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Fábio Dantas Por
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa O cantor,
pianista e compositor paraibano Fábio Dantas é filho caçula de uma
família de artistas. O pai, Adhemar Dantas, é um dos mais
conhecidos e atuantes intelectuais paraibano, tendo sido precursor do atual
movimento teatral da cidade. E sua mãe, Norma Dantas, passou-lhe as
primeiras instruções sobre piano aos cinco anos de idade. Descobrindo os primeiros acordes, ele passou a desenvolver uma técnica pessoal, priorizando o simples e genuíno prazer pelo som resultante dos acordes. No seu processo autodidata descobriu a música popular e com o auxílio de sua mãe conheceu a música clássica (seu compositor favorito é Chopin). Porém, o pianista confessa sentir um prazer bem maior ao tocar "de ouvido", uma vez que isto possibilita uma maior expressividade, bem como aumenta as possibilidades de criação de novos acordes, muitas vezes experimentais e insólitos... Fábio concilia a carreira de médico com a de músico e de radialista (apresenta e produz um programa especializado em MPB na rádio Campina Grande FM, há 20 anos). Já se apresentou ao lado de praticamente todos os artistas de Campina Grande, incluindo nomes como Capilé, Kátia Virgínia, Gabmar Cavalcanti, Marinês, Cida Lobo, Emerson Uray, Moisés Freire, Fidélia Cassandra, Tony Dumont, Sandra Medeiros e Jorge Ribbas. Participou e co-produziu espetáculos de grande repercussão na cidade como: Vias Abertas, Preto no Branco, Sol e Lua, Grande Encontro de MPB Campinense e o Tributo a Elis Regina. Seus últimos projetos musicais incluem a gravação, ao vivo, do CD - Chico em Voz e Piano, em 2005, com a participação do cantor Júnior Meneses, e o mais recentemente, o CD - “Sobreamigos”, lançado em outubro de 2006, com um repertório inédito e autoral, contando com participações especiais de diversos artistas locais. O projeto mais
recente é o CD - “Outros Tons”, exclusivamente autoral, em que Fábio
canta parte do repertório, ao lado da cantora Kátia Virgínia. O CD
traz também poemas, declamados por Fidélia Cassandra, e a participação
dos excelentes músicos Gabmar Cavalcanti, Beto Piller, Luciano Salsa e
Harlann Santos. O CD é temático, trazendo a visão de diversos
assuntos, incluindo a preocupação ambiental, política, religião e outras
questões sociais cotidianas. O lançamento está previsto para agosto de
2008. Segue abaixo entrevista exclusiva de Fábio Dantas em
02\08\2008 para a www.ritmomelodia.mus.br
: 1-) Ritmo Melodia – Qual
sua data de nascimento e sua cidade natal? Fábio Dantas - Nasci em Campina
Grande - PB, em 19 de setembro de 1965. 2-) RM – Fale do seu
primeiro contato com a música? FD - Desde criança, sempre me interessei por música. Minha mãe e
minha irmã tocavam piano, e eu gostava de ouvir, e tentar reproduzir o que
elas tocavam. A partir dos cinco anos de idade o piano começou a ser minha
grande paixão. 3-) RM – Qual sua formação
musical e\ou acadêmica (Teórica)? FD - Não tenho formação musical formal, fui autodidata, embora
minha mãe tenha me ensinado a leitura de partitura. Sou formado em
odontologia e em medicina. Após concluir o curso médico, fiz residência médica
e pós-graduação em neurologia em São Paulo - SP. Depois, prestei
prova para especialista em neurofisiologia clínica (áreas de
eletrencefalografia e polissonografia) e em medicina do sono, sendo aprovado
em todas elas. Atualmente, atuo como professor da Universidade Estadual da
Paraíba, e trabalho com polissonografia e eletrencefalografia. 4-) RM –
Quais suas influencias musicais no passado e no presente. Quais deixaram de
