Guga Borba

Guga Borba 1 Entrevista - Música - Revista Ritmo Melodia
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Tempo de Leitura: 16 minutos

Guga Borba começou a carreira musical aos 15 anos de idade, em Campo Grande, como vocalista da banda Inverno Russo, e que integrou a coletânea Mato Grosso do Som.

Em 1995, Guga mudou-se para São Paulo para montar a banda Belladona, com a qual gravou um CD pela gravadora multinacional Warner Music em 1997. De volta a Mato Grosso do Sul, Guga formou a banda Naip no começo de 2000, dividindo palcos com Jota Quest, Capital Inicial, Ira!, Barão Vermelho, Nando Reis, Raimundos, Peter Fonda e Brascombe Richmond, lançou um EP com cinco músicas inéditas da banda. A apresentação de despedida foi no “Show da Virada” – projeto realizado pela TV Morena, afiliada da TV Globo em Mato Grosso do Sul.

Guga compõe suas próprias canções a apresenta diversas releituras, sendo que algumas delas foram gravadas nos discos das bandas Belladona e Naip, mas foi com trabalho do duo Filho dos Livres que elas tiveram reconhecimento e aprovação popular. Ao lado do parceiro Guilherme Cruz, o Filho dos Livres já gravou dois discos autorais e diversas coletâneas, lançou três vídeos clipes, e outro promocional para TV Morena, compôs ao lado de Guilherme a trilha sonora do documentário Sasha SiemelO caçador de Onças, no cinema, a música “Cantador”, que remete a vida do cantador pantaneiro, faz parte da trilha sonora do filme Cabeça a Premio de Marco Rica, tendo o Filho dos Livres participado de grandes Festivais musicais em Mato Grosso do Sul e realizando shows nas principais capitais brasileiras.

A música “Meu Carnaval” é muito executada em diversas rádios de todo Brasil, e gravada por Alex e Yvan, Duo Cancionãncias, e Aurélio Miranda. Guga Borba também é membro do Trypé, ao lado de Guilherme Cruz, Jerry Espíndola e Paulo Simões, e do Ladáia, ao lado de Alex Cavalheri e Leandro Perez, que juntos exploram as diferentes sonoridades e ritmos da música pantaneira contemporânea, já dividiu o palco com grandes artistas do MS como Carlos Colman, Almir, Rodrigo e Gabriel Sater, Família Espíndola, Guilherme Rondon, Sandro Moreno, Geraldo Roca, Orlando Brito, O bando do Velho Jack, Projeto Gerações, Brasil canta MS, entre outros.

Em 2011 Guga lança seu primeiro disco solo intitulado Apneia, com 10 composições inéditas de sua autoria, e uma releitura da canção “É Necessário” de Geraldo Espíndola, e varias referências nas melodias e poesias românticas do cotidiano, com uma sonoridade contemporânea e permeada de elementos eletrônicos, que agradou diversos Djs dos pub’s europeus, o show de lançamento aconteceu em Campo Grande – MS, junto a comemoração dos 15 anos do Jota Quest no Parque das Nações indígenas para um público de 90 mil pessoas.

Participou da tour Brasil Canta MS, que levou a música do Mato Grosso do Sul para Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, São Paulo e Rio de Janeiro, encerrando em Campo Grande na Concha Acústica Helena Meireles, com casa lotada, participou de três edições consecutivas do Kit de Difusão Cultural produzido pela Fundação de Cultura do Mato Grosso do Sul e estendendo suas composições a todos os estados brasileiros. Foi o orador representante dos artistas no lançamento da 3° edição.

No final de 2012, Guga retorna aos palcos com a banda Naip, trazendo releituras e novas composições, com diversos shows na capital e no interior com as bandas O Rappa, Nando Reis, Scalene, Far From Alaska, Tihuana, Maskavo, Armandinho e Tico Santa Cruz, como também em eventos dedicados ao rock, como Luau Harley Davidson, Pantanal Extremo, Arena da Copa, Som da Concha, Festival de Inverno de Bonito, Recepção dos Calouros da UFGD, Temporada Move On The Rocks, Naip e o Bando do Velho Jack.

