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Sonekka Por
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa O
cantor e compositor paulistano Sonekka, nome artístico paradoxal,
quando se conhece essa figuraça que tem atitude e personalidade que não o
permite dormir, se quer cochilar no ponto na carreira musical e na vida. Mas
Osmar Lazarini, seu nome de batismo, só cai bem, para o engenheiro e
consultor em tecnologia. Sonekka traz nos seus dois CDs lançados, Incríveis Amores em 2003 e Agridoce em 2007, elementos de suas influencias musicais (Cazuza, Gonzaguinha, Zé Rodrix, Chico, Gil e Caetano) revisadas para o seu tempo. Define-se como um roqueiro pop com um pé na MPB. Um cantor de voz singular e agradável sem enfeites vocais. Um bom compositor e quando o assunto é colocar melodia nas letras dos seus parceiros mais constantes mantém a homogeneidade de sua obra. Quando escutei suas me surpreendeu a força de suas letras que falam de cotidiano com simplicidade sem ser simplório. Um romântico realista, agridoce, hardcore sem perder a ternura. Sua obra para mim é o que tem o cheiro de novo e original nesse século XXI na música brasileira, dizendo de forma diferente o que já foi dito por ícones da nossa música. Atualizado sem perder a essência da qualidade e a pujança do nosso cancioneiro popular. Ele optou em arregaçar as mangas e ir a luta sem esperar por
gravadoras, nem vendas em lojas. Um artista ligado a novas tendências, lançou
o novo disco, Agridoce, somente na internet, pelo iTunes, em 25 países.
E para o mercado brasileiro, há uma versão na forma de livro (Murilo
Martins é o responsável pelo design) que traz todas as letras e
pequenas crônicas que orbitam o universo do disco. A mistura é uma marca
de Sonekka. As doze músicas do CD não respeitam um único estilo. Vão
do rock, do pop e do blues a ritmos brasileiros. A suavidade e acidez
aparecem nas letras. Algumas têm como base a crônica social, como em Jornal
das Dez (Sonekka/Gilvandro Filho) e Como Diria Agenor
(Sonekka/Vlado Lima). Outras falam de relacionamentos, desfeitos e refeitos,
numa linha que remete ao disco anterior do artista, Incríveis Amores.
É o caso de Mala sem Alça (Sonekka/Léo Nogueira) e A Marca da
Cal (Sonekka/Ricardo Moreira). Em todas, boas sacadas de letristas da
nova geração, que deixam o lugar-comum de lado para explorar novas
fronteiras. É o caso de Cisco no Olho (Sonekka/Lis Rodrigues/Ricardo
Soares), que diz "hoje você é somente um cisco nesse meu olho/não
significa nada e ainda assim me faz chorar". A música que dá nome ao
disco, Agridoce (Sonekka/Zé Edu Camargo), funciona como uma espécie
de elo entre os dois lados do artista. Não à toa, a letra diz: "eu
sou duro na queda, hardcore/mas não perco a ternura jamais". As
participações especiais também demonstram a preocupação com a
pluralidade. Vão da verve roqueira e contestadora de Zé Rodrix, que
toca piano e teclado em duas faixas, à percussão arrebatadora do inglês Cris
Wells, em Batendo Água. O grupo paulistano de compositores 4+1
participa de Será Que Estou Viajando? (Sonekka/Márcio Policastro),
um rock de letra bem-humorada. E, fechando o disco, mais três participações
especiais: Celso Viáfora, Élio Camalle e Guarabyra juntam-se a Sonekka
para cantar Balada Perdida, composição de Camalle, que
fala do difícil dia-a-dia (ou seria noite-a-noite?) dos cantores de bar. Nos
shows, Sonekka é acompanhado pela mesma banda que participou das
gravações, Nando Lee (arranjos, violões e guitarras), Schmidt
(bateria e percussão), Ricardo Bocate (baixo) e Ayrton Boka
(teclados).Segue abaixo entrevista exclusiva de Sonekka em 02\02\2008 para a
www.ritmomelodia.mus.br : 1-)
Ritmo Melodia – Qual sua data de nascimento e cidade natal? Sonekka - Nasci em São Paulo (em 15 \03\1970 no bairro de São Miguel Paulista), mas fui criado desde os 2 anos em Tabatinga-SP. 2-)
RM – Fale do seu primeiro contato com a música? Sonekka - Temos que separar o que é primeiríssimo contato e o que é contato com a arte de tocar. Quando eu era muito pequeno, tipo 4 ou 5 anos de idade meu irmão – que era 10 anos mais velho – já construía instrumentos de sucata e tirava um som bacana. Eu tava sempre junto com ele nas “brincadeiras de banda”. Ensinar-me a tocar violão, ele só começou quando eu tinha uns 12 anos. Ainda assim ele não tocava muito, tive mais é que aprender sozinho mesmo. 3-)
RM – Qual sua formação musical e\ou acadêmica (Teórica)? Sonekka
- Completamente
autodidata, daqueles de mergulhar nas revistinhas VIGU até ter os
acordes nas mãos, o ritmo já era nato. Tive algumas aulas de harmonia, mas
que ao todo não deve ter dado 6 meses de estudo. 4-) RM – Quais suas influencias musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância? Sonekka
-
Minhas
influências passadas foram os artistas dos festivais da TV Record dos anos
60. A geração de Chico, Caetano, Gilberto Gil foram os primeiros.
Depois vieram Sá, Rodrix e Guarabyra, Xangai, Elomar, Gonzaguinha.
