Lourival Tavares

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Lourival Tavares
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Lourival Tavares, maranhense de uma musicalidade ampla. Com uma voz singular com timbre agradável, forte e domínio vocal perfeito, que pode ser classificado como Interprete e Compositor.

O trabalho do Lourival é a união dos sons regionais ao som urbano. As letras são poéticas com melodias simples e profundas. Passou pela escola dos Festivais de Música no Maranhão, com premiação em todos. Com seis trabalhos lançados: “Um Compacto simples”; “Procissão das Formigas”; “Lobo da Lua”; “Miragem”; “Colheita dos Versos” e no “Batuque do Coração”. É bem resolvido no palco e busca popularizar a sua arte. Ele é respeitado por estrelas da MPB, que reconhecem o seu potencial. Ele se enquadra no exemplo de artista que quando conhecemos e ouvimos, fazemos uma pergunta óbvia e um tanto incomoda. Por que um trabalho belo como esse não tem um reconhecimento nacional nem toca nas rádios? E passa por nossa cabeça uma reprise de todas as futilidades musicais que dominam os programas de TVs dominicais e das rádios. Mas o talento e a solidez de uma proposta musical de Lourival Tavares faz com que o reconhecimento futuro possa acontecer.

Segue abaixo uma entrevista exclusiva com Lourival Tavares  para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa  em 01.01.2002:

01) Ritmo Melodia: Fale da sua cidade natal e sua iniciação musical.

Lourival Tavares: Eu nasci em 31.10.1954 no centro dos Olegários, município de Pio XII-MA, região que nasceu João do Vale. Em 1959 fui para Santa Inês, foi lá que comecei a ouvir música. Em 1970 subi no palco pela primeira vez em programa de calouro, cantando uma música de Silvio Caldas. Comecei a participar de Festivais de Música e comecei a tocar Violão como autodidata e ouvindo os cantadores repentistas desde cedo, quando tinha cinco anos, ouvia Ari Lobo, Waldick Soriano, Jovem Guarda, o pessoal da Tropicália e do Ceará. Eu ouvia tudo.

02) RM: Fale do seu primeiro Festival de Música?

Lourival Tavares: Meu primeiro Festival foi em 1977 em Imperatriz-MA, eu cantei uma música chamada: “Glória a Deus no Céu” e “Chuva na Terra”, que ficou em primeiro lugar e fiquei em segundo e terceiro lugar nesse Festival. No ano seguinte cantei a música : “Canto Razão”, que ficou em segundo lugar. Antes disso eu vim tentar música no Rio de Janeiro em 1977 e terminei não conseguindo mostrar um trabalho, por uma questão de inexperiência, não era um profissional ainda. E fui trabalhar na construção do Aeroporto Galeão e voltei para o Maranhão. Venci em Santa Inês esses Festivais. E musiquei uma peça teatro: “Um Grito à Consciência”. Vim para São Luís e conquistei o respeito dos artistas de São Luís. Fiquei amigo de muitos compositores como: Josias Sobrinho, Chiquinho França, Chico Maranhão e outros. Em 1984 vim para São Paulo com a família.

03) RM: Fale do seu inicio de carreira musical em São Paulo.

Lourival Tavares: De uma certa forma eu levei sorte com sete meses em São Paulo, eu gravei meu primeiro disco, que foi um compacto simples na gravadora chamada Líder. E fiz alguns programas de Televisão de nível nacional, mas por ser uma gravadora pequena não houve uma continuação. Depois fiz o segundo disco Independente: “Procissão das Formigas” e fiz outros Discos chamados: “Lobo da Lua”; “Miragem”, feito num estúdio profissional e muito bem distribuído em nível nacional. Mas sempre faltou o peso da mídia. Fiz o CD – Ao Vivo: “Na Colheita dos Versos”, que foi no Projeto Cantarena do CPC (Centro Popular de Cultura) da UMES ( União Municipal dos Secundarista – SP), que é um disco que tenho mais carinho. Nele eu faço homenagem a varias personalidades da Cultura Popular e da MPB como: Patativa do Assaré, Gonzaguinha, Luiz Gonzaga, João do Vale, Venâncio Corumba, Luiz Vieira, Torquato Neto, Teixeirinha...