Em 2014 a Naip gravou seu novo álbum intitulado “O Disco”, com 12 composições inéditas, com uma sonoridade voltada ao rock e ao grunge, onde os poemas e letras referem à vida noturna e as aventuras amorosas da juventude, levando a banda a diversas rádios e sites especializados, ficando entre os 50 colocados para se apresentar ao vivo no festival LollaPalooza.

Guga Borba foi palestrante e músico do projeto “Identidade Musical” ao lado de Jerry Espíndola, e “Cantos e Contos da Nossa Terra”, ao lado de Jorge de Barros, percorrendo dezenas de escolas municipais da capital e do interior do Matogrosso do Sul, criou e produziu os eventos Agasalhosom e Natal Total 2010, 2012, 2013 e 2014, com finalidades filantrópicas, onde se apresentou ao lado do cantor e compositor norte-americano Alex Ruiz (The Night Mothers – Texas – USA), recebeu duas homenagens da Câmara Municipal de Campo Grande pelo “Dia do Artista Regional” com o duo Filho dos Livres, e posteriormente com o Naip, recebeu o premio de “Melhor Vocalista do Ano” do Rock do Mato, que abrange todo o Centro-Oeste do país, por meio do voto popular pela internet, participou também como produtor e musico na turnê do lançamento do CD “Canções Simplesmente Canções”, de Paulo Simões, em 2013 e 2014, foi um dos artistas convidados pelo trio Hermanos Irmãos composto por Rodrigo Teixeira, Marcio De Camillo e Jerry Espíndola, para o Circuito Universitário e foi contemplado pelo FEMUCIC, na cidade de Maringá (PR) com a interpretação da música “Quintal”, fez parte da banda formada para a abertura do show de Andy Summers (The Police) e Rodrigo Santos em sua ultima tour pelo Brasil, que passou por Campo Grande.

Em 2015 Guga Borba gravou seu segundo álbum solo, o 7º Satélite, ao lado do produtor e multi-instrumentista Antonio Porto, álbum que tem como concepção a música folk e timbragens diferenciadas em uma linha minimalista, os ritmos variam do ternário para o quaternário sem compromisso, mas sem negar a influência fronteiriça em algumas canções, a assinatura da música brasileira se mostra presente em vozes e percussões, com as participações de Antonio Porto, Alex Cavalheri, Sandro Moreno, Marcelo Cello, Guilherme Cruz e Adair Torres, um dos maiores ícones do Pedal Steel no Brasil. Com o lançamento do álbum previsto para 2016, Guga iniciou a divulgação de seu novo trabalho, por meio da mídia espontânea e das redes social, bem aceito pelo público e pela crítica especializada, o álbum foi disponibilizado para download no site Palco MP3, o maior portal da música independente do Brasil, o que levou o artista ao destaque em duas ocasiões em menos de três meses e a marca de 60.000 acessos. Em dezembro foi contemplado com o Prêmio Palco MP3 – Mais acessado Folk – atingindo hoje a marca de 240.000 acessos, com 92 músicas disponíveis para download gratuito, gravadas ao longo de 25 anos de carreira, deste inquieto artista e compositor brasileiro.

Em 2016 Guga iniciou o trabalho de divulgação de seu novo álbum, com shows e entrevistas para rádios, TV’s e sites especializados, entre os diversos shows estão: Tuia e Guga Borba – Ao Vivo (São Paulo – SP), Som da Concha (Campo Grande – MS), Sunday Folk (São Paulo – SP), Francis Rosa e Guga Borba (Joanópolis – SP), FESTACE (Dourados – MS), Temporada Folk no Jack “Guga Borba e Convidados” (Campo Grande – MS).

