Fredi & Regional Groove

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Fredi & Regional Groove
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O cantor, compositor e instrumentista paraibano Fredi Guimarães se renovou e agora retorna ao palco com seu novo projeto musical intitulado “Fredi & Regional Groove” que fez sua estreia em Dezembro de 2012.

E com apenas dois anos de trajetória, já participou de importantes festivais como: Virada Forrozeira no Maior São João do Mundo; o Encontro da Música Regional de Raiz do SESC – PB e o FUA – Festival Universitário de Artes da UEPB. Fredi assume a voz e o violão acompanhado dos músicos: Ari Rodrigues na guitarra; Igor Carvalho no contrabaixo; Lenni Sucupira na bateria e Manuery Wanderley na percussão. Para apreciar letras inteligentes, ouvir arranjos criativos, dançar ritmos nordestinos e curtir muito Groove em um concerto contagiante, conheça o show “Mudar o Pensamento”.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Fredi Guimarães para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 16.09.2015:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Fredi Guimarães: Eu me chamo Fredi Gomes Guimarães nasci no dia 20 de setembro de 1974 em João Pessoa – PB.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Fredi Guimarães: O meu primeiro contato com as artes veio desde os meus primeiros dias de vida. Minha mãe, Maria Alcélia Gomes Guimarães, trabalha com diversos tipos de artesanato e pinturas em telas, desde criança até os dias atuais, produz, expõe e vende seus diversos produtos em sua loja.

Meu pai Waldomiro Ribeiro Guimarães, já falecido, era um apaixonado por leitura e pela música, formado em História, escrevia para revistas e jornais da cidade de Patos – PB e como radialista adquiriu o hábito de colecionar discos Vinis, principalmente, música brasileira. Com esta prática, todos os filhos acabaram criando o mesmo hábito de comprar vinil. Tínhamos uma grande discoteca na sala da nossa casa e durante toda a minha convivência com os meus pais e irmãos tive influência direta e direcionamento para o universo das artes e, sendo eu, caçula da família, tive a oportunidade de aprender com todos eles.

Meu irmão mais velho Junho Gomes Guimarães, era um apaixonado por bateria e foi com ele que eu aprendi a tocar o meu primeiro instrumento, a minha irmã Joelnia Tami Gomes Guimarães teve aulas de piano em casa e eu participava desses momentos, meu outro irmão Efrem Gomes Guimarães tocava violão e guitarra e foi com ele que aprendi a montar os meus primeiros acordes e compor minhas primeiras canções, Lindbergson Gomes Guimarães foi o único que não enveredou para este universo, sua paixão era o futebol.

Nós tínhamos no quintal da nossa casa em Patos – PB, um quarto que servia para os ensaios das bandas dos meus irmãos Junho e Efrem, eu sempre assistia aos ensaios e aproveitava para tocar nos instrumentos quando o quarto estava desocupado. Realizei minha primeira apresentação, como baterista com quatorze anos de idade em um bar chamado Embarcanção na cidade de Patos, tocando Rock nacional e internacional. Aos dezesseis anos, me apresentei como violonista no clube dos Estudantes, também em Patos, tocando e cantando músicas da MPB. Esses foram os meus primeiros passos neste universo encantador que é a música.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica (Teórica)?

Fredi Guimarães: Assim como o meu pai, eu sempre gostei de leitura e tenho muito prazer por novos conhecimentos, por isso, tive a oportunidade de frequentar algumas universidades: UFCG – Universidade Federal de Campina Grande (Bacharelado em Matemática); UFPB – Universidade Federal da Paraíba (Licenciatura em Artes – Habilidade em Música); UEPB – Universidade Estadual da Paraíba (Licenciatura em Filosofia); UFCG – Universidade Federal de Campina Grande (Licenciatura em Música). Devido às inúmeras viagens e turnês, não foi possível concluir nenhum dos cursos iniciados e citados acima, porém, hoje, sei o quanto foram importantes às vivências e experiências adquiridas mundo afora. Tive a oportunidade de adquirir alguns conhecimentos e qualificações no DART – Departamento de Artes da UFCG entre os anos de 1996 e 1998 onde concluí as disciplinas: História da Música I e II; Percepção Musical I, II e III; Leitura e Escrita Musical I,II, e III; Prática Instrumental I e II; Estudo do Violão Clássico com o professor Edvaldo Eulálio Cabral (Inventor do violão com Glisson).