ter importância? FD - Influências do passado: Chico Buarque, Elis Regina, Taiguara, Milton Nascimento, Djavan, Ivan
Lins, Tom Jobim, Edu Lobo, Johnny Mathis, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan,
Barbra Streisand. Influências
do presente: Harry Connick Jr., Josh
Groban, Leila Pinheiro, Roberta Sá, Jorge Vercilo, Lenine, Jane Montheit. Nenhum
deles deixou de ter importância. 5-) RM –
Quando, como e onde você começou
sua carreira profissional? FD - Em 1987, participando de um festival de música em Campina Grande, a convite de amigos
cantores. A partir daí, muitos eventos e participações viriam. 6-) RM –
Fale do seu primeiro CD (músicos que participaram nas gravações).? Qual o
perfil musical do CD? E quais as musicas que estão entrando no gosto do seu
público? FD - Meu primeiro CD se chama "Chico em Voz e Piano", lançado em 2005. Eu e o cantor Júnior Meneses registramos ao vivo
um show realizado em Campina Grande,
com repertório exclusivamente de Chico
Buarque de Holanda, por quem temos profunda admiração pelo artista. O
CD teve grande repercussão, e o show foi apresentado cerca de 10 vezes,
inclusive em Belo Horizonte - MG.
Depois, veio o
"Sobreamigos", de 2006, meu primeiro trabalho autoral, com
participação especial de diversos amigos da música, cantando e tocando. O
perfil é variado, mas se baseia na tradicional MPB, com Bossa Nova, Canções
e arrisca viagens musicais diversas, como o Tango e o Blues. 7-) RM –
Quais são seus principais parceiros musicais? FD - A cantora Kátia Virgínia
e o músico e arranjador Gabmar
Cavalcanti. Tenho profunda admiração por eles, e um orgulho muito
grande por tê-los como parceiros e amigos. 8-) RM –
Nesse seu CD em que você contou com a participação vários artistas
campinenses. Faltou algum parceiro musical que você gostaria que
participasse? FD - Acredito que o "Sobreamigos"
foi um trabalho muito consensual, não imagino outros cantores ou músicos
participando do disco. Para outros, quem sabe... 9-) RM –
Como você define seu estilo musical? FD - Acho que sou predominantemente ligado ao estilo MPB clássico,
mas arrisco incursões em outras áreas, em outros estilos, como os que
permeiam o jazz e o blues. 10-) RM –
Como é seu processo de compor? FD - É um processo de difícil definição. A inspiração
normalmente nasce de uma idéia ou de um momento vivido. Geralmente, escrevo
a letra, já imaginando a melodia, e vou fazendo as adaptações necessárias
em ambas. Depois, no processo final, a harmonia vai sendo trabalhada, e
novos ajustes são feitos na letra e na melodia. 11-) RM –
Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma
independente? FD - Os prós são, obviamente, a total independência criativa e a
liberdade. Os contras são relacionados às dificuldades para lidar com o
mercado. A ausência de uma conexão com uma gravadora dificulta as etapas
de divulgação e comercialização do trabalho artístico. 12-) RM –
Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem
foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu
com obras consistentes e quem regrediu? FD - Acho que há coisas boas e coisas ruins, como sempre houve. A
diferença é que a cultura de massa atual privilegia os grupos e estilos
mais comerciais, sem grandes preocupações artísticas. Dentre as grandes
revelações das últimas décadas, eu cito: Marisa Monte, Jorge Vercilo, Lenine,
Celso Viáfora, Paulinho Moska, Roberta Sá, Wander Lee, Maria Rita e Ana
Carolina. Dentre eles, acho que apenas Jorge Vercilo regrediu em termos de
repertório. 13-) RM –
Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como
exemplo de profissionalismo e qualidade artística? FD - Eu cito: Maria Bethânia,
Chico Buarque, Elis Regina, Tom Jobim, Edu Lobo, Milton Nascimento, Zizi
