Edinho do Samba

  • 94
    Shares
Edinho do Samba
5 (100%) 1 voto



Edinho do Samba com 20 anos de estrada, o cantor, compositor e instrumentista tem uma carreira internacional consolidada, já teve oportunidade de se apresentar em diversos países ao redor do mundo. Entre eles podemos destacar: Angola, Itália, Egito, África do sul e Nigéria.

Em Angola, atuou em 2001 e 2002 por dois meses na Casa 70, um dos palcos de maior expressão do cenário musical angolano, e fez shows no palco do Miami Beach, Xavarotti Piano bar e participou também como atração internacional no festival de música   FestI Dez  (Huambo). Logo ao chegar a Angola, já começou a chamar atenção do povo e da mídia angolana pelo seu talento e musicalidade.  Participou de programas de TV, Rádio e foi contratado para cantar na festa de matrimônio do empresário Congolês Sindika Dokolo e a empresária angolana Isabel dos Santos, filha do presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos.

Na Itália, participou da festa de abertura do torneio de futebol Troféo Birra Moretti, no estádio de futebol San Paolo de Napoli. Na ocasião, dividiu o palco com Jorge Benjor e Lúcio Dalla, uma das maiores referências da música italiana.  Em 2005, Edinho foi contratado pela prefeitura de Napoli, para atuar no Festival Napoli Carnaval 2005. Em 2008, se apresentou na festa de Réveillon no Teatro Bolívar, em Napoli. Possui ainda uma vasta experiência como produtor musical, tendo trabalhado por cinco anos em grandes casas especializadas em música brasileira na Itália. De volta ao Brasil, Edinho do Samba conseguiu sua afirmação e reconhecimento no mundo do samba, ao ter sua música “Tô feliz demais”, gravada por sua madrinha Beth Carvalho, que o lançou como compositor – revelação do CD de músicas inéditas, intitulado “O nosso samba tá na rua”, CD esse, que foi premiado com o Grammy Latino (melhor álbum de samba de raiz 2012), e também o Prêmio da Música Brasileira 2012.  Beth Carvalho, que também fez participação especial no primeiro CD autoral do Edinho em 2016, cita os versos da canção “Tô feliz demais”, de Edinho do Samba, em várias entrevistas em jornais, revistas, programas de rádio e TV, afirmando que a canção do afilhado Edinho do Samba é um achado, e que revela o seu estado de espírito atual.  “Tô feliz demais… sinto tanta paz… dessa vez felicidade exagerou comigo…”.

Depois de tantas conquistas dentro e fora do Brasil, em Fevereiro de 2014, Edinho do Samba recebe mais uma missão musical no exterior: fazer shows em JohanesburgoÁfrica do Sul; LuandaAngola; “Abuja”Nigéria, representando o Rio de Janeiro e as cidades de Búzios, Angra dos Reis, Parati e Petrópolis, numa turnê de divulgação turística para Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Projeto do governo federal em parceria com a produtora BARRA LIVRE PRODUÇOES, SETUR (secretaria de Turismo do Rio de Janeiro), e EMBRATUR (empresa Brasileira de Turismo).

Atualmente Edinho do Samba se apresenta regularmente em tradicionais casas de samba de raiz, como o Traço de União (São Paulo), Cacique de Ramos, Kaçuá, Butiquim do Nonno, Bangalô, Espaço Don, Rei do bacalhau da RioPetrópolis – RJ , e nos grandes shoppings do Rio de Janeiro.

Edinho, que também é afilhado de Bira Presidente, fundador e integrante do grupo “Fundo de Quintal” e presidente da instituição carnavalesca “Cacique de Ramos”. Edinho está lançando, o seu primeiro CD autoral, com a capa assinada pelo Gê Alves Pinto e caricatura feita pelo cartunista Ziraldo, e participações especiais de Beth Carvalho, Humberto Araújo e Bira Presidente. O seu CD foi produzido pelo maestro Misael da Hora, filho de Rildo Hora, produtor de grandes artistas da música brasileira, como Beth Carvalho, Fundo de Quintal e Zeca Pagodinho.

