Ritmo Melodia

Entrevista: 01/08/2002

 

Cláudio Fontana

Por Antonio Carlo da Fonseca Barbosa

ritmomelodia@hotmail.com

O cantor e compositor maranhense de São Luís, Cláudio Fontana pode ser classificado como um artista versátil. Com uma influencia musical popular através do rádio e ouvindo desde cedo o caucionário maranhense: Bumba-meu-Boi, Tambor de Crioula, Tambor de Mina. Chego a São Paulo em 1967, trazido pelo produtor musical: Genival Melo. Canções (Não Posso controlar meu Pensamento e Canundinho) de Cláudio faziam sucesso na voz de Wanderley Cardoso.  Em conseqüência dos sucessos das suas canções e como era um interprete de primeira linha, gravou seu primeiro disco e muitos compactos simples. Fez duas canções que mudaram a referencia de uma cidade para o titulo de sua cação: Ilha do Amor em homenagem a São Luiz. E criou um sinônimo para Jesus Cristo na canção: O Homem de Nazareth, a qual o próprio Roberto Carlos confidenciou ao autor que gostaria de ter gravador antes do sucesso que se tornou. São trinta e cinco anos de carreira, mas de quinhentas músicas gravadas nos mais variados gêneros. Na década de noventa junto com os filho e a esposa criou o grupo infantil: Chocolate que por motivo de particularidade da vida pessoal dos filhos que seguiram projetos pessoais terminou a formação. Cláudio apresentou programa de TV e lançou em 2002 um CD de Forró com composições suas nesse gênero e com outras canções que ficaram famosas em outros gêneros, mas que o mesmo gostaria de gravar em Forró. Cláudio. Segue abaixo entrevista exclusiva para a www.ritmomelodia.mus.br de Cláudio Fontana em 01\08\2002:

1-) Ritmo Melodia – Cláudio, fale da sua iniciação musical? Sua origem? 

Cláudio Fontana - A minha origem musical é muito simples e popular.  Nasci no nordeste do Brasil, São Luis – Ma cresci ouvindo no Rádio e Radiolas da época os ídolos dos anos 50 e 60 além dos ritmos marcantes e tradicionais da terra como o Bumba-meu-Boi, Tambor de Crioula, Tambor de Mina, etc... Aprendi no Colégio Marista que estudei, um pouco de teoria musical nas aulas de “Canto Orfeônico” – obrigatório naquela época.

2-) RM – Fale da sua chegada em São Paulo e qual o ano e como era o panorama musical? 

CF - Cheguei a São Paulo após morar algum tempo no Rio de Janeiro trazido pelas mãos do empresário Genival Melo a quem havia mostrado musicas de minha autoria e que foram gravadas pelo seu contratado e cantor de sucesso na época em l967 Wanderley Cardoso, as musicas: Não Posso Controlar Meu Pensamento em parceria com Robert Livi (hoje um dos produtores de Cds do Julio Iglesias), Doce de Côco, Canudinho e outras. O panorama da época era o grande sucesso da JOVEM GUARDA comandada por Roberto Carlos e amigos de um lado e do outro lado os Festivais com suas canções de Protesto ao Regime Militar da época.  Internacionalmente The Beatles, influenciava a juventude de todo o mundo e conseqüentemente a mim também.

3-)RM - Fale do seu inicio na carreira musical profissionalmente?

CF – Após gravar como compositor minhas primeiras musicas com o cantor Wanderley Cardoso e fazer sucesso nacional, Genival Melo me levou para assinar contrato com a Gravadora COPACABANA dos Irmãos Vitale – dando-me a chance de não ser apenas o compositor, mas também o interprete das minhas obras musicais. 

4-) RM – Quantos discos lançados? Em que ano? Comente em quais as músicas de sucessos? 

