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Falamansa Por
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa Como
tudo que faz sucesso dividi opiniões. O Falamansa e o "Forró
Universitário" foi à bola da vez no novo milênio. Os puritanos
(músicos, jornalistas e forrozeiros) saíram em defesa da autêntica música
nordestina que estava sendo desvirtuada pelo modismo desses jovens do
sudeste. Os moderados ponderaram que no fundo eles estavam tocando nada
mais, nada menos que Xote e Forró - Pé de Serra (Incluo-me nesse
pensamento). Então, o melhor termo para esse movimento seria Forró
"tocado e dançado" por Universitário (e estudantes em geral).
É claro, que existia o preconceito por parte do público que acompanhava
esses grupos que não assistiam os shows de Trio Pé de Serra. E a
forma de dançar se assemelhava aos passos do samba – rock e reggae
praiano. Na verdade eram jovens do sudeste no estilo novo hippe com alpercatas
de couro e roupas de brechó. Um reviver os anos 60. Mas os grupos não
descriminavam os Trios. Isso era uma opção do público. Esses novos grupos
surgiram tendo como referência e reverenciando o Forró – pé de Serra. A
prova disso é que alguns membros desses grupos procuravam lugares
alternativos que tocasse musica regional para se divertirem e mantém a
sanfona como rainha absoluta. Passado quase uma década desse movimento
entre mal estar, mal entendidos, preconceitos mútuos, insultos e ofendidos,
todos tranqüilos. E o Falamansa com uma carreira consolidada lançou
um DVD e lança em julho (2007) o quinto CD. E Tato fez participações
especiais em CDs e shows de Forrozeiros. O mais importante é que o Forró,
Xote e Baião continuam vencendo preconceitos dentro e fora do seu torrão
natal e se firmando como uma legítima expressão da música e cultura
nordestina. Segue abaixo a entrevista exclusiva de Tato Cruz em 06\06\2007 a
www.ritmomelodia.mus.br : 1-)
Ritmo Melodia - Fale do primeiro contato musical e influencias musical dos
membros do Falamansa? Tato
Cruz – (Vocal e Violão - 26/04/1978) Comecei tocando guitarra em Piracicaba
- SP, na época ainda dentro do movimento Rock and Roll. Mudei para São
Paulo e depois de conhecer Itaúnas - ES passei a trabalhar em
eventos de "Forró Universitário" como DJ. Assim, quando compunha
as músicas saiam automaticamente no ritmo do Xote, Baião ou Forró. Até
hoje ouço de tudo. Amo Indie Music tipo Pixies, Pavement, Fugazi,
etc. Gosto de Buscar musicalidade nos sambas antigos de Cartola como
nas salsas cubanas. Valdir
- (Sanfona – 27/10/1959) nasceu em Arcoverde - PE e toca sanfona
desde menino. Alemão
(Zabumba – 17/02/1979) - São Paulo - SP, tocou guitarra na
adolescência e sempre gostou de Rock and Roll, conheceu o forró nos
movimentos universitários. Dezinho
(Percussão - 20/03/1978) - São Paulo - SP, tocava bateria e
conheceu o forró nas casas de São Paulo.
TC
- Com certeza o "Forró Universitário". Quando o Falamansa
surgiu às casas de forró, já completavam dois e três anos de existência.
Eu mesmo trabalhei com divulgação de eventos e como DJ por 2 anos. O grupo
foi criado exclusivamente para o festival, na verdade eu ia me apresentar
sozinho, mas no fim fiquei com vergonha. Era uma boa oportunidade para
mostrar minhas composições. 4-)
RM - O movimento "Forró Universitário" teve início onde? Foi
planejado ou nasceu de conseqüência natural? TC
- Eu diria que nasceu em Itaúnas – ES, onde jovens de várias
partes do Brasil tinham como balada noturna o forró pé-de-serra. Ao voltar
para suas respectivas cidades, implantaram o forró como um meio de matar a
saudade e dançar agarradinho. TC
- Todos tem como musicalidade o forró pé-de-serra, sem esquecer também
o Espírito Santo. Acredito que há mais convergências do que divergências.
Esse movimento é muito unido, por isso há um intercâmbio de bandas e
trios muito sadio. TC
- "Forró Universitário" foi um rótulo usado para definir o
forró pé-de-serra, tocado e freqüentado por universitários. Mas ainda
assim, prefiro chamar de Forró Pé-de-Serra, ou seria a mesma coisa de
chamar o samba tocado nas casas de jovens de "Samba Universitário". TC
- Gravamos independentes, e depois de seis meses de gravação (pois já 8-)
RM - O segundo CD chegou com o amadurecimento da fama e o fechamento da
gravadora Abril Music. Qual foi a expectativa de manter a popularidade e
superar a mudança de gravadora? TC
- A quantidade de
shows era enorme, e a popularidade já tinha se espalhado pelo Brasil. Quase
não tivemos impactos, pois continuamos com quem nos descobriu: João
Augusto que era diretor artístico da Abril Music e agora
presidente da DeckDisc. TC
- Os jovens aderiram à cultura, que faz parte da história brasileira.
