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Mauricio Pereira Por
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa O cantor,
compositor, saxofonista, produtor musical, ator e jornalista paulistano Mauricio
Pereira, integrou nos anos 80 a banda Os Mulheres Negras, que se
caracterizava por sua teatralidade e experimentalismo, e que lançou 2
discos – atualmente esgotados – pela gravadora Warner. Entre 1992 e
1994 foi cantor da banda do programa diário “Fanzine”, sempre ao
vivo na TV Cultura, apresentado pelo escritor Marcelo Rubens Paiva,
onde cantou, diariamente durante 2 anos, mais de 600 canções brasileiras
dos mais variados gêneros e autores. Tem quatro
discos solo lançados: "Na Tradição", "Mergulhar na
Surpresa", "Canções que Um Dia Você Já Assobiou –
vol.1" e "Pra Marte", todos em catálogo pelo selo
independente Lua Music ( www.luamusic.com.br
). Mauricio produziu, além dos seus próprios discos e os dos Mulheres,
discos de jovens artistas brasileiros como o duo instrumental Bico de
Pena, as cantoras Rita Monteiro e Rossanna Decelso, a Banda
Paralela, o compositor pernambucano, Armando Lôbo. Dirigiu shows
de: Hermeto Paschoal, Paulo Moura, Os Incríveis, Jerry Adriani. Fez
a direção musical de peças de teatro: Um Certo Faroeste Caboclo, A
Gata Borralheira e a direção de dublagem musical de desenhos animados
e videogames (Discovery Kids).Trabalhou como ator em teatro: Parlapatões,
Jogando no Quintal, propaganda (Nextel) e séries educativas (TV Futura,
TV Senac, TV Cultura), nas quais fez também trabalho de pesquisa e
reportagem. Compôs trilhas para peças de teatro e documentários. Como
jornalista, faz a pesquisa, pauta e reportagem dos documentários que
acompanham os shows gravados pelo Instituto Itaú Cultural, para a série de
DVDs “Toca Brasil” (Edith do Prato, Berimbrown, Mombojó,
Quaternaglia, Nei Lisboa, Nei Lopes, Siba e a Fuloresta, Banda Mantiqueira,
entre outros). Figura no
Guinness Book dos Recordes 1998 por ter feito, em 1996 no Centro Cultural São
Paulo, o primeiro show brasileiro ao vivo via internet. Regularmente,
realiza oficinas e palestras sobre composição de canções, sobre produção
cultural, sobre produção de discos e shows, e participa de programas de
formação de público para música (para universidades, prefeituras e
instituições como SESC, SESI, Fundação Bienal, Itaú Cultural, Soc. de
Cultura Artística). Conheça mais
desse multimídia e multifacetado Mauricio Pereira em entrevista exclusiva
para a www.ritmomelodia.mus.br
em 01\12\2008: 1-) Ritmo Melodia – Qual
sua data de nascimento e sua cidade natal? Mauricio
Pereira - Nasci em São Paulo (8 de novembro de
1959). 2-) RM – Fale do seu
primeiro contato com a música? MP - O primeiro contato foi com o povo que cantava pra eu dormir,
certamente. Depois, as marchinhas no Carnaval. A minha mãe dando aulas de
piano. As músicas dos grupos e cantores (as) da Jovem Guarda e as
dos Beatles. E principalmente as músicas que tocavam no rádio, eu
amo ouvir rádio. 3-) RM – Qual sua formação musical e\ou acadêmica em música ou em outra área? MP - Me formei jornalista pela USP em 1980. E confesso que uso o que
aprendi, tanto pra a profissão de músico quanto pra outras coisas. Mas já
estudava música antes. Estudei piano e teoria musical quando era pequeno.
Na época da faculdade estudei sax, teoria, harmonia. Conheci o André
Abujamra justo num curso de 2 anos de percussão africana, com um discípulo
do percussionista argelino Guem. E no tempo do Os Mulheres Negras
estudei contrabaixo e harmonia, além de continuar com o sax. 4-) RM – Quais suas
influencias musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância? MP - As primeiras devem ter sido a Jovem Guarda e o Beatles.
