Juca Novaes

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Juca Novaes
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Nascido em Avaré – SPJuca Novaes é filho de Maria Piedade, cantora de rádio, vencedora do Concurso IV Centenário, da Rádio Nacional.

Natural que aprendeu a ouvir, desde pequeno, as preciosidades que tinha em casa: álbuns de Dorival Caymmi e Sílvio Caldas. Mas também não deixou de se apaixonar por The Beatlese pela Jovem Guarda, como todo garoto da época. Começou, aos 8 anos, a estudar piano clássico. Aos 12, se encantou por tudo que havia de melhor na MPB; João Gilberto é ídolo desde então. “Virou paixão de colecionador”, diz Juca. Ao mesmo tempo, com a mesma intensidade, o menino se envolvia com a literatura. Tinha grande proximidade com o tio, Israel Dias Novaes, bibliófilo que, mais tarde, pertenceria à Academia Paulista de LetrasJuca vivia viajando pelas maravilhas, clássicos e raridades da imensa biblioteca na casa do tio. O interesse pela história das músicas, das letras, das composições e dos autores só crescia. Juca Novaes conta que tem clara memória de tudo o que aconteceu na música brasileira a partir dos anos 70, com os grandes festivais.

E foi justamente nos festivais que Juca se descobriu produzindo música. Adolescente, foi premiado no Festival de Lins (SP), com a letra e música de “Concreto”, uma das suas primeiras criações. Quando Juca muda-se para São Paulo, para cursar Direito na PUC, o contato com os festivais aumenta ainda mais, tendo vestido o Festival da PUC, no último ano do curso, o que lhe abriu as portas para uma gravação no importante programa “FM Inéditos”, da rádio Eldorado. A partir daí, estudou violão clássico, aprimorou seu lado autoral, gravou quatro discos em parceria com o também Trovador Urbano, Eduardo Santhana e, agora, chega à maturidade com seu primeiro trabalho efetivamente solo, da concepção à criação das canções, dos arranjos – em parceria com o produtor do CD, Alexandre Fontanetti -, às interpretações e finalização das gravações.

Há também na trajetória de Juca outra grande referência no universo dos festivais de música popular. Há 28 anos, criou a Feira Avareense de Música Popular (Fampop), em sua cidade natal, evento que preside até hoje. A Fampop, segundo Zuza Homem de Mello, é o mais importante festival regional do Brasil. Como produtor, além de liderar a criação do Festival de Avaré(SP) e a produção de quatorze discos resultantes do evento, coordenou a produção do Festival Carrefour de MPB (1991/ 1993), e em 2000 atuou como consultor da Rede Globo de Televisão na realização do Festival da Música Popular Brasileira.

Compositor, cantor, produtor, Juca tem dezenas de músicas gravadas, algumas delas por nomes importantes da MPB como Jane Duboc e Alaíde Costa, e por novos artistas como Bruna Caram, Dani Lasalvia, Lucila Novaes, Daisy Cordeiro e Cláudio Lacerda. Com seu parceiro Eduardo Santhana lançou quatro discos autorais: Encontro das águas (1991), Lua do Brasil(1995), Kathmandú (2000) e 10 anos (2001).

Dentre outras atividades ligadas à música, editou o jornal “Tambores”; produziu e apresentou o programa de rádio “Feira Brasil”, e é signatário da criação do Fórum Nacional de Música, em Brasília, em 2005. Também é advogado, especializado em direitos autorais.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Juca Novaes para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01.10.2012:

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Juca Novaes: Eu nasci no dia 29.11, em Avaré – SP.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Juca Novaes: Comecei a estudar piano clássico com oito anos de idade. A minha professora era minha tia-avó, Dona Esther, a mais conceituada da cidade. Antes disso, me lembro das cantorias na casa da minha avó materna, Dona Nina. A família da minha mãe é muito musical, meus tios cantavam muito bem, e principalmente minha mãe (Maria Piedade), que teve uma breve carreira como cantora de rádio, contratada da rádio Nacional, em 1954.

03) RM: Qual a sua formação musical e acadêmica fora música?