E essa cultura chama-se forró pé-de-serra, trazida até nós por Luiz
Gonzaga, Dominguinhos, Trio Nordestino, Marinês, Anastácia e muitos
outros. 10-)
RM - E como estar o panorama hoje do "Forró Universitário?” TC
- É muito mais amplo, mas com menor impacto. Já viraram comuns casas
de forró em qualquer cidade do Brasil. 11-)
RM – Em entrevistas vocês sempre exaltam o Forró tradicional (Pé – de
- TC
- Com certeza, o forró universitário traz como base o forró pé-de-serra.
As mudanças acabam acontecendo como uma adaptação aos dias de hoje, sem
alterar a essência. TC
- Graças à cordialidade dos trios mais antigos os jovens aprenderam o
forró e passam hoje para frente. É como uma bandeira carregada por Dominguinhos,
Trio Virgulino, Trio Nordestino, Trio Xamego e muitos outros, que com
consciência trouxeram até nós jovens. 13
-) RM – Em sua opinião com surgimento dos grupos de "Forró
Universitários" pareceram oportunistas (Grupos e Casas de Show)
visando só os lucros? E hoje o jovem estar curtindo o Forró sem rótulos,
como um som alternativo? TC
- Essas casas ajudaram de uma forma ou de outra a difundir o movimento.
Os grupos que apareceram já sumiram, junto com a mídia. Quem fica, é que
tem a real intenção de levá-lo adiante. Eu acredito que esse movimento
sempre foi e será uma segunda opção para a maioria. Desde seu surgimento,
roqueiros também eram forrozeiros, regueiros, dançavam xote, donas de casa
ouviam sertanejas e achavam o forró bonitinho. Portanto um som alternativo,
porém universal. 14-)
RM – Passados ao euforia inicial do movimento "Forró Universitário",
como o som do Falamansa está sendo recebido pelo público e crítica? Houve
renovação de público? TC
- Crítica sempre acompanha a mídia, portanto está ausente. O público
é fiel a nossa musicalidade, eu acredito que mais por causa das mensagens.
Não é só o forró que interessa, mas também o que a gente diz. O público
se renova a cada dia, pois ainda tocamos em lugares pela primeira vez, e
ainda existem pessoas vendo nosso show pela primeira vez. Será assim
sempre. 15-)
RM – O segundo CD foi tão aceito como o primeiro? TC
- Foram 750 mil cópias vendidas, um número bem expressivo, mas já
menor do que o primeiro (1 milhão e 500 mil cópias). A novidade fez a
diferença, mas a musicalidade era basicamente a mesma. 16-)
RM – Hoje a mídia não fala mais em "Forró Universitário". O
Falamansa agora será identificado como Trio de Forró? TC
- Hoje, temos um espaço na musicalidade nacional não só como banda de
forró, mas como uma banda do cenário musical brasileiro. A mídia pode não
falar em "forró universitário", mas ainda assim termos espaço
nos programas de TV e Rádio. Espero com isso, trazer esse movimento a tona. 17-)
RM – A participação do Tato (vocalista e compositor do grupo) em CD de
forrozeiros tradicional mostrou que não existe disputa, mas união? Cite os
Trios e músicos que você fez participação especial no CD? TC
- A união sempre prevalece, já fiz participações com o Trio
Nordestino, Trio Virgulino, Anastácia e tivemos participação de Dominguinhos
no nosso disco, e fiz uma música para o disco de Elba Ramalho e
Dominguinhos, chamada "Chama". 18-)
RM - Fale sobre o problema de saúde que lhe pegou de surpresa? TC
- Ao voltar de uma turnê pelo Japão, estava sentindo fortes de
cabeça. Até então eram esporádicas, o que não levantavam suspeitas de
nenhum problema, por achar que era uma enxaqueca comum. Como as dores se
tornaram diárias, procurei fazer exames e assim foi constatado um tumor,
chamado de Meningioma no lado direito do cérebro. Como seu estado era avançado,
minha cirurgia foi no dia seguinte ao exame. Após 18 horas de cirurgia, foi
totalmente retirado o tumor e minha recuperação incrivelmente rápida em
um mês já estava nos palcos quando a previsão era cinco meses. Hoje sou
muito melhor do que eu era. fisicamente e emocionalmente, Graças a Deus. TC
- Estamos em estúdio
para gravação do nosso novo disco chamado "Segue a Vida".
São mais 14 faixas inéditas desta vez com muito mais mensagens positivas.
O disco deve sair em junho, junto às festividades Juninas. Contatos: Falamansa
Produções Artísticas (11) 5594-5504/5887/1469 - http://www.falamansa.art.br
Deixa entrar – 2000Essa
é pra vocês – 2001 Simples
Mortais – 2003 Um
dia Perfeito – 2004 MTV – ao vivo - 2005 |