04) RM: Fale do novo CD.

Lourival Tavares: Agora gravei um novo CD: “No Batuque do Coração”, um trabalho bonito que estou acreditando pela sonoridade do Disco. Que vai sair em Maio de 2002 pela gravadora CPC – UMES, com distribuição nacional.

05)RM: Lourival você chegou a tocar nos “Bares da Vida”?

Lourival Tavares: Não. Barzinho eu nunca fiz. Eu comecei cantando em um Conjunto de Baile no Maranhão como Vocalista. E foi essa experiência dos Bailes que me deu condições de vocalizar todo o meu CD, eu faço ás Terças, Quintas, Contra – canto, Falsete. Essa habilidade vem da época do Conjunto de Baile que cantava: The Fervers e outras Bandas da Jovem Guarda que davam um noção musical boa para a gente na época.

06)RM: Fale dos músicos nordestinos que chegaram em São Paulo na mesma época que você e que você conheceu?

Lourival Tavares: Eu cheguei em 19984, o Chico César, chegou em 1985. Fizemos um Projeto no Masp chamado “Lá Vêm A Barca”, que é titulo de uma música de Pedro Osmar. Que era eu, o Chico César, Jarbas Mariz e Lula Côrtes. Eu estava divulgando meu disco “Procissão das Formigas” e tinha que está em contato mais direto e rápido com meu empresário. Eu pedi licença ao pessoal e sai do Projeto e entrou no meu lugar o Chico de Abreu. A amizade com esses músicos é de muitos anos e já fizemos vários projetos juntos na área musical.

07) RM: Como você analisa o fato de todos começarem na mesma época e terem um trabalho do mesmo nível, uns conseguiram destaque nacionalmente e outros não?

Lourival Tavares: Olha cada um tem uma formação de vida e musical pessoal. E não se separa muito essa formação pessoal e musical, mas tem que ser equilibrada e tem que ser trabalhada. Algumas pessoas têm dificuldades de chegarem no êxito por não encontrarem as pessoas certas para agenciar. Primeiro o artista tem um processo de batalha própria sendo seu próprio marqueteiro, fazendo seu lobby e tudo por si. Mas chega uma hora que às vezes as exigências são maiores e precisa de alguém para lhe representar. E quando não encontra as pessoas certas, o músico terá dificuldade de chegar em algum lugar. Alguns colegas tiveram sorte como: Chico César que conseguiu pessoas que o conduziu por caminhos bons e bacanas. Teve a sorte de alguém agenciá-lo bem. Ele hoje é respeitado e tem um bom trabalho. Mas é luta, eu vi batalhas do Chico na Guerra. O próprio Zeca Baleiro que chegou muito depois de mim. Quando eu estava no Maranhão, o Zeca Baleiro estava no começou da batalha, fazendo barzinho e depois veio para São Paulo cantar em Barzinho e teve uma luta. Uma grande amiga minha a Rita Ribeiro também enfrentou dificuldades. E hoje eu e eles, estamos um pouco mais distante pelo fato das atribuições da carreira deles. Mas quando nos encontramos são muitos abraços.

08) RM: E você busca o mesmo caminho, realizando o sexto trabalho e buscando a consolidação dos seus esforços?

Lourival Tavares: Tem que buscar, estamos mandando alguns Discos para algumas Rádios do Brasil. A música Matadouro em parceria com o poeta e Jornalista maranhense Celso Borges. Ele me mostrou o poema, eu achei bacana e musiquei. Ela está tocando em São Luís. A música: “Velha Calça de Xadrez” está tocando na Rádio FM Palmas no Tocantins.

09) RM:  São Paulo é o ponto inicial para o sucesso musical de qualquer artista?

