Lilian Jardim

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A cantora, compositora e instrumentistas paulista Lilian Jardim nasceu em Araraquara- SP. Desde criança mostrou aptidões musicais e logo estava tocando diversos instrumentos.

Iniciou sua carreira aos 18 anos de idade, conciliando a música a um curso superior em Direito, profissão que nunca chegou a exercer por se dedicar completamente à carreira artística. Sua desenvoltura com a gaita de sopro, pandeiro, guitarra, violão e percussão, aliados a uma voz aveludada e de forte presença, permite que a artista repasse ao público perfeita harmonia. Seu belíssimo estilo de voz, sua versatilidade e dinamismo deixam Lilian a vontade para se apresentar para diferentes tipos de públicos nos mais variados locais. Em 2005 gravou o primeiro CD – “A Palavra Chave”. O disco foi produzido por César Bottinha (guitarrista de artistas consagrados como Daúde, Rita Ribeiro, Mafalda Minozzi, dentre outros). Entre 2011 e 2012 desenvolveu junto ao renomado produtor musical Ney Marques (Estúdio Flautin 55) seu mais novo trabalho intitulado: “Boca Sonora”. O CD possui vários hits incluindo as músicas: “O cenário” (que esteve na programação da Nova Brasil FM), “Em sampa tem samba” e “Menina baladeira” (gravada com a cantora Vanessa Jackson).

Segue abaixo entrevista exclusiva com Lilian Jardim para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01.05.2015:

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Lilian Jardim: Nasci em 21.01.1979 em Araraquara – São Paulo.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Lilian Jardim: De acordo com minha mãe, já me emocionava com algumas músicas que ela colocava para ouvir, quando ainda era um bebê (risos). Mas o primeiro instrumento foi um pandeiro infantil que ganhei de uma senhora, que também presenteou seus netos com o mesmo brinquedo, porém para a surpresa dos adultos presentes, toquei um “sambinha” com muita naturalidade e não entendi o motivo deles acharem aquilo incomum (risos). Aos 7 anos de idade fui matriculada em aulas de violão, e aprendi os primeiros acordes.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

 Lilian Jardim: Sou formada em Direito, e aprendi música praticando.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Lilian Jardim: Enquanto a maioria das crianças ouvia XUXA, o que era muito bacana e natural, eu me interessava pelos discos de vinil do meu tio Vladimir: Titãs, Lulu Santos, Marisa Monte, Legião Urbana, Elis Regina, Lobão, Kid Abelha, Cazuza, Raul Seixas, dentre outros. Acho que tudo continua tendo importância.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira profissional?

Lilian Jardim: Comecei cantando em bares de Araraquara – SP e região, depois cantando em bandas de Baile, onde aprendi a lidar com público e grandes palcos. Após alguns anos, segui carreira solo.

06) RM: Quantos CDs lançados, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as musicas que entraram no gosto do seu público?

Lilian Jardim: São dois CDs lançados. O primeiro CD – “A Palavra Chave”, gravado em São Carlos – SP pelo produtor e músico César Botinha, do qual participaram excelentes profissionais como: Emílio Martins (bateria e percussão), Denis Rogê (baixo), Bertinho (violão), Luiz Fernando (piano), Cláudio Pesse (Sax e Gaita). O disco é autoral, com composições minhas e de minha mãe, Clenira Benincasa. O segundo CD, gravado em 2013 no Estúdio Flautin 55, pelos produtores Ney Marques e Zé Antonio, foi indicado ao “24º Prêmio da Música Brasileira”. Um disco também autoral, contendo músicas minhas e de minha mãe. Os dois discos possuem uma linguagem de Pop Rock, MPB, tem também um sambinha, para não esquecer as raízes (risos) e até um blues, em que arrisquei gravar a gaita e alguns violões. As queridinhas do público são: “A menina Baladeira”, música que conta com a participação de Vanessa Jackson, inclusive no clipe, e “Livre vou ser”, versão de Living’ On a Prayer de Bon Jovi, que também gravamos um web clipe, ambos disponíveis no Youtube.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Lilian Jardim: Adoro música brasileira (as boas, risos), creio que tenho influências do samba, pop rock 80 e 90 e MPB. Tudo isso misturado (risos) resulta no meu estilo.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Lilian Jardim: Não.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Lilian Jardim: É muito importante, creio que o caminho de aprendizado seja mais rápido quando estudamos técnica vocal, além de aprendermos a colocarmos nossa voz de maneira adequada, evitando assim danos futuros, como por exemplo, os chamados “calos nas pregas vocais”.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Lilian Jardim: Maria Bethânia, Elis Regina e sua filha Maria Rita, Marisa Monte, Lenine, entre muitos outros.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Lilian Jardim: Às vezes, eu faço primeiro a letra e depois a melodia, outras vezes, primeiro a música depois a letra, mas não a qualquer momento, preciso estar inspirada.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Lilian Jardim: Minha mãe, Clenira Benincasa.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Lilian Jardim: Creio que na carreira independente temos que ser mais que artistas e aprender um pouco de administração, logística, empreendedorismo e o que mais precisar. O ideal é sempre termos ao nosso lado, profissionais capacitados em cada uma dessas áreas.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco? 