Em Julho, participou da abertura do 17º Festival de Inverno de Bonito, no Tributo a Geraldo Roca, ao lado de Paulo Simões ao Geraldo Espíndola. Guga é fundador do coletivo Clube do Litoral Central, junto com Jerry Espíndola, Rodrigo Teixeira, Ju Souc e Leandro Perez, com temporada no Jack Music Pub, que abrange as influências da musicalidade regional contemporânea do MS.

Lançou o vídeo clipe oficial da canção “Cigana”, com as participações de diversos artistas emblemáticos de Campo Grande, usufruindo das paisagens do campo e da cidade. Recebeu o convite para a gravação do projeto Grupo ACABA 50 anos, gravando um dos grandes clássicos dos “Canta-dores do Pantal”, a canção “Boi de Carro”, seguindo para a gravação do DVD ao Vivo e posteriormente a Comemoração do Aniversário do Estado do MS, onde também se apresentou no Tributo a Geraldo Roca, interpretando “Mochileira” e “Mais Loucos Do Que a Média”, neste tempo gravou ao lado de Guilherme Cruz sua participação no novo álbum de Francis Rosa, como Filho dos Livres gravou a canção “O Violeiro e a Viola”, com lançamento previsto para 2017.

Ainda no trabalho de divulgação do novo álbum participou do projeto Quarta Folk, em Bragança Paulista – SP, ao lado dos entusiastas da banda Folk Como Ocê Gosta, produzido por Paulo Garcia, representando o Na Casa estúdio e produtora, onde transitam diversos artistas desta modalidade musical, durante este período fez quatro shows ao lado da banda A trAma em Monte Verde – MG, levando seu trabalho autoral aliado as grandes vertentes do Rock, voltando a Campo Grande se apresentou no SESC Morada dos Baís em Campo Grande – MS, como casa lotada e reconhecimento nas mídias especializadas.

Guga Borba participou do Circuito Universitário UFMS 2016, nas cidades de Pota Porã, Naviraí e Nova Andradina, de volta a Campo Grande, ele recebe o cantor e compositor Landau (MG) que traz a forte influência do Rock Rural mineiro, na última edição anual do Clube do Litoral Central.

Em 2017 e 2018 Guga Borba segue na divulgação e circulação do álbum 7º Satélite, com shows pelas cidades: São Paulo, Bragança Paulista, Joanópolis, Monte Verde, Campo Grande, Dourados, Naviraí, Ponta Porã, Jardim, Bonito, Corumbá e outras demais cidades do Mato Grosso do Sul.

Participou com a música de sua autoria “Violeira” do documentário Hellena Meireles, participou do show Gabriel Sater, no Festival de Inverno de Bonito 2017, Recital de Encerramento Muzicalizando, Alumiares com Maringá Borgert, Léo Verão + Borba & Perez, Festival Boca de Cena 2018, Sarau Sectur – Expogrande 2018 e Som da Concha 2018, Cidade do Natal em Campo Grande.

Seu mais recente trabalho é o single “Eu deixo”, gravado em Campo Grande com a participação especial do cantor e compositor norte-americano Alex Ruiz (Chingon/The Night Mothers).

Segue abaixo entrevista exclusiva com Guga Borba para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 27.09.2019:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Guga Borba: Nasci no dia 06/06/1975 em Curitiba – PR. Registrado como Gustavo Rocha Borba.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Guga Borba: Meu primeiro contato foi através dos meus irmãos Guilherme e Simone Borba, que ouviam bandas como Pink Floyd, Queen, Yes, Duran Duran, David Bowie entre outros, mais tarde o meu ex cunhado nos apresentou artistas brasileiros como Zé Ramalho, Alceu Valença e Raul Seixas, como também alguns artistas do Mato Grosso do Sul como: Grupo ACABA.

03) RM: Qual a sua formação musical?

