Haroldo Oliveira

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O cantor, compositor, instrumentista paulistano Haroldo Oliveira, iniciou suas atividades artísticas compondo e musicando peças no GRUTEMON Amadores Teatrais aos 14 anos de idade na periferia da zona sul de São Paulo.

Participa da cena musical em diversas frentes e eventos ligados à Música Popular Brasileira. Compositor ímpar em talento e sensibilidade nos moldes da MPB. Ele elabora seu trabalho em diversos ritmos construindo a sua identidade musical autoral. E com muita originalidade, mesclando ritmos, pesquisas, tessituras musicais e letras de bom gosto, a melodias simples e cativantes. Participa ativamente da cena musical paulistana, e internacional, fazendo apresentações solo, ou com a “A BANDA DO CAIXOTE EM PÉ”, em casas noturnas e espaços culturais, tais como: PROJETO URUCUM, HOLE CLUB, SATT NIGHT, CAFÉ PAON, Clube Caiubi de Compositores, Gerson Conrad(ex Secos e Molhados). As suas composições estão gravadas das cantoras e compositoras, como Juliana Amaral (Bolero das Estrelas), Ana Luiza (São Luis e Cajaíba), produzidas e arranjos de LUIS FELIPE GAMA. Lançou dois discos: “SÃOPUNKPOROPAQUEINDUSTRIAL”, pela gravadora RGE, um projeto de Reggae. O DVD – “Haroldo Oliveira 3X4”, e o CD – “FRUTO”, gravado em Liss, na Suíça, e atualmente distribuído pelo Itunes, e em fase de lançamento pelo Selo Cooperativa de Música.

Trabalha no ZOG – Estúdio Criação e Produção Musical como compositor, multi-instrumentista, produtor musical, coordena e participa de diversos projetos, como produção de CDs, trilhas, campanhas, jingles publicitários, filmes, dentre os quais: “Carandirú”, “A Taça do mundo é nossa”Casseta e Planeta, e “Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios”, fazendo captação, tratamento e edição de áudio para o filma de Beto Brant, e protagonizado pela atriz Camila Pitanga. Em incursão aos EUA em finais de 2012, início de 2013, teve atuação em diversos shows, passando pelas cidades de Atlanta, pela WCLK 91.9 FM, RÁDIO Show com Jazz Tones, com o produtor Jay Edwards; WKCR – 89.9 FM – New York, com Jasvan de Lima, estando seus trabalhos participando de programações e outras rádios de música brasileira destas duas importantes emissoras americanas. Ele se apresentou em Atlanta, New Orleans, Washington, e New York.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Haroldo Oliveira para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01.08.2015:

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Haroldo Oliveira: Nasci em São Paulo no dia 09 de Abril o ano brinco que é 1910, pois sou um moço velho.

02) RM: Fale como foi o seu primeiro contato com a música.

Haroldo Oliveira:
O meu primeiro contato com a música foi aos nove anos de idade, por conta de um Violão que sobrou em casa, resultando de uma desavença entre meus irmãos mais velhos. Meu irmão mais velho, o Dan era músico, percussionista de uma banda chamada Alpha Centaury, juntamente com meu cunhado Edú Rocha, que praticamente introduziu a música em nossas vidas. Porém, e sem saber ela já fazia parte da minha vida, pois meu avô materno, Celino de Paula, era músico na Casa Verde de tempos áureos, tocava violão, cavaquinho e bandolim, e inclusive foi diretor de uma gafieira chamada Estrela Cadente na Rua Saguairú, na Casa Verde – SP. Mas isto só veio a meu conhecimento depois, pois vivi separado desta parte da família, por ter sido criado pelo meu pai, que fazia questão de muita festa em casa, muitos músicos, mas era Oficial de Justiça no João Mendes Junior.  

03) RM: Qual a sua formação musical e acadêmica fora música?

