Joaquim Rabello

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Joaquim Rabello
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Compositor, violonista, guitarrista e produtor paulistano Joaquim Rabello tem como principais instrumentos os violões de seis e sete cordas.

Estudou em 1972 na Fundação das Artes em São Caetano (SP). Realizou diversos shows, com o grupo “Alma Brasileira” no Teatro Lira Paulistana, Feira da Vila e, em alguns programas de TV, como Som Brasil/TV Globo, Alegria do Choro/TV Cultura (SP) e Empório Brasileiro / TV Bandeirantes. Compôs trilhas originais para os espetáculos teatrais “Lenda do Sol”, “Sonho Impossível” e “Yerma”, além de participar da trilha sonora do filme longa metragem: “Anjos do Arrabalde” (Carlos Reinchenbach) e “Quincas Borba” (Roberto Santos). Apresentações na Paraíba: João Pessoa, Bananeiras e Campina Grande com a banda “Pedra do Reino”. Com a banda “Perigo na Área” (ex Pedra do Reino), apresentações no Som Brasil / Rede Globo, Sesc Pompéia, Café Piu-Piu, Bar Avenida, Banco Itaú, Projeto de shows no Metrô (SP). Em 1989, em Viena (Áustria), gravou o disco Pindorama, que se tornou “hit parade” em Viena. Em 1990 foi relançado no Festival Internacional “Perdonanza” em L’Aquila, Itália. Apresentações em cidades da Áustria, Alemanha, Itália, Holanda, Suíça, Espanha e Portugal. Lecionou em Algarve – Portugal, e em outras cidades da Bienne – Biel – Suíça e Viena. De volta ao Brasil em 1994, participou de três dos CDs do compositor José Paulo Medeiros. Shows com o cantor e compositor Walter Franco, JAMBRASIL, Rodrigo Sater, Tinoco, Bocato entre outros. Shows nos bares Olinda Prudência, Charles Edward, Barbola, Clube Paulistano, Ateliê do Ju e outros eventos para empresas. Tertúlias com Armandinho, Luis Brasil, Bola Morais, Alceu Valença e com o fotógrafo Mario Luiz Thompson (Bentevi Produções Artísticas). Temporada de verão (2007-2008) com o navio Costa Mágica (Brasil-Itália). Apresentações no programa Viola Minha Viola – TV Cultura com o cantor e compositor José Paulo Medeiros. Compôs o júri do Festival Universitário de Ponta Grossa (PR), conjuntamente com Fernando Brant, Arismar do Espirito Santo e o maestro João Almir Weindt. Em 2009 apresentações no circuito Sesc, Sesi e eventos para Banco do Brasil Cultural. Apresentações de projetos culturais na Universidade Ítalo – Brasileira – UNITALO (2010), com o saxofonista Flávio Sandoval. Inauguração do Dia Estadual do Choro no IHGSP (Instituto de História e Geografia de São Paulo) com o grupo “Chorões”. Produções Musicais. Trilhas sonoras para as TVs Gazeta, Record e SBT.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Joaquim Rabello para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 29.11.2018:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Joaquim Rabello: Nasci dia 03.02.1953, em São Paulo (SP).

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Joaquim Rabello: O primeiro contato se deu dentro da própria família, com cinco anos de idade ganhei um pianinho!

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Joaquim Rabello: Estudei Música na Fundação das Artes em São Caetano do Sul (SP). E Biologia na OSEC, atual UNISA.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Joaquim Rabello: Minhas influências foram os estilos do Choro, Samba, Jazz, Beatles, Stones, Tom Jobim, e quase todas as bandas do Rock Progressivo e Roots Rock. Música clássica e ritmos brasileiros. As que deixaram de ter importância são as que não “arrepiam” mais.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Joaquim Rabello: Dentro da família, as primeiras noções. Inclusão na banda da escola, com 7 anos de idade, tocando percussão. Apresentações nas TVs Record e Excelsior (Bibi Ferreira) com a banda da escola. Depois formação de bandas, Festival de Música.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Joaquim Rabello: Em 2018 lancei meu primeiro CD – “Pedra Angular” pela Tratore. São músicas instrumentais com estilo brasileiro. Ritmos que passeiam da MPB (Choro, Samba) ao Rock. Passa por caminhos que percorri, em momentos diferentes da minha jornada. Com a banda “Amazonas”, gravamos, em Viena (Áustria), no ano de 1990, um disco que nos rendeu hit na própria Viena, como shows e turnês na Alemanha e Itália. Além desses fatos, tenho mais 6 CDs autorais, inéditos, prontos para lançamento. A música que mais agradou: “Choro Pantaneiro”, gravado pelo Gabriel Sater. É um Choro diferente, num ritmo pantaneiro (com influência paraguaia).

07) RM: Como você define o seu estilo musical?

Joaquim Rabello: Eclético. Gosto do que é bom. O simples é bom. Na verdade, aquilo que “arrepia”. É o sentimento e estado de espírito.

08) RM: Como é o seu processo de compor?

Joaquim Rabello: Bastante variável… Não existe um método, somente a inspiração. Às vezes a melodia ou harmonia (sequencia de acordes). Algumas já vêm prontas, outras são mais elaboradas.

09) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Joaquim Rabello: Deus é o principal! E, por enquanto o Único.

10) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Joaquim Rabello: A luta é enorme. É preciso contar com os amigos, colaboradores de boa vontade, enfim, é necessário ter persistência, não desanimar, por mais que as coisas não sigam o tempo que esperamos. Sempre é preciso colaboração.

11) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Joaquim Rabello: Produção musical, aulas, workshops, contatos, apresentações, participações em trabalhos musicais. O músico precisa ter sempre os planos A, B, C a Z.

12) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Joaquim Rabello: Boa disposição, estudo, aulas na internet frequentes, prática, prática de conjunto. Atualizações de novos softwares, para uma melhor produção musical. Estar melhorando a cada dia.

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da sua carreira musical?

Joaquim Rabello: Internet ajuda na divulgação, contatos, estudos, novidades, aulas, informações rápidas sobre quaisquer assuntos, etc. Prejudica sim, no ponto massivo de invasão à privacidade. Os lixos, fake news, publicidade e propaganda indesejáveis e principalmente manipulação são evasivas porque não há filtro.

 14) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Joaquim Rabello: A vantagem é que permite você, além de produzir, criar novas ideias e experiências, que num estúdio convencional, pelo tempo e custo, não seria possível.

15) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Joaquim Rabello: O diferencial está na qualidade. As pessoas estão cansadas desta imposição da mídia, de terem que escutar o que não gostam. Nos detalhes estão as diferenças.

16) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Joaquim Rabello: Na verdade, a música hoje passa por um período de estio. Tem o Lenine que mostrou algo novo. O Almir Sater também está aí. Zé Paulo Medeiros que conta as suas histórias musicais em 3 minutos. Hoje, existem poucas referências. Temos excelentes compositores que não conseguem espaço, porque a mídia nos impõe “muito lixo”.

17) RM: Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Joaquim Rabello: São vários! Temos nacionais e internacionais… Pixinguinha, Jacob do Bandolim, maestro João Carlos Martins, Tom Jobim, Ivete Sangalo.

18) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Joaquim Rabello: Quando eu tinha 15 anos de idade um empresário nos levou para tocar num clube próximo a uma represa. Deixou-nos sem cachê, condução e levou os microfones. Em uma virada de ano, tocando em Viena, também não fomos pagos.

19) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Joaquim Rabello: A felicidade de poder tocar. Deus me abençoar com esse dom divino! A desunião, a soberba, a competição desonesta, o ego e a vaidade é o lado feio.

20) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

21) RM: Você acredita que sem o pagamento do Jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Joaquim Rabello: Com tantas coisas que ouvimos nas emissoras, tudo leva a crer que sim.

22) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Joaquim Rabello: Tenha muita fé, criatividade, inspiração… Tente sempre fazer o melhor possível! Não desista e persevere… Não seja soberbo!

23) RM: Quais os Violonistas que você admira?

Joaquim Rabello: Baden Powell, Paco de Lucia, Dino 7 cordas, Al di Meola, Paul Simon, Steve Howe.

24) RM: Quais os compositores eruditos que você admira?

Joaquim Rabello: Bach, Debussy, Tchaikovsky, Beethoven, Mussorgsky, Verdi.

25) RM: Quais os compositores populares que você admira?

Joaquim Rabello: Milton Nascimento, Ivan Lins, Paul McCartney, Paul Simon, Chick Corea, Alceu Valença, Armandinho Macedo.

 26) RM: Quais os compositores da Bossa Nova você admira?

Joaquim Rabello: Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Paulo Sergio e Marcos Valle.

27) RM: Quais os métodos para Violão que você estudou?

Joaquim Rabello: Meu primeiro método foi o do Paulinho Nogueira. Estudei o Pozzoli para divisão rítmica. Al Di Meola para estudo de Escalas e progressões. Jamey Aebersold para Jazz e Improvisação, Scott Henderson… Métodos de aplicação… IGT… Estudos de guitarra e de Harmonia de Almir Chediak… Ian Guest para Arranjos Vol. 1,2,3.

28) RM: Quais as principais diferenças entre as técnica de Violão Popular e Erudito?

Joaquim Rabello: Postura, técnica, repertório, ambiência.

29) RM: Quais as principais técnicas que o aluno deve dominar para se tornar um bom Violonista?

Joaquim Rabello: Disciplina, estudo, postura, autoconfiança, equilíbrio e precisão.

30) RM: Quais os Violões para tocar música Popular e  Erudita que você indica atualmente?

Joaquim Rabello: Geralmente os construídos por Luthier, que são caros, ou as marcas Americanas: Martin, Guild, Taylor, Godin.

31) RM: Quais os principais vícios e erros que devem ser evitados pelo aluno de Violão?

Joaquim Rabello: O mau aprendizado. A não correção das levadas, técnicas de postura. Ter a sua imagem não condizente com a realidade. E não se achar o “Bom”.

32) RM: Quais os principais erros na metodologia de ensino de música?

Joaquim Rabello: Depende muito do caráter e da visão do estabelecimento de ensino.

33) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Joaquim Rabello: Dom é algo dado por Deus! Deus se autodefine!

34) RM: Qual a definição de Improvisação para você?

Joaquim Rabello: É a libertação dentro de uma harmonia. É o sentimento espontâneo, natural, verdadeiro cântico novo.

35) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Joaquim Rabello: Depende muito do autor. Existem os mais diretos, explicam de forma mais clara.

36) RM: Existe improvisação de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Joaquim Rabello: Existe sim. O momento é especial. A criação flui…

37) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Joaquim Rabello: Alguns autores podem explicar determinados tópicos de forma mais compreensível e simples. Tenho como exemplo os próprios ciclos de Quintas e Quartas.

38) RM: Quais os métodos que você indica para o estudo de leitura à primeira vista?

Joaquim Rabello: Os métodos do EMT, no caso IGT. Jamey Aebersold que são vários volumes partindo do simples para o complexo.

39) RM: Como chegar ao nível de leitura à primeira vista?

Joaquim Rabello: Praticando

40) RM: Quais os seus projetos futuros?

Joaquim Rabello: Continuar lançando os meus álbuns, dar aulas, fazer shows, produzir. E estar com a “antena” voltada pro alto, pra receber mais músicas…

41) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Joaquim Rabello: [email protected]

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.