Lilian Jardim: Estamos a pleno vapor, com três projetos, já vislumbrando 2015. O primeiro deles é um projeto especial elaborado para instituições tais como SESI, SESC, evento corporativo, etc. O nome do Projeto é “TUNQUITI-QUITUM – homenagem a “o Samba e o Baião”. O segundo é que estamos trabalhando na gravação do 3º CD para 2015 e ficará lindo, delicado, poético. Mas ainda não posso falar muito. O terceiro é o Projeto ”BOCA SONORA” – Incentivado PROAC/ICMS – em fase de captação de recursos para 2015. As empresas contribuintes do ICMS e que se interessarem em participar, podem contatar-nos.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira ?

Lilian Jardim: No dia-a-dia, trabalho através do contato via mailing, patrocínio de mídias sociais como facebook, youtube, etc. Através delas buscamos o contato direto com empresas e pessoas envolvidas no mundo da música. Participamos também dos Editais da Secretaria de Cultura e demais empresas que apostam na música, como os Correios, Banco do Brasil, Petrobrás, Natura, etc. Na Secretaria de Cultura de São Paulo, temos um projeto que foi aprovado recentemente, denominado “BOCA SONORA” e para o qual estamos em busca de captação junto às empresas. Àquelas que desejarem colaborar, esclarecemos que “trata-se de um projeto social que visa à conscientização através da música, quanto ao uso abusivo de álcool, drogas e sexo sem proteção”.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Lilian Jardim: Eu acredito que colabora e muito, na divulgação, contatos, etc.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia de gravação (home estúdio)?

Lilian Jardim – Gosto de usar o home estúdio para trabalhos internos, coisas rápidas e menores, porém ainda primo pela qualidade e competência dos produtores e alto nível de um estúdio profissional, para lançar um novo trabalho.

18) RM – No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente uma carreira musical. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo, mas, a concorrência se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Lilian Jardim: Procuro ser leal aos meus gostos musicais, canto e toco o que julgo ser bom.

19) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Lilian Jardim: Infelizmente, a música comercial, aquela que massacra nossos ouvidos (risos) é a que está em maior evidência nas FMs, mas em contrapartida, temos o acesso a tudo na internet, tendo a possibilidade de ouvir coisas bacanas. Sobre bandas e cantoras, gosto das bandas de pop rock nacional e cantores como Pedro Mariano, Roberta Sá, Adriana Calcanhoto, Maria Rita, Luiza Possi, entre outros que permanecem no cenário musical, a todo vapor.

20) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Lilian Jardim: Ney Marques, um grande amigo e produtor musical.

21) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical ?