Edinho do Samba vêm sendo aplaudido e conquistando respeito e admiração de profissionais já consagrados no mercado fonográfico. Talento e carisma não faltam ao artista, que conta em seu vasto repertório, o mais autêntico samba de raiz, Chorinho e os clássicos da MPB.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Edinho do Samba para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 17.09.2018:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Edinho do Samba: Eu nasci no dia 27.01.1979 na Clínica Santa Rita em Duque de Caxias, Rio de Janeiro.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Edinho do Samba: Eu no ventre de minha amada mãe Elenice Nascimento, já me deliciava com os solos de clássicos do nosso cancioneiro popular, que o meu pai Jerônimo Pereira, fazia ao Violão e ainda faz todos os dias, com o mesmo Violão de outrora. Um Di Giorgio 1976.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Edinho do Samba: Fiz todo ensino fundamental e curso técnico em mecânica aos 14 anos de idade. E formei-me Ajustador Mecânico pelo SENAI (Serviço nacional de aprendizagem industrial). E logo fiz estágio numa multinacional, fui muito bem, mas a música me levou pra outros caminhos, e fui! Sou filho de músico e aprendi muito ouvindo meu pai (Jerônimo Pereira) e buscando informações nos livros e revistas. Quando era adolescente corria de banca em banca, e vários sebos, à procura de revistas musicais de MPB. E aos 18 anos fui estudar na Escola de Música Villa Lobos no Rio de Janeiro, onde obtive experiências profissionais de leitura e interpretação musical, harmonia, canto, prática de conjunto, etc. Foi muito bom para meu aprendizado, mas eu já ganhava uns trocados tocando em Bares do Rio de Janeiro. E logo pintou carreira internacional, e assim, tive que abandonar os estudos no Rio de Janeiro, para me dedicar aos shows dentro e fora do Brasil. Quando retornar da Europa, África, eu estudei por um tempo na UNI-RIO (Escola Portátil de Música) me dediquei ao estudo do violão, prática do estilo Choro e samba.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Edinho do Samba: Cresci ouvindo o que meu pai (Jerônimo Pereira) curtia, e comecei gostando dos mestres Noel Rosa, João Nogueira, Caetano Veloso, Djavan, Tom Jobim, Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Fundo de Quintal, entre tantos outros grandes missionários da MPB.  Também na adolescência curtia um pop/rock: Legião urbana, Cazuza, Titãs, etc. Sempre gostei de tudo que era bom na MPB.  Só nunca tive e nem tenho interesse por FUNK (Esses que só falam de luxúria, sexo explícito, besteirol, etc). E hoje em dia, sou do Samba mesmo! Ouço mais rádios com programação de samba de verdade, tipo Adelson Alves no Rio de Janeiro e o Luís Américo em São Paulo.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Edinho do Samba: A partir do momento em que me vi cantando e tocando “SAMBA DE COZINHA”, com uma super banda comandada pelo maestro Humberto Araújo, no palco do Teatro Dulcina, na Cinelândia – RJ, um samba de minha autoria em parceria com meu primo Rildo Pereira, e vencendo o Festival Estudantil da Canção em 1996, RÁDIO MEC/ TVE, com melhor letra e música. Dali em diante, aos 17 anos de idade eu me firmei nas noites do Rio de Janeiro a cantar nos bares e restaurantes, festas e eventos corporativos, Rádio/TV.

06) RM: Quantos CDs lançados, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que entraram no gosto do seu público?

Edinho do Samba: Quando venci o Festival de Música MEC/TVE em 1996, as portas se abriram para minha carreira de cantor, compositor e instrumentista.  E um dos prêmios que obtive foi a gravação de sete músicas em uma fita DAT, no estúdio sinfônico Alceu Bocchino, Rádio MEC. Tive a honra de ter o grande Chico Feitosa, o autor da música “Fim de Noite”, como produtor e diretor musical da gravação. O estilo era bem Bossa Nova, composições próprias em parceria com o grande poeta Rildo Pereira. E os arranjos ficaram por conta do maestro David Sicon, outro grande músico, que conheci por causa do Festival. Fui apresentado pelo Airton Sedano, um amigo e músico que foi ao Festival e viu tudo começar. O CD foi lançado só em algumas rádios que não “cobraram o jabá” (risos). Rádio MEC, NACIONAL e ROQUETTE PINTO, tocaram nos programas de Adelzon Alves, Arlênio Lívio, mas não consegui verba para lançamento e comercialização do álbum. Tá guardado até hoje como recordação e aprendizado.

