Jorge de Angélica

Jorge de Angélica 1 Entrevista - Música - Revista Ritmo Melodia
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
Tempo de Leitura: 5 minutos

O cantor e compositor baiano Jorge de Angélica na infância teve  contato com a música e aprendeu a cantar e tocar percussões no Terreiro de Candomblé, por influência dos pais.

Ele se considera um músico de berço por conta dessa influência significativa e se destaca em iniciativas inovadoras e projetos que vêm sendo trabalhados até hoje. Participou das antigas Escolas de Samba, foi o principal mentor e fundador do grupo Afo Xé Pomba de Malé, em 1985 fundou uma das primeiras bandas de reggae do Brasil e é o primeiro cantor de Reggae de Feira de Santana – BA com a banda Gana, junto com Tonho Dionorina. Depois seguiu carreira solo, participando de várias micaretas, Expor-Feiras, resistindo ao longo do tempo, e divulgando a cultura feirense. Lançou quatro CD e três DVDs e participou de coletâneas pela Reggae Roots Brasil, com a gravadora Paradox, BMG. Participou do Festival Vozes da Terra, que ficou na classificação entre os melhores CDs.

Já teve passagem pelo Carnaval Reggae em São Paulo em 2010, no qual divulgou seu trabalho. Recentemente com Tonho Dionorina e Gilsan fundaram a banda Trilogia do Reggae, a qual já participou do Carnaval na Barra e no Pelourinho no ano de 2011, e também inspirou o filme Trilogia do Reggae que foi lançado em 2011. Jorge teve a sua história contada no livro Guerreiros do Terceiro Mundo (autor Fabricio Mota), sendo citado como uma das melhores personalidades do Reggae Internacional.

Jorge de Angélica difunde a cultura no bairro Rua Nova em Feira de Santana – BA, entre a comunidade, em especial à juventude carente. Fundador do Projeto de Cultura Mão Angelical, que o objetivo principal é buscar resgatar a juventude das facilidades perigosas da criminalidade, Projeto passaram mais de 300 jovens, que hoje já estão formados e são profissionais da música. Atualmente está com a banda Pipoca Reggae e lançará um CD e DVD, com músicas autorais. Ele continua buscando espaço e oportunidades para a realização de mais esse projeto.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Jorge de Angélica para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 16.09.2019:

 01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e sua cidade natal?

Jorge de Angélica: Nasci no dia 07 de abril de 1959 no bairro da Kalilândia em Feira de Santana – BA. Batizado como Jorge Rodrigues, filho da cantora Maria Angélica Rodrigues e João Amaral, Ogan de terreiro de Candomblé e percussionista e tenho três irmãos.

 02) RM: Conte como foi o seu primeiro contato com a música.

Jorge de Angélica: Terreiros da religião Afro descendente (Candomblé), levado pelos meus pais.

 03) RM: Qual sua formação musical e acadêmica fora música?

Jorge de Angélica: Sou autodidata na música.

 04) RM: Quais suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Jorge de Angélica: Samba de Roda, Batida do Candomblé, Bob Marley, Peter Tosh entre outros. Tudo que escutei não deixou de ter importância.

 05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Jorge de Angélica: Na fundação do Afoxé Pomba de Malê (com mais de 30 anos de fundação criado no bairro Rua Nova no fim do regime militar). Importantes nomes do reggae em Feira de Santana passaram pelo bloco: Beto Maravilha, Tonho Dionorina em 1975 e em 1985 surgiu à bandaGana com apoio do SESI.

06) RM: Quantos discos lançados e quais os anos de lançamento?

Jorge de Angélica: O primeiro em CD – “Sopa de papelão” em 1998. O segundo CD – “Confiança em Deus” em 2000. O terceiro CD – “A luta continua” em 2002. O quarto CD – “Trilogia do reggae” com Tonho Dionorina e Gilsan em 2010. O quinto CD – “Pipoca reggae do Brasil” em 2016. As músicas que marcaram: “Cobra Coral”, “Bahia negra”, “Sopa de papelão”, “Lindos sonhos”, “Gang perseguindo gang”, “Rosa”

07) RM: Como você define o seu estilo musical dentro da cena reggae?

Jorge de Angélica: Como reggae sertanejo nordestino.

08) RM: Como você se define como cantor/intérprete?

Jorge de Angélica: Cantor de músicas autorais.

 09) RM: Quais os cantores e cantoras que você admira?

Jorge de Angélica: Martin da Vila, Sandra de Sá, Louis Armstrong, Luiz Gonzaga, Dionorina, Edson Gomes

 10) RM: Quem são seus parceiros musicais?

Jorge de Angélica: Não tenho músicas composta em parceria. Componho obedecendo ao meu momento.

 11) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Jorge de Angélica: É muito difícil trilhar uma carreira independente. Quem tem grande investimento financeiro dificulta a trajetória dos músicos independentes.

12) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Jorge de Angélica: As mídias e redes sociais por terem baixo custo de divulgação.

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da sua carreira?

Jorge de Angélica: A internet só ajuda.

14) RM: Como você analisa o cenário reggae brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Jorge de Angélica: Muito difícil. Há muita descriminação para com a música reggae. Revelação nos últimos 20 anos: Natiruts, Adão Negro, Joh Ras entre outros. Quem não se manteve com obra consistente: Sine Calmon, Cidade Negra.

15) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (Home Studio)? 

Jorge de Angélica: Vantagens são os custos de gravação de música. Desvantagem pode está na qualidade sonora final.

16) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

 Jorge de Angélica: Existem alguns que se aproximam como exemplo de profissionalismos, mas não preenche os meus requisitos. Como qualidade Artística: Edson Gomes, Dionorina entre outros.

17) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

 Jorge de Angélica: Fazer o show e não receber.

18) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Jorge de Angélica: É uma alegria muito grande quando estou cantando e tristeza a falta de reconhecimento pelos órgãos públicos.

 19) RM: Quais os cantores e cantoras que gravaram as suas canções?

Jorge de Angélica: Dionorina.

20) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Jorge de Angélica: Muito difícil, porém estamos conseguindo tocar em algumas rádios.

 21) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Jorge de Angélica: Se você ama o que faz, se apegue a Deus por que o caminho é árduo.

22) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com o uso da maconha?

Jorge de Angélica: Desconhecimento e ignorância.

23) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com a religião Rastafari?

Jorge de Angélica: Acho uma associação que veio com o mito Bob Marley. E que na verdade não tem nada haver.

24) RM: Você é adepto a religião Rastafari?

Jorge de Angélica: Não sou adepto da religião rastafári, mas já usei dreadlock e hoje não uso mais.

25) RM: Os adeptos a religião Rastafári afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como você analisa essa afirmação?

Jorge de Angélica: É uma opinião e como tal cada um tem a sua, e o respeito continua.

26) RM: Na sua opinião porque o reggae no Brasil não tem o mesmo prestigio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Jorge de angélica: Pela descriminação e ser um música reivindicatória (protesto).

27) RM: Quais os seus projetos futuros?

Jorge de Angélica: Continuar com o projeto cultural Mão Angelical (Jesus com a gente) que ensina crianças adentrarem na cultura musical, dança,  capoeira e etc. E o projeto COBRA CORAL 60 ANOS – Show musical.

28) RM: Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Jorge de Angélica: (75) 3614 – 3770 |TME PRODUÇÕES – [email protected] | ww.facebook.com/jorgedeangelica | Instagram: @jorgedeangelica.oficial 

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of
Tagged
Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.