Hélio Braz

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O cantor, compositor baiano Hélio Braz radicado em São Paulo onde interagiu a sua formação regionalista com todas as tendências underground paulistana; viajou por alguns países da Europa, o que lhe possibilitou definir-se hoje como um músico eclético, cujo parâmetro é o bom senso em sintonia com as matizes da boa música.

Fez parte do “Movimento Independente do “Lira Paulistana” em São Paulo; tocou em vários teatros, tais como: Mambembe, Café PiuPiu, Hall, Tuca, Centro Cultural Vergueiro, Biblioteca Mario de Andrade. Dessa fase resultou-lhe o seu primeiro disco, um compacto duplo intitulado “Na Marra” (Fruto vingado na terra seca, ungido de fé, força e paixão). Nesse disco contou com participações de músicos como: Oswaldinho do Acordeon, Luís Brasil, Anselmo Lima e Renatinho Consorte.

Em 1999 lança seu segundo CD, com 13 composições de sua autoria, intitulado “Todo Silêncio é Pouco”. Contou também com a presença de músicos como: Ruy Weber, Anselmo Lima, Otávio Noronha e Renatinho Consorte.

Em 2001, viajou para a Europa onde excursionou por três meses, apresentando-se em vários espaços em Paris, entre eles o “Blue Note”, onde dividiu o palco com o percussionista Zé Luiz, em temporada de 03/07 a 04/08/2001. Entre outros espaços, apresentou-se também no bar Corcovado, na cidade de Turim, Itália e no Milano Latin Festival – Assago – Milan.

Em 2004, lançou o CD – “Cidade Agitada” em parceria com a poetisa e arquiteta SaídeKahtouniem que homenageiam a cidade de São Paulo nos seus 450 anos.

Em 2010 lançou o CD – “Fome Que Não Cessa”, em que é também o arranjador além de composições próprias tem duas especiais releituras: Na Baixa do Sapateiro de Ari Barroso e Légua Tirana de Luiz Gonzaga. Tem participações de Oswaldinho do Acordeon, Luiz Waack, Ruy Weber, Jonas Moncaio, Paulinho Daflin, Anselmo Lima, Loop B, entre outros.

Em 2012, lança o CD – “Lagarta Pintada”com repertório de canções de sua autoria, voltada para o público infantil.

Atualmente está preparando seu mais novo trabalho em CD – “Parcerias”, a ser lançado em breve.  Segue abaixo entrevista exclusiva de Hélio Braz para a  www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01.06.2017: 

01) Ritmo Melodia : Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Hélio Braz : Nasci no dia 12 de Dezembro em Santo Amaro – BA.

02) RM : Fale do seu primeiro contato com a música? 

Hélio Braz : Foi no coral da minha cidade natal Santo Amaro-BA através do maestro Miguel Lima.

03) RM : Qual sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical? 

Hélio Braz – É uma formação mais empírica. Eu fiz alguns cursos livres na Fundação das Artes de São Caetano do Sul – SP e Violão Clássico com Ruy Weber e harmonia funcional com Hans-Joachim Koellreuter que foi um compositor, professor e musicólogo de origem alemã. E sou formado em Filosofia na Faculdade São Luís.

04) RM : Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Hélio Braz : Fui influenciado por Luiz Gonzaga, Beatles, Caetano Veloso e todo o caldeirão underground de Sampa (São Paulo). E o fato de eu ser um eterno ilustre desconhecido acaba que me permitindo está sempre criando.

05) RM : Quando, como e onde  você começou sua carreira profissional? 

Hélio Braz : Profissional mesmo foi a partir de 1984 quando lancei o meu primeiro disco um compacto duplo intitulado: “Na Marra”.

06) RM : Quantos CDs lançados, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que entraram no gosto do seu público? 

Hélio Braz : Lancei cinco discos nos quais destaco: “Na Marra”em 1984 e “Todo Silencioé Pouco”em 1998.

Em 1984 lancei um compacto duplo – “Na Marra” (Fruto vingado na terra seca, ungido de fé, força e paixão). Participações dos músicos: Oswaldinho do Acordeon, Luís Brasil, Anselmo Lima e Renatinho Consorte.

Em 1999 o segundo CD – “Todo Silêncio é Pouco” com 13 composições minhas. Tive a participações dos músicos Ruy Weber, Anselmo Lima, Otávio Noronha e Renatinho Consorte para realizar esse trabalho de Música Popular Brasileira em que homenageio mestres como Elis Regina.