Gravei outro disco em 2004, com repertório mais voltado para o samba de raiz, com produção própria, quando voltei das primeiras experiências internacionais, onde estive em Luanda/Angola em 2002, e Itália 2003. Cheguei a comercializar por lá mesmo, em Napoli, durante o período que estive mais uma temporada fazendo shows de 2004 até 2008. Retornei, e me casei com uma italiana que conheci em Napoli, viemos morar no Brasil, e Maria Bernardetta foi a musa inspiradora da minha primeira canção “Tô feliz demais” gravada pela grande cantora Beth Carvalho, no álbum “O Nosso Samba Tá Na Rua” em 2010, vencedor do prêmio GRAMMY LATINO e PRÊMIO DA MÚSICA BRASILEIRA. Logo em seguida comecei a gravar o terceiro CD, que teve participação especial de Beth Carvalho, Bira Presidente e Humberto Araújo, que foi o maestro que me acompanhou na banda do festival MEC/TVE. A produção, direção e arranjos do Misael da Hora, que me foi apresentado pelo próprio pai Rildo Hora, que disse para o Misael tomar conta do meu trabalho. E fez muito bem!  Assim fizemos um ótimo disco de samba. Chegou da fábrica em dezembro de 2017. Ainda não lancei oficialmente, mas adiantei a divulgação e comercialização do CD em shows e redes sociais, para angariar recursos para um bom lançamento brevemente em algum teatro. Os músicos que gravaram o álbum – “Edinho Do Samba” foram: Pretinho da Serrinha, Gordinho, Carlinhos Sete Cordas, Jamil Joanes, Misael Da Hora, Nenê Brown, Camilo Mariano, Luciano Brôa, Márcio Hulk, Dirceu Leite, Alisson Maninho, Jaguara, Léo Guimarães, Tuca Alves, Charles Bonfim, Mafram do Maracanã, João Faria. Os vocais foram feitos por: Jussara Silva, Dandara Ventapane, Analisar Ventapane, Maíra Freitas, Ronaldo Barcellos e Amaury Machado. A capa do disco foi uma caricatura do meu rosto e dorso assinada pelo mestre Ziraldo, com o projeto gráfico de Gê Alves Pinto e fotos de Marco Velasquez.

07) RM: Como você define o seu estilo musical?

Edinho do Samba: Meu trabalho atual é samba popular tradicional, partido alto, samba de breque, samba sincopado. Várias pessoas já me disseram que tenho esse estilo sincopado. E que a minha tendência é compor o cotidiano, e com alegria, inspirado nos antigos clássicos de Noel Rosa, Geraldo Pereira, Donga e Moreira da Silva. Concordo que sou um sambista de “Alma e coração velha guarda”. E faço o que mais amo, me entreguei ao samba!

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Edinho do Samba: Tive a oportunidade de aprender exercícios vocais com a minha fonoaudióloga Deise Catarine, que até hoje cuida de minha “Santa garganta” e me ajuda muito. E pude estudar com o professor Vladmir Cabanas, um grande mestre de canto, apresentado pelo Misael Da Hora. Foi muito bom entender técnicas vocais. E com esses profissionais da voz, aprendi que devemos sempre aquecer a voz antes de tudo, não desperdiçar voz, conduzir a emissão de voz, respiração, usar voz de peito, voz de cabeça, diafragma, tonalidade para cada extensão vocal, etc. Nem imaginava que tinha tudo isso, tantos detalhes, mas foi tudo muito importante pra mim.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Edinho do Samba: Tudo que me foi ensinado pelo professor e minha fonoaudióloga, eu tento colocar em prática, pois a voz é minha maior ferramenta de trabalho! Espero ter voz até depois dos noventa anos (risos).

