Jaidete Varjão

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Jaidete Varjão
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A cantora e compositora baiana Jaidete Varjão tem mais de 25 anos de carreira musical.

Iniciou cantando em Barzinhos e logo entrou em ”Banda Baile” e não parou mais de cantar. A influência da música de raiz nordestina começou através de familiares e artistas nordestinos. A cantora representa o forró autêntico visando mais pessoas tornarem-se fãs, apologistas e apreciadores de todos que perpetuam o legado da música nordestina. Participou como vocalista em diversas bandas da região, exemplo, Raimundinho do Acordeon, Targino Gondim, Zezinho da Ema e outros, inclusive, fazendo participação especial em vários CDs e DVDs ao lado de alguns desses artistas. Com três CDs gravados, atualmente segue carreira solo com sua banda e está lançando o seu terceiro CD – “Eu e Você”, com participações especiais de Adelmário Coelho, Flavio Leandro, Trio Nordestino, Targino Gondim e Raimundinho do Acordeon para o fortalecimento da memória do nosso maior Patrimônio Cultural. Fez várias participações como cantora em CDs e DVDs de outros artistas. Como compositora é autora: “Não vejo a hora” e “Eu e Você”; carro chefe do novo CD.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Jaidete Varjão para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 30.08.2018:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Jaidete Varjão: Nasci no dia 05.11.1970 em Curaçá (BA). Registrada como Jaidete Martins Varjão.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Jaidete Varjão: Desde pequena nossa mãe nos ensinou os hinos bíblicos e a soletrar as palavras em ritmo musical. A partir dos 10 anos de idade fui influenciada por um tio (Doutor Lambaia) que tocava sanfona. Escutando os grandes mestres da nossa música popular brasileira através do rádio em que eu acompanhava cantando os grandes sucessos da época. E que foi fundamental para fortalecer o início da minha carreira artística.

03) RM: Qual a sua formação musical e formação acadêmica fora da área musical?

Jaidete Varjão: A minha formação musical é inteiramente natural, construída pela essência do maior gênero musical “forró tradicional nordestino”, que tanto contribui para a formação da identidade do povo brasileiro. A minha formação acadêmica é o Ensino Médio completo.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Jaidete Varjão: Trago as influências da música de raiz através de familiares e de grandes nomes do nosso cenário musical, a exemplo do “Rei do Baião” Luiz Gonzaga, Marinêis, Elba Ramalho, Trio Nordestino, Dominguinhos, Genival Lacerda, Clemilda, o Rei Roberto Carlos e vários outros nomes que compõem o legado da nossa historia musical. Atualmente continuo me inspirando nas mesmas referências musicais para manter a minha visão profissional em defesa do Patrimônio Artístico e Cultural do nosso povo. Todos tem suma importância para a preservação e incentivo às crianças, jovens e adultos a arte que expressa o sentimento e o desejo de construirmos um mundo melhor.

05) RM: Quando, como você começou a sua carreira musical?

Jaidete Varjão: Comecei em 1990 cantando em barzinhos e logo em seguida participei por muito tempo como cantora e backing vocal, de várias bandas, resultando em inúmeras participações em CDs e DVDs com artistas da região. Foi uma experiência ímpar para o crescimento da minha formação. Profissionalmente, sigo carreira solo a mais de 15 anos.

06)RM: Quantos CDs lançados (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que se destacaram?

Jaidete Varjão: São três CDs lançados com o mesmo seguimento que é o Forró Tradicional. No primeiro CD – “Jogo da Sedução” produzido pelo saudoso Duda da Passira, as músicas que mais se destacaram foram Homenagem a “Curaçá” e “Poço de Fora” que continuam sendo solicitadas nas escolas e nas festas culturais em Curaçá (BA). O segundo trabalho gravado ao vivo teve a participação dos músicos Yargo Feghali e Nelsinho Sanfona, Aldo Souza Guitarra, Santiago (Contrabaixo), Nilton (Zabumba) e Junior (Bateria), levou os grandes sucessos da preferência dos fãs. O terceiro CD lançado recentemente traz os sucessos dos grandes mestres como o Trio Nordestino, Marinês, Zé Ramalho, Luiz Fidélis, Antônio José, Pititiu Miranda, Raimundinho do Acordeon, Irenildo A. Antônio, Katia de Tróia, Maria Tereza, Jó Reis, Euclides Amaral e Jaidete Varjão. Um trabalho belíssimo que reuniu grandes artistas fazendo participações especiais, a exemplo, Luiz Mario do Trio Nordestino, o poeta Flavio Leandro, Targino Gondim, Raimundinho do Acordeon e Adelmário Coelho. Foi gravado no estúdio Maximize pelos músicos: Pernalonga (Sanfona), Gargamel (Bateria), Maurinho (Contrabaixo), Ygor Guimarães (Guitarra), Yargo Feghali (Teclados e Viola 12), PH Lucas (Zabumba, Triângulo e Agogô).

07) RM: Como é o seu processo de compor canção?

Jaidete Varjão: O processo de compor minhas canções depende da situação na qual me encontro no momento ou baseadas em situações em casos verídicos ou imaginários.

08) RM: Quais são seus principais parceiros musicais em composição?

Jaidete Varjão: Costumo compor sozinha, mas recentemente tive o prazer de compor minha música nova de trabalho “Eu e Você” com o mestre Raimundinho do Acordeon. Ele que é um dos grandes incentivadores da minha carreira e um dos autores do clássico “Esperando na Janela” em parceria com Targino Gondim e Manuca Almeida.

09) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Jaidete Varjão: Na atualidade que estamos vivenciando o avanço da tecnologia, se torna mais fácil para o artista que segue uma carreira independente, pois a internet tem contribuído muito para a divulgação do trabalho dando liberdade para expandir os projetos com mais eficácia. A importância do registro da letra da música e o direito autoral assegurado ao artista garante o futuro brilhante do reconhecimento do seu patrimônio cultural.

11) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Jaidete Varjão: Na qualidade de cantora que busca preservar as origens nas músicas de raiz principalmente o romantismo. Eu componho e canto as canções que falam de amor e que alimentam o sentimento no coração das pessoas.

12) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia de gravação (home estúdio)?

Jaidete Varjão: O home estúdio da mais oportunidade de gravarmos os nossos projetos com mais tranquilidade dando-nos autonomia de termos um diferencial de mercado por um valor bem mais acessível e de boa qualidade.

13) RM: Como você analisa o cenário do Forró? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Jaidete Varjão: Diante de diversas expressões culturais, o forró é uma das mais lindas tradições e uma das mais resistentes que existe na atualidade no cenário da música nordestina com referência mundial. As maiores revelações que permanecem com sucesso no forró, são muitas estrelas, por exemplo: O Trio Nordestino, na sua atual formação, vem dando continuidade ao grande sucesso deixado pelos seus sucessores. Atualmente vem concorrendo a diversos títulos e fazendo shows pelo Brasil e no exterior. Elba Ramalho, nossa eterna rainha do forró, é uma estrela iluminada e consagrada que perpetuou sua carreira artística. A nova geração inspirada em Luiz Gonzaga que vem surpreendendo o nosso cenário musical, são artistas como Flavio José, Flavio Leandro, Lucy Alves, Targino Gondim, Raimundinho do Acordeon, Adelmário Coelho, Alcimar Monteiro e vários outros, que dominam com maestria a arte e a nossa cultura.  Em virtude da desvalorização artística no país, por conta de alguns governantes, sem compromisso com a nossa história e tradição, a nossa classe artística vem sofrendo um descaso inaceitável, sendo muitas vezes esquecida e assim perdendo espaço nos grandes eventos tradicionais para outros estilos que não condizem com o formato de alguns eventos.

14) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Jaidete Varjão: Infelizmente por algumas vezes já aconteceu falha na comissão técnica para o meu show e por parte de alguns músicos na realização de alguns shows.

15) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Jaidete Varjão: Cantar é uma realização de vida. Ver os projetos saírem do papel e tornarem-se realidade, mesmo com tantas dificuldades que estamos enfrentando, o mundo da música nos dar muitas alegrias. O que mais me deixa triste é a falta de apoio e de reconhecimento por um trabalho desenvolvido com tanta responsabilidade e amor a arte.

16) RM: Você acha que sem o pagamento do jabá suas músicas são tocadas nas rádios?

Jaidete Varjão: Na maioria das vezes nós penamos por uma oportunidade visando à possibilidade de tocar nossas músicas nas rádios, mas não temos. O jabá é comum e são preços abusivos para tocar sistematicamente uma música na programação e poucos artistas podem pagar pelo serviço. Com os movimentos de alguns militantes que hoje existe no país pelo resgate do nosso forró pé de serra, ganhamos espaço em algumas rádios que se dispõe em fazer parceria em prol da nossa causa, divulgando os nossos trabalhos sem custo algum.

17) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Jaidete Varjão: Sabemos que o caminho é árduo, porém, muito prazeroso. Ingressar na música é uma tarefa bastante difícil, onde exige talento, esforço e dedicação.

18) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Jaidete Varjão: Nos Festivais de música, adquirimos experiência profissional e a enfrentar grandes desafios em que se mede a capacidade de cada artista elevar-se ao êxito do seu reconhecimento. Em minha opinião o perigo que ocorre, é o candidato limitar-se somente aos prêmios. E não se esforçar para desenvolver o seu potencial na árdua jornada das trilhas que levarão ao pódio do grande sucesso.

19) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música revela novos talentos?

Jaidete Varjão: Sim! Em várias classes sociais independente de raça, cor, idade ou religião, tem exemplos de grandes revelações no universo da música com diversos estilos, que promete dar seguimento a música para as futuras gerações.

20) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Jaidete Varjão: Às vezes a grande mídia torna-se injusta em algumas situações, por exemplo: Quando se limita a divulgar um único e exclusivo estilo musical, fechando as portas para outros ritmos. Hoje em dia é comum se ver algumas Rádios com horários comprados para mostrar somente algo do seu interesse financeiro não se importando com a qualidade e a sustentabilidade da nossa cultura brasileira.

21) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

 Jaidete Varjão: As três instituições são de extrema importância para a cena musical, pois, promovem através dos editais, recursos financeiros para a cultura brasileira em especial a cultura popular.

22) RM: Existe circuito de Forró na sua cidade?

Jaidete Varjão: Atualmente em Curaçá (BA) não temos um circuito de forró na nossa Cidade.

23) RM: Quais os projetos futuros?

Jaidete Varjão: Os projetos futuros serão a gravação de um DVD, um documentário sobre minha carreira musical e continuar defendendo a música tradicional nordestina em especial o nosso forró.

24) RM: Quais os seus contatos para show e para seus fãs?

Jaidete Varjão: (74) 98828 – 8766 | [email protected]www.facebook/jaidetevarjao |  @instagran:jaidetecantora | www.palcomp3.com/jaidetecantora 

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.