Cláudio Lacerda

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Cláudio Lacerda
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O cantor, compositor paulistano Cláudio Lacerda é um músico dedicado à pesquisa e composição de músicas regionais. Gênero musical que tem talentos como: Renato Teixeira, Almir Sater, Paulo Simões e outros.

Cláudio tem família mineira e esteve ligado por influência familiar à música regional, elo reforçado no período em que realizou sua graduação em zootecnia em Botucatu – SP, região conhecida como um dos berços da música caipira paulista (de lá saíram Raul TorresAngelino de Oliveira e Serrinha). Ele lançou em 2003 seu primeiro CD – Alma Lavada, que teve a participação especial de Renato Teixeira, cujo lançamento se deu no Theatro São Pedro, em São Paulo. Em 2004, Cláudio venceu o I Prêmio Nacional de Excelência da Viola Caipira, na categoria de melhor intérprete – iniciativa da Revista Viola Caipira, de Belo Horizonte – MG. Neste mesmo ano, realizou uma série de quatro shows no Teatro Crowne Plaza – SP, com participações especiais de Paulo Simões, Alzira e Tetê Espíndola, Miriam Mirah e Zé Paulo Medeiros. Em 2005, participou do projeto “Prata da Casa” e do “Amostra Prata da Casa” com os melhores do semestre, promovido pelo Sesc Pompéia-SP. Em 2006 integrou a lista de artistas selecionados para a Pauta Funarte de Música Brasileira, projeto promovido pelo Ministério da Cultura. Gravou também neste ano, seu segundo CD – Alma Caipira, cujo lançamento se deu em maio de 2007 no Teatro do Sesc Pompéia, com participação especial de Pena Branca. O CD chamou a atenção de críticos especializados, ganhou matéria de capa do caderno de cultura do jornal “O Estado de São Paulo”, assinada por Lauro Lisboa Garcia, e foi selecionado para o Prêmio Tim de Música em 2008. Cláudio em 2009 foi selecionado para o projeto “SESI Música 2009 – Série Brasileira”, e realizou uma série de seis shows pelos teatros do SESI, em cidades do interior paulista, durante o primeiro semestre deste mesmo ano. Também em 2009, Cláudio grava seu terceiro CD – Cantador, que tem previsão de lançamento para Maio de 2010, e contou com a participação especial de Dominguinhos.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Cláudio Lacerda para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa  em 05.04.2010:

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Cláudio Lacerda: Nasci no dia 17.05.1969 em São Paulo.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Cláudio Lacerda: Sou de família festeira de mineiros. Eu tinha um tio seresteiro que era incrível! Tio Silvinho. Era um sabiá cantador. E meus pais o visitavam muito em Passos – MG quando éramos pequenos (eu e meus três irmãos). Outros tios também tocavam violão e cantavam.

03) RM: Qual sua formação musical e\ou acadêmica dentro ou fora música?

Cláudio Lacerda: Não tenho formação acadêmica. Fiz aulas de canto, violão e viola caipira. E a melhor escola foi o tempo! Fiz graduação em Zootecnia na UNESP – Botucatu. E os nove anos em que trabalhei como consultor de fazendas foi importantíssimo para a minha formação pessoal e também musical.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Cláudio Lacerda: Quando era menino ouvia muito rock, nacional e de fora também. Com o tempo fui preferindo a nossa MPB, principalmente a da mineirada (Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes). E nos tempos de faculdade em diante eu ouvia muito mais músicas regionais (Elomar, Almir Sater e Renato Teixeira).

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Cláudio Lacerda: Já em Botucatu-SP eu toquei muito nos bares da cidade para ter uma renda extra. Mas profissionalmente mesmo, foi com o lançamento do CD – Alma lavada no Theatro São Pedro – SP em 2003.

06) RM: Você lançou quantos CDs (músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas de cada CD caiu no gosto do seu público?

O Alma Lavada (2003) é meu cd de estréia. Tem algumas composições minhas, outras de amigos… e teve as participações especiais de Renato Teixeira e Miriam Mirah. As músicas que são mais pedidas dele, e que toco mesmo nos shows pois as adoro, são “quero” (zé paulo medeiros) e “bons amigos” (Nilson Ribeiro).

O Alma Caipira (2007) foi um projeto de homenagem aos compositores do gênero. Gravamos algumas músicas que tiveram apenas a primeira versão gravada, nas décadas de 50 e 60. Os compositores nem sempre são lembrados (e isso até hoje…) porque muitos não cantam e não mostram a cara para o público, mas se não fossem eles… não tinha música!! Foi muito legal ter feito este disco, que contou com as participações do Tinoco, do Pena Branca, que perdemos em janeiro deste ano…, do Lula Barbosa, da Kátia Teixeira… um monte de gente boa! Ainda toco muito algumas canções do CD, como “onde canta o sabiá” do Nonô Basílio, “vento violeiro” do Zé Fortuna e Carlos César, “encruzilhada” do Angelino de Oliveira…e outras pérolas…

Em 2010, terá o lançamento do terceiro CD – “cantador”.

