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Paulinho da Viola O Sambista “Bossa Nova” Por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa Paulinho da Viola recebeu no dia 19/11/2003 o título de cidadão paulistano na Câmara Municipal de São Paulo. Homenagem Sugerida pelo Movimento Negro Unificado - MNU dentro das atividades de comemoração da semana da consciência negra, pelas mãos do vereador Beto Custódio (PT –SP). O evento teve a presença de lideranças políticas, do movimento negro, de escolas de samba, de religiosos, fãs e jornalistas. Paulinho falou para imprensa mostrando-se muito feliz em receber tal homenagem da cidade que divide com o Rio de Janeiro seu coração. Tido como um sambista “intelectual” por suas opiniões ponderadas e comportamento discreto no meio artístico. Com serenidade e desprendimento falou de samba, cultura, atualidade e do seu amor por São Paulo que em 25 de janeiro completará 450 anos. Ela que já foi injustamente chamada de “tumulo do samba” foi responsável por abrir as portas do sucesso a esse sambista de raiz; de jeito Bossa nova de ser e de toda sua geração musical. Segue abaixo entrevista exclusiva de Paulinho da Viola para www.ritmomelodia.mus.br em Janeiro 2004: 1-) RitmoMelodia – Paulinho, qual o significado e a importância de receber o título de cidadão paulistano? Paulinho da Viola – É especial por vários motivos. Tenho um carinho especial por essa cidade por tudo que ela me ofereceu. A minha música de maior sucesso foi lançada aqui. As portas para minha geração através dos festivais de música e tudo se concentrava aqui. Tenho mais amigos em São Paulo que no Rio de Janeiro, onde nasci e vivo. E visito-os regularmente mesmo sem compromissos profissionais. Nos anos 70 tinha o hábito e gostava de caminhar pelo centro da cidade. Essa cidade significa muito para todos nos brasileiros. 2-) RM – Qual sua opinião sobre o Samba e do Carnaval paulista? PV – Não posso falar muito por não conhecer a fundo o samba nem participar do carnaval paulistano. Conheço muitas pessoas ligadas ao carnal local e muitas historias, mas nunca sair do Rio. Algumas vezes fui convidado por escolas de samba para se apresentar e uma delas foi a Nenê da Vila Matilde em 1979 e antes me apresentei com Clementina de Jesus. Essa escola tem uma relação próxima da Portela (Minha escola do coração). Cobro muito dos meus amigos que tem uma relação com a musica popular mais registros sobre a história do samba e do carnal paulistano. Isso recentemente esta sendo feito com mais cuidado através de pesquisas. Sobre o samba e carnal do Rio de Janeiro tem muitos livros e sempre aparece uma nova pesquisar e visão sobre o assunto. Algumas pessoas acham que pela cidade ser uma grande metrópole que abrigar varias culturas e etnias a torna desagregadora. A minha vivencia aqui me mostrou uma realidade de maior aproximação entre as pessoas. 3-) RM – Qual sua relação com os novos compositores e cantores populares? PDV – Recebo muitos CDs com todos os níveis de qualidade em gravação e artística. Mas não consigo me lembrar de um em especial por receber vários semanalmente e ouvi-los na medida do possível. Mas estou atento e tem muita gente fazendo trabalhos de excelente qualidade. 4-) RM – Fale um pouco sobre o samba na atualidade? PDV – Não posso falar muito agora por ser um gênero muito forte e que tem várias vertentes regionais com características próprias. E outros compositores populares mesmo não fazendo samba trazem nos seus trabalhos essa influencia direta. Quando viajava mais pelo Brasil percebia que por não tocar nas rádios regionais o samba feito no eixo Rio – São Paulo não foi possível uma homogeneidade do ritmo. E Hoje temos muitas novidades em música no país com pouca divulgação no sudeste. Se gravar muitos CDs fora de estúdio sofisticado pelo microcomputador e de qualidade. Há um incalculável volume de informações em nível musical e literário para se conhecer. Em casa quando tento passar alguma experiência para meu filho (Que tocar muito bem violão e absorve muitas informações), ele fala que está buscando seu próprio caminho. Hoje a grande questão seria como lidar com tantos apelos de informações que circular por todos os meios de comunicações. 5 -) RM – Fale dos pontos tradicionais do Samba, ainda são os mesmos? PDV – A antiga Lapa recentemente foi revitalizada com novas casas de choro, samba e outros estilos (Funk, Rap e Rock). E uma multidão de jovens circulando pelas ruas e becos da “Nova Lapa”. 6-) RM – Como você analisa a questão racial na atualidade no Brasil? PDV – A questão racial continua com sua dinâmica e muitos movimentos negros surgiram ao longo dos anos. E não é só a questão do racismo que preocupa a boa organização da nossa sociedade,mas todas as discriminações. Vejo como muito importante a permaneça do questionamento de todos os tipos de preconceitos. |