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Tetê Espíndola Uma Sinfonia de Pássaros Por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa A cantora, compositora Tetê Espíndola com mais de vinte anos de carreira lançando um trabalho de qualidade a cada ano, mostrando que é possível viver e sobreviver realizando trabalhos de qualidade artística e experimental. Tetê arrepiou a alma e os cabelos do povo brasileiro no Festival de Musica da rede Globo em 1985 cantando a musica: Escrito Nas Estrelas, gravada depois em um Mix com outra musica: Linda Flor atingindo recordes de execução e vendagem proporcionando-la o disco de ouro. Sua influencia direta são sons da natureza, especialmente dos pássaros que ouvia na infância no Pantanal e imitava-os numa oficina de canto espontâneo. Com uma voz ímpar de possibilidades vocais longe do alcance das pessoas comuns e de poucos profissionais do canto fez desse instrumento seu diferencial e referencia musical. Com onze discos lançados cada um com um perfil especial, originalidade e experimentação e interação com a natureza trilha um caminho fecundo e prospero sem cair na banalidade fugaz do sucesso descartável. De família de músicos experientes e virtuosos que foram os primeiros apoios e suporte no aprendizado e parceria musical. Vê com tristeza o mercado fonográfico brasileiro e acredita na importância dos selos independentes que abrem espaço para novos e talentosos artistas que não tem espaços nas grandes gravadoras. Segue a entrevista exclusiva de Tetê Espíndola para revista musical Ritmo Melodia - www.ritmomelodia.mus.br em 01/02/2002: 1-) Ritmo Melodia - Tetê Espíndola, fale do seu primeiro contato com a música? Qual sua formação musical e Origem? Tetê Espíndola - Eu nasci dia 11 de março de 1954 em Campo Grande, hoje Mato Grosso do sul. Nasci numa família musical. Minha mãe cantava muito em casa e também a convivência com os meus tios trigêmeos que tocavam piano a seis mãos. Desde pequena escutava muita musica clássica. Aos 8 anos de idade curtia o som de conjuntos paraguaios pelo contato com a fronteira, da Jovem Guarda, Beatles, Janis Joplin e Bossa Nova foram as influencias presentes na minha adolescência. 2-) RM - Fale do seu início de carreira profissional? TE – Aos 14 anos ganhei um festival na minha cidade com a musica do meu irmão Geraldo: SORRISO e dai pra frente comecei a pensar em seguir carreira. Mas foi em 1977 que vim para São Paulo e comecei a minha luta por uma carreira. 3-) RM - Quantos Cd lançados? TE – Lancei :Tetê e o Lírio Selvagem em 1978 pela Polygram, trazendo composições próprias e dos meus irmãos: Alzira, Geraldo e Celito. E Piraretã pela Polygram em 1980 que marcou o meu encontro com Arrigo Barnabé, fui a primeira a gravar uma musica dele: TAMARANA em parceria com o Paulo Barnabé. Em 1981, defendi a valsa: Londrina (de Arrigo) no MPB Shell (que virou um compacto independente, com uma outra musica: CANÇÃO DOS VAGALUMES) que recebeu o prêmio de melhor arranjo por Cláudio Leal Ferreira. Em 1982: Pássaros na Garganta (Som da Gente,82). Esse trabalho original (cujo nome foi uma homenagem feita pelo poeta Augusto de Campos) com colagens de sons naturais e gravação na Gruta do lago azul, ganhei o prêmio da APCA. Gravei musicas SERTANEJAS em ritmo de guarânia. Em 1985: Festival dos Festivais da Rede Globo, que participei com a canção: Escrito nas Estrelas, que bateu recordes de execução e vendagem, dando-me o disco de ouro. Foi um lançado um MIX dela com outra musica: LINDA FLOR (ai ioiô...com o DUOFEL). Gravei: Gaiola pela Polygram em 1986 com o hit: Na Chapada (dueto com Ney Matogrosso). Com uma bolsa da Fundação Vitae, desenvolvi um projeto sobre a instrumentalidade da voz humana (em parceria com Arnaldo Black) e a musicalidade dos pássaros da Amazônia e do Pantanal (em parceria com Marta Catunda) que resulto no disco onde