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Edinho do Samba: Maria Bethânia é uma delas, temos vozes de todos os timbres e estilos. Temos os timbres inconfundíveis de Beth Carvalho, Leny Andrade, Nana Caymmi, Roberto Carlos, João Nogueira, mas tenho muitas saudades da Elis Regina, que para mim foi a maior e mais imponente voz da nossa música popular brasileira. Emílio Santiago também faz muita falta. Era um dos meus favoritos.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Edinho do Samba: Na maioria das vezes, sou primeiro o letrista, depois faço a melodia dando o tom menor ou maior conforme pede o tema da música. Penso que para cada tipo de letra e tema de música existe uma tonalidade que caiba melhor, pois uma letra que fala de separação ou qualquer outra tristeza, por exemplo, prefiro fazer melodia em tom menor, a não ser que seja uma tristeza alegre, tipo uma “Amélia”, aí já começa com um tom maior! Faço muita música gravando no celular, e quando estou nos lugares mais inusitados (risos). Já fiz música até dentro do metrô, trem, ônibus, avião, banheiro, fazendo corrida matinal, etc (risos). Não tem hora e nem lugar pra compor, a gente veste a roupa da música ou a letra na hora que mandarem lá de cima, pois somos um tipo de antena, ou um para raio ambulante! Um dia me roubaram os dois celulares cheios de letras já prontas para vestirem as respectivas músicas, e também áudios de melodias prontas para vestirem uma letra.  Só algumas delas eu havia enviado pro meu e-mail. O resto perdeu tudo, e não me lembro de nada mais. Mas agora fiquei esperto, e mando logo pras nuvens.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Edinho do Samba: Meu primeiro parceiro foi o poeta e primo Rildo Pereira, esse é fiel até hoje, e temos várias canções.  Tem o Jorge Bodhar, que é outra fera, Tuninho Primavera, Márcio Monteiro, Marcos Monteiro, Cláudio Arraes, Gabriel “Poeta do Rio”, Lúcio Mariano, Artur Lafaiete, Carlinhos Marinara, Ica, Zé Di, Jaguarassu Silva, Edu Costa, João Areas, Dimas de Castro, Tuninho Primavera, José Leal, Gil de Carvalho, etc. Alguns já partiram e deixaram muitas obras inéditas  em parceria comigo, tipo Chico Feitosa, Jair Lobo, Jorge Macarrão, Adail, Chiquinho Maciel e o nosso saudoso Tibério Gaspar (ainda tenho uma letra que ele me entregou pra colocar música e não consegui terminar), já vai sair da gaveta!

