Fábio Moraes

Fábio Moraes 1 Entrevista - Música - Revista Ritmo Melodia
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Tempo de Leitura: 8 minutos

Nascido O cantor, compositor e violonista Fábio Moraes aos volta dos dez anos de idade passou a acompanhar a sua mãe Eny Moraes, que cantava em casas noturnas e promovia apresentações de serestas que hoje em dia, em virtude da evolução rítmica encontra-se apenas na memória de quem viveu esta fase inesquecível da MPB.

Aos treze anos de idade, adquiriu seu primeiro violão e praticamente sozinho e olhando os profissionais das cordas aprendeu seus primeiros acordes. Aos dezoito anos estudou algumas técnicas de violão e canto popular que é seu estilo até os dias atuais. Hoje em dia é dono de um dedilhado suave e peculiar e tem o dom de cantar, compor de forma própria, no melhor estilo MPB, dando uma nova roupagem a cada canção que interpreta, resumindo-se assim, o cantor e compositor Fábio Moraes.

Em 1994 foi cantor revelação, prêmio concedido nada mais, nada menos que pelo escritor, advogado, professor universitário e membro da Academia de Letras de Niterói – RJ, o Sr. Paulo Figueira de Mello Pires, e o jornal O FLUMINENSE. Foi destaque de cultura de São Gonçalo – RJ, prêmio dado pela Secretaria de Cultura, entregue em mãos pelo Secretário de Cultura da época profº. João Luiz de Souza.

Somam-se a sua trajetória musical cinco vitórias em Festival de Música: Festival do SESI e PMSG sendo o primeiro colocado com a música “AMOR QUE VIRÁ” de parceria com o escritor e poeta Paulo Pires. Festival DUERÊ, em Pendotiba, em Niterói – RJ; casa hoje extinta que marcou época e se apresentavam os melhores cantores e compositores do momento, foi melhor intérprete do festival. Festival UERJ ele foi eleito o melhor intérprete da noite. Festival da Faculdade Maria Theresa, novamente como melhor intérprete. 2º Festival Maria Theresa, melhor letra com a música: “Brasileiramente Linda”.

Participou do show do artista George Israel (ex Kid Abelha) no Sesc de São Gonçalo no ano de  2013, a convite do George. No Caneco 90, abriu o show do renomado Geraldo Azevedo.

O CD – AMOR QUE VIRÁ é o seu primeiro álbum autoral produzido em estúdio do artista que se encontra disponível em todas as Plataformas Digitais.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Fábio Moraes para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 23.09.2019:

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Fábio Moraes: Nasci no dia 23 de setembro de 1966 em São Gonçalo – RJ, onde resido até hoje.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Fábio Moraes: Meu primeiro contato com a música foi muito cedo, minha mãe Dona Eny tocava Piano popular de ouvido e promovia rodas de serestas, cresci cercado de grandes violonistas e cantores e aos 13 anos de idade adquiri o meu primeiro violão que me acompanha até hoje.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Fábio Moraes: Sou músico autodidata, tudo que sei de música aprendi sozinho, vendo outros músicos e lendo livros de teoria musical. Sou Enfermeiro graduado pela Universidade Plínio Leite em Niterói – RJ.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Fábio Moraes: Minhas influências musicais foram muitas, cresci ouvindo artistas como: Cartola, Orlando Silva, Nelson Gonçalves e muito mais. Espelhei-me em grandes músicos e compositores como: Belchior e Djavan, meus ídolos. Ouvi muitas serestas, hoje não dou muita importância, partir pro meu estilo, mas respeito muito porque foi a minha base musical, meu alicerce.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Fábio Moraes: Comecei a carreira musical aos 13 anos de idade, cantando em festas juninas e com 16 anos partir para os Festivais de Música, nos quais recebi diversas premiações e tocando em clubes, bares e casas noturnas em São Gonçalo – RJ e posso dizer que me firmei profissionalmente aos 17 anos como vocalista e violonista.

06) RM : Quantos CDs lançados?