Os que tocavam bastante nos anos 80 como Barão Vermelho, Cazuza, Rita
Lee (o rock brazuca). E por morar no interior, muita moda de viola. Eu
sempre gostei de musica nova, de gente desconhecida do grande público.
Recentemente tenho sido muito influenciado pelos compositores do Clube
Caiubi e da lista de discussão M-Musica e a cena paulistana de
compositores, tais como Marcio Policastro, Álvaro Cueva, Ricardo Soares,
Vlado Lima, Fernando Cavalieri, Ricardo Moreira, Zé Edu Camargo, Elio
Camalle, letristas como Leo Nogueira e Elder Braga. Alguns
razoavelmente conhecidos como Kleber Albuquerque, Celso Viáfora, Zé
Rodrix, Tavito. Componho muito com letristas de diversos estados como Gilvandro
Filho (Recife), Caíto Spina (Vitória-ES), Alexandre Lemos
(Itamonte-MG), Apá Silvino e Sérgio Veleiro (Fortaleza-CE), Sérgio
Napp (Porto Alegre-RS). Muita influência de Tavito e Zé
Rodrix, também. 5-) RM – Quando, como e onde você começou sua carreira profissional? Sonekka - Comecei tocando em bares do interior de São Paulo, em 1987. 6-)
RM – Quantos CDs gravador (músicos que participaram nas gravações).
Quais os anos de lançamentos e quais as musicas que se destacaram? Sonekka
-
Em
2003 lancei o primeiro CD - Incríveis Amores, participaram na gravação
Nando Lee, Fábio Schmidt, Ivan Peliciotti, Rodrigo Peninha. Em 2005
tive um projeto ao vivo, de tiragem limitada, só com canções minhas e do Zé
Edu Camargo (Nando Lee, João bani, Fábio Schmidt e Ricardo Bocate).
Em 2007 lancei o Agridoce, um livro-CD com arte de Murilo Martins e
muitas participações, além de Nando Lee, Schmidt, Ricardo Bocate,
tivemos Ayrthon Boka, Paulo Faria, Sizão Machado, Roberto Lazzarini, Zé
Rodrix, Fábio Andrade, Cajé, Guarabyra, Celso Viáfora, 4+1, Chris Wells,
Elio Camalle e muitos outros. 7-) RM – Como você define seu estilo? Sonekka
- Um
roqueiro pop com um pé na MPB. 8-)
RM – Quais são seus principais parceiros musicais? Sonekka - Zé Edu Camargo, Alexandre Lemos, Caíto Spina, Gilvandro Filho, Leo Nogueira, Elder Braga, em volume de criação. E muitos outros que me acompanham como Apá Silvino, Zé Rodrix, Vlado Lima, Ricardo Soares, Ricardo Moreira, Sérgio Napp, Lis Rodrigues, Nando Távora, vixe! Tem mais gente, não vai caber. 9-)
RM – Quais os prós e contras em desenvolver uma carreira musical de forma
independente? Sonekka
- O pró: não ter
compromisso com o que se chama de “qualidade estabelecida”. Faz-se o que
se deseja, em linguagem e musicalidade, sem compromisso com tendências
passada, presente ou futura de som. Tudo cabe e tem seu valor. O contra:
falta de estrutura financeira pra suportar a veiculação dessa criação
toda. 10-) RM – Como você analisa o cenário musical brasileiro. Na sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu? Sonekka
- O cenário é um mercado em transição. Exploraram décadas de
sucesso muito previsível, o que se investia em dinheiro tinha um retorno
proporcional. Não havia talentos natos ganhando espaço por força da obra.
Havia um grupo de multinacionais ditando regras e público sem saber como
funcionava a engrenagem ia acompanhando, comprando e movimentando isso tudo.
