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Glaucia Nasser Por
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa A cantora e
compositor Glaucia Nasser me chamou atenção pela sua voz
cristalina, forte sem perder a leveza, com balanço e apurada técnica
vocal. As suas músicas, autorais ou não, mostram todo o seu bom gosto e
influencia musical. Todas vestidas de arranjos primorosos. Se sua voz
chamou a atenção de ouvidos privilegiados como os de Roberto Menescal,
Ivan Lins e Nelson Motta e conquistou espaço em programações de rádio
pelo país. Eu nem precisaria gastar muitos palavras para convencer os meus
leitores do valor dessa artista. A gravadora americana Putumayo (líder
no segmento de world music) selecionou do seu primeiro disco (Glaucia
Nasser, de 2003) a música “Lábios de Cetim”, do
compositor Anísio Dias, para integrar a coletânea Acoustic
Brazil, junto a gravações de Chico Buarque, Caetano Veloso e
Gal Costa. No segundo álbum, Bem Demais (2005) com ecletismo e
sofisticação avançou por outras praias. Sob direção musical e produção
de Sérgio de Carvalho, responsável por obras-primas de Chico
Buarque na década de 70, ela teve o prazer de registrar uma inédita de
Ivan Lins (“Bem Demais”, parceria dele com Celso Viáfora)
e a música “Balanço Zona Sul” de Tito Madi que entrou CD
por idéia da cantora, seduzida pela clássica gravação de Wilson
Simonal, também se destacou muito. No terceiro CD - A Vida Num Segundo - que esta
mineira se expõe por inteiro. Nas 14 músicas o centro das atenções não
é apenas a intérprete que põem a sua voz a serviço de vários
personagens e autores. Ela impressiona de cara com os vôos melódicos
arriscados de “Basta Sentir”. O disco nos faz refletir e emociona
a cada canção expondo a visão de mundo de uma mulher intensa, vibrante,
sensível, delicada. E Glaucia é autora de todas as canções, quase
todas criadas em parceria com o baixista de sua banda, Ivan Rosa. Ela
compõe solfejando as melodias. E duas amigas, a goiana Andréa Flor
e a mineira Marta Costa, escrevem as letras. Através da afinidade e
amizade criaram as letras em total sintonia com a voz interior da cantora. Ela mostra no seu terceiro CD que além do
talento acima da média, seu profissionalismo é a base sólida para trilhar
uma carreira independente longe do muro das lamentações que vivem muitos músicos
brasileiros. Ela traz a simplicidade de quem vem do interior sem ser simplória,
fútil nem deslumbrada com o glamour do mundo artístico. Segue abaixo a
entrevista exclusiva de Glaucia Nasser em 04\07\2008 para a www.ritmomelodia.mus.br : 1-) Ritmo Melodia – Qual sua data de nascimento e sua
cidade natal? Glaucia Nasser - Eu nasci no dia 06 de Fevereiro de um
ano muito importante (risos) em Patos
de Minas - MG. 2-) RM – Fale do seu primeiro contato com a música? Glaucia Nasser - Desde criança que sou apaixonada por música. O Maluco Beleza (Raul Seixas) foi meu primeiro ídolo. Eu ouvia as músicas dele em uma vitrola lá de casa. A minha preferida era “eu sou a mosca que posou na sua sopa” e “O dia em que a terra parou”. Esse cara influenciou minha vida, eu acho. Com 16 anos participei do primeiro festival, fiz shows na minha cidade e cheguei a ser convidada para fazer um teste na gravadora Ariola. E aí a “brincadeira” acabou e eu só retornei 20 anos depois. 3-) RM – Qual sua formação musical e\ou acadêmica (Teórica)? Glaucia Nasser - Eu fiz aulas de canto lírico,
canto popular e trabalho de acústica vocal. Até hoje faço e agora estou
aprendendo o violão. E minha formação acadêmica foi em Administração de empresa com
especialização em Comércio exterior. 4-) RM – Quais suas influencias musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância? Glaucia Nasser - Muitas. Gonzaguinha, Milton Nascimento, Elis
Regina, Gal Costa, Maria Bethânia. A galera toda do Clube da Esquina, Rock do Yes, Genesis, Supertramp, as
cantoras de Jazz. Eu ouvi e ouço de tudo. Prefiro MPB, pop, baladas
internacionais. Tudo isso me influenciou e influencia até hoje. 5-) RM – Quando, como e onde você começou sua carreira profissional? Glaucia Nasser - Recomecei numa banda de
baile aqui da minha cidade (Pato de
Minas). E depois encontrei Anísio
Dias e começamos um trabalho juntos que originou o primeiro CD. 6-) RM – Quantos CDs lançados (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais foram as musicas que se destacaram em cada CD? Glaucia Nasser - São três CDs lançados.