Juca Novaes: Eu fiz o Curso de Direito pela PUC – SP, na mesma classe em que estudou, dentre outros nomes importantes do Direito contemporâneo, o atual ministro da justiça, José Eduardo Martins Cardoso (que, aliás, também toca piano). Tenho uma especialização em Direito Autoral pela Fundação Getúlio Vargas. Estudei também violão clássico, e cursei Composição e regência no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Juca Novaes: No início foi as canções de Dorival Caymmi (o compositor preferido de meu pai). Quanto tinha uns onze anos de idade fiquei muito ligado em uma coleção da Abril Cultural, sobre os compositores da música popular. Eram discos de vinil e fascículos com a biografia dos autores: de Noel Rosa a Roberto Carlos, passando por Ismael Silva, Caymmi, Caetano, Gilberto Gil, Ary Barroso, Luiz Gonzaga, Joubert de Carvalho, Lamartine Babo, etc. Ao mesmo tempo, ouvia os discos de Roberto Carlos do final dos anos 70. Mais adiante, fiquei fã dos The Beatles e rock progressivo (Yes, Emerson Lake and Palmer, Pink Floyd). E tinha também a influência da música erudita, no piano. Liszt, Villa Lobos, Chopin. Acho que se somaram aí um lado pop, um lado ligado às letras de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, e um lado erudito. Se alguma coisa deixou de ter influência estética na minha música foi a maior parte da produção fonográfica anterior ao surgimento do João Gilberto, que, a partir do momento em que o descobri, passou a ser o maior de todos. Ou seja: a música popular brasileira de voz-de-peito, de trinados e trêmulos e vozeirões. Pra mim isso tem um interesse cultural e histórico, mas esteticamente, boa parte da produção fonográfica anterior aos anos 50 passou a ser menos interessante pra mim.

05) RM: Nos apresente sua “família musical” (Mãe, tia-avó, irmãs, irmão tios, sobrinhos, e outros parentes musicais que lhe influenciou)?

Juca Novaes: Minha mãe, Dona Maria Margarida Piedade Novaes (Maria Piedade), influência total, grande musicalidade e de quem tenho as primeiras referências. Minha tia-avó, Esther Novaes, influência no ensino do piano durante dez anos. Sou o mais velho de oito irmãos, então também os influenciei, pois fui o primeiro a me interessar por música pra valer, compondo e participando de festivais. Daí saíram as minhas irmãs: Maida (criadora dos Trovadores Urbanos, cantora), Lucia (cantora, mãe da também cantora Bruna Caram), Lucila (cantora com carreira consolidada, finalista do Prêmio Visa, vários CDs gravados, vários prêmios), e meus irmãos Ize (compositor e cantor, pai do também compositor e cantor Paulinho Novaes), Ricardo(compositor e cantor – e também advogado). Além deles, meus irmãos Poio (médico e político) e Pedro Luiz (juiz federal) também tiveram seu contato com a música.

06) RM: Quando, como e onde  você começou sua carreira profissional?

Juca Novaes: Depois de várias vitórias em festivais de música, venci o festival da PUC, no último ano do curso de Direito. Como parte do prêmio, gravei um programa famoso na época, na Rádio Eldorado, chamado FM Inéditos, e montei uma banda, “Fruto Primeiro”. Foi aí que gravei meu primeiro trabalho em disco, em 1982, o compacto simples com as músicas: “Cruzada” e “Prece atendida”, ambas de minha autoria.

07) RM: Quantos CDs lançados (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que se destacaram em cada CD?