Alguns músicos, eu vejo manterem uma obra clara e consistente há muito
tempo como Celso Viáfora, Kleber Albuquerque sem encontrarem o
merecido público. Não vejo casos de regressões, mas heróis de tempos atrás
eu tenho visto darem sinais de desgaste como Chico Buarque e o
pessoal da Bossa Nova que insistem em regravações. O Caetano
passou duas décadas de trevas, mas parece que ainda tem o que mostrar. Chico
César, Zeca Baleiro, Nando Reis ainda tem bala na agulha, além de já
terem feito coisas bacanas. Sinto a falta de Sérgio Sampaio,
Gonzaguinha, Raul Seixas e Cazuza, estes fazem mais falta do que tudo
que ainda está por aí. Agora dos artistas-projetos, aqueles que a gente
percebe que houve todo um projeto de marketing pra acontecerem, pro meu
gosto, ainda não bateu nenhum. 11-)
RM – Fale de sua experiência em festival de música? Sonekka - Festivais universitários na década de 90 principalmente, não mais que dez. Serviu pra que eu visse que não é um bom caminho. É um caminho, mas é mais “involutivo” do que evolutivo. Submeter uma canção ao gosto de meia-dúzia de jurados com seus gostos pessoais não é o melhor dos mundos pra um artista. Vejo gente boa demais que perde décadas de vida artística em festivais e não encontra nem público e nem oportunidades, sobrevivem de prêmio aqui e ali. Eu gosto da música que alguns fazem, mas o lance de passarem anos a fio defendendo em festivais, a mesma canção vencedora de sempre, acho uma crueldade com a própria carreira. 12-)
RM – Nos apresente a cena musical paulistana e quais os lugares que abrem
espaço para o artista independente? Sonekka
- No bar Vila Teodoro sobrevive as segundas
autorais, herança do Clube Caiubi que rolava na Rua Caiubi em
Perdizes. Existe um encontro assim em Santo André-SP. Também
rola autorais no Clube da Cana em Santa Cecília, começou
recentemente. O Villagio Café concentra bastantes shows autorais,
gente que pulou o degrau da mostra e já tem bons shows. Algo parecido também
tem esporadicamente no StudioSP e nos teatros Satyros e Crowne
Plaza. 13-)
RM – Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira
musical? Sonekka
- Acho que minha apresentação mais bizarra
aconteceu em uma Quermesse de sítio em Ibitinga - SP onde eu
e os músicos tocávamos num caminhão palco. Havia um barracão de pessoas
e uns 30 metros de tempestade entre nós e eles. Ninguém ouviu nada. Ainda
tomei um banho de lama pra desencalhar o Chevette na volta. 14-)
RM – Como é seu processo de compor? Sonekka
- Faço
música sobre letras. È a letra que me diz que rumo melódico tomar. 15-) RM – O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical? Sonekka
- Mais
feliz
é quando alguém grava uma música minha. E triste é não ter muitos meios
de veicular as minhas canções, formar público e etc. Fazer um show todo
caprichado e ter que me virar do avesso pra conseguir platéia é a maior
tortura, tenho evitado tentar. 16-)
RM – O que você diria para alguém que quer trilhar uma carreira musical? Sonekka
- Faria uma pergunta clássica que o Zé Rodrix
costuma fazer, começaria perguntando: -Você quer ser artista pra quê?
Seja sincero. 17-) RM – Quem são os músicos conhecidos que você se espelha como um padrão de criatividade e profissionalismo? Sonekka
- Zé
Rodrix, Tavito, Zeca Baleiro, Jammie Cullum, Jorge Drexler, Celso Viáfora,
Pablo Milanês, Álvaro Cueva, etc. 18-) RM – Você acredita que sua música vai tocar nas rádios sem o jabá? Sonekka
- Eu
acredito e tenho fé! 19-) RM – Você participou ou acompanhou o processo do movimento musical vanguarda paulistana? Sonekka
- Acompanhei
apenas, te confesso que meu gosto não foi convencido. Quem sabe no futuro
eu possa ver que era bom e eu não soube ver. Mas me parece que o futuro é
hoje em dia e nada mudou ainda. Tinha muita forçação e pouca beleza pra
se ouvir. 20-) RM – Fale da sua participação no Clube Caiubi? Qual a semelhança com a vanguarda paulistana? Sonekka
- A
única semelhança é que é um grupo de autores que compõe entre si, se reúnem
pra tocar projetos juntos. Esteticamente são muito distantes, embora um ou
outro autor lembre nuance dos vanguardeiros. Participo desde o começo e o
que vejo é que no Clube Caiubi são autores que fazem música porque
gostam sem se importar se isso será sucesso ou não, alguns não se
importam absolutamente nada. Mas a partilha de sonhos e parcerias é muito
sadia. 21-) Como surgiu o apelido Sonekka? Sonekka
- É
um apelido de infância, eu tinha uns 6 ou 7 anos quando adultos começaram
me chamar de Soneca. Aí a história é sempre a mesma, cai na escola e
acaba acompanhando a gente pra sempre, em todo lugar que eu fosse tinha alguém
que conhecia o apelido e virava efeito dominó, em pouco tempo tava todo
mundo me chamando de Soneca. Mas não é por dormir muito, tenho olhos
pequenos e pacatos e que obviamente me dá cara de sono. Como eu percebi que
dificilmente alguém esquecia do nome resolvi assumi-lo e pronto. Houve quem
dissesse que era nome “nada artístico”, mas o mais importante que um
nome seja bom, é que se tenha personalidade. Sonekka - Meu maior projeto é ter condições de realizar tudo que imagino. Trabalhos que embora conserve raízes no gosto popular, rompa com formatos e estilos de veiculação criados e explorados à exaustão pela indústria fonográfica. Contatos: www.sonekka.com.br \ sonekka@sonekka.com.br msn: orlazarini@hotmail.com |