O primeiro: Glaucia Nasser, tinha
na sua maioria músicas do Anísio
Dias. Foi um CD de canções. A música que se destacou foi Lábios de Cetim. Essa música fez
parte da coletânea Acoustic Brazil do selo Putumayo
e agora está fazendo parte da trilha do filme The Visitor que foi lançado nos EUA esse ano (2008). O segundo: “Bem Demais”, foi produzido por Sérgio de Carvalho com músicas de
vários compositores como Ivan Lins, Paulinho da Viola, Totonho Vileroy e outros. A música
que se destacou foi Balanço Zona Sul
do Tito Madi. Chegou a ser a vigésima
mais tocada no Rio. E agora “A Vida
Num Segundo”, é um CD autoral. São músicas minhas com parceiros: Ivan Rosa, César Braga, Andréa Flor,
Marta Costa e Luiz Enrique. A música que está se destacando é, por
enquanto, Amor Fugaz. O Cd “A Vida Num Segundo” é um CD de MPB com sangue pop... É assim
que o vejo. 7-) RM – Como você define seu estilo musical? Glaucia Nasser - Eu me defino sem estilo
fixo. Canto MPB, pop, samba, e baladas e acho que tenho um estilo só
meu...Pelo ao menos eu acho...risos 8-) RM – Como é seu processo de
compor? Glaucia Nasser - Eu componho solfejando as canções. As músicas
vêem de forma muito espontânea. Eu, ao contrário de muitos, não consigo
compor quando estou triste. Componho quando me sinto em harmonia com tudo
que está ao meu redor, quando estou tranqüila e serena. Quando estou
passando por um momento muito triste eu consigo compor apenas quando, mesmo
na tristeza, consigo um espaço dentro de mi que esteja bem sereno, mesmo
que por apenas algumas horas. 9-) RM – Quais os prós e contras
de desenvolver uma carreira musical de forma independente? Glaucia Nasser - Uma carreira independente
não é fácil. Os espaços são muito reduzidos para um artista
independente e as oportunidades são menores. Os prós: sinceramente hoje eu
já nem sei mais. 10-) RM – Como você analisa o
cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações
musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes
e quem regrediu? Glaucia Nasser - Revelações são
muitas: Lenine, Zeca Balero,
Marcelo D2, Skank, Los Hermanos, Pitty, Pedro Luis, esses são os que
para mim tem uma obra mais consistente. Acho um equívoco falar que a música
no Brasil não tem qualidade como antes. Tem muita coisa legal e trabalho
bem bacana. Para responder quem regrediu, vou ter pensar mais tempo. Os
artistas que comentei, penso que não regrediram. Acho apenas que é o curso
natural de tudo na vida. Quem estava no topo 20 anos atrás é natural que
hoje esteja em vôo cruzeiro. Não vejo como regressão. 11-) RM – Qual ou quais os músicos
já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e
qualidade artística? Glaucia Nasser – O Lenine. 12-) RM – Quais as
situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical? Glaucia Nasser - Eu já passei por
alguns momentos trágicos. Como chegar em uma casa de show e cantar para 3
pessoas apenas. Cantar em um evento dentro de uma feira que o vigia queria
nos tirar da única sala que tínhamos para servir de camarim foi um
daqueles shows que demora horas para começar. Já espetei meu salto numa
fenda no palco e fiquei apoiada uma perna só até ser acudida. Já fui
anunciada sem estar pronta e ter que vestir feito uma maluca para entrar no
palco. Já esqueceram minha mala no aeroporto e fiquei esperando a roupa
para entrar no palco e foi uma loucura e a roupa chegou com meia hora de
atraso (risos). O público quase foi embora... Gafes. É só perguntar para
o meu fã clube... Estão escrevendo todas as gafes da cantora para contarem
depois... Dá um livro (risos). 13-)
RM – O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical? Glaucia Nasser - Feliz quando estou
no palco. Triste quando não consigo mostrar meu trabalho. 14-) RM – Nos apresente a cena
musical mineira de sua cidade e BH? Glaucia
Nasser - De Belo Horizonte sei pouco. Mas os
artistas reclamam muito de BH. Da falta de
oportunidade. Em Patos de
Minas não
tem muita coisa. Alguns shows pequenos aqui e ali. Tem um conservatório de
música bem atuante e eles trazem atrações de fora de canto lírico. 15-)
RM – Na sua obra o que tem de música genuinamente mineira e o que tem de
diferente da música mineira? Glaucia
Nasser - Sim. No primeiro CD
tem música bem mineira e no último tem Louca Aventura que lembra bem o Clube da Esquina. As demais são músicas brasileiras. Não
consigo delimitar uma fronteira para minhas músicas, como falou Pedro
Só. 16-)
RM – Qual a importância e influência na sua obra dos compositores
mineiros do passado e dos seus contemporâneos? Glaucia
Nasser - Os mineiros como Milton
Nascimento, Flávio Venturini, Lô Borges
me influenciaram bastante. Hoje eu acompanho o trabalho do Affonsinho e gosto muito do Alexandre Az e sou fã do Renato Motha. Até
gravei músicas dos três. Gosto
muito do Vander Lee, Patu Fú, da Fernanda Takai, Érika Machado,
Marina Machado, Julia Ribas, Alda Rezende,
Tudo que ouço e gosto de certa forma me influencia em algum aspecto. 17-)
RM – Quais as cantoras mineiras contemporâneas que você considera de
alto nível? Glaucia
Nasser - Julia Ribas, Alda Rezende, Marina Machado, Érika
Machado, Fernanda Takai, Regina Spósito e Patrícia Lobato. 18-)
RM – Quem vocês destacariam como nova safra da música mineira dos últimos
20 anos (compositores (as) e como cantores (as))? Glaucia Nasser - Estão todos acima. Como compositores: Renato Motha, Affonsinho, Alexandre Az, Vander Lee, Érika Machado, John do Pato Fú. 19-) RM – Você já teve suas músicas
tocando nas rádios sem o jabá? Glaucia Nasser - Sim, em várias. 20-) RM – Qual seu conselho e dica para alguém que quer trilhar uma carreira musical? Glaucia Nasser - Muita perseverança e
conhecer bem como funciona tudo antes de entrar, assim você evita muitos
atropelos. 21-) RM – Quais os projetos futuros? Glaucia Nasser - Compor mais e mais e
deixar a música me levar. Onde a música me levar eu vou. 22-) RM – Quais seus contatos para show e para os fãs? Site: www.glaucianasser.com.br
/ producao@glaucianasser.com.br (Denio Costa) Telefones: (31) 3374-7726 / 9168-7055 |