Juca Novaes: Podemos dividir minha carreira fonográfica em quatro fases: a) a primeira delas, que podemos chamar da minha pré – história – com o grupo “Fruto Primeiro”, quando gravamos o compacto simples em 1982, e um compacto duplo em 1984, com duas músicas de minha autoria: “Guardiã” e “Avaré”. b) Depois disso, meu trabalho autoral seguiu com a dupla com Eduardo Santhana, que gerou quatro discos: – “Encontro das águas” em 1990, pela Cachet Records. Disco com diversos arranjadores, Cada um dando a “sua cara” ao trabalho. Não tocamos (Edu e eu) nenhum instrumento no disco, e por isso foi o trabalho no qual tivemos participação menor quanto ao resultado final, musicalmente falando. O vinil foi eleito pelo jornalista Aramis Millarch, do jornal “Estado do Paraná”, como revelação do ano, e duas músicas do disco entraram na lista das melhores de 1990: “Encontro das águas” e “Samba da gente”. Além dessas, as faixas que mais se sobressaíram foram: “Carta da metrópole” (que considero a minha primeira música a tocar mesmo em rádio), e “De Juma Marruá”. Outra canção: “Te ouvi passar”, foi bem executada na Rádio JB do Rio de Janeiro, e depois descobri que o Guinga adorava essa música, de ouvi-la na programação da rádio. Ele mesmo me falou isso, anos depois. E o disco  “Lua do Brasil” em 1995, pela Dabliú Discos. Gravamos esse disco no estúdio “In sonoris”, do qual eu era sócio. Desse trabalho, a faixa-título foi muito executada na antiga rádio Musical FM, tendo sido incluída na coletânea “A gema do novo”, da Dabliú Discos. E “Homem pássaro” teve boa execução nessa emissora. Foi um disco em que participamos mais como co-arranjadores e tivemos uma participação mais efetiva no resultado final do disco. Destaco três outras faixas desse CD: “Azaléias”; “Neguinha, neguinha” e “Todas as mulheres”. Disco “Kathmandu” (em 2000, pela Dabliú Discos) – A concepção do disco, arranjos e execuções foram divididos entre Edu e eu, mais Sérgio Bello e Lael Medina. Toquei piano em todas as faixas,Edu fez violão em algumas, Bello a direção musical, guitarras e baixos, e Lael bateria e percussão. O resultado final foi absolutamente fiel à concepção original das músicas. É o disco de que mais gosto, dessa fase, pois tem uma unidade. E o som do CD é ótimo, foi gravado no Estúdio XRBM. A faixa “Talismã” teve boa execução em algumas rádios. Gosto muito de várias faixas desse disco, como DecolagemSão PauloVai chegarPra valerAlma lavada. Disco “10 anos” em 2001, pela Dabliú Discos. Esse disco é uma coletânea de canções da dupla, e mais do nosso parceiro Rafael Altério, premiadas no Festival de Música de Tatuí, um dos mais importantes do Estado de São PauloLucila Novaes participou de várias faixas, dentre elas Cidades, uma das únicas inéditas do trabalho (a outra: É só navegar).  Digno de registro ainda a carreira com quarteto vocal “Trovadores Urbanos”: – Trovadores Urbanos (em 1993, pela RGE) – disco gravado em uma semana, no estúdio da RGE em São Paulo (dividíamos o período com Rita Lee, que na mesma época gravava o CD –Todas as mulheres do mundo). CD – “Serenata” em 1995, pela CID gravado no estúdio In sonoris, tem o registro da última gravação de Silvio Caldas (com quem cantamos “Beco sem saída”). Primeiro registro em disco de “Peregrino”, uma das parcerias Juca/Edu, que é muito cantada em serenatas. CD- “Brejeiro” em 1997, independente – Projeto muito legal, dirigido por Zuza Homem de Mello. Disco muito bem gravado, no Moshe. CD – “Canções Paulistas” em 1999, independente – Outra direção do Zuza Homem de Mello, um trabalho exaustivo de pesquisa sobre canções de compositores paulistas. Eram muitas canções para pouco espaço, então ficaram muitos medleys. CD – “Copacabana” em 2003, pela Dabliú Discos – outra direção do Zuza Homem de Mello, o disco dos Trovadores Urbanos de que mais gosto. Arranjos de Maurício Maestro, um craque das harmonias vocais. Gravado no estúdio XRBM. CD – “Canções paulistas ao vivo” (CD e DVD – 2008 pela Dabliú Discos), gravação ao vivo de um show no Sesc da Vila Mariana. CD – “Amor até o fim” em 2010, pela Dabliú Discos, Produção e arranjos do craque Pichu Borrelli. Disco muito bem produzido. E tenho orgulho de ter participado desse trabalho. d) Minha carreira solo: CD – “Aldeia” em 2009, Lua do Brasil Discos – Meu “Clube da Esquina” avareense. Peguei as canções que tinha falando de coisas da minha terra natal, compus outras, convidei os amigos e parceiros para participar. E ficou um registro sincero das minhas origens. Gravei a maior parte do disco no estúdio do meu amigo Maurício Grassman, que ficava em frente ao meu escritório. Foram dois anos gravando, e me orgulho em especial de duas produções: Estação de Avaré, música de meu tio Nícias de Rezende, cantada pelos “Trovadores Urbanos” e pelo grande intérprete da noite paulistana (e com raízes em AvaréZé Lumião; e Cidades, cantada pela minha sobrinha Bruna Caram e por minha mãe, numa emocionante interpretação, aos 75 anos de idade. CD – “Goa” em 2010, pela Dabliú Discos – Meu primeiro disco verdadeiramente solo, produzido por Alexandre Fontanetti. Dois anos gravando, e o que era pra ser um registro de um punhado de canções que eu queria registrar em disco, acabou se tornando, no decorrer do processo, um projeto conceitual, muito mais ambicioso do que imaginado originalmente. A maioria das canções foi feita na reta final da produção do disco: “Meio Almodovar”: “Eu te amo, sua louca”: “Só da saudade”; “Olhos de mangá”; “Goa”; “Adrenalina pura” e “Verão”. Disco com um hit: “Meio Almodovar”, gravada com Lenine. “Goa” também vem sendo muito bem executada, e Eu te amo sua louca e Lembrei de você (cantada com Danilo Caymmi), dentre outras, tem feito sucesso nas redes sociais. CD – “Goa” ao vivo, Dabliú (CD e DVD em 2012, pela Dabliú Discos) Registro do show de lançamento de “Goa”, no Sesc da Vila Mariana. Produção de Alexandre Fontanetti. Quatro faixas que não constavam do disco original: “Quilombo” (com Lenine), “Nossa dança” (com Danilo Caymmi), “Fim de tarde” (com Bruna Caram), “Rua Ramalhete” (com Tavito).