Nos anos de 2001 e 2002, morei no Rio de Janeiro – RJ e estudei na EMVL – Escola de Música Villa–Lobos os seguintes conteúdos: Teoria Musical; Estudo do Arco; História da Música I e II; Percepção Musical I, II e III; Leitura e Escrita Musical I,II, e III; Prática Instrumental I e II. No curso de Licenciatura em Música da UFCG, paguei as disciplinas: Percepção Musical I e II; Canto Coral I; II; e III; Prática Instrumental I e II; Metodologia e Técnica de Pesquisa; Apreciação Musical; Pesquisa em Música; Metodologia do Ensino da Música.

Quando fui membro do grupo Cabruêra, realizamos estudos de ritmos regionais; estudo de comportamento e vivência em grupo; estudo da música na cultura Popular, estudo de técnica vocal, prática de conjunto e tivemos a prática de palco nas inúmeras viagens e turnês dentro e fora do país. Como autodidata pude estudar programas de gravação em áudio e digitalização de partituras.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Fredi Guimarães: Eu sou um músico sem preconceito, eclético e tenho a necessidade de escutar de tudo um pouco, principalmente por ser educador, isso me faz entender melhor os estilos musicais, suas estruturas e riquezas, porém, só adquiro aquilo que me interessa e só pago por um show pelo qual me sinto atraído. Na minha resposta para a primeira pergunta, exponho a paixão de toda a nossa família pelos vinis e através desta fonte, tive a oportunidade de ouvir muita música boa que se fazia naquela época, a exemplo do chorinho de Valdir Azevedo, do sopro de Pixinguinha, do violão de Rafael Rabelo, da guitarra de Heraldo do Monte, do frevo de Capiba, de tantas bandas de Rock como a Plebe Rude, Ira, Paralamas dos Sucessos, o Barão Vermelho. Ouvi uma gama enorme de cantores e cantoras da MPB e do Rock nacional, do movimento tropicália, do surgimento do trio elétrico com Dodô e Osmar e a guitarra de Armandinho, das belas vozes de Cauby Peixoto e Elis Regina. A vasta obra do cancioneiro popular, de Patativa do Assaré, Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga e seus inúmeros ritmos carregados de uma verdade local. Do movimento Mangue Bit e tantas bandas pernambucanas e paraibanas, tantos outros músicos brasileiros que me encantaram com suas obras, porém, quando adolescente, fui influenciado pelo Rock Internacional e também pude ouvir e tocar Iron Maiden, Van Halley, Pink Floyd, The Police, The Cure, Living Collor, cantores como Elvis Presley, Eric Clepton e muita música Instrumental, o Jazz, o Blues, a música eletroacústica, a música clássica e a experimental. Todas tiveram e tem sua importância e nenhuma deixou de ter em nenhum momento seu valor para mim. No entanto, a música Popular Brasileira Nordestina passou a ser a minha grande paixão e fonte de estudo e pesquisa para minhas composições.

05) RM: Quando, como e onde  você começou a sua carreira musical?

Fredi Guimarães: Comecei minha carreira profissional em Campina Grande-PB no ano de 1999 quando ajudei a fundar o grupo Cabruêra juntamente com o sanfoneiro Piragibe e o músico Arthur Pessoa. Ali já tínhamos definido que iríamos montar um repertório de composições próprias com músicas de compositores nordestinos.