Haroldo Oliveira: Estudei um pouco em cada canto, desde os primeiros passos com a Édna da Aclimação, conservatório Heitor Villa Lobos, Escola Municipal de Música, e Switzerland Jazz School, em Berna – Suíça. Mas não posso dizer que tenha tido uma formação musical acadêmica, pois fiquei muito pouco tempo em cada uma delas, mas leio e escrevo partituras, e conheço um pouco também da notação musical. Fora da música entrei em Filosofia na USP, graças a uma bolsa de estudos que ganhei do COLÉGIO EQUIPE, fui contemporâneo dos “Camarões”, banda do Nando Reis, e que depois originou os “Titãs do iê, iê, iê”, depois “Titãs”. Não me matriculei, e nem fui cursar Filosofia, pois tinha prestado para História, e Filosofia tinha sido minha terceira opção. E na época não vi chances para um filosofo preto e pobre, que é o que eu seria. Então a música acabou falando mais alto, pois ela já me acompanhava de tempos. 

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Haroldo Oliveira: No passado era muito influenciado pelos grandes da M.P.B, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Chico Buarque e Gilberto Gil, pois fui adolescente dentro da ditadura. E eles eram as vozes dissonantes daquele momento trágico, porém com muita qualidade para as artes em geral. Nenhum deles deixou de ter influência em meu trabalho, mas fui buscando um estilo próprio, pesquisando ritmos e bastante do folclore brasileiro, e as coisas foram mudando um pouco. Gosto muito do Rock Clássico dos anos 50, 60 e 70, com toda a turma da Black music originária nos EUA. Costumo dizer que sou um musico de mãos cheias, pois adoro tocar e ouvir todo tipo de musica, desde que seja música de qualidade, indo do Jazz ao Sertanejo, sem restrições, basta ter qualidade.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Haroldo Oliveira: Quando garoto eu participava de um programa na TV Cultura chamado “Gente Jovem”, era apresentado pelo Fausto Canova, e produzido pelo Eduardo Moreira, junto com Marcos Aranega. Este programa se destinava a apresentar crianças que faziam música. E eu às vezes ia lá com meu Violão tocar algumas das minhas composições. E era legal, pois tínhamos estimulo para compor e mostrar coisas novas nas gravações dos programas. Foi muito bom, eu conheci pessoas interessantes. Participava de um grupo de teatro, o GRUTEMON, em que musicava peças, skats do grupo, criações coletivas, e onde conheci o trabalho de Ariano Suassuna, dentre outros autores, tendo inclusive, musicado uma montagem do grupo de “Morte e Vida Severina”. Fizemos a criação coletiva “A Rua do Mundo” bastante elogiada por grandes artistas da época, como Beatriz Segal, Carlos Alberto Richelli, e outros. Sempre gostei muito do Teatro, depois entrei no Grupo LWALABA, primeiro grupo de música afro-brasileiro que conheci, e que era dirigido pelo Maestro Estevão Maia-Maia. 

06) RM: Quantos discos lançados e quais os anos de lançamento(quais os músicos que participaram das gravações)? Qual o perfil musical de cada álbum? E quais as músicas que você acha que caíram no gosto do seu público?

Haroldo Oliveira: Um disco lançado pelo selo RGE – Som Livre, o “SÃOPUNKPIRIPAQUEINDUSTRIAL”, que é um disco de reggae, ritmo que gosto bastante, e incorporei ao meu trabalho, este disco é de 1997. Participaram do CD: Vanessa da Mata – backing vocal, Bocato – trombone, James Muller – percussão, o KLJRacionais MCs, Ubaldo Versolatto – Sax Barítono, Farias – trompete, e muita gente boa.  Gosto muito deste trabalho, embora ele não tenha tido um lançamento à altura, figura entre os grandes discos de reggae brasileiro. O que me orgulha muito, a banda era a banda KALIMAN, formada por mim, guitarra e vocal, Paulinho Sorriso – bateria, Eugênio Jiron – baixo e Alexandre Blackmore – guitarra solo, tendo por vezes nos backing vocals, Estela Gullo e Vanessa da Mata. Neste disco rearranjei “Refavela”, do Gilberto Gil para reggae roots. Gravei “Samarina”, de Edson Gomes, tenho parceria com Paulo Da Gama – ex guitarrista do Cidade Negra, em “Idioma”, mas a composição que mais se acentuou e revelou a verve poética do meu trabalho foi “Guerra Santa”, na qual falo da luta diária que o individuo tem que travar no seu quotidiano, trazendo como santa a vida, e não a religiosidade que carrega o tema. Antes deste trabalho gravei o CD – “Fruto” – na Suíça, quando passei um a temporada por lá, este trabalho, embora tenha chamado à atenção para que eu pudesse gravar o disco na RGE – Som Livre, ainda é inédito. Gravei com músicos europeus em 1991, e um grande tecladista Ucraniano, o Mikail Paklin. Depois gravei um DVD solo o “Haroldo Oliveira – 3X4”, realizado pela DGT Filmes.  