08) RM: Como você define o seu estilo musical?

Juca Novaes: MPB pop, se é que isso existe.

09) RM: Como você se define como cantor/intérprete?

Juca Novaes: Principalmente, um cantautor.

10) RM: Você estudou técnica vocal?

Juca Novaes: Sim, com Nancy Miranda.

11) RM: Quais os cantores e cantoras que você admira?

Juca Novaes: João Gilberto, Rosa Passos, Caetano Veloso, Paul McCartney, Orlando Silva, Renato Braz, Nana Caymmi, Zizi Possi, Lucila Novaes, Fátima Guedes, Monica Salmaso, Frank Sinatra, Sarah Vaughn, Cássia Eller, Chet Baker, Celso Fonseca.

12) RM: Quem são seus parceiros musicais?

Juca Novaes: Meu parceiro musical com quem eu mais criei canções é Eduardo Santhana. Seguramente mais de 100 canções. Além dele, Rafael Altério, Sérgio Santos, Rita Altério, Tavito, Miro SIlveira, Zé Edu Camargo, Ivor Lancelotti, Paulinho Novaes, Sérgio Augusto, Sonekka, dentre outros;

13) RM: Quem já gravou as suas canções que você destacaria?

Juca Novaes: Jane Duboc, Alaide Costa, Danilo Caymmi, Lenine, Lucila Novaes, Bruna Caram, Dani Lasalvia, Trovadores Urbanos, Daisy Cordeiro, Rafael Altério.

14) RM: Fale do seu contato pessoal e profissional com Lenine.

Juca Novaes: O Lenine, eu conheci no Festival de Avaré – SP, em 1989. Muitas histórias desde então, desde os primeiros shows dele em São Paulo, dos quais participei na produção: no Vou Vivendo e no Projeto Adoniram Barbosa. Nunca perdemos o contato durante todos esses anos. Meu amigo.

15) RM: Fale do seu contato pessoal e profissional com Chico César.

Juca Novaes: O Chico César, eu conheci no Festival do Carrefour em 1991. Acompanhei a sua carreira desde o início, e em Avaré, a exemplo do Lenine, ele foi de tudo: participante, show, jurado, membro da equipe de pré-seleção.

16) RM: Fale do seu contato pessoal e profissional com Zeca Baleiro.

Juca Novaes – O Zeca Baleiro, eu conheci no Festival Carrefour, em 1991. Depois, em Avaré (SP). Volta e meia, nos encontramos por aí em viagens.

17) RM: Fale de sua experiência em Festival de música pelo Brasil.

Juca Novaes: Meu caminho foi traçado pelos Festivais de Música. Foi onde conheci meus principais parceiros e amigos, onde subi pela primeira vez num palco, onde observei os trabalhos de muita gente boa ainda começando. E onde mostrei minhas primeiras canções, onde ganhei confiança e abri os caminhos. Fiz de tudo em festivais: como participante, fui premiado nos principais festivais brasileiros. E destaco o Musicanto de Santa Rosa – RS, o Fercapo de Cascavel – PR, o Festival de Tatuí – SP e São José do Rio Pardo – SP, Boa Esperança – MG. Como produtor, liderei um projeto muito bem-sucedido (a Fampop, de Avaré) que completa 30 anos. E dirigi outros importantes, como o Festival Carrefour de MPB. Como jurado de pré-seleção, fui integrante de alguns dos eventos mais concorridos da história, como o Festival da TV Globo, de 2000, dentre outros. Como jurado, fui integrante de alguns dos maiores Festivais de Música regionais do país, acima mencionados, e também coordeno há cinco anos o júri do Festival Universitário (Fun Music).

18) RM: Os Festivais de música ainda são importantes para revelar novos talentos?