Fábio Moraes: Meu primeiro CD – “AMOR QUE VIRÁ” foi gravado em agosto de 2004 e foi produzido por mim e Ezequias Silva, grande guitarrista de São Gonçalo – RJ e teve a participação de Ricardinho no sax, Paulinho Souza no baixo e eu nos violões. É um disco pop romântico. Em setembro 2018 o CD – “AMOR QUE VIRÁ” foi remasterizado e de cara nova foi relançado em todas as Plataformas Digitais pela distribuidora Tratore de São Paulo e as músicas que vem se destacando bastante no cenário musical e no YouTube são às músicas: “Altarboz” em parceria com o poeta e escritor Walcir de Sá e “Amor que virá” em parceria com o inesquecível poeta, escritor, advogado, professor universitário e membro da Academia de Letras de Niterói – RJ o ilustre e eterno professor Paulo Pires , faixa essa que da nome ao CD em homenagem a esse grande parceiro.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Fábio Moraes: Sou um cantor pop romântico, gosto de cantar o amor.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Fábio Moraes: Estudei técnica vocal já adulto com 22 anos com grandes professores de canto como: Mário Tola e Arlete Candiam.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Fábio Moraes: Aprendi a respirar corretamente, dividir bem as frases, ter melhor extensão vocal, coisa que eu tinha dificuldades e cantando evito gritar muito, canto num tom confortável e bebo muita água.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Fábio Moraes: Admito muito os cantores Djavan, Belchior, o saudoso Emílio Santiago, Maria Bethânia, Elis Regina, Marisa Monte, tem muitos, mas esses citados são meus favoritos.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Fábio Moraes: Meu processo de compor é inesperado, minhas canções nasceram de repente (risos). Posso dizer que é inspiração divina.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Fábio Moraes: Meus parceiros de composições não são muitos, tem o Walcir de Sá e tinha o saudoso Paulo Pires, a maioria das minhas músicas, eu fiz sozinho.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Fábio Moraes: Só o cantor de São Gonçalo – RJ, Ilmar Paes, que regravou a música “Ela é perua”. Mas sonho ver uma música minha na voz de artistas consagrados como Fábio Jr. e a banda Roupa Nova que sou fã.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Fábio Moraes: Para desenvolver uma carreira musical independente já foi pior. Hoje está melhor devido a internet e as redes sociais e as plataformas digitais que chegaram para ajudar. Mas o governo não investe em cultura, isso é um fator que dificulta bastante os artistas independentes, a falta de apoio e investimentos.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Fábio Moraes: Minhas estratégias são investir no marketing musical e digital e aumentar a minha base de fãs que vem crescendo muito.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Fábio Moraes: Minhas ações empreendedoras é investir em marketing, está sempre melhorando e presente nas redes sociais de forma positiva, trazendo novidades para meus fãs.

17) RM : O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Fábio Moraes: Para mim a internet não me prejudica; só me ajuda. É preciso saber usar essa ferramenta de forma correta. Eu uso as redes sociais praticamente para falar de música, tenho as minha página no www.facebook.com\cantorfabiomoraes   e meu perfil no Instagram: cantorfabiomoraesoficial e meu canal no www.youtube.com\cantorfabiomoraesoficial, que cuido com muito carinho.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Fábio Moraes: Os estúdios de gravação ajudam muito, hoje tem muita tecnologia, mas os valores precisam ser revistos.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Fábio Moraes: Hoje a concorrência é muito grande, tem muita gente boa, mas a facilidade de gravar música trouxe muito lixo para o mercado musical. Eu procuro gravar com qualidade, sem pressa e não abro mão do meu estilo musical e não imito ninguém. Hoje o mercado musical quer novidades, artistas com identidade e não cópias do que já está rolando.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

 Fábio Moraes: O cenário musical atual é bem eclético, tem uma galera surgindo com uma proposta legal. O RAP é uma promessa bastante legal, vem comendo o mingau pelas beiras. É um estilo bastante promissor, exemplo: Emicida. Atualmente gosto de Anavitória, das bandas de reggae: Natiruts e Ponto de Equilíbrio. A galera nova que chegou com moral, têm grandes revelações, agora o nível das letras caiu bastante, muita repetição e pouco conteúdo de certos artistas que prefiro não citar nomes, mas são faces de ser encontrados na mídia.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Fábio Moraes: Sem sombras de dúvidas são exemplos de profissionalismo: Djavan, Zé Ramalho, são músicos íntegros que não abriram mão do estilo refinado de compor as suas letras e melodias, não desmerecendo os demais que também tem as suas qualidades, mas esses dois são grandes exemplos.

