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Élio Camalle Por
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa Cantor, compositor e ator, Élio Camalle lançou cincos CDs e músicas em coletâneas distribuídas no Japão e Europa. Suas canções foram interpretadas por grandes nomes da música brasileira como: Daniel Gonzaga e Fábio Júnior. Foi finalista em 2005 com a canção “Sai da Cruz” do Festival A Nova Música do Brasil exibido pela TV Cultura em rede nacional. E como ator participou dos musicais: “Noturno” de Oswaldo Montenegro e “Brasil Outros Quinhentos” de Millôr Fernandes. E no cinema estréia no longa-metragem Família Vende Tudo comédia de Alain Fresnot. Além de interpretar a personagem “Aió” tem uma canção sua (Vício em parceria com Fresnot) na trilha sonora. Em 2009 lançou o CD multimídia - A Felicidade.exe, trabalho voltado às tendências da linguagem virtual. Camalle é um dos artistas mais relevante do grande ABC. Um talento acima da média como cantor e compositor. Letras inteligentes, bem humoradas e debochadas. Segue abaixo entrevista exclusiva de Élio Camalle em 06/01/2010 para www.ritmomelodia.mus.br: 1-) Ritmo Melodia – Qual sua data de nascimento e sua cidade natal? Élio Camalle - Eu nasci em 04 de junho em São Caetano do Sul- SP. E me criei na capital, meus pais eram retirantes do sertão da Bahia e fixaram moradia em Sampa. 2-) RM – Fale do seu primeiro contato com a música? EC - Ainda era muito garoto e já compunha. Só que sem instrumento, só a melodia. Mas o primeiro momento em que me vi realmente envolvido com a música de fato foi quando integrei o grupo de canto coral de minha escola, o colégio Aroldo de Azevedo. E nunca mais parei de cantar. 3-) RM – Qual sua formação musical e\ou acadêmica (Teórica)? EC - Eu sou autodidata de carteirinha (risos). Sempre estudei por minha conta. Mesmo acreditando que o contrário de autodidatismo não seja o acadêmico. Por que só podemos aprender com o outro, sendo assim, meus professores foram muitos. Depois de alguns anos já atuando no meio musical, fiz um curso particular de harmonia e improvisação com o professor Robson Miguel (quem mais tarde me deu o primeiro emprego no ofício de ensinar violão popular). 4-) RM – Quais suas influencias musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância? EC – Eu sou filho de retirantes do sertão da Bahia, logo minha experiência com a musicalidade dos meus pais passa por canções simples, românticas de rádio e de massa quando eles já estavam aqui em São Paulo. As grandes influências em minha formação musical foram: Roberto Carlos, Caetano Veloso, Elvis Presley, Raul Seixas. Com relação aos meus ídolos de agora, fica muito difícil por que existem muitos talentos em andamento. E no Brasil nem sempre quer dizer que são novos, que iniciaram agora sua trajetória. Eu arrisco dizer que compositores como Adolar Marin, Kléber Albuquerque, Daniel Gonzaga entre outros amigos, são grandes referências do novo. E com relação aos que já não tem mais importância, penso que ninguém! 5-) RM – Quando, como e onde você começou sua carreira profissional? EC – Eu não sabia que viveria de música até a chegada da década de 90 quando já cantava nos bares da cidade de São Paulo. Foi em 1998 que gravei meu primeiro CD - Mágicas pela Babliú Discos. A pesar de já estar trabalhando com música, penso que foi a partir desse momento que iniciei minha carreira profissional. 6-) RM – Quantos CDs (músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as musicas que estão entrando no gosto do seu público? EC – São cinco CDs desde o: CD - Mágicas. Sem contar às coletâneas que saíram aqui e no exterior. O CD – Mágicas em 1998 (repertório carregado de influência da música brasileira que tocava na noite na década de 70). O CD – Cria em 2000 (é a primeira tentativa de flerte com o rock-balada e outras leituras mais populares). E O CD - Antes e Depois do Fim Do Mundo em 2003 (é uma busca pelo acústico com bases de violões de aço e nylon em primeiro plano). O CD - Bicho Preto em 2006 (outra produção afiadíssima do mestre Dino Barione, uma volta ao pensamento arrojado de arranjos com poesias densas). E o CD - A Felicidade.exe em 2009 (o repertório é popular, repleto de ironia. A Formação é básica de guitarra, baixo, violão e bateria). E CD, sempre com pitadas de humor, ora flerta com o Brega ora com o rock. Os músicos são incontáveis no decorrer dessas produções. Vale deixar registrado aqui que durante esses anos tenho gravado e me apresentado com verdadeiros mestres do cenário musical brasileiro: Dino Barioni, Fabio Canella, André Freitas, João Cristal, Fraçois Lima, e tantos outros. 7-) RM – Como você define seu estilo musical? EC – Não defino. Adoro me aventurar em busca de um novo modo de dizer aquilo que sinto a cerca do meu tempo. Faço samba, faço rock, faço música. Eu não acredito que haja uma definição sem essa estar atrelada aos conceitos de mercado. Sendo assim, meu estilo é o de ampliar o trabalho para cada vez mais me comunicar com mais pessoas através da música. 8-) RM – Como é seu processo de compor? EC – O tempo hoje em dia é curto, não é como antigamente. As responsabilidades são tantas. Sendo assim, já não fico horas namorando uma ideia. Anoto tudo em meu notebook e espero o dia pra desenvolvê-las! Existe também a possibilidade da composição por encomenda: para uma peça de teatro, para uma cantora que me pede uma coisa específica, coisas assim. Gosto muito de desenvolver tudo junto, quando é possível, do contrário me contento em criar a melodia. E espeto o pen drive na USB do rádio do carro e enquanto o trânsito vai enlouquecendo a cidade, eu vou criando a letra! 