Jorge Papapá

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O cantor, compositor e violonista baiano Jorge Papapá quando tinha 10 anos de idade em 1969 ganhou um Violão usado com o qual deu início a sua carreira nas asas da canção.

Jorge Papapá participou de vários festivais de música desde então buscando aperfeiçoar seu jeito peculiar de fazer canções. Em 1978 ingressou no curso Preparatório de Composição e Regência da Universidade Federal da Bahia – UFBA. Foi aluno de Lindenberg Cardoso, Piero Bastianeli, Walter Smetak, Tatiana Onis, Fernando Cerqueira e Ernest Widman. E ao lado do baixista da Orquestra Sinfônica da UFBA, Franklin Júnior realizou encontros, buscando discutir direitos e deveres do profissional de música. Assim nasceu a Associação dos Músicos Profissionais da Bahia, exerceu o cargo vice-presidente por duas gestões, aproximando os artistas a discutir detalhes quanto ao exercício da profissão. Projetos como “Mutirão dos Músicos” que surgiu a partir da constatação que precisávamos estar juntos na produção do trabalho um do outro. “Seis e Meia do TCA”, em que pela primeira vez artistas locais sem projeção nacional utilizaram o salão principal do Teatro Castro Alves. O projeto“Música Urgente” que levou os artistas a bairros de toda cidade. Enfim, várias outras iniciativas foram realizadas nessa época culminando com a devolução da Carta Sindical em quepode enquadrar o trabalhador de música às leis trabalhista.

Jorge Papapá realizou vários shows em Salvador- BA nas “Mostra de Som” da Universidade e em teatros da cidade. Destaque para o “Seis e Meia” em 1979, em que junto a Moraes Moreira e Djavan fizeram show de grande repercussão. Em 1984 realizou o espetáculo “Labirinto Bemóis”, show que recebeu a indicação de show revelação dentro do projeto Troféu Caymmi. Em 1985 realizou o show “Arqueologia da Véspera”, no teatro Gamboa e logo em seguida lança seu primeiro disco “Arquiteto de Terror”. Com o Espetáculo “Desafio” viajou pelo Nordeste: Aracajú, Maceió, Recife, Natal – Festival de Artes de Natal junto ao grupo Jaguaribe Carne, o qual Chico César, Pedro Osmar e Paulo Ró eram integrantes. E Fortaleza ao lado de Zelito Miranda.

Em seguida realizou em São Paulo no teatro Ruth Escobar o espetáculo “Dança da Noite” ao lado de Chico Maranhão dentro da programação da Feira da Cultura Brasileira através da Fundação Cultural do Estado da Bahia. Em São Paulo buscou ocupar vários outros espaços, a exemplo do Lira Paulistana e do SESC Pompéia – dentro da programação do projeto Zumbi.

Jorge Papapá foi integrante da banda Buscapé ao lado de Vovô, Toni Mola, Bira Reis Ubaldo Warú, Jaime Sodré e Roberto Aranha em que um grande show na Praça da Sé em São Paulo. Além da música, fez produções voltadas para o teatro, a exemplo: “Usura Corporation”, dirigida por Antonio Godi; “Joga Babico no Lixo”, direção de Maria Manuela; “A Cara do Povo” dirigido por Tânia França; “Pedro Corredor”, direção de Paulo Vieira Neto; “Acorda Manuel”, dirigido por Edizio Patriota. E trabalhou como ator, no auto coreográfico da cultura nagô “Ajaká”sob a direção de Antonio Godi.

Em 1987 dirigiu e apresentou o programa “Coração Rastafári”, na rádio Jornal de Itabuna por dois anos. Com o compositor Sergio Passos se tornou uma das duplas mais gravadas por artistas da Bahia no cenário nacional. Com uma música suingada e texto diferenciado eles se tornam conhecidos por suas músicas tocando no rádio. Tendo suas músicas gravadas por: Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Chiclete com Banana, Banda Eva Márcia Freire, Ricardo Chaves, Asa de Águia, Netinho, Timbalada e outros.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Jorge Papapá para a www.ritmomelodia.mus.br  , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 30.01.2017:

01) Ritmo Melodia : Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Jorge Papapá : Eu Nasci no dia 2 de Novembro de 1959, na Av. Santo Antonio- Largo do Tanque, no bairro da Liberdade, em Salvador, Bahia. E fui batizado como Jorge Pereira dos Santos.

02) RM : Conte como foi o seu primeiro contato com a música?

Jorge Papapá : Eu tinha aproximadamente 12 anos de idade e estudava na escola Cônego Emilio Lôbo. Morava numa rua chamada Alto do Pará. Foi quando me apaixonei por Gicélia, a garota mais bonita do colégio. O amor me trouxe canções que revelavam minha paixão por Gicélia. Comecei a fazer músicas para ela, falar do meu amor e assim nasceu o compositor, antes mesmo de aprender tocar um instrumento.