Era evidente a necessidade da profissionalização como artista. E assim foi. A Cabruêra ganhou as páginas dos jornais paraibanos, passou a ser respeitada e foi ganhando o mercado, viajou por eventos internacionais na Holanda (Dunya Festival), na Bélgica (Sfinks Festival), na França (Amiens Jazz Festival e MIDEN) na Alemanha (Heimatklang), participou de importantes festivais nacionais como: Festival Nacional de Artes FENART (João Pessoa – PB), O Maior São João do Mundo (Campina Grande), Música da Alma – MADA (Natal – RN); Abril Pro Rock (Olinda – PE), Rec Beat (Recife – PE), Festival de Inverno (Garanhuns – PE), Circo Voador (Rio de Janeiro – RJ), Balaio Brasil (SESC – São Paulo). Atuou ativamente na cena musical do eixo Rio – São , dividindo o palco com importantes nomes do cenário musical nacional, a exemplo do adorável Sivuca, da encantadora Velha Guarda da Mangueira e do criativo Lenine.

06) RM: Quantos CDs lançados, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais ás músicas que entraram no gosto do seu público?

Fredi Guimarães: Agora que estou com um trabalho solo, lancei em fevereiro de 20015 o meu primeiro CD que leva também o nome do novo show “Mudar o Pensamento”. O show “Mudar o Pensamento” apresenta um repertório esboçado com muita música paraibana, pintado com os ritmos do Nordeste e retocado com o Groove Brasileiro.  A pluralidade de estilos musicais torna a desempenho do mais atrativo tanto para o público que gosta de dançar forró e ciranda, quanto para o que contemple letras provocativas. Esse é o caso da música “Mudar O Pensamento”, uma canção que provoca no ouvinte reflexões sobre seu modo de ser, um trecho diz: “Você mesmo sabe o que está fazendo…”. Outros destaques da banda são as composições “Sigo Com Meu Sonho”, vencedora do Prêmio SESC de Música Paraibana e a música “Viver o Tempo”, classificada no Projeto 7 Notas, ambas participaram de coletâneas com outros compositores paraibanos. Estas músicas integram o primeiro EP da banda, lançado em Fevereiro de 2015. No período em que participei da Cabruêra, gravamos três CDs dos quais tenho composições próprias e ou em parceria. Também pude classificar músicas em festivais e estas entraram em coletâneas. Estas informações seguem em anexo.

Primeiro CD do Cabruêra que deu início a tudo. Uma produção independente que depois se transformou em um trabalho profissional. Este passou a ser considerado o primeiro CD do Cabruêra que teve como título o próprio nome da banda, lançado pela Nikita Music no ano de 1999, sendo em seguida relançado internacionalmente pela ALULA Records. Gravado e mixado no SG Stúdio (João Pessoa, Paraíba) e produzido por Cabruêra e Rosildo Oliveira.

Os músicos que gravaram: Orlando Freitas: Contrabaixo, pífano e vocais.

Fredi Guimarães: Violão, Percussão e vocais.

Tom Rocha: Percussão e vocais.

Alexandre Magno: Percussão e vocais.

Zé Guilherme: Percussão e voz

Arthur Pessoa: Acordeom, violão e voz.

E algumas participações especiais.

As músicas de minha autoria ou em parceria são:

Certo Sertão (Fredi Guimarães)

Música Nova (Fredi Guimarães)

Galopeando (Fredi Guimarães/Efrem Guimarães)

Cangaço (Fredi Guimarães/Cabruêra)

Evolução (Fredi Guimarães/Emy Porto)

Bagacera (Fredi Guimarães/Orlando Freitas)

Parapoderembolar (Fredi Guimarães/Arthur Pessoa)

O Segundo CD do Cabruêra em 2003 produzido por Nilo Romero, com direção artística de Felippe Llerena e grava no estúdio Nas Nuvens (Rio de Janeiro – RJ).

Músicos que gravaram:

Fabiano Soares: Contrabaixo e vocais.

Fredi Guimarães: Violão, Percussão e vocais.

Tom Rocha: Percussão e vocais.

Zé Guilherme: Percussão e voz

Arthur Pessoa: Acordeom, violão e voz.

E Algumas participações especiais.

Música em parceria: Batendo o martelo nas mesmas cabeças (Fredi Guimarães/Zé Guilerme/Arthur pessoa)

O terceiro CD do Cabruêra em 2005.

Momento da minha saída da banda. Faço uma participação especial.