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Edinho do Samba: Comecei a gravar profissionalmente com a cantora Adriana, com a música “Eu Mereço” (Edinho/Márcio Monteiro/Marcos Monteiro), cantora de vários sucessos marcados na carreira com seu estilo pop romântico. E logo depois a Beth Carvalho gravou um samba meu intitulado “Tô feliz demais”, que fiz em homenagem a Maria, minha esposa. Tenho músicas gravadas também no disco do Jorge Bodhar, onde ele canta um samba nosso junto com o grande sambista Osmar do Breque, gravei também com os cantores Cláudio Arraes, Elohim Seabra, Andréa Ferrer, Robertinho Carolino, grupo “Lá Da Lapa”, Leila Maria, Natanna e Tuanny e Luiza Albuquerques, Andréa Beat, etc.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Edinho do Samba: Sou independente só de gravadora, pois ainda não fechei com nenhuma. Hoje estamos num momento conturbado e de inúmeras possibilidades, já que as grandes gravadoras multinacionais não têm mais altos investimentos para tornar famoso qualquer artista como fazia, antes desse novo cenário midiático de alta velocidade que temos aí.  Por outro lado, o artista independente, que tiver um bom projeto, tem condições de divulgar a sua obra nas grandes plataformas e redes sociais, com muito mais fertilidade que antes. Meu novo projeto de CD de samba, eu fiz todo pela minha empresa de produções musicais, mas sempre contando com a união de vários profissionais, e apoio financeiro de alguns empresários, para conseguir êxito nas produções. Ser artista independente é mesmo não tendo uma grande gravadora fomentando a carreira, conseguir trabalhar ininterruptamente com a música, ainda que em proporções menores em relação aos cachês, público, investimentos. Porém, aprendi que a gente sempre precisa de mão de obra em conjunto com outros profissionais do ramo, pois mesmo sendo artistas independentes, só conseguiremos virar o jogo se nos aliarmos à expertise de um bom empresário, em conjunto com produtor, diretor musical, profissional de redes, músicos profissionais, divulgadores, investidores, bons estúdios para gravações, etc. Não adianta ser artista independente, e ficar com a carreira e o CD parado, esperando que “tudo caia nas mãos”. E não querer dividir os encargos e lucros com ninguém. Todo artista independente gostaria de ser um grande sucesso, como os “medalhões” que estão nas paradas, mas dependemos muito de nós e também de muita gente influente no mercado. Um dia a gente chega lá! Independência, é uma palavra que pode soar que o artista é feliz e resolve tudo sozinho, não estando atrelado à ninguém, sem gravadora e grandes mídias. A tendência, é que, com as plataformas digitais, o artista seja mais livre para divulgação do seu trabalho para um grande público das redes digitais. Porém, o “dependente” soa mais feliz, pois tem toda grande mídia à seu favor, e muito mais investimentos e patrocinadores (risos).

15) RM : Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Edinho do Samba: Muitas pessoas me disseram para não gravar só Samba, para não ficar só com um estilo, que eu sou artista versátil, etc. Porém, eu apostei no Samba de Raiz, antes mesmo de ir pra Europa com o nome artístico de Edinho Do Samba, e deu certo! Aliás, está tudo certo! Posso até futuramente gravar outros estilos, que acho que não vai me atrapalhar em nada. Carreira internacional continua firme, mas por enquanto estou divulgando e fazendo shows aqui e acolá. Estou com os CDs sempre em mãos, pois ando a procura de empresário investidor, que compactue com minha forma de pensar e queira trabalhar o projeto comigo. Antes de lançamento oficial do disco, eu fiz o que veio na minha mente, comercialização do disco em mãos e pelas redes sociais, e vendi os primeiros 1000 (mil) CDs de dezembro de 2017 até maio 2018. Em cinco meses vendi tudo. Estou vendendo mais que o Rei RC (risos). Por enquanto sou minha própria loja ambulante, faço shows, fecho eventos, monto equipamentos, equipe técnica, estou produzindo artistas novos, famosos, gravando em meus estúdios “EDSON’S”, e fazendo minha caminhada musical rumo às vitórias nossas de cada dia.

 16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Edinho do Samba: Sou cantor, músico para todas as horas, e também sou produtor e reprodutor musical (risos). Ganho meu pão em todos os ângulos que eu possa transitar sem extrapolar, claro, só exploro o meu talento da melhor maneira o talento que Deus me deu.  Reinventar-me é o que me move e me dá prazer. Fomento minhas músicas, mudo as vestimentas delas, faço filhos novos, misturo tudo até ficar novo de novo, do meu jeito, depois embaralho tudo outra vez,  se tiver que ser! Sou Aquariano fértil (risos).

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Edinho do Samba: Acelera para o lado bom, se a música ou a carreira tiver consistência. Mesmo tendo muita gente no mesmo patamar e com as mesmas condições de visibilidades, é imprescindível ser diferenciado, ser original, mesmo tendo uma tendência de estilo. O povo está o dia inteiro ligado no celular smartphone, ou tablets, etc… Então vamos jogar nossa rede nas redes sociais!

