Giovana Vincenzi

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Giovana Vincenzi
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A cantora, instrumentista e compositora paulistana Giovana Vincenzi é de múltiplos estilos. Já acompanhou nomes como Rita Lee, Paula Lima, Eduardo Araújo e Benito di Paula. Especialista em violão de 12 cordas integrou a banda do programa Ritmo Brasil (Rede TV). É de sua autoria a música de entrada do programa, “Lá vem Faa Morena” executada entre março e maio de 2017.

Atualmente, é integrante da banda Jully On The Rocks, cujo repertório composto por pop e rock cantados por mulheres. Em suas apresentações solo, passa pela MPB, jazz, samba e outros estilos. Como compositora, tem em seu histórico trilhas para teatro, cinema e televisão.

Além de musicista, Giovana Vincenzi formou-se em Teatro, tendo participado de diversas companhias como atriz e diretora musical entre 2004 e 2012. Neste período, também atuou em curtas e teasers universitários. Também formada em dublagem e locução, tem experiência em rádio (Trianon AM), locuções publicitárias e comerciais.

Professora de música há 16 anos, lecionou no Externato Mater Domus, Escola Móbile, Camerati Casa de Cultura e já deu aulas de Violão, Guitarra e Canto para mais de 100 alunos particulares em São Paulo.

Em todas as performances a presença de palco, a interação com o público e a expertise vocal dá a tônica de um trabalho plural, versátil e diferenciado em qualquer linguagem.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Giovana Vincenzi: para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 19.03.2018:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Giovana Vincenzi: Nasci no dia 29.12.1981 em São Paulo.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música?

Giovana Vincenzi: Tive a honra e o privilégio de ser iniciada no Violão aos sete anos de idade pelo mestre Sabá, baixista do Jongo Trio e de muitos monstros sagrados da música brasileira. Um dos melhores seres humanos que já conheci e referência de música e vida para mim. Conta mamãe, no entanto, que a bebê de colo Giovana nem piscava quando estava na frente da televisão vendo “Ligue para um Clássico” – programa da TV Cultura com apresentações de orquestra.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Giovana Vincenzi: Sou formada em Teatro, pelo SENAC, fiz cursos de dublagem e locução e estou cursando pós em Publicidade.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Giovana Vincenzi: Nenhuma referência deixa de ser importante. Algumas das minhas principais influências são: Rita Lee, Nirvana, Amy Winehouse, Janis Joplin, Elis Regina, Cazuza, The Pretenders, Fernando Sor, Joan Jett, Legião Urbana, Pato Fu, Deep Purple, The Police, Pearl Jam, Oasis, João Bosco, Tina Turner, Nara Leão, Novos Baianos, Ella Fitzgerald, Edith Piaf, Lady Gaga, Madonna, Queen, U2, Paralamas do Sucesso, Chico Buarque, Florence + The Machine, Aerosmith, Bob Marley, Marisa Monte, Noel Rosa, Cassia Eller, Pitty, Adoniran Barbosa, Bach, The Doors, Garbage, Men At Work, Ney Matogrosso, Tears For Fears, Beatles, Rolling Stones, Iron Maiden, Tom Jobim, Jay Vaquer e por aí vai. Alguns pela expertise instrumental, outros pela excelência vocal, outros pela composição de música e letra e vários por todas essas razões.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Giovana Vincenzi: Não me lembro de um dia ou evento específico, mas minhas primeiras apresentações profissionais foram aos 18 anos de idade, em Festas e Bares. Aos poucos, com uma indicação aqui e outra ali, fui consolidando o trabalho – e já estou nessa labuta por metade da minha vida.

06) RM: Quantos CDs lançados, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que entraram no gosto do seu público?

Giovana Vincenzi: Gravei várias e várias demos, mas nunca cheguei a lançar disco. Hoje em dia, voltamos aos primórdios da indústria musical e os singles tornaram a ser mais importantes do que um álbum. Neste ano, a banda Jully On The Rocks vai gravar e divulgar os primeiros singles. As músicas próprias “Balada de uma bad girl” e “Augusta, a Baixa” que toquei com a banda Trivial Club ao longo de 2017 e que tiveram uma ótima aceitação, para minha grande alegria.