Ano 2012.

Coletânea de artistas da Paraíba.

Mostra SESC de Música paraibanos.

Música classificada: Sigo com meu sonho (Fredi Guimarães)

DVD com as doze músicas classificadas para a final do festival Forró Fest em 2014.

Música classificada: O Maior São João (Fredi Guimarães).

07) RM: Como você define o seu estilo musical?

Fredi Guimarães: Mesmo entendendo que o mercado necessita desta definição para poder enquadrar a obra do artista em um universo ou estilo musical. Acredito que muitos de nós compositores somos carregados de uma gama diversificada de informações e experiências que são transformadas e transferidas para as nossas composições, ficando muitas vezes difícil de definir em um único estilo um novo trabalho que o artista esteja lançando. Diante de tantas informações contidas nas diversas músicas gravadas, mesmo que estas tenham características parecidas.

Hoje sigo com minha carreira musical apresentando o novo show “Mudar o Pensamento”, executado por Fredi & Regional Groove, com um repertório esboçado com muita música paraibana, pintado com os ritmos do Nordeste e retocado com o Groove Brasileiro. A pluralidade de estilos musicais torna o desempenho do quinteto mais atrativo tanto para o público que gosta de dançar forró e ciranda, quanto para o público que contemple um groove brasileiro nordestino ou letras provocativas. Portanto, neste novo momento, devo definir que tocamos grooves da nossa região e que o nosso estilo acaba se afirmando como Regional, apesar dos diversos ritmos oferecidos no show.

08) RM: Você compõe? Como é seu processo de compor?

Fredi Guimarães – Sim. Eu componho desde os dezesseis anos de idade e um fato marcante define este momento inicial. Lembro quando o meu pai chegou com uma poesia intitulada “Amor de Outrora”, naquele momento ele desafiou a mim e ao meu irmão Efrem a compormos um samba, coisa que nunca tínhamos feito. Um mês depois do fato, apresentamos a harmonia já com solos e cantamos aquela canção para o meu pai, ele adorou o resultado, ficou encantando e passou a nos apoiar ainda mais nas nossas iniciativas musicais, aquilo foi para mim um grande incentivo para permanecer compondo. Não tenho uma regra básica para compor, apenas tenho o hábito de tocar instrumentos diariamente e isso me possibilita criar novos rifes, rearranjar antigas canções e experimentar novas possibilidades. A ideia para uma nova canção pode surgir em qualquer lugar, independente da situação. Hoje em dia, eu utilizo muito o meu aparelho de celular para registrar qualquer nova ideia musical que venha a surgir, seja solfejando a melodia, seja batucando a ideia rítmica ou apenas falando o que a nova ideia permite.

Muitas vezes gosto de novos desafios, por exemplo, nos quatro últimos anos, venho participando do festival de música aqui do Nordeste, o Forró Fest e tenho classificado minhas músicas para interpretá-las. Este é um desafio anual em que escrevo sobre temas diversos que representam a localidade em que moro, inclusive a música para este ano de 2015 fala sobre o artesão paraibano. Outra nova perspectiva tem se desenvolvido a partir de encontros semanais que tenho mantido com emboladores na Casa do Poeta aqui na cidade de Campina Grande. Tenho buscado aprender a arte de cantar emboladas e bater pandeiro. Acredito que o bom compositor é aquele que expande o seu conhecimento teórico e prático, que consegue enxergar música em tudo que o rodeia e que não se limita a um único estilo musical.

09) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Fredi Guimarães – Eu não tenho parceiros definidos, entendo uma parceria musical quando outra pessoa dá uma contribuição significativa para a finalização de uma peça musical. Já realizei parcerias em composições com muitos amigos e até estranhos, não me importo se a intenção da parceria é para um jingle, uma vinheta, uma música ou qualquer outra peça musical. Permaneço sempre aberto a novas parcerias, pois entendo que cada pessoa carrega consigo experiências e informações que ao se juntar a outras, cria maiores possibilidades para um resultado diferente do que seria criado por uma única pessoa, no entanto, não ouso me arriscar a participar daquilo que não tenho conhecimento. Nos discos que gravei, tenho parcerias com quase todos os músicos que ali participavam, tenho muita facilidade com ritmo, harmonia e melodia. E entendo facilmente o caminho que o parceiro busca na elaboração de uma nova canção, porém, não acredito que uma nova música esteja finalizada na sua primeira tentativa, é necessário revisitar a peça várias vezes com a oportunidade para que ela encontre o seu real significado. Um parceiro de sempre é o meu irmão Efrem Gomes.

10) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Fredi Guimarães: Não é fácil desenvolver uma carreira musical de forma independente. É preciso entender o mercado, aproveitar as oportunidades, elaborar um bom show, produzindo textos, compondo, preparando documento. Desdobrar-se nas várias funções técnicas necessárias para que se tenha uma boa reputação entre os seus concorrentes. E compreender que há um limite de abrangência e participação de poucos e específicos eventos. Todo artista deve entender que é dessa forma que dá início a uma carreira musical. E nesse processo, é o próprio artista que batalha para conseguir seu espaço através das suas conquistas para que um(a) produtor(a) encontre-o e perceba que já está pronto para alçar novos voos.

11) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Fredi Guimarães: Entendo que o processo de construção de uma carreira musical deve ser lento, persistente e cauteloso. São muitos os artistas que já estão no mercado e que ao longo de suas carreiras construíram bons currículos, lançaram ótimos álbuns gravados e carregam uma grande experiência. Como entendo que estou iniciando uma carreira musical e que no momento não tenho uma produtora para me guiar. O que faço para planejar minha carreira é estudar o mercado, elaborar um bom projeto visando os editais e nunca parar de se profissionalizar. Aproveito toda a experiência adquirida nos diversos projetos que participei para melhorar o meu novo trabalho.

12) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver sua carreira musical?

Fredi Guimarães: Faço leituras correlacionadas ao tema, inscrevo o meu projeto em editais, participo com composições próprias nos festivais, ensaio bastante, estudo novas técnicas e busco circular ao máximo o meu novo show no estado em que moro e estados vizinhos.

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Fredi Guimarães: Até o momento a internet só tem ajudado, seja na comunicação, seja na divulgação ou na pesquisa de tudo que está relacionado com a música e com a carreira musical.

14) RM: Quais as vantagens e desvantagens do fácil acesso à tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Fredi Guimarães: Vejo como vantagem a possibilidade que tenho hoje de fazer a pré-produção das minhas músicas, experimentando ritmos, timbres, instrumentos, vozes, sem a pressão do tempo. Com a pré-gravação das músicas, posso identificar aquelas que já estão bem elaboradas, reservando as que precisam de mais tempo ou até da interferência e ideias de outros compositores, podendo assim, criar um grupo de músicas com as mesmas características, facilitando a finalização para a escolha daquelas farão parte do repertório do show e as que serão gravadas definitivamente em um novo CD. A única desvantagem que pode haver é o fato antiprofissional de querer baratear as gravações de um novo trabalho, buscando um estúdio qualquer, que naturalmente resultará em uma gravação de baixa qualidade, tendo este resultado final, poucas chances de competir neste mercado tão disputado.

15) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente uma carreira musical. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo, mas a concorrência se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Fredi Guimarães: Para ser diferente, procuro ser eu mesmo e para isso, tento não copiar ninguém ou mesmo me utilizar de algum novo movimento modista. Não permaneço na arte pelo sucesso, fama ou dinheiro, tudo isso eu já experimentei e entendi que, neste mundo capitalista, tudo pode ser transformado em dinheiro, no entanto, a arte não pode ser elaborada como um objeto qualquer de consumo. Ela tem um significado diferente para quem realmente a entende, me alimento da arte pelo prazer, pela satisfação de ver alguém se identificar com minhas ideias, pelo simples fato de me sentir capaz ao finalizar uma nova obra. Quero que as pessoas gostem da minha arte sem que eu tenha que fingir ser o que não sou ou ter que me moldar para agradar um público específico. Entendo que existem algumas adaptações que merecem ser feitas, não sou resistente, por exemplo, a mudanças como figurino, cuidados com produção de palco, comunicação com o público, dentre outros, mas a ideia central do produto musical deve ser construída pela capacidade do artista. Dessa forma, serei diferente, afinal de contas, ninguém é igual a ninguém.

16) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram as revelações musicais nas duas últimas décadas, quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Fredi Guimarães: Esta é uma pergunta que requer uma resposta muito ampla, mas tentarei ser breve. O cenário musical brasileiro é riquíssimo e diversificado em seu processo de criação, todo ano surgem novas bandas e cantores (as) de diversos estilos, que encantam e desagradam. E muitos permanecem no anonimato e nem todos têm a possibilidade de difundir amplamente suas obras nas mídias de massa ou pagando “jabá” nas rádios, tendo hoje apenas a oportunidade de propagar seu trabalho no disputadíssimo mercado das mídias digitais. O cenário musical brasileiro é, sem dúvida, o mais criativo do mundo, independentemente do que se crie. As grandes revelações musicais das duas últimas duas décadas são aqueles artistas que, mesmo diante as inúmeras mudanças e dificuldades do mercado fonográfico, permaneceram criando e gravando boas músicas, porém, sabemos que existe um nicho musical apenas para os artistas profissionais que detém um forte poder aquisitivo financeiro. E que através deste, têm acesso aos grandes circuitos e que não poderemos deixar de citar nomes como Maria Rita, Lenini, Chico César, Mariza Monte, Zeca Baleiro, Chico Science, Zé Ramalho, Cabruêra. Essa lista não tem fim. Sobre o aspecto de regressão, não consigo indicar nomes e acredito que você esteja se referindo aos artistas que tiveram problemas com drogas, problemas financeiros e de relacionamento com os próprios colegas de trabalho ou por falta de criatividade.

17) RM: Qual ou quais os músicos já conhecidos do publico que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Fredi Guimarães: Para responder a esta pergunta, é preciso entender a que publico você está se referindo. Por exemplo, aqui em Campina Grande existe um publico que admira alguns artistas da mídia de massa, compreendemos que esses artistas, de certa maneira, são profissionais, porém, faço críticas à qualidade artística. Por outro lado, existem artistas apenas conhecidos pelo publico da Paraíba e, mesmo não sendo reconhecidos massivamente, aprovo e considero o trabalho extremamente valoroso. Mas conhecido nacionalmente, Lenine é um bom exemplo.

18) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Fredi Guimarães: Uma situação que sempre lembro, foi quando estávamos de viagem marcada para realizar shows em São Paulo – SP e Rio de Janeiro – RJ e com muita dificuldade, conseguimos as passagens de ônibus. Dois dias antes da viagem, recebemos um convite para parar na Bahia e realizar um show, aceitamos imaginado que poderíamos seguir viagem com mais algum trocado no bolso. Chegamos à Bahia, fomos bem tratados e fizemos um bom show em um Teatro que não lembro o nome no momento. Na mesma noite, estava acontecendo um evento gratuito de rua em frente a esse Teatro e o resultado é que a produção do nosso evento chegou ao camarim após o show e expôs de forma triste que não tinha como pagar os custos que nos prometeu. Naquele momento, espontaneamente e em coro, todo o grupo se envolveu em uma gargalhada gigante, simplesmente não tínhamos como seguir viagem. No final da confusão, a produção conseguiu desenrolar três passagens e nós rateamos as outras, mas aprendemos uma lição que o ditado popular sintetiza, “é melhor um peito na mão do que dois no sutiã”.

19) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Fredi Guimarães: O que me deixa mais feliz é perceber que mesmo diante de tantas dificuldades e mudanças que poderiam me fazer desistir da música, tenho encontrado caminhos e alternativas para permanecer mais envolvido com ela. O que me deixa triste é entender que neste momento eu poderia estar tocando em diversos palcos de diversos circuitos, mas não está sendo possível por um simples detalhe: falta recurso financeiro para alguns investimentos necessários, por exemplo, divulgação e distribuição.

20) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Fredi Guimarães: Campina Grande é a segunda maior cidade da Paraíba, tem características de interior, mas também referências de metrópole. É considerada cidade universitária, portanto, com um grande fluxo de jovens estudantes que aqui buscam formação nas mais diversas áreas do conhecimento. Há cinco anos, passamos a contar com o primeiro curso universitário de música e com uma Secretaria Municipal de Cultura, o que é positivo para nossa área. Temos bons teatros, mas ainda em processo de desenvolvimento para promoção de grandes espetáculos, temos poucas casas de show, menos ainda espaços alternativos. Fora o Maior São João do Mundo, são raros os eventos tradicionais com pauta musical e o mercado para a música independente é quase inexistente. Infelizmente, não há uma consciência coletiva e nem compromisso do poder público para o incentivo e apoio para a música. E assim, fica difícil a descoberta, o reconhecimento e o desenvolvimento de artistas na área. Ainda assim, com muito empenho e militância de agentes independentes, a cada ano surgem ou são apresentados novos e bons projetos, mas infelizmente, diante das dificuldades já mencionadas, muitas vezes estes projetos se tornam estéreis ou estanques. Posso tentar resumir esta pergunta – pela experiência que tenho – dizendo que a cena musical da cidade que moro tem possibilidades, mas não tem espaço.

21) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora  você indica como uma boa opção?

Fredi Guimarães: Em outra resposta já mencionei sobre meu ecletismo musical, o que dificulta uma única opção. Eu perguntaria: – Opção para quê?

Mesmo correndo o risco de faltar uma boa indicação, recomendo, com muito gosto, que ouçam “Seu Pereira”, “Oxente Groove”, “Júnior Cordeiro” e “Sandra Belê”; que assistam os shows da “Val Donato”, da “Varal de Cabaré” e claro, (risos) do “Fredi & Regional Groove”; e que dancem com “Biliu de Campina”, “Jeito Nordestino” e “Benedito do Rojão”.

22) RM: Você acredita que as suas músicas tocarão nas rádios sem pagar o jabá?

Fredi Guimarães: Sinceramente não. Se acontecer, será de forma espontânea, portanto, imperceptível.

23) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Fredi Guimarães: É preciso ter certeza de que gosta do que faz. E depois muita dedicação, estudo, prática e persistência. É preciso reunir bons profissionais, preparar um trabalho interessante e conseguir o mínimo de insumos necessários para investimento na carreira.

24) RM: Quais os prós e contras de ter começado a sua carreira musical na Cabruêra?

Fredi Guimarães: Só consigo enxergar os prós, pois, foi esse bando ousado que me levou para inúmeros palcos do Brasil e fora dele. Foi o Cabruêra que me permitiu amadurecer em palco para que hoje eu me sinta a vontade para cantar minhas músicas e seguir em uma carreira solo. Foi o Cabruêra que me mostrou vários circuitos musicais que eu desconhecia e que hoje eu sei que eles se modificam, porém nunca deixam de existir. Com o Cabruêra pude ganhar prêmios, fazer novas parcerias, dividir o palco com grandes artistas, entender o real significado de sucesso, fama e profissionalismo. Sou um músico de boa sorte por ter saído do sertão da Paraíba para viajar o mundo com a minha arte. E permaneço feliz por ter participado desse projeto que foi um exemplo para cena musical paraibana. E desejo que ele tenha longa vida, afinal de tudo, eu iniciei e ajudei a construir essa história.

25) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com os membros da Cabruêra?

Fredi Guimarães: Hoje tenho pouco contato com os músicos do Cabruêra, quase todos moram em outras cidades e quando nos falamos é por alguma casualidade, porém, minha relação de amizade e respeito permanece a mesma.

26) RM: Quais os seus projetos futuros?

Fredi Guimarães: Seguir fazendo o que tanto gosto. Atuando nos palcos da vida.

27) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Fredi Guimarães – [email protected] | www.facebook.com/fredi.regionalgroove |(83) 98746 – 1039 (Oi) |(83) 99807 – 4465 (TIM)

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.