Guga Borba: Sou autodidata, tentei o curso de violão ainda jovem, mas não deu certo, aprendi algumas notas com meu irmão que era tecladista de uma banda chamada “Minhoka na Cabeça”, aulas de canto eu nunca fiz, me arrisquei nos Bares da vida ao lado dos jovens amigos aprendizes.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Guga Borba: Quando jovem ouvia muito os artistas preferidos dos meus irmãos, mais tarde comecei a me envolver com a música regional do Mato Grosso do Sul, então tive contato com a musicalidade particular dos amigos Almir Sater, Geraldo Espíndola, Paulo Simões, Carlos Colman, Grupo ACABA entre outros, em minha adolescência tive a forte influência do rock e do grunge, através de bandas como Pearl Jam, Alice In Chains, Red Hot Chilli Peppers, Jane’s Addiction e Kiss. Ainda neste tempo comecei a escrever minhas próprias canções, todas as influências ainda são bem-vindas em meu trabalho.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Guga Borba: Minha primeira banda nasceu em Campo Grande – MS e se chamava Inverno Russo, comecei a tocar com aproximadamente 13 anos de idade, aos 15 anos já recebi o meu primeiro cachê, logo já estávamos viajando para tocar em cidades do interior do Mato Grosso do Sul, éramos todos jovens aprendizes.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Guga Borba: Ao todo foram oito álbuns e diversas participações em coletâneas e álbuns de outros artistas. Em 1997 o CD – Belladona (Warner/Chappel) com a banda Belladona que foi criada em São Paulo, e possui uma sonoridade ligada ao Country Rock com uma pitada de música regional do Mato Grosso do Sul, entre as faixas mais conhecidas estão às releituras de: “Senhorita” (Zé Geraldo) e “Uma Pra Estrada” (Geraldo Roca). Em 2003 o CD – Naip (Independente) com fortes influências do grunge, a banda Naip gravou seu primeiro álbum com músicas autorais, com destaque para “Vem Me Ver” (Guga Borba e Guilherme Cruz). Em