me inspiro na musicalidade dos pássaros: Ouvir em 1991 dando inicio ao meu selo Luz Azul. Agora lançado em Cd OUVIR/BIRDS, também na Europa. Lancei o CD interpretativo: Só Tetê pela Camerati em 1993, que traz de Djavan a Tom Jobim e outros compositores mais novos. Gravei: CANÇÃO DO AMOR pela Lua Azul /Muviplay onde comemoro 20 anos do encontro com a Craviola, instrumento idealizado por Paulinho Nogueira. Nesse cd regravei todos os meus sucessos entre eles: Vida cigana, KiKiô, Gata Vadia e Escrito nas estrelas. Gravei um Ao Vivo: ANAHÍ pela Luz Azul/Dabliú com a Alzira Espíndola. Um momento especial, dedicado aos clássicos do cancioneiro genuinamente sertanejo. O repertório traz pérolas entre elas: Chalana, Meu Primeiro Amor, Índia, Galopera, Serra da Boa Esperança, Ciriema e Merceditas . Em 2001 gravei: VOZVOIXVOICE pela Luz Azul/MCD. Um caleidoscópio musical de línguas e timbres. Gravado em Paris, musica e arranjos de: PHILIPPE KADOSCH onde uso a voz como um instrumento e emitindo os sons da natureza. Esse cd também já foi lançado em Portugal e na Alemanha . Em 2002: FIANDEIRAS DO PANTANAL pela Luz Azul, com a escritora e poetisa Raquel Naveira, destaque para dois poemas que musiquei:Fiandeira e Relógio da 14. O encontro permitiu vir à tona a memória de raízes culturais presentes na arte de cada uma. além dos poemas inspirados de Raquel; criei temas musicais que aparecem em forma de guarânia, valsa, balada, moda caipira, blues, rock. Alguns desses CDS estão á venda no meu site www.teteespindola.com.br 4-) RM - Como você define seu trabalho e sua voz? TE – O meu trabalho gira em torno da minha voz como instrumento, interpretação, personagens, emissões de pássaros. Enfim me considero uma artista experimentalista, mas sempre com um pé no popular. 5-) RM - Fale da sua participação em Festival de Musica e como você vê a importância dos mesmo para a divulgação e lançamento de novos artistas? TE – Participei de poucos Festivais, mas foi muito importante pra minha carreira , sempre foi uma boa oportunidade pra divulgar mais a minha voz tão incomum. Acho que os festivais devem continuar a mostrar e preservar a qualidade da nossa musica tão rica e cheia de novos talentos. 6-) RM -Você compõem ? Toca algum instrumento musical? TE - Toco craviola (12 cordas) há 30 anos e com ela componho e faço arranjos, explorando a sua oitava, fazendo solos caipiras e usando oitavados, gosto de fazer desenhos de linha de baixo. 7-) RM - Fale do novo lançamento ? TE - De agosto de 2001 pra cá lancei dois trabalhos um bem diferente do outro: O VOZVOIXVOICE (em agosto) que gravei em Paris e FIANDEIRAS DO PANTANAL (em junho de 2002) um projeto de leitura de poemas e canções com a escritora Raquel Naveiras. 8-) RM - Quais foram e são suas influências musicais? TE – Acho que os pássaros me influenciam sempre e gosto muito de musica instrumental. 9-) RM - Na sua família tem mais músicos profissionais? TE – Sim, vários: Alzira, com vários discos gravados; compositora e instrumentista e também dá aulas de canto. O mais recente trabalho: NINGUEM PODE CALAR musicas de MAÍSA. Geraldo: compositor e instrumentista. Está lançando um cd com suas composições: 30 ANOS DE MATÃO. Jerry; compositor e instrumentista que faz um trabalho de fusão: polca-rock, guarânia - reggae com uma super banda: CROA. Celito; compositor instrumentista e produtor de TV e studio. Sergio; cantor e instrumentista. Humberto Espíndola artista plástico, mas compõe e também canta. Enfim uma família de artistas em quer a ovelha BRANCA só tem uma:Valquiria 10-) RM - Como você analisa o mercado fonográfico brasileiro hoje? TE – Falta espaço pra boa música, pois ela existe, mas a maioria não esta na mídia. Os selos alternativos continuam sendo uma boa saída para bons compositores e músicos. Contatos: 11 – 3262 -1831 / www.teteespindola.com.br / teteespindola@ig.com.br |