Ibys Maceioh

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O cantor, compositor, violonista alagoano Ibys Maceioh,  É um artista versátil. Sua obra passeia pelo samba ao xaxado, da bossa-nova ao blues, do coco à música clássica ou ao jazz. Mesmo com tantas referências, nota-se uma identidade singular.

Ele começou a aprender violão com Zé Romeiro, discípulo de Dilermando Reis. A sua arte reflete as suas experiências e pesquisas musicais. Nasceu com ele a vontade incontrolável de tocar Violão. Começou o seu contato musical ainda criança, observando as serestas e as modas de viola em Porto Calvo – AL. Logo se mudou para Maceió – AL e o seu interesse pela música se intensificou. Nessa época (anos 70), dedicou-se com afinco aos estudos do violão e passou a se apresentar em rádios locais, bailes e clubes e começou a despertar a atenção do público. Aos vinte e dois anos de idade participou do Festival Internacional de Música (atual Festival de Inverno de Campos do Jordão), em São Paulo. Foi na terra da garoa que o alagoano adotou finalmente o seu nome artístico, Ibys Maceioh e começou a fazer contato com nomes importantes da MPB, como o concertista Noé Lourenço, Eduardo Gudin, Chico César, e Turíbio Santos(do qual foi aluno). Por meio desse aprendizado com Turíbio, foi convidado para lecionar no Centro Livre de Aprendizado Musical — CLAM, escola de renome internacional fundada e dirigida pelo Zimbo Trio. De volta à Maceió, em 1986, depois da longa estadia em São Paulo, montou uma escola de música popular. Na década de 1990, retornou à São Paulo, se apresentou em renomadas casas de shows e reforçou parcerias com compositores importantes na sua carreira, como Sílvio Márcio, Mário Mammana, Luiz Carlos Bahia, Renato Fialho, Mamede, Pedro Paulo Zavagli, Rogério Nóia e Kátia Teixeira. Outra parceria de destaque no trabalho de Ibys foi com Zé Keti, já nos últimos anos de vida do grande sambista carioca. Ibys foi “contaminado” definitivamente pelo universo do samba e foi morar Rio de Janeiro, fez diversos shows em redutos do samba na cidade maravilhosa.

Em 2000 lançou seu primeiro CD – Suave, que trouxe composições variadas, marcadas pela sonoridade nordestina. Em 2002, esse CD recebeu uma releitura, que acabou gerando o segundo CD – Cabelo de milho. Segundo o próprio artista, o trabalho só não foi alterado em sua identidade nordestina, que se mantém, agradando a “gregos e troianos” devido a sua diversidade sonora (sambas, toada, xote e bossa nova). O CD – Cabelo de Milho conta com as participações de Oswaldinho do Acordeon e Fernando Melo, violonista do Duofel. Além dos dois CDs, lbysparticipou do CD – Zimbo Trio convida, coordenado pelo próprio grupo, e da coletânea CD – Chorano — Choro AlagoanoIbys Maceioh passou por diversos festivais de música, entre eles aFeira de MPB, realizada no Centro Cultural São Paulo, a série Novos Intérpretes, no Museu de Arte de São Paulo – Masp e o do Projeto Pixinguinha. Uma trajetória musical com de mais de 30. Em 2008 lançou o CD – Ibys Maceioh — 34 anos de música. Com uma seleção de repertório feita por Rui Agostinho, programador musical da respeitada Rádio Educativa FM de Maceió.

Segue abaixo uma entrevista exclusiva de Ibys Maceioh para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01/06/2012:

01) Ritmo Melodia – Qual sua data de nascimento e sua cidade natal?

Ibys Maceioh: Nasci no dia 03.07.1952 em Porto Calvo – Alagoas. Terra de Calabar. Batizado como Valmiro Pedro da Costa.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música. 

Ibys Maceioh: Foi em minha cidade querida Porto Calvo. Fazendo seresta e cantando as modas de viola.

03) RM: Qual a sua formação musical e acadêmica fora música?