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Edinho do Samba: Trabalho muito em casa. Tenho o meu home estúdio, mas uso para fazer pré – produção, projetos, demonstrações de outros artistas, ajeitar minhas músicas, etc. E para fazer um trabalho no nível de execução em plataformas e rádios, temos que fazer num patamar profissional que os grandes nomes do mercado fazem. Mas não é proibido tentar a sorte é fazer em casa, pode dar certo também, quando se tem um bom técnico de som caseiro, rola artesanal de primeira linha! Fiz assim no primeiro trabalho que produzi em um Home Estúdio de um amigo, onde levei o disco para Itália e vendi uns dois mil CDs. Por outro lado, levei uns oito anos pra fazer o meu novo disco, produzido e gravado nos mesmos estúdios que os medalhões da MPB gravam. Demorou, gastamos uma grana forte, mais deu resultado favorável.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Edinho do Samba: Tento ser diferenciado nas minhas letras e melodias, procuro um caminho novo, dentre os antigos atalhos que já percorri. Um tema de uma composição, por exemplo, já é o ponto alto de ter um nicho no mercado musical. No meu disco tem um samba que fala de todos os “Paulos” da MPB, essa parceria é minha com Jorge Macarrão, Jair Lobo e Rildo Pereira, e já chamamos a atenção da emissora Rede Globo, em um Festival de Música, por exemplo. E toda vez que estou na casa da Beth Carvalho ela pede pra tocar esse samba, e todo mundo curte.

20) RM: Como você analisa o cenário do Samba. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Edinho do Samba: Tenho certeza que o samba de verdade sempre irá existir, apesar do quadro atual que a mídia nos impõe goela abaixo. Temos que ter discernimento para saber o que é novo e original. E o que é novo e não condizem com a batida, poesia e harmonia do antigo e bom samba. Não vou falar de quem regrediu, pois são pessoas que conheço de perto, e não quero magoar ninguém. Mas  Gosto do trabalho do Wanderley Monteiro, Toninho Geraes, Claudinho Guimarães, Serginho Meriti, Fabiana Cozza, Tereza Cristina, Dayse do Banjo, Flávia Saolli, entre outros sambistas de linha raiz e nova safra. Mas vejo muita gente que sabe fazer o bom samba, porém regrediu e tá fazendo só o “boi com abóbora” que a mídia pede! Aí o samba de raiz chora de abandono (risos).

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Edinho do Samba: Admiro muito os ícones do samba que tem uma grande influência na minha carreira: Rildo Hora, Milton Manhães, Misael Da Hora, Zeca Pagodinho, Bira Presidente e o grupo Fundo de Quintal, entre outros que admiro o exemplo artístico profissional. Beth Carvalho é uma grande personalidade do samba. Conheço muito bem. E faz tempo que ela carrega uma grande responsabilidade profissional e cultural, que é a bandeira sagrada do samba, que começou na casa da Tia Ciata, e se propaga além da casa da madrinha Beth Carvalho, que nunca deixou o batuque acabar, revelando novos sambistas. Eu sou um dos que comecei a ser reconhecido na casa da Beth Carvalho. Salve a madrinha do samba, que leva avante a bandeira da Tia Ciata!

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Edinho do Samba: Já posso escrever uns cinco livros (risos). O episódio mais engraçado foi o assédio sexual de uma fã em Caxias, eu estava descendo do palco e ela veio ao meu encontro, me beijou quase na boca, pegou nas minhas partes íntimas, apertando e falou: “Por que você cortou os cachinhos”? Ela se referia ao meu novo corte de cabelo, bem curto! O namorado dela estava na mesa e não viu nada! Outra situação trágica foi um músico que trabalhava na minha banda, que vacilava nas bebidas. E um dia ficou com ciúmes de outro músico que estava tocando comigo na ocasião, e veio até o Bar, tirar satisfações na hora do show, com uma garrafa de cerveja na mão. Ele jogou garrafas no gerente, nos garçons, quebrou o Bar todo e veio para cima de mim, dei sorte de conseguir abaixar a cabeça na hora que ele jogou algumas garrafas! Noutra ocasião me lembro de que no primeiro Bar que toquei, o “BARGAÇO”, tive que receber o cachê em forma de alimentos! O Paulinho, dono do Bar, que é meu amigo até hoje, me pagou com batatas, inhames e sardinhas! Cheguei em casa e falei pra minha mãe: Olha a feira aí Dona Xepa! Comprei tudo fresquinho!

