Kiko Péres

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O guitarrista e compositor brasiliense Kiko Péres começou a tocar guitarra em 1984 aos 12 anos. Em 1986 estudou Harmonia e Improvisação com Nelson Faria na Escola de Música de Brasília. Em 1991, foi estudar música no Guitar Institute of Technology (G.I.T.), em Los Angeles, Califórnia.

Formou-se em março de 1992 e assim que retornou ao Brasil, foi convidado a fazer parte da banda de Funk-rock Pravda, ficou até o final de 1995, tendo participado do primeiro CD da mesma, lançado pela Banguela Records/Warner. Em 1995, junto com Adriano Faquini, montou o Tributo a Led Zeppelin, que foi sucesso de crítica e público em Brasília – DF. Montou também o Tributo a Jimi Hendrix, contando com a participação de alguns dos melhores guitarristas do Distrito Federal. No final de 1996, foi chamado para o posto de guitarrista da banda de reggae de raiz Nativus, ficou durante seis anos. Em 2002, após três discos que somam juntos mais de 500 mil cópias vendidas, Kiko Péres deixa o posto de guitarrista de uma das mais populares bandas de Reggae do Brasil, o Natiruts (ex-Nativus), para investir no lançamento de seu segundo CD solo instrumental e de seu primeiro livro, que foi escrito durante sua última turnê com a banda. O CD – Samba-funk ganhou o Prêmio Dynamite de Música Independente na categoria de melhor CD instrumental de 2002. Em 2003, Kiko participou da coletânea Guitarras do Cerrado, cujo show de lançamento lotou a sala Villa-lobos do Teatro Nacional. Em 2004 esteve à frente do projeto “Quarta Tributos” na casa noturna Macadâmia, teve a oportunidade de tocar ao lado das melhores bandas de Brasília. Ainda em 2004 começou a trabalhar mais ativamente como produtor musical de discos e montou, junto com seu irmão Beto Peres, o selo Discompany (www.discompany.com), que já lançou o CD da cantora Tuka Villa-lobos, da banda Superaudio (ex-Birinaite), da banda Capitão do Cerrado e do músico indiano Anand Jyothi. No final de 2004 gravou seu CD ao vivo na Sala Martins Pena do Teatro Nacional, que foi lançado em abril de 2005 na FMI (Feira da Música Independente). Na FMI de 2006 Kiko fez o show de pré-lançamento de seu primeiro DVD ao lado da prima Syang. O DVD intitulado “Guitarrero Brasileiro”. Em 2008 formou a banda In Natura com Izabella Rocha e Bruno Dourado (ex Natiruts), que teve a música Sorriso de Flor (Rafael Pondé) como principal sucesso nas rádios.

Segue abaixo entrevista exclusiva com de Kiko Péres para a  www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 15.08.2011: 

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Kiko Péres: Nasci no dia 16 de março de 1972 em Brasília – DF.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Kiko Péres: Foi em casa, meus pais sempre ouviram muita música, de MPB à música clássica. E lembro que desde pequeno eu gostava muito da música dos anos 70 que ouvia pelo rádio: Raul Seixas, Rita Lee, Jorge Ben Jor e música Black americana. Lembro de imagens na infância de ver uma guitarra na vitrine e ficar hipnotizado. Sempre pedia para meus pais para ganhar uma de Natal, mas só comecei a tocar violão aos 11 anos de idade.

03) RM: Qual a sua formação musical e a acadêmica fora música?

Kiko Péres: Em 1986 estudei “Harmonia e Improvisação” com o Nelson Faria na Escola de Música de Brasília. Em março de 1991 fui para Los Angeles – CA, estudar no G.I.T (Guitar Institute of Technology). Formei-me no curso técnico de 1 ano em março de 1992.

04) RM: Quais suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Kiko Péres: A primeira banda de Rock que eu e meus irmãos ganhamos um disco foi o Queen – The Game, com 8 anos de idade. Depois com a vinda do Kiss ao Brasil, em 1983, e o Rock in Rio, no começo de 1985, posso dizer que no início o Rock pesado foi muito importante! Depois, em 1986, quando estudei com o Nelson Faria, comecei a ter mais contato com o Jazz, o Jazz-rock e o Rock progressivo. Em 1988, ao ouvir Stevie Ray Vaughan, comecei a ouvir muito Blues e voltei a ter mais contato com a Black Music dos anos 70. Quando morei nos EUA no começo dos anos 90, além das bandas que surgiram nessa época, comecei a ouvir muito Led Zeppelin e Jimi Hendrix. Por estar longe do Brasil, comecei a dar mais valor à música brasileira também! Ao voltar, por influência do meu irmão mais novo, mergulhei de cabeça na música de Bob Marley! Em 2001 comecei a praticar Yoga e também passei a ouvir muita música indiana. Creio que todas essas influências estão presentes e nenhuma delas deixou de ser importante! Gosto muito de variedade e não sou muito a favor da monocultura!

