Del Feliz

Del Feliz 1 Entrevista - Música - Revista Ritmo Melodia
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Tempo de Leitura: 13 minutos

O cantor e compositor baiano Del Feliz ressalta a influência de sua mãe, Dona Nicinha, cantora de samba e reisado, e dos tios, todos músicos e sambadores. Del Feliz despertou desde cedo a paixão pela música e pelas manifestações culturais nordestinas, se tornando um dos mais jovens escritores de cordel da Bahia, aos 12 anos de idade.

Com uma linda história de superação, Del Feliz trabalha desde que começou a andar aos 4 anos de idade, foi arrimo de família e, teve dezenas de experiências profissionais, de catador de lixo a radialista, feirante, ajudante de pedreiro, ajudante de padeiro, pintor, faxineiro , diarista, balconista, fotógrafo, administrador, camelô…

Começou a carreira musical tocando percussão, bateria, depois veio a cantar na noite, no formato voz e teclados, experiência que considera importante para a sua formação como artista. Ao longo de sua carreira, o cantor e compositor já fez parcerias musicais importantes com nomes da música, como: Dominguinhos, Maria Bethânia, Elba Ramalho, Michel Teló, Fagner, Geraldo Azevedo, Dudu Nobre, Carlinhos Brown, entro outros. Em outubro de 2015, participou do The Voice Brasil, ingressando no Programa com a aprovação dos 4 técnicos: Lulu Santos, Carlinhos Brown, Michel Teló e Cláudia Leitte.

Com 19 CDs e 3 DVDs, gravados de forma independente, Del Feliz tem uma turnê nacional com destaque para o São João, e cumpre uma agenda internacional que inclui países como: França, Estados Unidos, Inglaterra, Portugal dentre outros. Del Feliz viaja o mundo divulgando a música nordestina e já se apresentou em importantes casas de show internacionais, como: B.B King Blues e Le Poison Rouge, em New York – Cabaret Sauvage, Barrio Latino e La Belle Villoise, em Paris e no restaurante Guanabara, em Londres, além de ter participado de grandes eventos, como: Brazilian Day – New York – onde fez homenagem nos 100 anos de Luiz Gonzaga, em  2012, Brazil Week, em New York, Lavagem de Madeleine e Festival Ai que bom, em Paris, e Forró London em Londres. Del Feliz desenvolve um projeto chamado Cantos do Brasil, em que faz duetos com grandes nomes da música brasileira, como Elba Ramalho, Dudu Nobre, Geraldo Azevedo, Spok Frevo e outros, que tem o objetivo de contar a história e destacar tudo o que identifica cada cidade, ressaltando cultura, arquitetura, história, gastronomia, vocação econômica, atrações turísticas etc. Esse projeto já lhe rendeu uma série de premiações e homenagens, incluindo a Medalha Thomé de Souza (maior honraria de Salvador) e dezenas de títulos de cidadania em municípios brasileiros. Del Feliz Recebeu ainda, da LBVLegião da Boa Vontade, em New York, o Título de Mérito em Solidariedade, em 2014, em reconhecimento à sua dedicação na área social e, já recebeu 4 vezes, o maior prêmio da música nordestina, o Troféu Gonzagão. Del Feliz compôs “O hino do São João da Bahia”, que foi gravado por 40 cantores, e tem versões em inglês, francês e espanhol. O CD Forró Del Mundo – um trabalho de altíssimo nível, sem abandonar as raízes, com uma série de clássicos nacionais e canções como: “Volare” (em italiano), “Ne me quitte pas” (em francês) e “Céu de Santo Amaro” (Cantata 156 de Bach – com Letra de Caetano Veloso e Flávio Venturini) – releituras que mereceram elogios da crítica musical, e conta com participações especialíssimas, dentre as quais, nomes internacionais, além de Michel Teló. Del Feliz, que tem uma rica, interessante e respeitável história, faz questão de dizer sempre, que tem muito mais pra escrever e construir, com humildade e o privilégio de viver de sua grande paixão, a música.