Ibys Maceioh: Minha formação musical foi em São Paulo. Tinha estudado um pouco em Maceió – AL com o professor José Romeiro, violonista que morou no Rio de Janeiro e estudou com Dilermando Reis. Aulas de violão popular com ele foram muito importantes na minha formação como violonista. Em Sampa estudei Violão Clássico com Noé Lourenço e Henrique Pinto. Depois fui estudar no CLAM – Centro Livre de Aprendizagem Musical, escola dirigida pelos músicos do Zimbo Trio. Tive aula com Luiz Chaves, violão popular e Harmonia. Depois entrei na Faculdade de Música em São Paulo. Mas não conclui o curso, sempre tive minha vida ligada à música.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Ibys Maceioh: Orlando Silva, Noel Rosa, Nelson Gonçalves, Pixinguinha, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro. No presente: Chico Buarque, Djavan, Zé Kéti (convivi com ele no Rio de Janeiro, morei na casa dele), Paulinho da Viola, João Bosco, Baden Powell, Dilermando Reis, Sebastião Tapajós. Todos foram muito importantes e aprendi muito com os mestres.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Ibys Maceioh: No ano de 1970 comecei em Maceió tocando em baile e bares. Morei em Recife – PE e depois fui para São Paulo em 1974. Participei do Festival de Inverno de Campos do Jordão, que nesse ano aconteceu na capital, São Paulo. Tive aula com o Turíbio Santos. Fiquei muito tempo em Sampa. No Rio de Janeiro foi mais de passagem.

06) RM: Quantos CDs lançados e quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que se destacaram de cada CD?

Ibys Maceioh: Lancei um CD – Suave em 2000 que foi apenas um suave ensaio para que se maturassem condições para gravação mais tecnicamente elaborada. Belos arranjos e músicos do gabarito de um Fernando Melo (Duofel), Oswaldinho do Acordeon, cantora Leureny Barbosa (Maceió). Lancei o CD – Cabelo de Milho em 2002. Ele reúne um repertorio de xotes, toadas, sambas e até um saboroso blues. Em 2008 lancei o CD – Ibys Maceioh – 34 anos de música. Foi uma compilação organizada pelo Rui Agostinho, produtor e programador da Radio Educativa FM Maceió.  A música “Cabelo de Milho” tocou bastante e cheguei a ser entrevistado no programa do Rolando Boldrin. “Aqui Alagoas” é um samba que fala da terrinha: Suave, estilo bem carioca, gafieira.

07) RM: Como você define o seu estilo musical?

Ibys Maceioh: Um pouco de Luiz Gonzaga, nordeste, um pouco do samba do Rio de Janeiro. E meu convívio com muitos músicos instrumentistas. Estilo bem eclético.

08) RM: Como você se define como cantor/intérprete?

Ibys Maceioh: Um cantador de minhas composições com muita “nordestinidade”.

09) RM: Você estudou técnica vocal?

Ibys Maceioh: Cursos livres. No CLAM, tive orientação do Luiz Chaves e com alguns professores de canto que conheci nessa trajetória.

10) RM: Quais os cantores e cantoras que você admira?

Ibys Maceioh: Emilio Santiago, Caetano Veloso, Peri Ribeiro, João Bosco, Djavan, Paulinho da Viola, Ed Motta, Carmen Queiroz, Fabiana Cozza, Elis Regina, Rosa Passos, Ney Matogrosso e tem muita gente nova.

11) RM:  Como é seu processo de compor? Quem são seus parceiros musicais?

Ibys Maceioh: Sou muito indisciplinado, não tenho um método definitivo. De repente uma letra que recebo me toca aí eu começo a organizar: Melodia e Harmonia. E aos poucos vou juntando tudo e quando menos espero estar pronta. Tenho grandes parceiros, bastantes e variados. Silvio Marcio, o primeiro parceiro; Fernando Sergio Lira, Marcos de Farias Costa, Marcondes Costa, Mario Mammana, Pedro Paulo Zavagli, Mamede, Chico de Assis, Aldemar Paiva, Zé Keti, Prof. Sebah Andrade, Rui Agostinho, Rogerio Noia da Cruz, Luiz Carlos Bahia. Perdoe-me se esqueci alguém.

12) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Ibys Maceioh: Liberdade de organizar o que queremos tocar e gravar, mas ao mesmo tempo tem a dificuldade de fazer o disco chegar a uma quantidade de público maior. Apesar de que hoje a cena independente já estar mais bem organizada.

13) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Ibys Maceioh: É um cenário muito competitivo e ao mesmo tempo com muitas opções. As oportunidades são amplas e é preciso só se organizar e vencer as dificuldades que apareçam. Eu estou vivendo um momento ótimo, mesmo distante dos grandes centros. Um mercado promissor. Chico Cesar, Lenine, Zeca Baleiro, Djavan e outros; esses mestres continuam cada vez melhor.

14) RM: Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Ibys Maceioh: Fernando Melo, que gravei com ele, Oswaldinho do Acordeon, Dominguinhos, Renato Teixeira, Osvaldinho da Cuíca. Todos profissionais e com muita qualidade artística e humana.

15) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Ibys Maceioh: Falta de condições técnica. O cara quando contrata oferece tudo, na hora falta tudo. Nem sempre cumpre com o pagamento acertado anteriormente. É muitas situações inusitadas.

16) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Ibys Maceioh: Quando realizo um show que tudo dá certo e sinto a receptividade do público e o triste, a enganação de muitos produtores que querem sempre levar vantagem.

17) RM: Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

Ibys Maceioh: Maceió tem ampliado bastante o espaço para música popular brasileira. Várias casas estão chegando. É ótimo para os músicos. Estamos vivendo um momento muito bom. Muita produção de alto nível.

18) RM: Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Ibys Maceioh: Guinga, Ulisses Rocha, Conrado Paulino, Alessandro Penezzi, Marco Pereira, Raphael Rabello e Yamandú Costa.

19) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Ibys Maceioh: No mundo capitalista em que vivemos será muito difícil minha música tocar nas rádios FMs sem pagar o jabá. Quase impossível isso acontecer. Música é cultura, mas antes tem que passar no departamento comercial para pagar para tocar.

20) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Ibys Maceioh: Persistência, disciplina, acreditar e estudar sempre.

21) RM:  Como você conheceu o Clube dos Compositores Caiubi?

Ibys Maceioh: Através de músicos que conheço em São Paulo que me levou ao Clube Caiubi (www.clubecaiubi.ning.com) para mostrar uma reunião de compositores, ainda quando era na Rua Caiubi – Perdizes. Em um desses encontros, eu conheci o Zé Rodrix (falecido), SonekkaLis Rodrigues FloresVlado e outros que proporcionaram o crescimento desse espaço importante para nossa MPB e a música autoral.

22) RM:  Qual a importância de reuniões de músicos como o Caiubi para fortalecer a música autoral de qualidade?

Ibys Maceioh: Essas reuniões, inclusive, bastante democrática, me fez conhecer muitos compositores que jamais teria condições de conhecer isoladamente. Alguns, talvez, não pensem em trilhar uma carreira, mas muitos que se apresentam têm um trabalho autoral de alto nível e isso só fortalece nossa música. O paradigma de que não existem compositores se esvai pelo ralo. É só participar, às segundas-feiras e ver que existe música autoral de qualidade. E estar presente nas reuniões para conferir que o Clube Caiubi só fortalece muito a música autoral de qualidade.

23) RM: Qual a importância de celebrar os 10 anos de Caiubi em junho de 2012?

Ibys Maceioh: Estou muito feliz em fazer parte dessa comunidade iluminada de compositores e está junto nestes dez anos. Eu espero que venham muitos anos pela frente. Cada vez que abro minha página (http://clubecaiubi.ning.com/profile/ibysmaceioh87) e vejo comentários dos amigos, isso me incentiva a prosseguir nessa caminhada tão difícil e cheias de turbulência, não desanimar jamais. Os grandes acontecimentos devem ser celebrados e este, eu espero que Deus e os anjos compositores celebrem juntos esse dez anos com muita musica e muita paz.

24) RM: Quais os seus projetos futuros?

Ibys Maceioh: Gravar um novo CD e DVD. Tenho muitas músicas inéditas e preciso mostrar esse trabalho bem produzido. Viajar tocando pelo o Brasil e dar um giro pelo mundo

25) RM: Quais seus Contatos?

Ibys Maceioh:  [email protected] / [email protected] / http://ibysmaceioh.blogspot.com / http://clubecaiubi.ning.com/profile/ibysmaceioh87  (11) 97589 – 5686 / (82) 99307 – 9966


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.