9-) RM – Quais são seus principais parceiros musicais? EC – Meu amigo, o poeta Léo Nogueira. Ele é o mais assíduo parceiro. Ele é compulsivo e precisa escrever todo o tempo. E como saímos muito juntos para papear, não nos escapa a experiência da canção. Mas deixo claro, que não tenho nenhum problema em fazer parcerias com outros compositores e que de fato gosto muito. Até aqui tenho tido muitas alegrias musicais com o Kléber Albuquerque, Daniel Gonzaga, Rafael Altério e espero outros! 10-) RM – Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente? EC – Eu costumo dizer que fazemos música dependente. Dependemos sempre de infraestrutura de uma empresa de marketing que possa nos colocar de igual para igual com as grandes empresas. Todos os pensamentos de mercado são os mesmos para os dois lados. Um quer o que o outro quer. Sendo assim, um músico é dependente por que não tem dinheiro pra investir na carreira e o outro é independente por tê-lo. A classe artística deve brigar por seus direitos na esfera política Federal, Estadual e Municipal, de modo que haja uma distribuição de renda mais justa que possa ampliar e levar as artes às comunidades das quais elas fazem parte, enriquecendo o conteúdo sociocultural da população. 11-) RM – Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu? EC – Eu vou colocar todos no mesmo saco, eu acho. Sem dúvida que a revelação fica por conta de todo o pessoal do movimento manguebeat. E a regressão fica de novo na mão de um mercado ignorante que cada vez mais prioriza a produção de massa, barata e rentável. Não tenho dúvida de que, a classe artística não tendo representação no congresso nacional para que se faça necessário a ampliação das atividades culturais junto às comunidades. Criando assim consciência e percepção, esse cenário será incorrigível. Voltando um pouco mais no assunto, acredito que a cantora Maria Rita venha fazendo um trabalho sério de sair da barra da saia da mãe. 12-) RM – Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística? EC – Dino Barioni, Daniel Gonzaga e Kléber Albuquerque. 13-) RM – Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical? EC – Por julgar meu instrumento inferior, pedi emprestado um violão da Yamaha de um amigo para participar de um festival de música. Cujo prêmio era de mil e quinhentos reais (R$ 1.500,00). Quando foi dado o resultado da classificação, meu espanto primeiro foi de receber o primeiro lugar. Em seguida, quando pulava para festejar, me escapou o violão da mão e se quebrou em dois pedaços. Tive que deixar a quantia toda lá, pois era justamente o valor do violão emprestado. 14-) RM – O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical? EC – Fico feliz quando faço música, fico triste se não posso tocá-la! 15-) RM – Nos apresente a cena musical do ABC paulista? EC – Quero deixar aqui um convite para quem estiver lendo: Vá ao Tupinikin, essa casa fica na rua das Monsões esquina com a Figueiras em Santo André. Tem como seu anfitrião o Alexandre, incentivador cultural e proprietário. Nesta casa você vai poder conferir um celeiro de artistas, instrumentistas e compositores que fazem a diferença. Compositores representantes dessa geração musical no ABC, diria que são: Adolar Marin e Daniel Pessoa. 16-) RM – Você acredita que sua música vai tocar nas rádios sem o jabá? EC – Pode ser que isso aconteça. Os veículos públicos de comunicação funcionam como empresas promotoras de produtos vários. É óbvio que o espaço que paga um produto X não sairá de graça só por que o outro é Música. Afinal mesma música deverá ser vendida depois e não vejo alguém que alguém facilitaria o modo de ganhar dinheiro. Logo, Jabá é o nome que se dá ao objeto de troca e isso quando falamos de grandes negócios. Se por ventura minha música estiver falando com seu público, em algum momento esse universo necessariamente se abrirá. Podemos pensar também que o próprio conceito de rádio possa mudar, temos hoje veículos à mão, a internet que o diga! 17-) RM – O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical? EC – Estude música, faça sua música, seja sincero com sua arte. 18-) RM - Fale da importância do Clube Caiubi nos encontros autorais e como rede social? EC – Tivemos já algumas organizações neste sentido: Clube da Esquina, Tropicalistas, Bossa Novista. Penso que o Clube Caiubi – www.clubecaiubi.ning.con - e mais precisamente o Sonekka, está fazendo um trabalho relevante. É sem dúvida o modo mais atual de se encontrar com os amigos compositores e descobrir e ampliar novos horizontes. É um modo genial de estreitar a distância ditada pela mídia absolutista e fazer contato com as mais várias expressões culturais. Parabéns ao Clube. 19-) RM – Quais os projetos futuros? EC – Em 2010 continuo trabalhando na divulgação do CD e show A Felicidade.exe, simultaneamente preparo o DVD de mesmo nome. Além de desenvolver um trabalho de trilha para o cinema nacional dentro de um projeto do diretor Alain Fresnot. Convido a todos para estreia nacional do longa-metragem Família Vende Tudo, comédia do mesmo diretor com Lima Duarte, Caco Ciocler, Luana Piovani e entre outros, eu, na trilha e na tela. O filme deve estreia em meados do primeiro semestre de 2010. Contatos:(11) 8429 - 6553 / camalle@gmail.com / www.mypace.com/eliocamalleoficial |