Juca Novaes: Até meados dos anos 80, os festivais eram um caminho importante para a visibilidade artística. Depois de 1985, quando ocorreu o último festival com grande visibilidade no país (Festival dos festivais, da TV Globo), essa importância foi diminuindo ano a ano. Não por acaso, a decadência qualitativa da música brasileira nos meios de comunicação começou nesse período. Várias tentativas foram feitas para retomar esse caminho, como da própria rede Globo, em 2000, e da TV Cultura, anos depois, sem sucesso. Sobraram os festivais do interior, e alguns outros projetos específicos, ligados a segmentos. Acho que a participação dos novos nesses eventos ainda é um caminho necessário, para a formação do network, para ganhar visibilidade, para dividir e somar experiências, para amadurecer o trabalho autoral.

19) RM: Quais os prós e contra dos Festivais de música pelo Brasil?

Juca Novaes: Os prós são as oportunidades de mostrar o trabalho para um público que nunca o ouviu, e a experiência e relacionamento que vem desses eventos. Não vejo nada contra nos festivais, só não acho saudável quando o festival vira meio de vida para um artista.

20) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Juca Novaes: Os prós é ter toda a liberdade artística possível. O contra é ter contra si todo um sistema viciado que privilegia os artistas ligados às grandes gravadores.

21) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Juca Novaes: Na década de 90, surgiram: Marisa Monte, Ed Motta, Lenine, Chico César, Zeca Baleiro, Jorge Vercillo. Depois disso, Renato Braz, Monica Salmaso, Vander Lee, Simone Guimarães, Maria Gadú, Dani Black. Estou falando daqueles que gravaram por gravadoras de ponta ou tiveram uma relativa visibilidade no meio musical, mas poderia citar centenas de artistas independentes de grande qualidade surgidos nesses 20 anos. A maioria deles, eu conheci em Festivais, principalmente em AvaréSérgio Santos, Celso VIáfora, Rafael Altério, Edu Santhana, Carlos Careqa, Lincoln Antonio, Fernando Cavallieri, Moacyr Luz, Sonekka, Felipe Radicetti, Cahê Rolfsen, Jean Garfunkel, Fred Martins, Chico Pinheiro(provavelmente esqueci os nomes de dezenas que merecem ser citados). Também destaco os compositores do Cinco a Seco (Pedro Viáfora, Pedro Altério, Vinícius Calderoni, Tó Brandileoni e Leo Bianchini). Dos artistas mais “rodados”, admiro, dentre outros, os trabalhos recentes de Lô Borges, Dori Caymmi, Ivan Lins, que continuam produzindo discos e canções de grande qualidade.

23) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Juca Novaes: Lenine é um exemplo.

24) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Juca Novaes – Falta de condição técnica é padrão, principalmente em cidades do interior. Em um determinado show, esqueci a letra e inventei outra, na maior cara de pau (e ninguém percebeu). Quando tinha uma parceria com Edu, fomos contratados, na época do “Encontro das águas”, para um show em um ambiente totalmente sertanejo. Imagine o equívoco do contratante, foi terrível. Em outra oportunidade, em um lançamento de disco, o show foi no dia da final do campeonato paulista (Corinthians x São Paulo). O Corinthians, meu time, foi o campeão e eu fiquei absolutamente rouco. Tive que ficar três horas fazendo exercícios vocais e tomando água sem parar. Consegui cantar, mas no meio do show minha bexiga tinha enchido tanto que precisei sair do palco sem aviso, para ir ao banheiro…

25) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Juca Novaes: A música me deixa feliz. Deixa-me feliz conhecer coisas novas que me estimulem a criar mais. Deixa-me triste é vê tanta gente talentosa criando canções boas que jamais serão conhecidas por um público minimamente justo.

26) RM: Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

Juca Novaes: São Paulo é cosmopolita e impiedosa com aqueles que não estão nas “tribos” da hora. Por ser cosmopolita, não tem aquela coisa paroquial, protetora, que vemos em outras partes do Brasil, que dificultam espaço para os “estrangeiros”. Aqui, todo mundo pode ter sua vez, tenha vindo de qualquer lugar. Mas é preciso ralar para ter seu espaço.

27) RM: Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Juca Novaes: Dos discos recentes que tenho ouvido e gostado, eu recomendo o “Chão” de Lenine, o “Casa de morar” de Renato Braz, e o “Horizonte vertical” do Lô Borges.

28) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Juca Novaes – Minha música já tocou e toca em várias rádios sem jabá. Mas o jabá existe. E quanto mais você sobe o degrau, mais ele mostra a “cara” (são várias, as caras do jabá).

29) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Juca Novaes: São três pilares: persistência, dedicação e talento.

30) RM: Quais os seus projetos futuros?

Juca Novaes: Estou produzindo um novo disco, que lançarei em 2013.

31) RM: Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Juca Novaes:  www.jucasnovaes.com.br | [email protected]

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.