07) RM: Como você define o seu estilo musical?

Giovana Vincenzi: Sinceramente, acho que não tenho um. Mesmo tendo ênfase no pop rock, de vez em quando pinta um sambinha, uma MPB, umas coisas mais experimentais. Tem de tudo um pouco e um pouco de tudo.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Giovana Vincenzi: Sim. Com a fabulosa Mônica Marsola e um workshop incrível com Rafael Villar. Recomendo MUITO.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Giovana Vincenzi: Mais do que trabalhar a afinação, o grande trunfo da técnica vocal é preservar a saúde vocal. Técnica e cuidado são condições básicas para ter uma carreira longeva sem perder a qualidade do canto.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Giovana Vincenzi: Vou repetir alguns da resposta 4 e acrescentar outros: Amy Winehouse, Elis Regina, Janis Joplin, Freddie Mercury, Nara Leão, Marisa Monte, Paula Lima, Rinaldo Viana, Bruce Dickinson, Ella Fitzgerald, Edith Piaf, Steven Tyler, Tina Turner, Wanderléa, Nora Ney, Milton Nascimento, Maria Betânia, Beyonce, Beth Carvalho, Elza Soares, Ney Matogrosso, Zélia Duncan, Tim Maia.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Giovana Vincenzi: Não tenho um processo fixo, mas, na maioria das vezes, primeiro escrevo a letra e, depois, vem à melodia.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição? 

Giovana Vincenzi: Até hoje, 99% das minhas músicas compus sozinha mesmo. Mas estou totalmente aberta a novas parcerias.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Giovana Vincenzi: Por ora, só a Trivial Club. Para este ano, a Jully On The Rocks vai gravar mais algumas.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Giovana Vincenzi: A grande vantagem é a liberdade artística e o grande problema é a falta de estrutura em todos os aspectos: técnico, financeiro, logístico, etc.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Giovana Vincenzi: Acho que nunca tive uma estratégia de planejamento. Acho que sempre me virei de acordo com o momento do mercado e das ofertas disponíveis. Mas todos da banda Jully On The Rocks pretendemos fazer isso e traçar metas e objetivos para esse ano. Também estou cursando Publicidade para aprender que meios, nós podemos usar para vender esse “produto” e ter representatividade no mercado e ter um bom retorno financeiro e comercial.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Giovana Vincenzi: Antes de qualquer coisa, investir na qualidade: muito estudo e muito ensaio sempre e muita, mas MUITA divulgação pelas redes sociais.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Giovana Vincenzi: A internet só ajuda! É principal forma de divulgação de shows, vídeos, fotos, gravações…

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Giovana Vincenzi: Também só vantagem: total liberdade de experimentação sem limite de tempo. É um investimento que vale muito a pena.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Giovana Vincenzi: Ainda estou em busca desse objetivo, na verdade. Acredito que o espaço que conquistei até agora foi graças à qualidade das apresentações, que é o que busco a cada dia. Toda vez que faço um show, coloco meu coração inteiro no palco e acho que isso cativa às pessoas – o que me deixa muito feliz.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Giovana Vincenzi: O cenário atual é totalmente dominado pelo sertanejo e funk. Ainda sobre algum espaço para samba/ pagode e, correndo por fora a MPB. A coisa tá feia pro pop rock dentro do mercado brasileiro atual. A gente vai se virando pelo underground mesmo – acho que a única exceção é a Pitty e uma ou outra banda dos 80/90 que ainda consegue renovar seu público, mas não com a mesma relevância de décadas passadas – vide a última edição do Rock’n’Rio que teve apenas uma banda formada nesta década se apresentando no palco principal, exemplo, a ótima Scalene.  Acho que seria muita pretensão da minha parte dizer que alguém regrediu em sua carreira. Vejo muito artistas com um trabalho perene: Zeca Baleiro, Zélia Duncan, Ney Matogrosso, a própria Pitty, Paula Lima, Lenine… Por fim, acho que a grande revelação a ser destacada é o aumento da representatividade que o movimento LGBT vem ganhando em todos os segmentos da música – especialmente por artistas não-cisgêneros. Isso é muito importante aqui no Brasil, país hipócrita e machista onde existe o maior índice de assassinato de pessoas transexuais do mundo. Que essa tendência só cresça!