Lilian Jardim: Teria que passar o dia escrevendo (risos). Vou contar sobre dias da semana, um a um, ok? Semana Eclética: Quarta – Show:  – Palco, luz, infraestrutura completa, banda, camarim e ao final do show, fila de autógrafos, glamour total (risos)! Quinta – Apresentação tipo “vaso ornamental”. Violão e voz em um bar, para animar a noite do casal VIP, ou seja, cantamos para uma ou duas mesas, em que geralmente as pessoas passam a noite tomando uma garrafa de vinho que NUNCA acaba. Além de cantar, observamos os garçons colocarem uma vassoura atrás da porta (simpatia para expulsar pessoas indesejáveis). Affff… Terrível, tudo por amor à arte! Sexta – Chique demais – Em uma mansão de “Alphaville”, apenas médicos cinquentões, inteligentes e recatados, até a página 2 (risos), ou seja, assim que as garrafas começam a esvaziar, a “coisa” muda de figura, começam a dançar, cair, xingar, pegar o carro “trêbado” e ainda somem da festa, deixando os que ficaram, desesperados.  E a gente lá, tomando água e fazendo aquilo que nos compete:”boa música”. Sábado – Em cima da hora. Toca seu telefone pessoal, um colega de profissão pergunta: – E ai, você vai tocar hoje? Então, sabe o que é, preciso de alguém para me substituir em um evento, o cachê é bem bacana. Fui. Sabe quando o GPS te leva em vielas onde mal passa uma moto e muito menos um carro? Um lugar escuro e inóspito? De repente uma voz em bom tom declara. “Você alcançou seu destino…”  Meu Deus! Uma luz verde no teto, a parede decorada com uns discos antigos, no som da casa, rolando um “funk proibidão” affff…, era lá mesmo… Começamos a tocar (MPB e POP Rock) e agora? Chega um, chega outro… Uns a pé, outros de carro importado, destoando da paisagem ao redor. Passado algum tempo, as pessoas começam a curtir o som, pedem músicas e quando você menos espera, querem te pagar uma bebida e te convidam para almoçar em suas casas simples, em meio à comunidade. Curtem tanto, que prometem que naquele pedaço, nada de mau te acontecerá, pois eles é que estão no controle. Fomos embora felizes e com o preconceito enterrado. Domingo: Trabalho fechado por email, violão e percussão apenas. Chegamos a uma chácara muito bonita, arrumamos nossas coisas, havia poucas pessoas no local, mesmo assim começamos a tocar a pedido do contratante; passado alguns minutos, chegaram umas 30 mulheres, bem arrumadas, e sentaram-se em sofás espalhados pelo salão. Estranho! Foi quando chegou um rapaz acompanhado de outro que era cadeirante, conversaram com duas das mulheres e sumiram por cerca de 40 minutos. Passamos a noite observando o mesmo movimento com outros rapazes que chegavam e saiam com as moças do salão, aí sim nos demos conta do que se tratava. Sim, era um “puteiro”. Terminei o trabalho, peguei o cachê e na volta atropelei uma galinha e uma raposa (risos).

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Lilian Jardim – Amo o que faço. Tocar e cantar me faz sentir viva e cheia de objetivos, planos e ideias. O que chateia, é a exploração que alguns donos de casas noturnas fazem com seus artistas, desvalorizando a classe. Também tem a intolerância de alguns vizinhos que reclamam do ruído, antes das 22:00 h, que muitas vezes, é menor do que o ruído do motor de um carro passando. Temos que ser maleáveis uns com os outros. Tocar, cantar é a nossa profissão e os músicos precisam de espaço para trabalhar.

23) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Lilian Jardim: Em São Paulo, temos várias unidades do Sesc, com atividades musicais e culturais, temos os bares da Vila Madalena, a Sala São Paulo para quem aprecia música clássica, enfim aqui tem tudo para todos os gostos.

24) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora; você indica como uma boa opção? 

 Lilian Jardim: São muitos. Mas prefiro não citar nenhum nome para não pecar com outros. Caso alguém precise de algum específico, me mande um email ([email protected] ), que farei questão de indicar.

25) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Lilian Jardim: Sim, lembrando que com muitas, teremos que fazer parcerias.

 26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical

Lilian Jardim: Primeiro, veja se você é realmente apto para ser músico, lembre-se de qualquer que seja a área de trabalho que escolher, precisará de muito empenho e dedicação. Faça por amor e bem feito, que os bons resultados aparecerão.

27) RM: Quais os seus projetos futuros?

Lilian Jardim: Turnê do show: “Boca Sonora” e gravação de um DVD. Gravação do novo disco “Tecendo Poesia”.

28) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Lilian Jardim: (11) 97482 – 6616 | 98201 – 5858 | 2854 – 4300 | www.lilianjardim.com.br[email protected][email protected] | Facebook: www.facebook.com/lilianjardimoficial


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.