Em 2004, lancei o terceiro CD – “Cidade Agitada” em parceria com a poetisa e arquiteta Saíde Kahtouni em que homenageamos a cidade de São Paulo nos seus 450 anos.

Em 2010 lancei o quarto CD – “Fome Que Não Cessa”, fui arranjador além de composições próprias tem duas especiais releituras: Na Baixa do Sapateiro de Ari Barroso e Légua Tirana de Luiz Gonzaga. Participações de Oswaldinho do Acordeon, Luiz Waack, Ruy Weber, Jonas Moncaio, Paulinho Daflin, Anselmo Lima, Loop B, entre outros.

Em 2012, lancei o quinto CD – “Lagarta Pintada”com repertório de canções de sua autoria, voltada para o público infantil.

Recentemente produzi, arranjei e compustrabalhos fonográficos com as cantoras:Jeannine Bonne com repertório de músicas francesas:“Une Chanson Douce” e “Chansons Du Bonheur”, MizueEgami, com “Singela” e “De Mãos Dadas”. 

Atualmente preparo mais novo CD – “Parcerias”, a ser lançado em breve.

07) RM : Como você define seu estilo musical?

Hélio Braz : Sou um amante da música de qualidade, sem estilos, sem rótulos, a música genuinamente verdadeira, vinda do coração.

08) RM : Você estudou técnica vocal? 

Hélio Braz : Estudei também com Sonia Campos.

09) RM : Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz? 

Hélio Braz : Toda importância. É necessário conhecer e se autoconhecer para poder tirar maior proveito da sua voz, através de exercícios de escalas, diafragma (respiração) e tonalidades adequadas.

10) RM : Quais as cantoras(es) que você admira?

Hélio Braz : Muitas: Billi Holiday, Maria João, Maria Bethânia, Elis Regina, DitTerzi e Gal Costa.

11) RM : Como é o seu processo de compor?

Hélio Braz : É muito natural, muito espontâneo. Eu só preciso de motivações, tenho muita facilidade de compor.

12) RM : Quais são seus principais parceiros de composição?

Hélio Braz : Jorge Portugal, Dado Pedreira, Simão Augusto. Mas no geral eu componho música e letra.

13) RM : Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Hélio Braz : Os prós é que você tem muita liberdade de experimentar e de fazer o que bem quer. Os contras são as dificuldades de veicular o produto para uma grande massa. E a falta de grana para pagar o jabá na mídia, pra fazer um show em um belo teatro, enfim uma grande produção, patrocínio e fomentos. Aliás, os artistas a maioria sofrem com esse descaso dos meios de comunicação, essa falta de incentivos.

14) RM : Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Hélio Braz : Somos acima de tudo autogestão um mix de faz tudo e temos que gerir tudo antes, durante e depois.

15) RM : Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Hélio Braz : Claro que todos nós temos amigos, admiradores que acabam se envolvendo e partilhando do compromisso de veicular e ajudarmo-nos na propagação e divulgação da nossa arte.

16) RM : O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Hélio Braz : Ajuda a tornamo-nos mais conhecidos e prejudica no sentido que acomoda as pessoas em suas casas limitando-se a só dar um clique e não consumir o produto, sair de casa ir assistir aos shows, comprar os CDs, DVDs, enfim.

17) RM : Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia de gravação (home estúdio)? 

Hélio Braz : Isso foi uma coisa maravilhosa, uma revolução, uma libertação. Pois não dependemos mais da ditadura das gravadoras para gravar nossos trabalhos.

18) RM : No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Hélio Braz : Isso ainda é o grande obstáculo, pois os espaços se fecharam cada vez mais, as turmas, as panelas, os grupos, os guetos e muitas vezes você acaba ficando fora dos eventos por não pertencer a nenhuma turma.

19) RM : Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Hélio Braz –Acho que os grandes se acomodaram e perderam viés da criação, da onda, do movimento como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Milton Nascimento, Djavan. E a outra leva, como Chico César, Lenine, Baleiro, Marisa Monte, Carlinhos Brow, Vanessa da Mata que também se consagraram, entraram também nessa zona de conforto e de acomodação e perderam também o viés da efervescência da criação no seu tempo presente. Acho que se destacam agora, o Marcelo Janeci, Marcelo Camelo e o pessoal do Circo Mágico.