07) RM: Como você define o seu estilo musical?

Haroldo Oliveira – Como coloquei acima, me defino como um músico de mão cheia, pois gosto tanto de ouvir, quanto tocar música de qualidade, sem separações entre elas, pois cresci ouvindo muita coisa boa, como o “Fino da Bossa”, “Show do dia 7”, “Roquete Pinto”. E coisas que foram de muito alto nível na Música Popular Brasileira, passando pelos “Mineiros” e internacionais.

08) RM: Como você se define como cantor/intérprete? 

Haroldo Oliveira: Procuro desenvolver um trabalho próprio. E que vai ecleticamente da boa MPB, que fui criado, às influências culturais do folclore brasileiro, onde fui buscar, e a da boa música internacional, e seus movimentos, Hippie, Jazz, Funk, Salsa. Por exemplo, compus um bolero, “Bolero das Estrelas” gravado pela Juliana Amaral em seu disco de estreia que por vezes é dito na imprensa internacional que se trata de uma reedição para uma música Haroldo Oliveira, eu rio, e fico lisonjeado, pois isso retrata o quanto tenho para com as coisas que busco fazer.

09) RM: Quais os cantores e cantoras que você admira?

Haroldo Oliveira: Cauby Peixoto me fascina, Leny Andrade, Milton Nascimento, Djavan, Chico Buarque, Joyce, tem muita gente, a Ana Luiza minha amiga e intérprete, amo demais, a Juliana Amaral, então, enfim posso ser injusto com alguém, é bom parar porque não falta qualidade.

10) RM: Quem são seus parceiros musicais?

Haroldo Oliveira: Sempre tenho algumas ideias, umas viram música, outras não, mas adoro compor. Tenho parcerias com Paulo Da Gama – ex guitarrista do Cidade Negra, Lucia Santos, poetisa do Maranhão, irmã de Zeca Baleiro, Gerson Conrad, ex “Sêcos e Molhados”. E acabei de musicar um poema que me foi apresentado por um diretor de teatro, saudoso Lino Rojas, “És La Manãna” de Pablo Neruda. Gosto de ficar garimpando dentre poemas, quero ter mais tempo para isso. Vou fazer uma viajem, e pretendo levar alguns livros na mala.

11) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Haroldo Oliveira: Quando gravei na RGE foi muito interessante, pois me foi dada toda a infraestrutura. E isto é muito bom para se trabalhar, o resultado aparece no produto final, que é o disco, mas você fica atrelado a uma estrutura que impõe determinada dependência, indo da distribuição, ao investimento para realização do trabalho. Ser independente não traz amarras, mas estreita possibilidade. Cada momento do meu trabalho, eu analiso, se é algo que necessita de uma estrutura maior, ou não. É óbvio que quero o máximo de exposição e divulgação do trabalho, mas isto requer custos operacionais, que devem ser levados em conta. Hoje por exemplo penso em fazer, dentre outros projetos, um DVD de voz e violão, é um custo bem menos que ter que produzir para uma banda. Então você tem que ver o que vale a pena para não inviabilizar o trabalho, mas a coisa está bastante difícil na nossa área.  

12) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Haroldo Oliveira: O cenário musical brasileiro, infelizmente está muito pobre, banalizado por interesses que não são com a música, e sim com consumo e padrões de comportamento. Vejo que o resultado da ditadura faz-se aparecer nas novas gerações. Existe grande interesse das pessoas, mas falta boa vontade e informação, sendo que em muitos campos sobram manipulações. A juventude não tem culpa do que lhes é oferecido. E vejo muita gente correndo atrás, tentando coisas novas. Mas o que recebe investimento maciço é realmente de muito pouca qualidade, que aliada à baixa escolaridade, torna a atualidade uma catástrofe. Creio que dentre as coisas eu coloquei anteriormente dá para ver que pessoas e artistas seguiram, e para que lado, pelo que tem como reflexo hoje. Sem dúvida o RAP Nacional cresceu muito, os Racionais MC’s, RZO, Sabotage, e tantos outros. Gosto de um bem louco que é o Nêgo do Borél, a figura. Os amigos sempre, Tadeu Dias, “Golpe de Estado”, Rafa Pio, “Street Guitar”, Vini Chagas – sax, Bocato – trombone, e tantos outros, que não posso ser injusto. Agora na composição, faltou, foram muito fraquinhas, nem quero citar.

13) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Haroldo Oliveira: Temos alguns cuja qualidade é excelente, porém tem que se alinhar a conteúdos tão massificantes, e em inverso temos também qualidades, e não gostaria de fazer citações para não ser injusto.

14) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Haroldo Oliveira: O meu ambiente musical sempre preservei. O que você vai oferecer tem que ser de alto astral, mesmo porque para realizar um bom trabalho você não pode ter energias que não estejam sintonizadas, é muito importante. Os trabalhos que realizei com as pessoas com quem realizei, sempre fui muito feliz nisso. Poderia elencar algumas situações de não receber o cachê, mas seria deselegante, pois, esqueceria alguns, e isto poderia constituir alguma injustiça (risos).

15) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Haroldo Oliveira: Feliz estar com as pessoas, e a troca de energias, é muito bom. E o chato é a falta de respeito, e que acaba gerando falhas naquilo que poderíamos oferecer de melhor, técnicas, etc. Pois é desta forma que saio de minha casa para me apresentar ao público. Eles têm que ter aquilo que é o melhor que posso oferecer, eles estão nos prestigiando. E não ter condições dignas, frustra um pouco, mas a gente vai levando, pois o público é o mais importante.

16) RM: Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

Haroldo Oliveira: Costumo trabalhar bastante com o estúdio, raramente saio para show, mas vejo que os amigos se apresentando, eles me convidam. Sei que os SESCs tem tido espaço. Assisti ao Hermeto Pascoal lá, foi muito bom. Ele chamou os músicos para o palco e a gente participou de uma fanfarrice com ele. “Os Opalas” do Américo, Karol com K, Racionais MC’s. E o som da rapaziada que gira em torno do URUCUN, muito samba de raiz.

17) RM: Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Haroldo Oliveira: Eu seria injusto com os amigos todos, pois são muito bons, mas um bem legal é o “Aurora Negra” do Salloma Salomão, é bastante interessante. Mas tem muita gente boa, e não quero ser injusto com ninguém.

18) RM: Quais os cantores e cantoras que gravaram as suas canções?

Haroldo Oliveira: A primeira foi a Ana Luiza, que gravou “São Luiz” abrindo seu primeiro disco gravado ao vivo, me sinto muito honrado. E depois a Juliana Amaral gravou o “Bolero das Estrelas”, no seu disco de estreia. E Ana Luiz novamente me surpreendeu com a gravação de “Cajaíba”, em seu disco Linha D’ água. Teve uma cantora, a Thereza Cida, que gravou um Rock and Roll, que nem lembro o nome, mas rolou no Lira Paulistana, e em diversos lugares, até no Japão.   

19) RM: Você inscreve as suas músicas em Festivais?