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Kiko Péres: Comecei minha carreira quando voltei dos EUA no início de 1992, fui dar aula de guitarra e fui convidado para fazer parte da banda de Funk-Rock PRAVDA! Moramos 1 ano no Rio de Janeiro em 1994, e em 1995 lançamos um CD pelo extinto selo Banguela Records. CD este que foi a primeira produção do finado Tom Capone.

06) RM: Fale do seu DVD Guitarrero Brasileiro (quais os músicos que participaram nas gravações)? Quais foram os locais de gravações? E como foi a realização de um DVD com música instrumental?

Kiko Péres: Podemos dizer que foi um DVD feito “na raça”. Com pouco dinheiro, contando com a ajuda de muitas pessoas. Consegui uma parte do dinheiro com o FAC (Fundo da Arte e Cultura), da Secretaria de Cultura do Distrito Federal. Hoje vejo muitas falhas no projeto, mas foi um grande aprendizado em termos de produção edição de vídeo, na qual participei ativamente. Em 2004 fiz um show no Teatro Nacional para gravar meu CD ao vivo, e na véspera conseguimos uma equipe com 4 câmeras para filmar. O material captado não era todo bom a ponto de se fazer um DVD, mas foi aí que nasceu a ideia.  A partir daí planejamos dar seqüência, e voltamos ao Teatro Nacional em 2005 para lançar o CD ao vivo, aí captamos mais imagens. Fizemos também uma apresentação no Gate’s Pub e outra de dia na casa de um amigo, perto do Lago Paranoá.  A banda base do projeto era: Rodrigão Nogueira (bateria), Ge Mendonça (baixo), Beto Peres (meu irmão mais velho) e Mônica Agena (guitarra), Bruno Dourado (percussão) e Bruno Wambier (teclados). Ainda participaram do projeto o músico indiano Ananda Jyoti (tabla), o baixista Rômulo Duarte, o tecladista Marssal e os guitarristas Jair SantiagoMarcela Honda,Marcelo BarbosaCelso Salim e Haroldinho Matos.

07) RM: Fale do perfil das bandas que você já tocou e quantos CDs gravou com elas? Cite os motivos de ter saído das bandas? E Qual sua banda atual?

Kiko Péres: Pravda – banda de funk-rock. Fiz parte dela de 1992 ao final de 1995, quando a banda deu uma parada. Em 1996 fui convidado a fazer parte do Nativus, que depois mudou de nome para Natiruts. Saí em 2002 por vários motivos. Entre eles o de não querer estar mais todo fim de semana na estrada e para fazer outros sons. Enfim, precisava de “Liberdade pra dentro da cabeça”! Parei de fazer parte da banda como membro efetivo, mas até hoje toco com eles, sempre que surge a oportunidade. Em 2006 o Bruno e Izabella também saíram e acabamos formando o InNatura. Gravamos um CD e DVD ao vivo em 2007, que foi lançado em 2008. Hoje em dia também toco com eles, mas como músico convidado. Eles estão lançando agora em 2011 o segundo CD, toquei em algumas faixas. E sempre que posso, estou presente, mas também já não sou mais um membro “full time”, pois tenho um projeto com o vocalista Joe Torquato, chamado POWER MACHINE, e paralelo a esse, tenho outro projeto chamado LSXP – LOVE SURF EXPERIENCE, com músicas do Jimi Hendrix em versão Reggae e acústico.

08) RM: Como você se define como guitarrista?

Kiko Péres: Não sou o guitarrista mais técnico da praça, pois prefiro estar mais conectado ao coração e à alma. E percebi em algum momento que investir só em técnica estava me tornando um guitarrista muito “cerebral” e frio. Dei uma parada para desenvolver outros aspectos: meu ouvido, meu lado rítmico e a criatividade. Uma vez que já tinha isso, voltei a estudar técnica, mas não tenho mais o tempo que tinha na época em que era um estudioso da música. Continuo a evoluir e aprender sempre. E com o passar do tempo, vamos adquirindo confiança, sinto que melhoro a cada ano, mas se fosse para me definir numa frase, gostaria de ser lembrado como um guitarrista que toco com o coração!

09) RM: Na sua opinião quais as principais técnicas que o guitarrista deve conhecer e praticar?

Kiko Péres: Aconselho praticar não só exercícios para os dedos, velocidade, etc, mas também praticar o ouvindo, solfejo, percepção musical. E até a prática mental, sem o instrumento, apenas usando a visualização!

10) RM: Qual é o maior defeito que o guitarrista deve evitar?

Kiko Péres: Creio que o maior inimigo do homem é seu próprio EGO. E dos guitarristas não é diferente! O Ego nos separa do todo, aí vemos guitarristas que enxergam a música como competição, ou que não vê o todo da música, a interação com outros instrumentos, e vivem presos a um pequeno e limitado universo.

11) RM: Existe mais guitarristas vaidosos que vocalistas?