Escutei muito rádio nos anos 60, o que quer dizer: tudo. Gonzagão,
Elvis, Ray Charles, Lindomar Castilho, pop italiano de montão. Em
seguida, eu já tava com uns 10 anos, o Tropicalismo fez a minha cabeça,
mesmo eu sendo criança. Caetano, Gil, Mutantes, Tom Zé, Gal. A
gente ouvia muito isso lá em casa. O “despreconceito” do tropicalismo
fabricou um bom pedaço da minha alma, acho que ele está até na raiz do
trabalho dos Mulheres Negras, e também do meu terceiro disco solo: “Canções
Que Um Dia Você Já Assobiou”. 5-) RM – Quando, como e
onde você começou sua carreira profissional? MP - Quando eu conheci o André Abujamra em São Paulo,
em 1983, quando eu ainda era revisor do jornal Estadão. Eu tinha 23
anos, sou um músico tardio, e encontrar o André me jogou pra dentro
da música. Fizemos o curso de ritmos africanos, e logo estávamos tocando
juntos, primeiro no Muscad Xalote, depois na banda Os Mulheres
Negras. 6-) RM – Quantos discos
lançados (músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical
de cada CD? E quais as musicas que caiu no gosto do seu público? MP - Lancei 2 discos com os Mulheres Negras, mais 4 solos. Vou contar a história… Em 1988, pela
gravadora Warner, saiu o “Música e Ciência”, um disco
que registrava o trabalho inicial da banda Os Mulheres Negras, muita
brincadeira, muita experiência, muita liberdade, muita liga entre eu e o André.
Trabalhávamos com a tecnologia primária que tinha na época, em termos de
samplers e teclados, coisas simples, compradas no Mappin ou no Paraguai.
Destaque pra a versão de Yellow Submarine, a nossa “Sub”. Em 1990, ainda
na Warner, o segundo disco da banda Os Mulheres Negras, “Música
Serve Pra Isso”. Já mais experientes, era um disco mais de canções,
poeticamente mais forte (eu tava amadurecendo como cancionista), e muito bem
produzido (o André estava amadurecendo como produtor). É um belo
disco. Destaque para a música “John”. Aí vem a carreira solo.. Em 1995 eu
lancei o “Na Tradição”,
um disco de canções, uma mpb tocada com aspereza por uma banda (a Natra
Tocatudo) formada por Eli Roisman na bateria, Fon Jimenez
no contrabaixo, Claudio Bone no trombone, vocais e guitarras, e Gerson
Surya no piano elétrico. Desse disco, o povo gostava de “Pinguim”,
“Tudo por Ti”, “Pan y Leche”. Em 1998 fiz mais uma safra de canções e gravei o disco “Mergulhar na Surpresa”, basicamente de piano e voz, com o pianista Daniel Szafran. É um disco que gosto muito. O meu trabalho com o Szafran é muito forte. Destaque pra “Dia Útil”. Desse disco participaram vários músicos de São Paulo: Skowa, Mario Manga, Luiz Waack, Paulo Lepetit, Eduardo Cabello, Guello, Paulo Freire, Tonho Penhasco. Em 2003, gravei um disco só de clássicos do rádio, nenhuma música minha. Gravei ao vivo em São Paulo com a banda Turbilhão de Ritmos, músicos que eu conheci quando trabalhei como cantor do programa Fanzine, da TV Cultura. O nome do disco é “Canções Que Um Dia Você Já Assobiou –vol.1”. Tem músicas de Erasmo Carlos, Dalto, Lamartine Babo, Adoniran Barbosa, gravei Galopeira, O Amor e o Poder. É um disco de quem ouviu rádio e não tem preconceito (acho que por conta disso tem gente que tem algum preconceito com esse disco...). Os músicos: Carneiro Sândalo - bateria; Reinaldo Chulapa - contrabaixo; Daniel Szafran - piano; Amilcar Rodrigues - trompete e Luiz Waack - Guitarra. E finalmente,
em 2007 lancei o “Pra Marte”, um disco autoral, da poesia forte,
e com uma banda que tem muita alma e improvisa muito, entende bem a poesia
das letras e a traduz pro som. Os músicos: Leandro Paccagnella -
bateria; Mano Bap - contrabaixo; Tonho Penhasco e Luiz Waack - guitarras.
Convidados: Skowa, Alice Ruiz, André Abujamra e Daniel Szafran. Meus discos
solo estão todos em catálogo, pela Lua Music ( www.luamusic.com.br ) 7-) RM – Quais são seus
principais parceiros musicais? MP - O André Abujamra, a gente tem uma liga muito boa, mesmo não
se vendo sempre, quando junta ninguém segura. O mesmo se passa com o Daniel
Szafran, tanto que, mesmo 10 anos depois, a gente continua fazendo shows
do Mergulhar, e o público gosta muito. Tem o Skowa, a gente
tem uma liga boa no palco. E um parceiro recente, que eu gosto muito, é o Arthur
de Faria, um mestre lá de Porto Alegre. As bandas dos meus discos também costumam ser uma parceria forte, são sempre músicos com quem eu posso tocar de olhos fechados, esse time do Pra Marte é maravilhoso (Luiz Waack, Tonho Penhasco, Mano Bap, Leandro Paccagnella). 8-) RM – Como você
define seu estilo musical? MP - Pop urbano, acho eu. Quando eu preciso sou pop, ou experimental,
ou tradicional. Cresci ouvindo tudo, coisa de quem é criado em metrópole.