2003 o CD – Tradições DistorcidasFilho dos Livres (Independente). Este foi o primeiro álbum do Duo Filho dos Livres, em que trabalho ao lado do meu parceiro Guilherme Cruz. Estão alguns grandes sucessos como: “Meu Carnaval” (Guga Borba), “Alguém Como Você É” (Guilherme Cruz), “O início do fim” (Guga Borba) e “Sobre nos dois” (Guilherme Cruz). Em 2005 o CD – “Meu carnaval numa outra estação de Natal” – Filho dos Livres (Independente). Criada em homenagem ao amigo Geraldo Roca, a música “Atol” (Guga Borba e Guilherme Cruz) é muito conhecida ao lado da canção “Divina” (Guga Borba). Em 2007 o CD – “República dos Livres Pensamentos” – Filho dos Livres (Independente). São 18 músicas inéditas, este álbum é um dos meus preferidos, com destaque para: “Sol” (Guga Borba e Altair dos Santos), “Monocromo” (Guilherme Cruz), “Quintal” (Guilherme Cruz e Altair dos Santos) e o clássico “Cantador” (Guga Borba). Em 2008 o CD – “Filosofias Variadas no Tempo” – Filho dos Livres (Velas). Esta coletânea lançada pela gravadora Velas, traz as canções mais relevantes do Duo Filho dos Livres. Em 2011 o CD – “Apneia” – Guga Borba (Independente). Este foi o meu primeiro álbum solo, que mistura elementos eletrônicos aos instrumentos orgânicos, com músicas executadas pelas rádios brasileiras e PUB’s europeus, entre elas estão: “O Relógio”, “Mulher muito bela” e “Indireção” (Guga Borba). Em 2015 o CD – “O Disco” – Naip (Independente). Com forte influência do Grunge, do Hard Rock, este álbum foi o último que gravei com a banda Naip, entre as 12 músicas inéditas estão: “Não foi assim” (Guga Borba e Rafael Coelho) e “No ar” (Guga Borba, Altair dos Santos e Hudson Bonfim) que ganhou um vídeo clip em plano contínuo. Em 2015 o CD – “7º Satélite” – Guga Borba (Independente). Meu segundo álbum solo totalmente voltado à musicalidade Folk, com ênfase maior nas músicas: “Perto do rio” (Guga Borba), “Cigana” (Guga Borba e Altair dos Santos) e “Paralelo ao espelho” (Guga Borba). Entre os músicos que participaram das gravações posso citar pelas bandas: da banda Belladona: Guga Borba – Voz, Violão e Viola, Guilherme Cruz – Voz, Violão e Guitarra, Raul Barroso – Baixo, Alexandre Lacorte – Bateria, Adair Torres – Pedal Steel. Na banda Naip: Guga Borba – Voz e Violão, Guilherme Cruz – Violão e Guitarra, Rafael Coelho – Baixo, Alexandre Lacorte – Bateria, André Coelho – Teclado e Sintetizadores, Hudson Bonfim – Violão e Guitarra. Duo Filho dos Livres: Guga Borba – Voz, Violão e Viola, Guilherme Cruz – Voz, Violão, Viola e Guitarra, Alex Mesquita – Baixo, Wlajones Carvalho – Bateria, Sandro Moreno – Percussão, Adair Torres – Pedal Steel. Nos álbuns Guga Borba (Solo): Guga Borba – Voz, Violão, Viola e Slide, Guilherme Cruz – Guitarra, Antônio Porto – Voz, Baixo e Violão, Sandro Moreno – Bateria e Percussão, Adriano Magoo – Teclado e Sintetizadores, Alex Cavalheri – Teclado e Sintetizadores, Adair Torres – Pedal Steel.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Guga Borba: Eu creio que faço uma mistura entre o rock e a música regional do Mato Grosso do Sul, costumo chamar de “MPP” – Música Popular Pantaneira.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Guga Borba: Sou autodidata.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Guga Borba: Como não tive acesso às técnicas vocais, eu desenvolvi o meu próprio canto, gosto de beber algo em shows e em gravações.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Guga Borba: Uma grande lista sem dúvida, mas acredito que as influências das vozes que admiro são sempre bem vindas como: Eddie Vedder, Freddie Mercury, David Guimour e Roger Waters, Lany Stanley e Scott Wailand são bons exemplos para citar aqui.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Guga Borba: Não possuo nenhum processo para compor, costumo deixar as melodias e letras aparecerem, algumas nascem prontas e outras levam mais tempo. Creio na importância do conforto e da mensagem que quero passar, mas sem dúvida é um dos meus momentos preferidos.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Guga Borba: Composição é uma coisa muito séria, e encontrar parceiros é sempre prazeroso. Eu gosto muito da minha parceria com Guilherme Cruz, estamos juntos desde o início de nossas carreiras e atravessamos diversas bandas, como também o nosso trabalho no duo Filho dos Livres, é um compositor fantástico! Gosto também de escrever com o parceiro Altair dos Santos e Rafael Coelho, entre os mais recentes estão Paulo Simões, Francis Rosa e Paulo Garciia.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Guga Borba: A música “Meu carnaval” já foi gravado por Aurélio Miranda e Alex & Yvan.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Guga Borba: Ser um artista independente no Brasil não é uma tarefa das mais simples, é necessário muito empenho e trabalho para produzir e fomentar o trabalho produzido, por outro lado existe a liberdade de se produzir um trabalho com conteúdo, evitando os modismos e tendências do mercado fonográfico e do entretenimento. A meu ver, essa liberdade é de extrema importância para arte.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Guga Borba: Gosto de deixar as coisas fluírem naturalmente, produzimos os nossos álbuns e shows. O que nos traz certo conforto, temos uma pequena, mas competente equipe de produção e podemos nos adequar a diversas situações, desde grandes shows aos pocket’s, sempre buscando manter a qualidade em nossas apresentações.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Guga Borba: Como artista independente na maioria de nosso tempo, nossas ações foram sempre voltadas a produzir material de qualidade e com conteúdo, muitos de nossos álbuns foram produzidos através de leis de incentivo, municipal e estadual, o que nos ajuda a programar e direcionar os recursos que temos para investimentos.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?Guga Borba: Hoje a internet é uma ferramenta indispensável para a divulgação de nossa obra.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Guga Borba: Costumo usar Home Estúdio apenas para a pré-produção de alguma obra, em seguida vamos aos estúdios profissionais para garantir o máximo de qualidade sonora possível. Mas para artistas iniciantes é um bom lugar para se conhecer e estudar sua própria sonoridade.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Guga Borba: Em novos tempos temos outros obstáculos, se observar a fundo, este novo “mercado” está repleto do mesmo, disputando o mesmo espaço, que hoje é relativamente grande. O importante neste momento é produzir algo verdadeiro e integro que te permita colher boas safras. Creio que este seja um diferencial, não estou buscando concorrer por espaço, quero produzir minha arte e assim manter minha humilde assinatura na história da música brasileira.