Em seu projeto Forró Del Mundo, já fez show em dezenas de países, dentre eles: EUA, Bélgica, China, Noruega, México, Inglaterra e França, sempre divulgando a música e a cultura nordestina. Sua última turnê foi no Japão, onde passou por quatro cidades e fez sete apresentações. Del Feliz também é uma espécie de embaixador do forró. É autor de canções como “Hino do São João da Bahia” e “Eu sou o São João”, que promovem o São João e os ritmos do Nordeste e tem papel marcante no processo de tombamento do forró como Patrimônio Imaterial da Cultura Brasileira. Os trabalhos lhe renderam homenagens e premiações além de dezenas de títulos de cidadania em diversos municípios brasileiros, como: Feira de Santana (BA), Bezerros (PE), Cruz das Almas (BA), Alagoinhas (BA), Amargosa (BA), Retirolândia (BA), Valente (BA). Em Cuiabá (MT), capital do Pantanal, Del Feliz foi convidado pelo prefeito, para compor a música que homenageia os 300 anos de fundação da cidade.

O show Cordel Feliz é composto por uma série de clássicos do gênero que promove a dança a dois, com os quais o cantor Del Feliz se identifica – por remeter à tradição. A apresentação também possui canções atuais, que através de sua linguagem, buscam aproximar as pessoas, incluindo os jovens, numa perspectiva musical moderna, sem perder de vista a importância de sua raiz.

Em 2019 o novo álbum, segundo Del Feliz, trata-se do melhor trabalho que já fez. O disco recente “Pra compartilhar” é uma obra com 11 músicas e reúne participações de monstros sagrados como: Elba Ramalho, Flávio José, Santanna – O Cantador, Nando Cordel e Tato (Falamansa). O trabalho conta com composições autorais, e em parceria com Allan Requião e Fábio Salvador.