03) RM : Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora música?

Jorge Papapá : Eu fui um excelente aluno de português porque gostava de escrever. Nos anos 70, não era comum os negros na Faculdade. Foi difícil seguir nos estudos. Depois da oitava série, estudei Composição e Regência no Curso Preparatório de Música na Universidade Federal da Bahia.

04) RM : Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Jorge Papapá : Minha grande influência musical foi um vizinho lá da rua Alto do Pará. Dôdô era o nome dele. Foi ele quem me fez vê a beleza de saber tocar um instrumento. A partir dai, tive muitos ídolos na música. No auge da Jovem Guarda: Roberto Carlos, Odair José, Jerry Adriano, Wanderley Cardoso e muitos outros me fizeram seguir o caminho da música. Posteriormente, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Chico Buarque me ensinaram novos caminhos.

05) RM : Quando, como e onde você começou a sua carreira profissional?

Jorge Papapá : Profissionalmente comecei no fim dos anos 70, antes mesmo de entrar na Escola de Música, eu já me apresentava em shows e fazia música para teatro. Ajudei a construir a Associação dos Músicos Profissionais da Bahia na qual fui diretor por duas gestões. Reconquistamos o Sindicato dos Músicos que havia sido cassado em 1964 e conseguimos depois de alguns anos de Associação a devolução da Carta Sindical. Fiz parte da primeira diretoria do Sindicato dos músicos, no qual fui vice-presidente por duas gestões.

06) RM : Quantos discos lançados e quais os anos de lançamento(quais os músicos que participaram das gravações)? Qual o perfil musical de cada álbum? E quais as músicas que caíram no gosto do seu público?

Jorge Papapá : Gravei três discos: “Arquiteto de Terror” em 1983, em que tive a oportunidade de gravar com grandes músicos como Carlinhos Brown, Luiz Caldas, Cesário Leone, Guimo, Zé de Henrique, Silvinha Torres, Kite Canário e Paulinho Caldas. O disco foi lançado na festa de entrega do Troféu Caymmi aos melhores do ano. Na época, o meu show “Arqueologia da Véspera” tinha recebido a indicação de show revelação do ano.

O segundo disco –“O Sindicato dos Réus”, show que apresentei dentro do projeto SEIS E MEIA, do Teatro Castro Alves. Neste show, fui acompanhado por um quarteto de cordas: Franklin Júnior no Contrabaixo acústico, Dilson Peixoto no Violino, Efrain na Viola de orquestra e Marcos Roriz no Violoncello. A música “DANÇA DA NOITE” (passarinho) foi muito bem executada nas emissoras de rádio local. O outro disco foi uma parceria de três artistas: Jorge Papapá, Marcela Bellas e Helson Hart. A gente se reuniu, fizemos as músicas e assim nasceu o projeto e disco “UNDERGRUDE”que obteve grande repercussão nas redes sociais.

08) RM : Como você define o seu estilo musical?

Jorge Papapá : Meu estilo sou eu. Falo de mim e ninguém fala igual a mim o que tenho para dizer.

09) RM : Como você se define como cantor/intérprete?

Jorge Papapá – Eu não sou um cantor. Eu sou uma língua!

10-) RM : Quais os cantores e cantoras que você admira?

Jorge Papapá : Admiro muitos cantores! Mas o que me prende em um artista é a verdade de suas canções.

11) RM : Quem são os seus parceiros musicais em composições?

Jorge Papapá : Sou essencialmente um compositor. Eu não estaria no mundo da música se eu não fosse um fazedor de canções. Tive poucos parceiros e posso citar alguns: Dionorina, Gerônimo, Luiz Caldas, Eduardo Araújo, Bosco Fernandes e o Sergio Passos que se tornou um parceiro frequente a partir do final dos anos 80.

12) RM : Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Jorge Papapá : Ninguém é independente no mundo da música. A gente depende de muita coisa: Instrumentos bons, músicos, produção, público e toda uma estrutura que envolve a atividade musical. É um engano pensar que temos independência na atividade de música.

13) RM : Como você analisa o cenário musical brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Jorge Papapá : Eu ouço muito pouco do que se faz hoje em termos de música. Nunca paro para ouvir o que as rádios estão tocando. Geralmente escolho o meu repertório de canções. Não gosto muito do que toca geralmente nas grandes emissoras, mas as rádios não precisam tocar o que eu gosto. E se elas tocassem o que eu gosto certamente eu deixaria de gostar. Sinto que tem muita gente boa, com bons trabalhos e que merecem ser ouvidos: Tiganá Santana, Lazzo Matumbi, Gean Ramos e Marcela Bellas são alguns desses nomes.