Possi, Selma Reis e Djavan,
mas há vários outros exemplos. 14-) RM – O
que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical? FD - O que me deixa mais feliz é poder me fazer ouvir, através
daquilo que componho. A música é a linguagem mais universal e mais
apaixonante que existe. O que me deixa triste é saber que, para um dia me
tornar conhecido nacionalmente, dependo de inúmeras variáveis e conexões,
às quais nem sempre se pode ter acesso. 15-) RM –
Nos apresente a cena musical paraibana e campinense? FD - Acho que a cena musical campinense está um pouco estática,
apesar de novos nomes estarem timidamente apontando, e de lançamentos periódicos
de nomes já consagrados, como Kátia
Virgínia, Emerson Uray e Moisés Freire. A falta de incentivo e as
dificuldades com relação ao mercado são os grandes limites para os novos
nomes, como Júnior Meneses, Gabriel
Venâncio e Sandra Monteiro. Nomes como Renata Arruda e Chico César
têm conseguido levar adiante a bandeira de nossa música. 16-) RM –
Quais os músicos campinenses na atualidade que tem uma obra consistente,
regular e inovadora com força para resistir a uma visibilidade nacional? FD - Acredito na possibilidade do crescimento para
uma visibilidade nacional de nomes como Júnior Meneses, Gabriel Venâncio,
Emerson Uray, Kátia Virgínia, Gabmar Cavalcanti e Moisés Freire, além do baixista Beto Piller e do percussionista Luciano Salsa. 17-) RM – E
em relação a Paraíba quando teremos em termo de visibilidade nacional um
novo Zé Ramalho, Chico César, Jackson do Pandeiro, Flávio José, Bráulio
Tavares e Elba Ramalho? FD - Acho que os tempos são outros,
as dificuldades atuais são maiores, a despeito da facilidade para gravar um
CD. O contexto cultural e artístico do país é diferente, mais impenetrável.
Os nomes que você citou conseguiram furar um bloqueio, mas, de certa forma,
havia uma curiosidade muito grande com relação à música nordestina. Com
a chegada do axé music e dos forrós eletrônicos, esta visibilidade se
tornou maior, mas a qualidade caiu bastante. Então, novos nomes paraibanos,
que façam música de excelente qualidade, estão tendo cada vez mais
dificuldade para penetrar no mercado nacional. 18-) RM –
Você acredita que sua música vai tocar nas rádios sem o jabá? FD - Não acredito. E detesto até mesmo pensar na possibilidade de
jabá. É algo que me enoja. 19-) RM – O
que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical? FD - Digo que vá adiante, se tiver persistência, talento, paciência,
e adaptabilidade a uma realidade muitas vezes dura e massacrante. Tem de
ser, antes de tudo, um forte. 20-) RM – Quais as situações mais
inusitadas aconteceram na sua carreira musical ? FD - Já passei por problemas clássicos de todos os músicos, como
tocar sem retorno adequado, apresentar-me em bares barulhentos e com pessoas
desinteressadas pela música ao vivo. Uma vez, durante um show no teatro, o
som simplesmente parou, e ficamos conversando com a platéia, com cara de
pastel. Felizmente, conseguiram consertar. 21-) RM –
Quais os projetos futuros? FD - Em agosto, estarei lançando meu novo CD, chamado "Outros Tons",
exclusivamente com canções e poemas de minha autoria. Pela primeira vez,
também canto parte das músicas, dividindo esta responsabilidade com a
competentíssima Kátia Virgínia,
Gabmar Cavalcanti, Luciano Salsa, Harlann Santos e Beto Piller também participam do
disco, para meu orgulho e prazer. Como sempre tenho feito, pretendo
distribuir o CD com: gravadoras, artistas e jornalistas. Quem sabe, um dia a
semente germina... 22-) RM - Deixe seus contatos para
contratarem o seu show e para seus fãs? FD - Meu contato é pelo e-mail é fabiogalvaodantas@gmail.com |