano Soares – Banda Odoiá: Por volta de 1997, comecei a fazer freelance como percussionista em algumas bandas em Porto Alegre (RS). Em 2003 após sobreviver de um afogamento na praia de Santa Teresinha (RS) fundei a banda Odaiá na qual sou o compositor, vocalista e guitarrista. Atualmente Gil Jones é o baixista e o meu parceiro em algumas composições da banda. Gil é formado em música e professor de Contrabaixo e Guitarra. Os outros músicos são contratados. O nome Odaiá é saudação usada em minha religião africana a Iemanjá: “Omi Odo Odoyá”.

06) RM: Quantos discos lançados?

Luano Soares – Banda Odoiá: Dois discos lançados. Em 2011 lançou o primeiro CD – “Siga o seu caminho” com 11 músicas. A equipe da EB. Produtora, que contribuiu renovando a sonoridade das músicas, tendo como produtor musical Marcio Fucks, que já trabalhou com grandes nomes como, Jimmy Luv, Lion Kucha, Tati Portella da “Chimarruts” entre outros Em 2018 lançou o EP – “Quatro cores de um sonho” com 4 músicas.

07) RM: Como você define o seu estilo musical dentro da cena reggae?

Luano Soares – Banda Odoiá: Reggae roots com influência da música brasileira.

08) RM: Como você se define como cantor/intérprete?

Luano Soares – Banda Odoiá: Sou cantor e intérprete.

09) RM: Quais os cantores e cantoras que você admira?

Luano Soares – Banda Odoiá: Bob Marley, Still Pulse, Natiruts, Matisyahu…

10) RM: Quem são seus parceiros musicais?

Luano Soares – Banda Odoiá: Sou compositor principal das canções da banda, mas também componho com outros compositores em especial com o Gil Jones, baixista da Banda Odoiá.

11) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Luano Soares – Banda Odoiá: Poder estar alinhado com o trabalho, e a satisfação da concepção, são coisas importantes e positivas que acontecem na modalidade independente. O ponto negativo se resume ao limite dos investimentos.

12) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver sua carreira musical?

Luano Soares – Banda Odoiá: Vender shows, ações em escolas, criação de produtos da banda para a venda.

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da sua carreira musical?

Luano Soares – Banda Odoiá: Ajuda na divulgação e na venda de shows. Não prejudica.

14) RM: Como você analisa o cenário reggae brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Luano Soares – Banda Odoiá: O reggae brasileiro encontra-se em expansão, graças à internet e a chegada de novas bandas. Falando artista em expansão cito Armandinho, que a cada ano que passa, apresenta um trabalho mais consistente e de qualidade. Quem regrediu foi quem parou no tempo.

15) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (Home Studio)?

Luano Soares – Banda Odoiá: Só vejo vantagens. Antigamente gravar saia muito caro e era um fator que inviabilizava os projetos. Apesar de não se ter a qualidade de um estúdio profissional, o resultado sempre é satisfatório e o ganho de tempo é impressionante.

16) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Luano Soares – Banda Odoiá: “Natiruts!” é o exemplo de profissionalismo e qualidade caminhando juntos.

17) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Luano Soares – Banda Odoiá: Lembro de uma vez que fui tocar no bairro Lomba do Pinheiro em Porto Alegre (RS), e tinha a mania de fazer performances de capoeira, neste dia, não havia percebido que tinha um buraco no palco, enfiei o pé e quebrei o dedo. Continuei cantando sem deixar as pessoas perceberem. Mas estar gravado, e estar na internet (risos).

18) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Luano Soares – Banda Odoiá: Cantar é o momento de maior felicidade. E tristeza é quando o trabalho com música não paga as contas.

19) RM: Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

Luano Soares – Banda Odoiá: A cena musical de Porto Alegre (RS) é bem forte, diversificada, e com abertura para diversos gêneros e estilos musicais.

20) RM: Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Luano Soares – Banda Odoiá: Recomendo ouvir a “Odoiá”, Marietti Fialho, “Motivos óbvios” e Rosa Tatuada.

21) RM: Quais os cantores e cantoras que gravaram as suas canções?

Luano Soares – Banda Odoiá: Marietti Fialho, “Função do Rebelião” e Dega Luís.

22) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Luano Soares – Banda Odoiá: Sim, acredito que a qualidade abre portas.

23) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Luano Soares – Banda Odoiá: Foco, estudo e perseverança.

24) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com o uso da maconha?

 Luano Soares – Banda Odoiá: Acho que não tem nenhuma relação, pois muitos “regueiros” não usam drogas, e eu faço parte dos que tocam reggae e não fuma maconha.

25) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com a religião Rastafari?

Luano Soares – Banda Odoiá: Apenas uma vertente do reggae, hoje em dia.

26) RM: Você usa os cabelos dreadlock. Você é adepto a religião Rastafari?

Luano Soares – Banda Odoiá: No passado, já tive dreadlook, mas não fui nem sou rastafári.

27) RM: Os adeptos a religião Rastafari afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como você analisa essa afirmação?

Luano Soares – Banda Odoiá: Reggae é um gênero musical. Com respeito a todos, o reggae é união!

28) RM: Na sua opinião porque o reggae no Brasil não tem o mesmo prestigio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Luano Soares – Banda Odoiá: Existem o Reggae bom e reggae ruim brasileiro. O bom toca e o ruim não toca por aí.

29) RM: Quais os prós e contras de usar o Riddim como base instrumental?

Luano Soares – Banda Odoiá: Fácil e econômico, mas nada seguro.

30) RM: Quais os prós e contras de fazer show usando o formato Sound System (base instrumental sem voz)?

Luano Soares – Banda Odoiá: Agilidade e organização. Arriscado ficar dependendo de base instrumental ao vivo, pois pode dar problemas técnicos e ficar sem.

31) RM: Quais os seus projetos futuros?

Luano Soares – Banda Odoiá: Lançar o novo EP e fazer outras apresentações fora do Brasil.

32) RM: Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Luano Soares – Banda Odoiá: (51) 98929 – 3571 (Luano Soares) | (51) 98918 – 9751 (Gil Jones) | [email protected]www.palcomp3.com/odoia | @banda_odoia 

Links da Odoiá:

https://open.spotify.com/album/2zFFd7OrwCb6K37rUdVYI7

https://www.youtube.com/bandaodoia

http://www.facebook.com/bandaodoia

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.