21) RM: Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Giovana Vincenzi: Rita Lee, Pitty, Paula Lima, Dave Grohl, Marisa Monte e vários outros.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Giovana Vincenzi: Nossa, foram muitas… Se eu for contar todas, dá um livro. Uma que me marcou bastante foi a seguinte: estava fazendo voz e violão em um restaurante bastante chique aqui de São Paulo. No fim da noite, havia apenas uma mesa ocupada com dois homens e três garotas de programa. Eis que, para minha surpresa, um dos homens me perguntou quanto eu cobraria para passar a noite com ele! Confesso que, até hoje, sinto certo nojo lembrar isso.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Giovana Vincenzi: O que mais gosto é saber que posso inspirar e tocar pessoas com minha arte. O lado triste é a total falta de estrutura, que já me fez pensar em desistir várias vezes. Afetivamente, o retorno é maravilhoso, mas, financeiramente, está bem complicado.

24) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Giovana Vincenzi: Tenho atuado mais pela região de Taboão da Serra e Embu das Artes, Itapecerica da Serra. É impressionante a quantidade de bandas nessa região – não vou citar nomes para não correr o risco de esquecer alguém e ser injusta. Mas é só circular pelo circuito de bares da região para conhecer.

25) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Giovana Vincenzi: Em algumas, talvez. A esperança é a última que morre…

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Giovana Vincenzi: Dois conselhos: tenha uma segunda profissão até conseguir se sustentar completamente com a música e, se possível, saia do país. O mercado internacional é mais receptivo à música brasileira do que o próprio Brasil.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Giovana Vincenzi: Não participo de Festivais de Música há muito tempo, então (momento Glória Pires) não sou capaz de opinar.

29) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música ainda é relevante para revelar novos talentos?

Giovana Vincenzi: Sim, pena que quase ninguém consegue entrar no mainstream. Mas sempre é mais uma porta aberta.

 30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Giovana Vincenzi: Para a grande mídia, o foco sempre são os artistas que movimentam a maior fatia do mercado brasileiro que, neste momento, é composta pelo sertanejo e funk; que estão muito mais próximos da música pop do que das raízes de seus estilos. Mas sempre há os paladinos da cena independente como a RitmoMelodia e o Arnaldo Afonso da coluna “Sarau, luau e o escambau”, publicada semanalmente no site do Estadão sobre a cena alternativa.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical em São Paulo?

Giovana Vincenzi: São dos poucos espaços com uma excelente estrutura para artistas de dentro e de fora do mainstream. Vida longa a eles.

32) RM: O circuito de Bar nos Bairros Vila Madalena, Vila Mariana, Pinheiros, Perdizes e adjacência ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Giovana Vincenzi: São sim, mas é difícil furar a “panelinha”…

33) RM: Quais os seus projetos futuros?

Giovana Vincenzi: A banda Jully On The Rocks vem com tudo neste ano com novos covers e músicas autorais. Também tenho um duo de voz/violão e percussão com Danny Scol (baterista da Jully On The Rocks) que vem conquistando espaço com um repertório extremamente eclético. Também terei espaço próprio para aulas de música em São Paulo e em Itapecerica da Serra. Assim que melhorar da tendinite, pretendo retomar os estudos e pesquisas sobre o Violão de 12 cordas.   

 34) RM : Quais seus contatos para show e para os fãs?

Giovana Vincenzi: JULLY ON THE ROCKShttps://www.facebook.com/jullyontherocks

Instagram: @banda_jully_on_the_rocks | www.youtube.com/channel/UCshDCTDvDjfbaSRJ_NQWy1w

[email protected]

   GIOVANA VINCENZI:https://www.facebook.com/giovanavincenzi

Instagram: @givincenz | www.youtube.com/channel/UCl2BNz5yPcz_5-ruFITAikg

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.