Kiko Péres: Creio que sim! Alguns mais preocupados com o visual, o cabelo, e menos com a arte!

12) RM: Quais os guitarrista que foram e são suas referências?

Kiko Péres: Por muitos anos fui um fanático pelo Eddie Van Halen! Nessa época, creio que Michael Shenker também estava entre os meus favoritos. Depois que descobri Stevie Ray Vaughan, fique um tempo mergulhado no universo do Blues. E aí ouvia de B.B King, Buddy Guy, e passei a dar muito valor aos ingleses do final dos anos 60: Eric Clapton, Jeff Beck e Jimmy PageJoe Satriani é um dos meus favoritos no Rock, mas também sou louco por George Benson e por Paco de Lucía! Porém, depois que descobri Jimi Hendrix, ele passou a ser minha maior influência, não só como guitarrista, mas também como compositor e como ser humano!

13) RM: Você também canta?

Kiko Péres: O canto nunca foi meu forte, mas de uns tempos pra cá passei a fazer vocal de apoio (backing vocal)

14) RM: Você estudou técnica vocal?

Kiko Péres: Fiz poucas aulas de canto, mas confesso que gostaria de ter estudado e praticado mais!

15) RM: Quais os cantores e cantoras que você admira?

Kiko Péres: Gosto dos cantores de música negra. Gosto de vocalistas de Rock como David Coverdale, e gosto muito de Bob Marley como cantor!

16) RM:  Como é seu processo de compor? Você também compõe música com letra? Quais seus principais parceiros em música com letra?

Kiko Péres: Já fiz músicas de todas as formas: instrumental, a partir de uma letra que me deram, já fiz música no piano, no violão, para ser cantada, enfim, não há uma regra. Quando vem a inspiração, torço para ter como gravar para não perder a ideia depois, mas a impressão que sempre tenho é de que a música é que te escolhe, e não o contrário!

17) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Kiko Péres: Prós: liberdade artística. E contras: dificuldade financeira de viabilizar as idéias.

18) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram as revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Kiko Péres: Sinto um empobrecimento enorme na música com a monocultura – principalmente o breganejo e o axé! Não são estilos que gosto, mas se não ocupassem tanto espaço e se houvesse espaço para outros estilos, não me incomodariam. Mas assim como a monocultura na agricultura não é saudável, nem pro solo e nem para as pessoas, sinto que na música também não é saudável! Para mim, uma das obras mais consistentes na música brasileira dos últimos tempos, e com quem tive o prazer de trabalhar e de virar amigo, foi a obra do compositor Alexandre Carlo, do Natiruts, que para mim é o maior compositor da música brasileira da minha geração, e que até hoje continua fazendo músicas maravilhosas!

19) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Kiko Péres: No exterior temos vários exemplos, como o Jamiroquai, Ben Harper e outros.

20) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Kiko Péres: Infelizmente eu já vivi várias situações onde as condições técnicas não eram boas, onde o ambiente era ruim, ou onde o contratante não pagou ou não valorizou a qualidade dos músicos envolvidos!

21) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Kiko Péres: Acho triste num país tão rico musicalmente com o Brasil a monocultura musical ter tomado conta. Fico muito feliz quando conheço músicos que sempre admirei quando estava começando e conhecê-los pessoalmente, e às vezes até saber que eles curtem meu trabalho. Isso deixa qualquer um muito feliz!

22) RM: Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

Kiko Péres: Brasília tem muitos talentos em todos os estilos musicais, e pouco espaço ou valorização desses talentos, infelizmente!

23) RM: Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Kiko Péres: Primeiro os clássicos, alguns dos quais já citei. E depois procurar coisas novas na internet, com o John Butler Trio (Austrália) ou uma banda chamada Belrays, com uma cantora negra fantástica! Sempre tem coisa boa surgindo, mas se você ficar restrito ao rádio comercial ou à TV, não vai ouvi-los!

24) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Kiko Péres: Não, a menos que seja numa rádio alternativa ou pública.

25) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Kiko Péres: A música pode estar presente na sua vida sem necessariamente ser sua forma de sustento. O importante é sempre ter prazer com ela, e fazendo dela sua profissão. Já vi casos em que ela deixou de ser um prazer e passou a ser apenas o ganha pão, aí não vale a pena!

26) RM: Quais os seus projetos futuros?

Kiko Péres: No momento estamos divulgando o LSXP, gostaria de levá-lo para outras cidades no Brasil, e até pra fora. Vai depender da aceitação e da situação do planeta, que no momento parece estar bem confuso, numa transição jamais vista! No momento não dá pra fazer muitos planos, mas acredito que após essa transição planetária, muita coisa boa vai vir! Mas por enquanto, sem muitos planos de longo prazo…

27) RM: Quais são os seus contatos ?

Kiko Péres: www.kikoperes.com  | [email protected]http://camelou.grv.art.br/lsxp.html  ou na Tratore: http://www.tratore.com.br/cd.asp?id=7898515691805


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.