Haroldo Oliveira: Não participo de Festival de Música, ao menos os tradicionais, com jurados, prêmios e etc. Acho isto um tanto ultrapassado. Creio no formato de apresentações livres, em que cada um possa mostrar o seu trabalho, e o público vai prestigiar aquilo que lhe agrada.   

20) RM: Quais os prós e contras  de Festivais de Música?

Haroldo Oliveira: Já houve o tempo em que muitos dos grandes artistas saiam dos Festivais de Música. Hoje creio que a estrutura tem que ser mudada. E temos outros tipos de mídia, que poderia ser bem usadas, um exemplo disso, e que me surpreendeu foi a forma como o “The Voice Brasil” precisou laurear a Ellen Oléria, pois realmente ela é sem dúvida uma das melhores cantoras e compositoras surgida na atualidade, Ela e Fabiana Cozza, como cantora.    

21) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Haroldo Oliveira: Claro que sim! Quando nos posicionamos em relação à arte não podemos fechar nada, quão mais abrir melhor, pois a arte e o artista sabem o pulo do gato, de fora pra dentro de qualquer sentido, e de qualquer sentimento, então viva a utopia, se é ela o prato do momento, que seja o do dia a dia.   

22) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Haroldo Oliveira: A única coisa que realmente temos e somos, são os nossos sonhos! Não perde o teu! 

23) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Haroldo Oliveira: Tenho divulgado meu trabalho pela internet, pois assim podemos escapar dos veículos tradicionais que são sujeitos aos vícios do mercado. E o mercado é muito cruel com quem não tem um bom trabalho de mídia. O que é bastante complicado, pois tenho que cuidar da parte prática do trabalho, estudar, pesquisar, compor, e isto torna a coisa bastante complicada. E com necessidade de administrar bem o tempo. As estratégias são: fora do palco muito estudo, e busca para apresentar o trabalho, e dentro do palco todo o trabalho de produção que eu necessito. O que por vezes me demanda a ajuda de alguém que possa vender meu trabalho.

24) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Haroldo Oliveira: Visibilizar os momentos, os acontecimentos, e estar linkado às mídias sociais é bastante importante.

25) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Haroldo Oliveira: A internet ajuda bastante, pois tenho feito contatos com pessoas no exterior interessadas no meu trabalho, e isto é muito bom. E nela posso postar vídeos e gravações, o que tem facilitado bastante o trabalho.

26) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Haroldo Oliveira: Trabalho em um estúdio o ZOG Studio, e recebo apoio importante para realizar meu trabalho. Creio que o home estúdio é muito bem vindo. Mas, se você precisa de um trabalho profissional, terá que procurar um estúdio para isto, pois a qualidade é importante, e difícil de conseguir sem equipamentos adequados.

27) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente uma carreira musical. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo, mas, a concorrência se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Haroldo Oliveira: Creio que hoje o grande adversário para se realizar um bom trabalho é a baixa qualidade educacional, o que leva a pasteurização do mercado. Então o grande desafio é ser acessível, sem vulgarizar o trabalho, neste sentido sinto a cultura popular como um grande aliado e ancoradouro, pois a nossa é muito rica. E está aí sempre acessível para quem tem olhos e coração atentos, sem preconceitos, mas buscando a profundidade e o conhecimento daquilo que se pratica. Boi, Samba de Criola, Samba de Roda, Catira, e tantos ritmos que temos no Brasil, que aliados às novas tecnologias, tem encantado o mundo.

 28) RM: Quais os seus projetos futuros?