20) RM: Como você analisa o cenário da música sertaneja raiz. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Guga Borba: Não sou um profundo conhecedor desta modalidade, mas em nossa região temos grandes artistas que usufruíram da raiz de nossa música, como Dino Rocha, Délio e Delinha, Aurélio Miranda, Amabai & Amambaí, Zacarias Mourão, Tostão & Guarani e o contemporâneo Michel Telló, no início de sua carreira (bem menino mesmo), é importante pensar no legado que nos deixaram, e como naqueles tempos conseguiram lançar seus trabalhos em todo o Brasil, fica o exemplo da perseverança e das lindas canções e poesias que marcaram aqueles tempos. Se alguém regrediu, foi o próprio mercado.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Guga Borba: Ney Matogrosso, Almir Sater e Lenine. São três bons exemplos.22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Guga Borba: Situações inusitadas foram muito presentes, precisaria de algumas páginas para tal registro, mas creio que o mais importante é como lidar com as situações, aprender com elas e tirar algo tenha relevância, mas é claro que já ficamos sem receber o cachê após o show!

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Guga Borba: Feliz por produzir arte, em poder tirar do silêncio as músicas que fazem as outras pessoas felizes (ou tristes romanticamente falando). Feliz por ser um instrumento do universo, em ter saúde para fazer o meu humilde trabalho e dar continuidade nos meus sonhos. Triste por assistir uma nação tão rica musicalmente se deixar levar pelo modismo, pela falta do que falar/fazer, pelo momento em que vivemos onde o importante é só o entretenimento, mas acredito que seja um ciclo, e logo os valores podem ter novos parâmetros, e a música brasileira volte a ser “Gigante pela própria natureza”.

24) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Guga Borba: Moro em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, uma cidade extremamente musical, devido a uma grande miscigenação. Aqui podemos encontrar bandas e artistas de diversos estilos musicais, Rock, Jazz, Polca Paraguaya, Chamamé, Samba, Eletrônico, Erudito, Black Music, Fusion, Hard Core, Blues, etc…  Uma das coisas que mais me impressiona por aqui são a qualidade e versatilidade dos músicos, chega a ser impressionante o quão talentosos, dedicados e firmes em suas artes. É claro que como em todo Brasil existe uma febre de duplas e cantores deste novo “sertanejo”, mas aqui existe espaço para todo mundo, e o que me deixa extremamente contente é que estamos produzindo sempre, construindo nossa cultura em nosso jovem estado.

25) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Guga Borba: Todos! (risos). Vou citar alguns que creio que representam suas artes e sonoridades: Ton Alves, Beget De Lucena, El Trio, O Bando do Velho Jack, Bêbados Habilidosos, Juci Ibanez, Zé Pretin, Urben, Gideão Dias, Marcelo Loureiro, Muchileiros e Clube do Litoral Central, coletivo do qual faço parte ao lado dos parceiros Leandro Perez, Renan Nonato, Rodrigo Teixeira, Ju Souc, Jerry Espíndola e Rodrigo Sater, todos com trabalhos autorais de extrema importância em nossa região.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Guga Borba: Sim, muitas delas tocam pelas rádios do Brasil, recebemos os relatórios do ECAD através da UBC – União Brasileira de Compositores. Eu nunca paguei para tocarem as minhas músicas na programação, mas seria ingenuidade dizer que isso não existe, faz parte do mercado fonográfico.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Guga Borba: Eu digo que tenha apreço por sua arte, que ela seja genuína e única. E que trate o seu trabalho com carinho e respeito, que esteja sempre aberto a ouvir a opinião dos fãs e críticas, que usufrua de uma proposta benéfica, que possa ajudar a construir uma humanidade mais justa e pura, e que saiba cair e levantar, e tenha coragem, maturidade e equilíbrio.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Guga Borba: Gosto dos Festivais de Música, trabalho como diretor de palco no Festival de Inverno de Bonito (Bonito – MS) e Festival América do Sul Pantanal (Corumbá – MS), por onde transitam diversos artistas da América do sul, tanto os grandes como os iniciantes, acho extremamente positiva a troca de informações culturais. Ainda jovem participei de alguns Festivais de Música e em algumas ocasiões tive canções premiadas, mas vale a experiência vivida sendo premiado ou não.

29) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música ainda é relevante para revelar novos talentos?

Guga Borba: Sim, toda porta para novos artistas é sempre bem-vinda.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Guga Borba: Neste caso podemos falar de duas mídias, a paga e a espontânea. Hoje é possível comprar espaço em diversas modalidades da grande mídia, como também comprar seguidores e views nas redes sociais e you tube, por exemplo, fazer um determinado artista ou personalidade se tornar uma “celebridade” é uma questão investimento financeiro. Do outro lado da corda está a mídia espontânea, que em sua maioria agrega um trabalho artístico com conteúdo, de bandas e/ou artistas que trabalham ao lado de seus fãs. E criam redes tão intensas e duradouras, que provam que talento é compartilhado, que o talento nato rompe as barreiras e atravessa as fronteiras.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Guga Borba: Toda fomentação da arte é necessária, porém, é preciso que exista uma descentralização dos investimentos, proporcionando assim que artistas de diferentes estados possam levar sua arte para outros públicos.

32) RM: O circuito de Bar na sua cidade é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Guga Borba: Sim, temos uma cena muito forte nos Bares e Casas de shows, o que gera trabalho direto e indireto, e nos coloca em contato direto com o público, como possuímos uma grande variedade de estilos musicais as casas estão sempre cheias. E os artistas e bandas fazem intercâmbios culturais de diversas modalidades, e este fator é perceptível quando acontecem as “Jam Session’s”.

33) RM: Qual as diferenças entre tocar a Viola de 10 cordas e o Violão de 6 cordas? 

Guga Borba: Os dois instrumentos tem sonoridades diferentes, e muitas afinações podem ser usadas em ambos, eu particularmente gosto muito do violão, aprendi a tocar os dois instrumentos quase ao mesmo tempo, mas nos palco o violão para mim é mais versátil.

34) RM: Qual as principais técnicas para tocar bem a Viola de 10 cordas?

Guga Borba: Sentar e ficar tocando até doer os dedos (risadas).

35) RM: Quais os seus projetos futuros?

Guga Borba: Pretendo gravar o meu primeiro DVD Ao Vivo, já temos uma concepção para o formato e estamos na fase de produção de projeto para captação de recursos, com previsão para execução em 2020.

36) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Guga Borba: (67) 98435 – 1330 (WattsApp) |[email protected] | Instagram: @guga__borba | Facebook: Guga Borba

Links:

Guga Borba – Cigana
https://www.youtube.com/watch?v=971CsADWPYU

FOLK4 – Refazenda (Gilberto Gil)
https://www.youtube.com/watch?v=qrWjFZ-vU1A

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.