14) RM : Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Jorge Papapá : Gilberto Gil e Caetano Veloso são os grandes exemplos de artistas que eu conheço. São geniais no que fazem: cantam, tocam, compõem muito bem e ensinam como ser brilhantes e simples ao mesmo tempo. O Elomar Figueira de Melo foi muito importante e me ajudou a aprimorar meu estilo de compor.

15) RM : Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Jorge Papapá : Posso lembrar-me de algumas situações atípicas na minha carreira: Uma vez fui cantar em uma cidade chamada: CANUDOS, sertão da Bahia. Cheguei antes do meio dia e tive muita dificuldade, pois o Sol estava de rachar o couro, e eu não estava acostumado com aquela temperatura. Passei o dia debaixo daquele Sol escaldante e na hora do show, o palco era em uma carroceria de um caminhão, vi que seria difícil fazer o show como eu havia programado. Na Terceira música comecei a suar frio e desmaiei no palco. Acordei minutos depois já em outro local e sendo cuidado por amigos.

16) RM : O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Jorge Papapá : O que me deixa feliz é saber que passei toda a minha vida fazendo aquilo que gosto, independente das condições que enfrentei para exercer essa atividade. Em momento algum a música me deu tristeza. Quando eu estive triste não foi a música quem me fez infeliz.

17) RM : Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

Jorge Papapá : Hoje moro na cidade de Paulo Afonso – BA. Uma ilha às margens do Rio São Francisco, aproximadamente 120 mil habitantes e um contingente artístico considerável. Vários grupos de música que atuam nas noites, nos bares, restaurantes e espaços de cultura. Vejo com bons olhos alguns artistas que se destacam pela particularidade de suas obras:Gean Ramos (índio da tribo Pankararú) é um destaque entre eles. Posso citar também o guitarrista Igor Gnomo, o compositor Jorjão Lima e a cantora e compositora Eloyra. E Suzi Mariana e Ropiário Júnior são outros nomes que merecem destaque.

18) RM : Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Jorge Papapá : Para quem já conhece o trabalho dos velhos mestres, recomendo ouvir os novos criadores. Acho que precisamos renovar o nosso repertório de canções. É preciso contar a história do nosso tempo e as novas canções podem fazer isso.

19) RM : Quais os cantores e cantoras que gravaram as suas canções?

Jorge Papapá : Minhas canções começaram a serem gravadas no início dos anos 80 pelas bandas de Axé music. Participei de várias coletâneas da PolyGran e outras gravadoras. Depois, as minhas músicas passaram a ser gravada por artistas de renome nacional:Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Timbalada, Chiclete com Banana, Cheiro de Amor, Netinho, Sine Calmon, Ricardo Chaves,Asa de Águia, Araketu, Dionorinae muitos outros.

20) RM : Você inscreve as suas músicas em Festivais?

Jorge Papapá : No início da minha carreira participei de vários festivais de música. Na época, era a melhor alternativa para divulgar novas canções. Atualmente, não tenho interesse de participar de Festivais porque considero que já cumpriram a sua função. Além disso, acho que hoje existem outros meios para veicular minhas canções.

21) RM – O que acha da importância dos Festivais para lançar novos talentos para um grande público?

Jorge Papapá : Como já disse, considero que os Festivais já cumpriram a missão de divulgar novos talentos. Não me agrada a ideia do confronto entre obras diferentes. Contudo, sou favorável a Festival de mostra de composições, sem necessidade da escolha de uma obra melhor entre várias outras de estilos diferentes.

22) RM : Você acredita que sem o pagamento de jabá suas músicas tocarão nas rádios?

Jorge Papapá : Acredito sim. O jabá perdeu a força porque hoje existem várias maneiras de veicular canção, além do rádio, por exemplo, as redes sociais.

23) RM : O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Jorge Papapá : Trilhe.

24) RM : Quais os seus projetos futuros?

Jorge Papapá : Estou realizando agora os projetos que pretendo manter no futuro. A Rádio Papapá é uma ideia que surgiu a três anos atrás, vem a cada dia crescendo e ajudando artistas a veicular as suas obras. Tenho o programa BALAIO; um programa diferente que apresento todos os sábados das 14:00 ás 16:00 horas na Rádio Delmiro FM em Alagoas-AL. Ainda tem o Projeto PALCO LIVRE o qual sou um dos responsáveis e que acontece quinzenalmente apresentando artistas com apoio da Prefeitura Municipal de Paulo Afonso através da Secretaria de Cultura e Esportes. No primeiro semestre de 2017 deverei lançar o livro:EU’S PORÕES: Poemas e canções.

25) RM : Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Jorge Papapá : Para os fãs recomendo ouvir a minha radioweb: www.radiopapapa.com.br | [email protected] | www.facebook.com/jorgepapapa | Instagran (Jorge Papapa).


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.