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Edinho do Samba: Estou feliz demais por conseguir fazer parte da MPB como compositor, o Grammy Latino que ganhei quando gravei no disco da Beth Carvalho me fez muito bem e me deu mais força para minhas colaborações artísticas, e estímulo para continuar produzindo o que mais gosto, que é música. Por outro lado, o que me entristece, é ver falsos artistas, usando o sagrado som da música para investir em vestimentas de apologias ao sexo desregrado, drogas e aberrações da nossa sagrada língua portuguesa. Dói na alma, pois a mídia ajuda a esses monstros a ganharem fama e dinheiro com essas anomalias musicais, que eles insistem em dizer que é música. E o governo, que não está nem aí, quer mais é que o povo fique alienado, analfabeto e indecente, para o mau político conseguir avançar, surrupiar e regredir mais ainda esse país chamado Brasil. Liberdade de expressão é bom, mas “libertinagem de depressão” é o caos que eles fazem com nosso povo!

24) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Edinho do Samba: No Rio de Janeiro temos um teatro maravilhoso chamado Raul Cortez, onde aparecem alguns shows de música e teatro. Também existem muitos bares com música ao vivo, que ficam no centro gastronômico de Duque de Caxias, em frente à universidade Unigranrio. Ali você encontra ótimos músicos de todos os estilos musicais. Na Vila são Luiz e Jardim Primavera, também têm ótimas opções de música nos polos gastronômicos que se formaram nos bairros da minha cidade de Duque de Caxias.

25) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Temos o grupo Nosso Canto, que é referência artística na cidade, Paulinho Baltazar, Del, Jorge Trinca, Jorge Bodhar, Lira de ouro, Airton Sedano, Paulinho Batuque, Eduardo Cândido, Sérgio Meireles, Stanley Netto, Edinho Oliveira (Guitarra), David Sicon, entre tantos outros talentos.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Edinho do Samba: Sim, algumas rádios já estão tocando meu CD. Adelzon Alves – Rádio Nacional, Luiz Américo – Rádio Tri FM (São Paulo), tem rádio web tocando meu CD em Portugal, rádio dreams FM, Boteco da Mimi.

27) RM : O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Edinho do Samba: Seja verdadeiro com o estilo que você quer representar, com o público e com toda equipe de profissionais à sua volta. Focar no que você faz. E não ligar para concorrência, fazer a sua parte.  Ser profissional, não é só ter talento e ser bom no que faz, mas ser autêntico, focar no trabalho e ser bom caráter.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Edinho do Samba: Eu só cheguei até aqui porque fui descoberto em um Festival de Música, na Cinelândia, FESCAN RÁ DIO MEC/TVE, quando eu tinha 17 anos. Ali no palco do Teatro Dulcina, eu pude vencer com “Samba de cozinha”, em parceria com Rildo Pereira. E assim pude conhecer artistas que me ajudaram até os dias de hoje. E eu não tinha nem Violão elétrico para me apresentar num grande palco, e foi o meu amigo Airton Sedano quem me emprestou seu Violão, nas semifinal e final. O Chico Feitosa, que era o presidente do júri do Festival de Música, foi o divisor de águas. Logo ficamos parceiros, e ele me deu oportunidades em shows com ele, programas de rádio e me apresentando a outros artistas e pessoas que me ajudaram a chegar até aqui.  Acho que de onde eu vim, não seria tão fácil à grande mídia me encontrar, sou da Baixada Fluminense, aonde tudo chega com atraso, ou não chega, inclusive o trem! Falta muita coisa na minha região. O maior problema em relação aos Festivais de Música é a falta de verba para contratar jurados profissionais, que não manipulem os resultados.  Já tivemos problemas sérios em Festivais de Música dentro e fora do Rio de Janeiro, valendo dinheiro e mídias. Estávamos eu e meu parceiro Jorge Bodhar, no Paraná, onde depois do resultado da semifinal, fomos desclassificados, porém, o presidente do júri veio até a mesa com todos os concorrentes nos parabenizar pela nossa música “classificada”, sendo que uma outra pessoa da organização acenou para ele escandalosamente dizendo que fomos eliminados! Todos se revoltaram com aquilo, inclusive os participantes. Deu confusão!

29) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música ainda revelar novos talentos?

Edinho do Samba: Sim. E a nossa MPB de raiz deve muito aos Festivais de Música que são verdadeiras vitrines de grandes artistas, que despontaram nos grandes Festivais. Ainda é imprescindível mostrar artistas novos e de qualidade!

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Edinho do Samba: A grande mídia se rendeu ao vil metal dos grandes investidores, que compram a grade dos programas de maior audiência, para exibirem seus artistas, que na maioria das vezes, só são propagandas enganosas e de baixo teor cultural. Tem muita gente talentosa que não tem investidor e ficam no anonimato. Poucos meios de consumições investem na qualidade cultural deste país. Se todos fossem iguais ao Rolando Boldrim, Adelzon Alves, Chacrinha… Aí sim, estaríamos no caminho certo, para um Brasil bem mais real e cultural.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Edinho do Samba: É sempre importante ter aberturas de portas como essas. Temos também “Natura musical”, que também abre edital para leis de incentivo à cultura. Basta o artista ter a carta de aprovação da lei de incentivo já em mãos, e rezar pra ser o escolhido pelo júri, dependendo do projeto. Já fiz vários shows em SESC, achei uma boa opção para mostrar o trabalho.

32) RM: Quais os prós e contras de fazer shows fora do Brasil? Quais os países e cidades fora do Brasil você se apresentou?

Edinho do Samba: É sempre bom ter essa experiência internacional, e eu fui solicitado várias vezes para atuar fora do Brasil. O grande problema, é que nem sempre você vai conseguir tocar o seu repertório autoral, mas as músicas que chegam para eles lá fora, ou seja: Tudo que sai da grande mídia daqui. Eles acabam gostando da brincadeira (risos). A minha sorte foi a Bossa Nova de Tom Jobim e o bom Samba, que nunca saíram de moda lá fora. Mesmo que aqui dentro sejam restritos, e só tocam em algumas mídias. Eu sei quase tudo de Samba antigo e de Bossa Nova, modéstia à parte, me dei muito bem nos show que fiz no teatro Bólivar, Napoli – Itália,  por exemplo. Agradeço também ao carnaval de antigamente, ao “ÔBA ÔBA” do Sargentelli, que o povo lá fora nunca esqueceu, e do bom samba do “Cacique de Ramos” do Niltinho Tristeza, Pixinguinha, Ary Barroso, Chico Buarque, Caetano Veloso, entre outros exilados na Europa, na época da Ditadura. Poor várias vezes tive que contratar muitas mulatas na Itália, e fiz muito carnaval fora de época, inclusive num grande show que fiz com o famoso Jorge Benjor e 40 mulatas, vários ritmistas e capoeiristas, num evento em homenagem ao Brasil, non estádio do time do Napoli.  Estive em Luanda – Angola por três vezes; Calulo – Angola; Huambo – Angola; Napoli – Itália (três temporadas) durante 5 anos, indo e voltando; Mar Vermelho – Cairo – Egito (por uma semana); Roma – Itália; Torino – Itália; Rímini – Itália; Abuja -Nigéria; Johannesburgo – África do Sul.

33) RM: Quais os seus projetos futuros?

Edinho do Samba: Lançamentos do meu novo álbum, fora e dentro do Brasil, ao vivo e em plataformas digitais; Alimentar um canal no youtube, só com minhas obras musicais e lançamentos; Produzir, dirigir e lançar outros artistas pela minha produtora Edson’s Produções Musicais.

34) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Edinho do Samba: (21) 97906 – 5659 | 98292 – 3955 | [email protected] |

[email protected] | www.facebook.com/edinhodosamba |INSTAGRAN:@EdinhodoSamba

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.