E acho que meu lado letrista e melodista. Torna-me um típico compositor
brasileiro de canções. E sou um letrista forte, isso faz diferença no meu
trabalho: trabalhamos de coração quente. 9-) RM – Como é seu
processo de compor? MP - Não tem muito processo. Cada música é feita de um jeito. A única
coisa é que eu gosto de fazer e deixar a música crescer sozinha, que nem
massa de bolo… Às vezes vem música e letra juntas, aconteceu muito isso
no Mulheres, e também nos 2 primeiros discos. O Pra Marte, na maior
parte, eu fiz as letras primeiro, tava com sede de texto. 10-) RM – Quais os prós
e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente? MP - Prós: a liberdade de
expressão, e o tanto que se aprende, porque você não faz só a música.
Você tem que produzir, vender, fazer soar. Acho que abre a cabeça e o
leque de conhecimento. O cara tem que se tornar multidisciplinar. E acho q a
gente fica mais cooperativo. Contras: é
muito difícil sobreviver só de música sendo independente, tem pouco espaço
na mídia. Por conta disso a maioria dos músicos independentes faz um monte
de coisa além de tocar. 11-) RM – Como você
analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às
revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras
consistentes e quem regrediu? MP - O cenário brasileiro é maravilhoso. Cada época sempre tem músicos
interpretando com criatividade (mesmo sob a pressão do mercado e crises
econômicas) o Brasil, sua alma, seu dia – a - dia, sua cultura. Não
vejo ninguém que regrida, acho que não existe isso em música, é quase
impossível. O que eu achei interessante nos últimos 20 anos? Rap,
Mangue Beat, o renascimento do samba e do choro entre os
jovens (acho até que o pagode, tão criticado, foi uma das causas desse
renascimento), o rock sempre forte (especialmente o independente, de
2000 pra cá), o Funk carioca se consolidou, a música eletrônica
brasileira se consolidou. Enfim, é tanta coisa interessante que se eu começar
não paro mais. Mas acho que o mais importante das últimas duas décadas é
que a música independente tomou conta da cena, é realmente ela que está
dando o tom da música brasileira, porque se dependesse das gravadoras
grandes a música brasileira estaria mumificada… 12-) RM – Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística? MP - Puxa, tem tanto… Acho que o Caetano Veloso é um herói
nacional. Um cara que filosofa pro povo, graças às idéias dele, aos
questionamentos que ele coloca em linguagem que todos podem entender, existe
mais liberdade pra se trabalhar, no estilo que for, do jeito que for. 13-) RM – O que lhe
deixa mais feliz e mais triste na carreira musical? MP - Mais feliz: subir no palco e tocar. A música daqui é de muita
qualidade, muito espírito. Mais triste: o
mercado restrito pra se trabalhar no Brasil, ainda é muito difícil
fazer show. Acho q isso é um problema estrutural do Brasil: só se
resolve com distribuição de renda e ensino público massivo e de boa
qualidade. Fácil, né? 14-) RM –
Nos apresente a cena musical paulistana dentro do seu universo musical? 15-) RM – Quais os músicos na cena paulistana que na
sua opinião tem uma obra consistente, regular e inovadora? MP - Eu vou juntar essas duas perguntas numa só, elas têm a ver. Tem muita coisa interessante em São Paulo, nos mais variados gêneros. O Rap e o Rock, sempre. Têm essa onda de Samba e Choro, feitos por molecada, músicos jovens. Várias rodas de Samba ou Choro pela cidade, já há anos. Na MPB, tem muita gente, difícil até enumerar. O pessoal da Barca tem gerado belos discos, a Juçara Marçal, tem o Padê, o Lincoln Antonio, tem o “Entrevista com Stela do Patrocínio”. O pessoal da minha banda tem belos trabalhos: o Luiz Waack produziu ano passado o disco novo da Alzira Espíndola, o do Edvaldo Santana, e um infantil: Por Quê? Que ganhou o prêmio Tim. O Mano Bap produziu o Zé de Riba, além de tocar no Alta Fidelidade, no Karnak do meu mano Abu, no Scrutinizer (fabulosa banda que toca só Frank Zappa). E tem gentes de fora que tão radicadas aqui, tipo, Zeca Baleiro, Chico César, Wander Wildner, Porongas, Vanguart. É muita coisa, gentes lançando disco de todo jeito, via internet, em boteco pequeno, em megateatro. A cena de São Paulo é rica e variada, se eu começar a lembrar não paro mais. 16-) RM – Qual a relação da sua proposta musical com a vanguarda paulistana? MP - Acho que não tem uma relação direta, tipo uma influência. O
que tem em comum é o fato de eu, há quase 30 anos, estar na estrada
batalhando pra fazer música da minha cabeça e tentando me dar liberdade de
criação, como eles. E também a experiência de ser produtor independente.