Haroldo Oliveira: Projeto de Intercâmbio Cultural entre o Brasil e os EUA. SÃO PAULO CHICAGO BRIGHT SOUNDS e HAROLDO OLIVEIRA & URUCUM BAND. Depois de ter passado seis meses, de 08/07/2014 a 08/03/2015 nos Estados Unidos, dois quais foram quatro meses em Chicago, retornei a São Paulo com um excelente back ground, e experiência dos trabalhos que realizou junto a músicos americanos, tanto de Chicago, quanto de Nova York, onde passou os dois últimos meses de sua temporada de seis meses. Em Chicago fiz várias apresentações que resultaram numa troca bastante intensa, visto que o meu trabalho está calcado nos moldes de música popular brasileira, indo do Samba, ao Igêjá, passando por Bois, Maracatus, Xotes, Carimbos, mesclados a ritmos contemporâneos, que embora ainda desconhecidos internacionalmente, são extremamente cativantes, quando elaborados em rítmica brasileira e elaboração de arranjos acrescidos das timbragens, instrumentos, e principalmente a experiência que os músicos imprimem ao resultado final do trabalho. Este é o verdadeiro sentido que podemos obter como resultado de intercâmbio cultural! Onde a integração se faça de forma fluente, e cada um possa contribuir com o que de mais afinado a si, ao seu lugar, e suas origens possa constituir o projeto. O resultado de toda esta convivência, da necessidade de elaborar uma ponte de trabalho, conhecimentos, e troca de experiências resultou no que denominamos SÃO PAULO CHICAGO BRIGHT SOUNDS, ou seja, as pontes sonoras entre São Paulo e Chicago, referenciando-a as suas pontes. Do meu convívio, através do Violão e Voz com Heitor Garcia – bateria; Rick Gehrenbeck – teclados; Jack Zara – contrabaixo; Maurice Aloysius – trombone e Ozzy – trompete, aos domingos no Subterranean Bar, resultaram além da sonoridade, uma imensa vontade de perpetuar, e estender o trabalho para outros lugares, tanto dos EUA, quanto Brasil, e outros! A identificação e o encantamento foram grandes, e de ambas as parte, pois os músicos brasileiros radicados em Chicago, como Heitor Garcia, e outros que, mesmo não estando no projeto, como Luiz Ewerlyn, também baterista, participaram ativamente do seu processo embrionário. O convite para a realização de um CD, reunindo minhas composições, e o resultado desta troca de experiências partiu do tecladista Rick Gehrenbeck, que possui um estúdio em Chicago, e juntamente comigo estamos desenvolvendo as bases, via web studio entre Chicago e São Paulo, para em 12 meses eu ter um CD pronto para eu voltar à Chicago e passar seis meses trabalhando os shows de lançamento e a agenda que for gerada para este período de tempo, sendo que em tempo paralelo, está sendo agendado aqui no Brasil, no SESCs, CEUs, e outros espaços culturais e bares, para o lançamento e apresentação do trabalho no Brasil.

Nesta ponte que tenho extendido durante alguns anos, e indas e vindas, agora no Brasil estou em atuação junto ao PORTAL AFROBRASIL para a realização, tanto de meus projetos pessoas, quanto projetos coletivos que estão nascendo ao redor do portal, tais como Mostras, Show, Produções, Produções de Vídeo Clips, Work Shops, e outras atividades, o que está sendo também bastante enriquecedor, e com as quais também pretendemos buscar os mesmos espaços. Outro projeto bastante enriquecedor está sendo o empenho na produção do primeiro disco de DON PANDEIRO, grande compositor remanescente da gloriosa turma do samba de São Paulo. Ele é uma sumidade, pessoa de riqueza ímpar na cultura do samba, e suas composições, que embora tenham todo o formato dos sambas tradicionais, carregam numa modernidade jovialmente dinâmica, um arcabouço de tradição, que resiste ao tempo em forma, porém em conteúdo traduzido aos tempos atuais, e de forma vividamente filosófica. Ele é contemporâneo de Germano Mathias, da Velha Guarda do Vai Vai, e tantos outros pertencentes ao berço de cultura popular paulistana, com seus sambas, catiras, sátiras, e crônicas popularmente conhecidas e cantadas.

E Assim vamos trabalhando e ampliando o leque de possibilidades, para que a nossa música sempre esteja em evidência, e ocupando o patamar que lhe cabe por excelência.

29) RM: Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Haroldo Oliveira: [email protected] | [email protected] | (11) 9.7561 – 5553 | (11) 3865 – 9662 | Skype – holliveira.

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.