Segue abaixo entrevista exclusiva como Del Feliz para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 06.07.2019:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Del Feliz: Nasci no dia 12 de outubro de 1972 em Riachão do Jacuípe – Bahia e fui criado em Barreiros, distrito de Riachão do Jacuípe. Registrado como Del Feliz de Oliveira Santos.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Del Feliz: Certamente antes de nascer. Minha mãe Dona Nicinha (Eronice Ramos de Oliveira) lavadeira de roupas e cantadora de samba, chula e reisado. Ela cantou muito pra mim, quando criança, muitas vezes a comida não tinha sido a desejada ou mesmo atendido em termos quantitativos, mas o luxo da música de ”mainha” alimentava e saciava. Até hoje ela se apresenta junto com outras tias, tios e parentes. São muitos familiares envolvidos com a música e com as manifestações culturais de minha região. “Mainha” cantou muito pra mim antes de nascer, além de me levar pras festas.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Del Feliz: Minha riqueza foi conviver e crescer no meio do samba de roda, reisado, forró, chula. Minha universidade era no rio, na roça e nas casas de farinha, raspando mandioca e ouvindo as cantorias. Conclui o ensino médio e cursei o técnico de Administração de Empresa e aprendi alguns idiomas viajando por alguns países. Entendendo a vida como uma oportunidade de crescer e aprender, o meu mais importante diploma é o de Aprendiz. E todo estimulo e incentivo para formação educacional das pessoas é um diferencial para o futuro de uma nação. Eu fui um aluno aplicado e mesmo com todas as minhas adversidades sociais consegui concluir o ensino médio e um curso técnico. Lamento não ter tido condições de cursar algum curso de nível universitário.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Del Feliz: Ouvi muito forró através dos rádios dos vizinhos, pois não tínhamos condições de comprar um aparelho de rádio. O que mais ouvia: Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Trio Nordestino, principalmente. Tive uma fase em que ouvi muito reggae e adorava Benito di Paula. Hoje, minhas referências são muitas, especialmente: Alceu Valença, Gilberto Gil e Flávio José.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Del Feliz: Desde 11 anos de idade me envolvi com banda tocando percussão,  bateria e comecei a cantar na noite, muito jovem, no formato Voz e Teclados, em Riachão do Jacuípe – Bahia, depois fui pra Feira de Santana – BA e em seguida pra Salvador – BA,  onde me profissionalizei, montando uma banda, gravando CDs e definindo uma estrada a caminhar.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Del Feliz: São 19 CDs, lançados um por ano, desde 2000 e 3 DVDs em 2007,  2010 e 2017. Não dá pra citar os músicos e artistas com os quais construí parcerias, pois acho que nesse quesito eu sou recordista. Pra citar alguns: Dominguinhos, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Fagner, Genival Lacerda,  Flávio José, Alcymar Monteiro, Jorge de Altinho,  Waldonys, Petrúcio Amorim, Accioly Netto, Maciel Melo, Flávio Leandro,  Saulo Fernandes, Luiz Caldas, Michel Teló, Dudu Nobre, Carlinhos Brown, França, Tatau, É o Tchan,  Sarajane, Gilmelândia, Trio Nordestino, Tato do Falamansa,  Josildo Sá, Santanna – O Cantador, Ton Oliveira, Adelmario Coelho, Targino Gondim, Amorosa, Papete, Spok Frevo, Bule-Bule, Silvério Pessoa, Roberto Mendes, Armandinho Macedo. Meus CDs são essencialmente de música nordestina. As músicas especiais: “Eu sou o São João” (Del Feliz \ Ton Oliveira \ Fabio Salvador); “Mainha” (Del Feliz); “Abra a porta” (Del Feliz), “Ainda não acabou” (Del Feliz \ Walter Lins), “Estrela Dalva” (Del Feliz), “O hino do São João da Bahia” (Del Feliz \ Márcio Lima \ Vicente Lima), “Que tal? Ser mais do que ter“ (Del Feliz), “Santo Amaro” (Del Feliz \ Antônio Gabriel), essa última gravada por Maria Bethânia. E já fiz mais de 150 músicas / hinos para cidades no Brasil que fez nascer o projeto “Cantos do Brasil”.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Del Feliz: Adoro quando me rotulam de forrozeiro. Isso me orgulha, mas não me limita. Eu faço música. Recentemente fui convidado a ir a Cuiabá – MT, fazer a música dos 300 anos de lá, um rasqueado e, convidei um mestre de viola de cocho, Daniel de Paula e alguns músicos para gravarem comigo, foi uma experiência emocionante. Gosto de ouvir diferentes estilos e me permito experimentar. Na música, assim como na vida, quando não destrói, constrói.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Del Feliz: Tive poucas experiências, mas todas muito positivas. Contatos enriquecedores com Marcus Carvalho, Janaína Pimenta e Nina Pancevki.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Del Feliz: Simplesmente vital. O cuidado com a voz é bem mais amplo que parece, incluindo a necessidade de cuidados com o corpo inteiro. Tive grandes aprendizados nessa área com a fonoaudióloga Valéria Rezede.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Del Feliz: Flávio José, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Alceu Valença, Ana Carolina, Lionel Richie, Dona Nicinha (mainha), Celine Dion. Muita gente boa nesse mundão.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Del Feliz: Não tem uma regra. São centenas de composições.  Às vezes vem tudo de uma vez, já pronto, mas normalmente, faço a melodia e depois ponho a letra de acordo com o que acredito que a melodia sugere.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Del Feliz: Adail Mena – um grande poeta gaúcho e Fábio Salvador. Tenho muito orgulho de ter feito música com Carlinhos Brown, Jorge de Altinho, Maciel Melo, Flávio Leandro, Xico Bizerra, Luiz Caldas, Tenison Del Rey dentre tantos outros.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas? 

Del Feliz: Dominguinhos, Maria Bethânia, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Fagner, Frank Aguiar, Alcymar Monteiro, Flávio José, Tato Cruz do grupo Falamansa, Dudu Nobre, Michel Teló, É o Tchan, Saulo Fernandes, Xandy (Harmonia do Samba), Genival Lacerda, Luiz Caldas, Trio Nordestino, Waldonys, Santanna – O cantador, Tatau.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Del Feliz: Não posso avaliar a relação com gravadora, pois não tive experiência alguma. Creio que a autonomia na escolha de repertório seja um ponto muito positivo. Eu não me vejo cantando muita coisa “comercial”, que é o objetivo principal da maioria das gravadoras.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Del Feliz: Tenho uma equipe de gerenciamento e projetos e sintetizo estratégia fora do palco como sendo oferecer o melhor e mais verdadeiro, sempre respeitando o público. Sou um inquieto rodando o mundo difundindo com orgulho a minha cultura. No palco, simplesmente deixar a alma falar. Não tem estratégia. O que visto, o que digo e como me comporto, são frutos da minha essência, guardando sempre um limite chamado respeito, comigo e com o público.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Del Feliz: Realizo vários projetos dos quais me orgulho. Mais recentes são: “Forró DEL Mundo”, “IAÔ Junino” e “Cantos do Brasil”.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Del Feliz: Bem utilizada só ajuda.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Del Feliz: Traz comodidade, mas, pode significar perda de qualidade. Poucas pessoas têm uma sala tratada acusticamente e os equipamentos de ponta em casa. Embora os plugins e programas de áudio digital tenham evoluído, esses recursos ainda representam um diferencial.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Del Feliz: Qualquer artista que pretende conquistar sucesso, consequentemente conquistar pessoas, precisa fazer o que acredita. Mais do que a técnica, acúmulo de conhecimento, beleza plástica, efeitos especiais etc. nós vendemos emoções, sensações que só no balaio da verdade se encontram. A essência será sempre especial. Geralmente o segredo está na simplicidade.

20) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Del Feliz: Hoje sou o padrinho da campanha nacional pelo Tombamento do Forró como Patrimônio Cultural do Brasil, o que muito me orgulha. Vejo um cenário do Forró promissor através das políticas públicas de salvaguarda que serão consequência dessa campanha. O Forró precisa ser mais respeitado no Brasil, especialmente nas Festas Juninas, onde ele representa a autenticidade, a alma do evento, que vem sendo desfigurado. Uma pena, pois é nossa exibição de cultura mais completa. A nossa música nordestina tem uma incrível capacidade de se reinventar. Músicos como: Mestrinho, Beto Ortiz, Cezzinha nos dão mais que orgulho, fazem a gente acreditar que a música de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Jackson do Pandeiro, Sivuca está viva e florescendo. Não citaria nomes relacionados a insucesso, mas se tivesse que apontar uma regressão, eu diria que está nas músicas que faltam com o respeito às mulheres, aos gays, religiões, povos… Ou no estímulo à violência e às drogas, por exemplo.  O apelo tem ultrapassado o limite do razoável.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Del Feliz: Dentre outros parceiros, Carlinhos Brown e Targino Gondim são a meu ver, exemplos de empreendedores.

22) RM : Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Del Feliz: Ganhei uma calcinha e uma camisinha, num show, no sul da Bahia. Acho que era uma proposta (risos). Isso é raro pra quem faz a música que faço. Briga no forró é coisa rara. Graças a Deus. Minha queda em 2015 no palco do The Voice Brasil marcou, depois de virarem as 4 cadeiras para minha interpretação de “Espumas ao Vento” (Accioly Neto).

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Del Feliz: Sou só felicidade e gratidão, sempre! Sou um privilegiado por fazer o que mais amo.

24) RM: Quais os prós e contras de viajar por alguns países representando a cultura nordestina?

Del Feliz: Maravilhoso levar um pouco da nossa cultura, tão rica, e é claro que faz bem conhecer: arquitetura, história, comidas, pessoas, culturas diferentes. Mais que tolerância, é fundamental o respeito, e esse exercício e reforçado com essas vivências, contatos, experiências. Se tiver que citar algo negativo é a saudade de nossa terra e nossas raízes.

25) RM: Fale sobre a sua obra como Cordelista.

Del Feliz: Comecei na escola com 11 anos de idade. Escrevi o primeiro livro aos 12 anos. Uma paixão que pretendo retomar.

26) RM: Quais os prós e contras do Movimento do Forró Universitário no Sudeste nos anos 2000?

Del Feliz: Eu não vejo nada que identifique “Forró Universitário”. Forró é bem fácil de se identificar: é ou não é. Esse movimento, em que o grupo “Falamansa” se destacou, foi muito importante pra música do Nordeste. A música de Luiz Gonzaga precisa ser levada pros jovens, pra escola. Foi um caminho interessante, inteligente, com uma contribuição importante de Itaúnas, no Espírito Santo, que, através da dança e da nossa música de raiz vem ganhando o mundo em diversos Festivais de Música.

27) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Del Feliz: Hoje em dia, o rádio embora continue sendo importante, não é mais um instrumento indispensável. A internet tá aí.

28) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Del Feliz: Primeiro quem quer cantar ou tocar, deve ter certeza desse intento. Sendo a verdadeiro paixão, nada segura! Porque o sucesso não será medido apenas por fama, mas por realização pessoal, prazer e amor pelo ofício. Conversar com as almas através de canções é sublime.

29) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Del Feliz: Eu só vejo prós no Festival de Música. Afinal, ninguém perde.

30) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Del Feliz: É muito relativo. Existem Festivais de Música bem elaborados e desenvolvidos, outros nem tanto. Acho que uma estrutura mínima e os critérios podem ser determinantes.

31) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira? 

Del Feliz: Gostaria de ver o São João, com uma divulgação tão expressiva quanto a do Carnaval, por exemplo. Mas, vejo com positividade o cenário.

32) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Del Feliz: Muito positivo. Um bom exemplo.

33) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Del Feliz: Tal qual o termo forró Universitário, não reconheço forró estilizado. Forró é ou não é. Respeito diversidade, acho que algumas bandas, principalmente Mastruz com Leite, deram uma contribuição enorme ao forró. Outras tantas se apropriaram indevidamente da expressão “forró”, e nada acrescentam ao gênero. Mas, respeitemos cada uma e sua história, desde que não desrespeitem ninguém.

Acho desnecessária e injusta a utilização do termo forró por mero interesse comercial. Tem espaço pra todo mundo.

34) RM: Qual a importância da Dona Nicinha (Eronice Ramos de Oliveira) no ser humano que você se tornou?

Del Feliz: Somos de família humilde, seis filhos de Dona Nicinha, lavadeira e desde 4 anos de idade comecei a trabalhar para ajudar no sustento da casa. O “Homenzinho da casa” e não foi fácil, eu tive que trabalhar em tudo que você possa imaginar. O meu salário eu entregava para minhas decidir o que fazer e ela se sobraria algum trocado para mim. Eu logo cedo tive a responsabilidade colocar a comida na mesa, mas isso nunca foi um fardo para mim, pois tínhamos muitas bocas em casa para alimentar. O saldo positivo é ter história de superação para contar e aprendi muito com cada trajetória profissional que tive nessa fase da vida. Cresci como ser humano passando por todas essas dificuldades da vida e com as lições de minha mãe que sempre ensinou a ajudar a quem precisava. Quando ganhávamos uma panela de comida, após comermos “mainha” dividia com outras pessoas necessitadas. Aprendemos muito tendo que superar essas adversidades. A minha primeira música de sucesso foi feita em homenagem a minha mãe relatando a importância que teve em minha vida. E através de minhas primeiras realizações profissionais tiver condições em 2009 em construir uma casa para ela. Hoje ela tem 78 anos. Eu estou muito contente com tudo de bom que está acontecendo em minha carreira musical. E tento passar em minhas letras mensagens de superação. Quando eu levava a comida para “mainha” no rio; ela trabalhava como lavadeira, e quando ela percebia que era pouca comida que a patroa colocou ela cheirava a comida e dizia que o cheiro da comida tirou o apetite dela. Essa era uma forma dela deixar para os filhos comerem o almoço dela e ela ficava com fome. A letra “Mainha”, que fiz para homenageá-la, na maioria das vezes sensibiliza as pessoas que a escutar. “Mainha” – https://www.youtube.com/watch?v=r5FzAaPaa2A : Mainha tô na capital / E hoje eu sou cantor / Mainha tô na capital / E hoje eu sou cantor / Lembra quando era criança / Eu costumava lhe pedir / Para você não chorar / Sua atenção me dava / Força para prosseguir / Por você nunca acreditar / Você nunca tinha fome / Quando a comida era pouca / Para nada nos faltar / E hoje eu posso agradecer / Pois ser rico é ter você / E ainda poder cantar / Mainha tô na capital / E hoje eu sou cantor / Mainha tô na capital /E hoje eu sou cantor / Tive que partir tão cedo / Quantas vezes nem dormi / Mas não deixei de sonhar / Com você eu aprendi / Ouvir a voz do sofrer / Me dizer pra ajudar / Você nunca tinha fome…

35) RM: Quais os seus projetos futuros?

Del Feliz: Quero continuar cantando e compondo, fazendo o que está no meu sangue, na minha alma. Pretendo continuar viajando pelo mundo, fazendo música com mensagens nas quais acredito, valorizando a poesia, minha essência, minhas raízes e agradecendo ao público, sempre, e a dádiva divina de viver da arte.

36) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Del Feliz: (+55 71) 99723 – 4567 | [email protected] | www.delfeliz.com.br | https://www.youtube.com/user/cantordelfeliz | https://web.facebook.com/delfeliz.feliz | Instagram: delfelizoficial  

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.