Lourival Tavares: São Paulo, eu considero como a oficina da arte brasileira. Mas isso tem que ter cuidado, porque se o artista pensar que São Paulo faz o artista é um engano. O artista tem que vim pronto. Eu conheci muitas pessoas que vieram ser ator, mas não tinham base. Eu conheço pessoas que não fizeram música no Maranhão ou em outros lugares do Brasil e vieram para São Paulo sonhando em ser artistas e gravar um disco. E terminaram sendo auxiliar administrativo em Banco. Como aconteceu comigo, quando cheguei no Rio de Janeiro em 1977, mesmo tendo músicas compostas , eu ainda não era um artista, profissionalmente falando. E terminei trabalhando de almoxarifado no Galeão. Trabalhei em Supermercado. Eu não tinha uma infra-estrutura para me apresentar, eu tremia na base.

10) RM: Como você vê a evolução do seu trabalho musical e quais foram as suas influências musicais?

Lourival Tavares: Olha o meu trabalho é um processo de aprendizado desde dos meus quatro anos de idade. Porque eu acredito que quando a gente começa a ouvir as primeiras canções como: “Triste Partida”. Meu avô tinha uma “fazendola” e todo mês ele chamava um repentista para fazer apresentação e cantoria no Alpendre da Casa em noites de Lua Cheia para os trabalhadores e familiares da nossa terrinha. Eu sempre pedia, “Papai” ; eu chamava meu avó de pai porque ele me criou. Eu dizia para ele pedi para o cantador cantar a “Despedida do Ceará”, que era como eu chamava a música: “Triste Partida”. Ele me dava uma moeda e eu colocava no prato e ele cantava a música de Patativa do Assaré em parceria com Luiz Gonzaga. Quando faço alusão ao Patativa do Assaré é porque isso ficou plantado na minha cabeça. O João do Vale tem uma importância muito grande para mim. O Luiz Gonzaga, o Jackson do Pandeiro, o Ari Lobo, também. E em outra fase foi o pessoal da Jovem Guarda. Eu não posso esquecer isso nunca, eu cantei Jerry Adriane, Paulo Sérgio, Roberto Carlos, Ronnie Von que me aperfeiçoou como cantante. Essas foram as minhas influências. Acredito que é sendo regional que estamos para o mundo. É cantando a sua Aldeia que você cria a própria história. Mas é legal quando você pode fazer as fusões de ritmos. Eu sou fã do Gilberto Gil, por isso, pelas fusões de ritmos que ele faz. É passar as coisas do terreiro como o Afoxé e passar a música para o mundo, não fazer do regionalismo uma prisão. O cantador de boi, é bacana ele fazer a toada de Boi dele com toda dignidade lá. Mas eu como compositor que quero fazer música para um espaço maior e um público diversificado. Eu posso pegar uma toada de boi e transforma uma sonoridade mais moderna. O Gilberto Gil é o professor nesse aspecto de pegar a célula de um ritmo e cria em cima sem perder as origens.

11) RM: Como você ver a célula rítmica do Forró para o desenvolvimento de outros ritmos?

Lourival Tavares: Primeiro para cantar o Forró, tem que suingar. Cantar Forró não é só dividir a célula rítmica. Você sente quando um paulistano canta Jackson do Pandeiro. Quando você ouve um Jarbas Mariz cantando que é paraibano, ou seja, que é mineiro, mas foi criado na Paraíba. Mas ele tem todo swing de paraibano. Mesmo o Jackson não era um cantor, mas através do suingue, ele manifestava com a sonoridade da voz, tudo que ele fazia com o corpo no palco, era outra forma de se apresentar como artista. O Luiz Gonzaga é o rei do Baião e o rei do Forró era Pedro Sertanejo, o pai do Oswaldinho do Acordeon. O Forró é um baião mais acelerado. O Xote já é outro ritmo. As pessoas generalizam tudo que é música nordestina como Forró, tudo bem, é valido.

Lourival Tavares: 11 -99269 – 8917  – www.lourivaltavares.com.br \ [email protected]  

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.