CF – Quatro LPs gravados no Brasil – Dois LPs Internacionais (em Espanhol) e mais de 25 Compactos Simples e Compactos Duplos. Em l968/9 gravei o LP - ADEUS INGRATA que “estouro” em todo o Brasil com mais de l00 mil discos vendidos na época o que nos dava o Disco de Ouro e também ganhei o Troféu “Chico Viola” recebi das mãos do apresentador de Rádio e TV KALIL FILHO na TV-RECORD.  Existe um compacto Duplo comemorativo deste momento com foto na contracapa no momento em que Kalil me entregava o Troféu.  Um LP com a regravação da musica “Recuerdos de Ypacaraí” em novo ritmo que não a tradicional guarânia foi também um dos Lps que marcaram a minha carreira – Anos 70. As músicas de sucesso foram: Menina de Trança de autoria de Antonio Marcos, Baby, meu amorzinho, Meus Ídolos, Eu não lhe telefono mais, Não toco mais minha Guitarra, Parabéns, Parabéns Querida, Como é que eu posso ser feliz sem você? São Luis, Ilha do amor, esta feita em homenagem à minha terra natal e que terminou cognominando a Cidade de São Luis, como Ilha do Amor (l969/70) – foram musicas marcantes em LPs.

5-)RM – Você passou pela experiência dos Festivais? Comente em quais anos e classificações?

CF – No Brasil nunca cheguei a participar de Festivais, mas tive algumas participações no Festival de Piriapolis – Uruguai, levado pelo então Produtor musical do Programa do Silvio Santos, Sr. Humberto Garin que aqui no Brasil indicava os concorrentes que representariam nosso País no Evento. Uma vez ganhei primeiro lugar com a música: EL HUMILDE, na interpretação da cantora Sonia Maia – 1975. Aqui no Brasil esta música chamou-se: Vamos Caminhar Juntos e foi regravada na RCA-Victor pelo hoje político Francisco Rossi. Em outra oportunidade eu representei o Brasil como interprete e compositor e ganhei o terceiro lugar com a musica: Que vengan Los Toros!. Nesta ocasião a cantora brasileira Ângela Maria ganhou a primeiro lugar como melhor interprete (1978).

6-)RM – Fale do seu trabalho como compositor?

CF – Com 35 anos de carreira artística me considero um compositor-vencedor com toda humildade. Gravei com grandes interpretes brasileiros em todos os gêneros musicais fazendo com que a maioria fizesse sucesso nacional com o povo cantando a minha criação musical. Sou autor do primeiro sucesso do maior cantor romântico-mundial da atualidade: (JULIO IGLESIAS) que gravou minha musica: Mi amor és, mas jovem que yo, no seu primeiro LP na Alhambra da Espanha no ano de l972. Isto me deixa muito feliz e orgulhoso. Aqui no Brasil cantores como: Ângela Maria, Agnaldo Timóteo, Antonio Marcos, Jair Rodrigues, Nelson Ned, Carmen Silva, Chitãozinho e Xororó, João Mineiro e Marciano, As Irmãs Galvão, Barros de Alencar, Gilberto Barros, Paulo Barboza, Eliana (TV-Record), Cláudio Roberto, César e Paulinho, Edith Veiga, Joelma, Demétrius, Os Palhaços Atchim & Espirro – musicas infantis, Grupo Chocolate, Adilson Ramos, Lairton dos Teclados, Bispo Marcelo Crivela, Originais do Samba, Raimundo José e outros amigos cantaram e ainda cantam musicas de minha autoria.

7-) RM -Fale da Importância e o prestigio da musica:O HOMEM DE NAZARETH ? 

CF - A música: O HOMEM DE NAZARETH é na realidade das quase 500 musicas que tenho gravadas nestes 35 anos de carreira, o meu maior sucesso como compositor, a minha maior referencia musical e o meu orgulho maior de todas as composições que fiz até hoje em 2002. Minha maior realização como autor seria Ter visto e ouvido ROBERTO CARLOS gravar e cantar esta minha musica.

8-)RM – Quais foram os Projetos seus ligados diretamente ao Maranhão? 