20) RM : Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Hélio Braz : Gosto muito do Carlinhos Brown, da Maria Bethânia pelo profissionalismo e o compromisso com o acabamento, o respeito e todo o cuidado dedicado ao produto final.

21) RM : Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Hélio Braz : Já cantei em vários lugares inusitados, muitas vezes sem saber algumas indicações de amigos e de repente iriamos parar em casa de massagem, festas pornôs, saunas gay, enfim várias situações bizarras, mas bem divertidas.

22) RM : O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Hélio Braz : Feliz é poder fazer o que realmente sei fazer de verdade que é cantar, compor, tocar, entreter. Triste é ver os jovens e a mídia desfigurar, difundir e impor uma degradação cultural sem tamanho, um desnível, uma falta de educação. Agente ver na televisão jovens tão bonitas naquele reality show(Silvio Santos)tocarem uma música do Gonzaguinha e ela achar que é o Fabio Junior ou mesmo aquela música “Sina” e elas não sabem que é do Djavan. É muito triste.

23) RM : Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Hélio Braz : Eu moro em Sampa (São Paulo) e Sampa ainda agrega, ainda abraça várias tendências e há público para todos.

24) RM : Quais os músicos, bandas da cidade que você mora  você indica como uma boa opção? 

Hélio Braz – Gosto de ouvir Torquato Mariano, Marcelo Janeci, Ciro Pinheiro e DitTerzi.

25) RM : Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Hélio Braz : Não acredito, componho já há muito tempo e esse sempre foi um dos maiores entraves para os emergentes que não tem grana.

26) RM : O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Hélio Braz : Vai fundo, faz cada vez melhor a sua parte e não cria nenhuma expectativa.  Ter a Música como aliada nessa trajetória da Vida já é um grande legado.
27) RM : Como você analisa a relação da mídia com o músico?

Hélio Braz : O músico emergente que prima pela qualidade, há muito que estão comendo “o pão que o diabo amassou”, pois não há uma fiscalização, não tem órgãos que preservem e lutem pelos seus patrimônios. Não tem uma politica que obriguem as Rádios, a TV a difundirem a boa música e preservarem o que temos de melhor que é a Bossa Nova, a MPB, o Samba raiz genuíno e o Forró e outros gêneros.

28) RM : Quais os prós e contras de fazer show na Europa? Quais os países e quais os anos que você se apresentou na Europa?

Hélio Braz : Em 2001, viajei para a Europa onde excursionei por três meses, apresentando-me em vários espaços em Paris – França, entre eles o “Blue Note”, em que dividi o palco com o percussionista Zé Luiz, em temporada de 03/07 a 04/08/2001 e no Bataclan(sala de espetáculos localizada no 11.º arrondissement de Paris) e tocava todos os dias nas ruas e feiras Bio de Paris. Apresentei-me também no bar Corcovado, na cidade de Turim, Itália e no Milano Latin Festival – Assago – Milan.Realmente uma experiência fantástica. Foram três meses que valeram por uns dez anos no Brasil. 

29) RM : Qual a importância de ter participado do “Movimento Independente do Lira Paulistana”? Apresente-nos o movimento e seus principais líderes?  

Hélio Braz : Eu posso dizer que fui um coadjuvante, estava ali naquele caldeirão, fiz vários shows no Lira Paulistana, mas só flertei com os protagonistas que foram Arrigo Barnabé e Itamar Assunção.

30) RM : Quais os seus projetos futuros?

Hélio Braz : Estou finalizando meu sexto disco “Parcerias”, em que homenageio meus ilustres parceiros como Jorge Portugal, Dado Pedreira, Wanda Moreira, Daniela Delias, Luiz Sergio e outros.

31) RM : Quais seus contatos para show e para os fãs?

Hélio Braz : (11) 9.82393959 (TIM e WhatsApp) | [email protected]

LinksnoYoutube:“Maneramô” (Hélio Braz)-Hélio Braz  & Banda No FNAC-SP

https://www.youtube.com/watch?v=97zu_uioltI

Hélio Braz – “Poèmeà Lou”- Part.Esp.Anselmo Lima: https://www.youtube.com/watch?v=grdLO1dKn9M

“Pindoráfrica” (Hélio Braz /Jorge Portugal) Hélio Braz & Banda –Sarau da Maria- Vila Maria – SP:

https://www.youtube.com/watch?v=6Jv3y81Cw4Y

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.