À parte isso, eu tenho o enorme prazer de tocar ou ter tocado com vários músicos/mestres
que vêm dessa geração da chamada “vanguarda”. Na minha banda mesmo,
agora, estão o Luiz Waack e o Tonho Penhasco nas guitarras,
eles que tocaram com o Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé, Suzana Salles,
um monte de gente. E outros tantos, né? 17-) RM – Você acredita
que sua música vai tocar nas rádios sem o jabá? MP - Praticamente impossível. Só nas rádios públicas ou da web. Mas
eu não toparia pagar jabá (pagar para a música ser tocada na programação
de uma rádio), aí é que tá… Acho que ele (o jabá) destrói o mercado
e a programação das rádios, odeio o jabá. Esse ano eu pesquisei quais as
rádios do interior de São Paulo que poderiam tocar o meu som. Um
belo dia. Catei meu carro e fui pra lá, uma por uma. Os caras das rádios
quase caíam de costas quando me viam por lá… foi ótimo, abri muita
porta. Estou na estrada há muitos anos, mas ainda tem que batalhar como se
eu tivesse começado ontem. Faz parte. 18-) RM – O que você
diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical? MP - Tenha muita paciência e muito tesão. 19-) RM – Como você ver e usa a
ferramenta da internet para propagar e popularizar seu trabalho? MP - O Mulheres, mesmo antes de existir a internet, usava um
raciocínio internético. A gente tinha uma lista gigante de e-mail, e
mandava uma newsletter pros caras, éramos super interativos com o público.
Depois, eu fui dos primeiros artistas a ter um site. Em 1995, cheguei a
esperar a web existir pra lançar o CD Na Tradição. Em 1996 entrei
pro Guinness Book, acredita, fiz o primeiro show ao vivo via internet
no Brasil. E sempre usei muito o e-mail pra divulgar shows, o www.myspace.com e o www.youtube.com são ferramentas ótimas.
Seja para divulgar, vender, trocar informações com músicos do mundo
inteiro, a internet é bárbara. Agora é esperar para ver no que vão dar
essas mudanças todas que a tecnologia está gerando. Estamos em uma transição
muito forte do jeito de fazer e ouvir música. Acho que ainda leva tempo pra
a poeira assentar. Vamos ver... 20-) RM – Quais os
projetos futuros? MP - Em 2009 quero viajar com o show do Pra Marte, especialmente
pro interior de São Paulo, que tem um público que eu adoro. Fora
isso, estou voltando a fazer os shows dos meus discos antigos, começando
pelo Mergulhar na Surpresa, que eu faço só com o Daniel Szafran
no piano. Ele é bem diferente do Pra Marte, fiz uma temporada agora
no fim do ano e foi um sucesso, muita gente queria ouvir/ver de novo. Então
eu vou prosseguir. Uma hora ou outra deve rolar algo com o André
Abujamra, não sei como nem quando, só sei que vai. E continuar com
outros trabalhos que eu tenho feito, e que não são só musicais, por
exemplo, apresentando a série de shows de um projeto de formação de público
no interior, chamado Ouvir para Crescer. Fazendo a pesquisa de
documentários como o do Itamar Assumpção que o Itaú Cultural
vai lançar em 2009, trabalhos de locutor e ator. São jeitos de manter a
minha cabeça afiada e ganhar um troco pra manter a independência do meu
trabalho musical, né? Um abraço pra
todos, e se quiserem entrar em contato, escrevam, que eu respondo: pereira@mauriciopereira.com.br E tem os
sites, em que todos podem saber o que eu ando aprontando ou a agenda de
shows, canais pra achar meus discos, etc e tal:www.mauriciopereira.com.br \ www.myspace.com/mauriciopereira
\ www.youtube.com/mug5599 Contato para show: Luci
Traça - Articulartes (11) 3739-2707 \ (11) 8144-7068 \
Nextel (11) 7840-9335 ID 2*40335 - MSN - lucimusical@hotmail.com Skype -
lucitraca |