CF – Fiz a musica: SÃO LUIS, ILHA DO AMOR, e a partir do sucesso dela, a ilha passou a ser chamada deste jeito. Grande orgulho deste compositor maranhense. E em segundo lugar, escrevi o livro: São Luis, ilha do amor que era vendido junto com um compacto-simples com a musica de um lado e do outro lado eu declamava: A canção do Exílio de Gonçalves Dias, tendo como fundo musical o play-back desta canção.

9-)RM – Fale sobre sua experiência na TV?

CF – Durante cinco anos apresentei com a minha mulher Malú e meus filhos: Marcelle e Claudinho o programa: FAMÍLIA CHOCOLATE - na TV Rede Vida, recebíamos os colegas cantores dos anos 60/70/80/ e principalmente os contemporâneos que não estavam na grande mídia do momento. Este programa terminou porque no final de 2001 minha filha Marcelle casou-se com Matews, um rapaz americano e foi morar em Boston - EUA e continua o seu estudo musical e está fazendo um CD de bossa Nova, divulgando a musica popular brasileira nos States. Meu filho Claudinho (22anos) formasse em junho em SOCIOLOGIA (PUC) e como os filhos estão com novas propostas de trabalho resolvi entregar o programa, pois o principal fundamento dele era a família reunida apresentando.

10-)RM – Fale do novo lançamento?

CF – Após o término do programa de TV imediatamente resolvi continuar a minha carreira – solo que havia sido interrompida há l5 anos atrás quando resolvi montar com a minha família o GRUPO CHOCOLATE, Família Chocolate que cumpriu sua missão até dezembro de 2002 cantando juntos. Gravei então um CD - Independente, pelo meu selo H.NAZARETH RECORDS que já está nas lojas com o titulo: CLAUDIO FONTANA CANTA FORRÓ.   São 14 musicas, sendo algumas regravações de musicas de minha autoria que fizeram sucesso como: O Homem de Nazareth que gravei em ritmo de forró-pé-de-serra. Gravei outras 4 musicas inéditas, lançando inclusive meu filho Cláudio Sá como autor da musica: O Pé de Serra Tá de Pé uma homenagem ao Rei do baião, Luis Gonzaga.

11-)RM – Como você define seu trabalho?

CF – Meu trabalho é simples, de um compositor que quer apenas fazer o povo cantar e se divertir com as coisas que faço. Digo sempre que: sou apenas um repórter musical da minha época e por isso gosto de retratar musicalmente as coisas que vejo e sinto. 

12-)RM – Como você vê o mercado musical em São Paulo?

CF – No momento, preocupante. Uma avalanche de inutilidades musicais que estão sendo lançados no mercado brasileiro, oriundos dos reality-shows que são a coqueluche das TVs no momento, em detrimento de centenas de grandes profissionais cantores e compositores que estão sem espaço para mostrar os seus trabalhos novos.

 13-)RM – Quais foram suas influencias ?  Elas foram acrescentadas por quem?

CF – Como disse no começo da entrevista, cresci ouvindo Rádio e os ídolos cantores da época e dos que eu mais gostava, ali estava o professor Cauby Peixoto, Pery Ribeiro, Elvis Presley.   O lado compositor sempre falou mais alto dentro de mim, e como sempre fui muito eclético no compor, vim por estes anos todos me adaptando e atualizando no cantar e compor, o que me tem feito sobreviver todos estes anos.

14-)RM –Quem você gostaria que gravasse suas músicas ?

CF – Como falei acima, a maior alegria da minha carreira de autor seria ver o Rei Roberto Carlos cantando a minha musica: O HOMEM DE NAZARETH.  Mas já fico feliz, pois ouvi dele, certa vez quando nos encontramos que se eu tivesse mostrado primeiro pra ele do que para o Antonio Marcos, ele teria gravado: O HOMEM DE NAZARETH.  Quem sabe, algum dia, em uma nova roupagem não terei esta alegria?  Vou rezar pro HOMEM...

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