Todos eles tiveram a direção musical de Sergio Turcão, que joga um bolão quando o assunto é arranjas nossas brejeirices!

7-) RM – Como você define seu estilo musical?

Cláudio Lacerda – Gostaria muito que a própria indústria cultural o definisse, mas somos muito pequenos para ela. Mas pensando bem, talvez isso fosse perigoso! É uma mistura de música caipira, MPB, folk. Talvez um rock rural, mas mais para o rural!

😎 RM – Como é seu processo de compor?

Claudio Lacerda – Dou preferência para compor em parceria. Já experimentei algumas fórmulas. Coloquei Letras em melodias e musiquei poemas na ausência do parceiro. E já compus toda a canção junto com o parceiro. Prefiro a segunda maneira. É assim com o Julio Bellodi. Saímos de nossos encontros com uma canção pronta! Acho mais legal, pois não fico na ansiedade de terminar.

9-) RM – Quais são seus principais parceiros musicais?

Cláudio Lacerda – Adriano Rosa, Julio Bellodi, Zé Paulo Medeiros e Pinho.

10-) RM – Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Cláudio Lacerda – É mais difícil para divulgar nossa música, mas acho que é uma tendência irreversível. As gravadoras querem apenas artistas de grande vendagem, e muitos independentes amigos meus, e eu inclusive, não focamos o sucesso como ponto principal. O sucesso a qualquer custo. Procuramos dar um direcionamento natural de nossos trabalhos, independente se a grande massa vai absorver ou não. Em compensação, o nosso público é extremamente fiel, e frequenta em peso os nossos shows. Graças a estas pessoas, sobrevivemos.

11-) RM – Como você analisar o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Cláudio Lacerda – Difícil… Mas nesses 20 anos alguns dos artistas incríveis que julgo indispensáveis são Zeca Baleiro, Ceumar, Paulinho Moska. Quem continuou em alta para mim: Almir Sater, Dominguinhos, Zé Renato. E quem regrediu? Não sei dizer.

12-) RM – Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Cláudio Lacerda – Pena Branca, Dominguinhos, Renato Teixeira e Almir Sater.

13-) RM – Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosto, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Cláudio Lacerda – Nada relevante.

14-) RM – O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Cláudio Lacerda – O que me deixa mais feliz é estar no palco com meus amigos músicos, e com um público atencioso. Gravar também é uma delícia! O que me deixa mais triste é ficar muito tempo longe disso tudo…

15-) RM – Nos apresente a cena musical da música caipira contemporânea?

Cláudio Lacerda – Menino. É um cenário muito, mais muito maior do que se imagina. O país está cheio de grandes talentos, sejam instrumentistas, compositores ou intérpretes. Mas espaço para que nós nos apresentemos é que não são muitos. Mas há uma preocupação muito grande em imitar os que fazem sucesso. E por isso acabam desperdiçados, usando todo esse talento para o “mal” (risos). Acho que existe uma tendência disso mudar, mas teremos que esperar um pouco mais para ver. Se dermos sorte, a indústria cultural se verá pressionada por alguns bons artistas que fazem sucesso, a vender música boa. E aí, ganharemos todos.

16-) RM – Quais os músicos caipira atual você recomenda ouvir?

Claudio Lacerda – Zé Mulato e Cassiano, Pena Branca, João Carlos e Maurício, na linha mais caipira. Na linha mais contemporânea, Renato Teixeira, Paulo Simões e Almir Sater sempre.

17-) RM – Você acredita que sua música vai tocar nas rádios sem o jabá?

Cláudio Lacerda – Já toca. Mas apenas nas rádios que não cobram jabá. Nas outras, não acredito não, pois elas não vão deixar de cobrar e eu vou continuar insistindo em não pagar!

18-) RM – O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Cláudio Lacerda – Para se cercar de pessoas competentes para assessorá-lo.

19-) RM – Quais os projetos futuros?

Cláudio Lacerda – Em maio 2010 tem o lançamento do meu terceiro CD – Cantador, que teve a participação de Dominguinhos. Os planos consistem em continuar persistente!! E compor bem mais a partir de agora, pois em abril vou morar em uma casa a 30 km da cidade. Isso vai me fazer um beeem…

 

ContatosCantoria Produções

(11) 3062-5673 /(11) 9425-1820 / www.claudiolacerda.com.br

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.