22) RM : Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Fábio Moraes: Foram muitos episódios engraçados como: tocar em festas e não receber o cachê. Depois de ano de estrada como profissional ainda tem donos de Bar que pedem para você tocar para divulgar o trabalho (risos). E receber bilhetinho de garçom vindo de clientes. São muitas coisas engraçadas. Uma vez sai para tocar e esqueci o violão em casa. Daria para escrever um livro, pois são muitas aventuras.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Fábio Moraes: O que me deixa mais feliz é poder cantar a quase 30 anos e ter uma galera que me acompanha há todos esses anos e uma família que me apoia. Agora a falta de investimentos na cultura e na educação, principalmente aqui em São Gonçalo – RJ me deixe muito triste.

24) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Fábio Moraes: As Rádios vão dançar como dançou o CD, DVD. Que venham mais plataformas digitais. Acho que as plataformas digitais vieram para suprir isso, as pessoas baixam as suas playlists e escutam. As minhas músicas são ouvidas assim, o Jabá (pagar para tocar música em programação de rádio e TV) está com os dias contados. Nas rádios FMs as minhas músicas não tocarão, pois cobram valores absurdos e não tenho essa grande (risos). Viva as Plataformas Digitais!

25) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Fábio Moraes: Quem quer trilhar uma carreira musical tem que estudar, se aprimorar sempre, tem que ser o melhor, está sempre se superando e não parar de compor, ser humilde e profissional sempre, esse é o caminho para o êxito.

26) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Fábio Moraes: Quanto aos Festivais de Música não tenho nada contra, deveria é ter mais. Eu tenho boas recordações, mas torno a dizer que a falta de investimentos dos governos está levando os festivais a extinção infelizmente.

27) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música revela novos talentos?

Fábio Moraes: Atualmente não porque são muito poucos, mas antigamente sim, eram muito fortes e sugiram grandes nomes no mercado musical.

28) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Fábio Moraes: A grande mídia hoje não dá muita oportunidade a artistas independentes, aí entra o “jabá”, quanto mais dinheiro você injetar mais a sua cara aparece, é assim que funciona infelizmente, o mercado é cruel, não basta ter só talento, tem que ter investidores investimentos maciços.

29) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Fábio Moraes: Acho ótimo, é isso que precisamos investimentos e parcerias, admiro o SESC, inclusive me deram apoio quando lancei meu CD, levam cultura para o povo com preços que dão pra pagar, muito legal essa iniciativa.

30) RM: O circuito de Bar da cidade que você é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Fábio Moraes: O circuito de Bares aqui em São Gonçalo – RJ está muito concorrido, é muito musico no mesmo lugar. Quando eu comecei era menor a concorrência, hoje é difícil você sobreviver dependendo de apresentações em Bares, tem que ter uma fonte de renda paralela.

31) RM: Quais os seus projetos futuros?

Fábio Moraes: Meus projetos para o futuro são lançar novas músicas no mercado e investir em marketing e fazer mais shows ao vivo. Em setembro 2019 lancei o single de minha autoria “EM MEU BRASIL”, nessa canção exalto as belezas naturais do Rio de Janeiro. E faço uma homenagem ao movimento da Bossa Nova e aos músicos e poetas que fizeram parte dessa história como: João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Carlos Lyra, Roberto Menescal e a inesquecível garota de Ipanema (Heloísa Eneida Menezes Paes Pinto Pinheiro, ou simplesmente Helô Pinheiro). Espero que gostem desse meu novo single que foi feito com muito amor e carinho.

32) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Fábio Moraes: (21) 99636-2281 | [email protected] |

YouTube : www.youtube.com/cantorfabiomoraesoficial | www.facebook.com\cantorfabiomoraes | Instagram: @cantorfabiomoraesoficial

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.