Carlos Silva

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Carlos Silva
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O cantor, compositor, poeta cordelista e escritor paulistano Carlos Silva, criado desde criança no sertão da Bahia e se descobriu na música pelas melhores influências calcadas no berço da nossa música de raiz através dos repentistas, emboladores e artistas circenses de meio de feira.

Amante da música regional brasileira se destaca compondo canções que fala da nossa identidade sociopolítica e cultural, valorizando a nossa gente e a nossa terra. Na atualidade, o poeta cantador segue compondo e levando sua marca singular a pontos dominantes da cantoria.  Recentemente, lançou um CD em homenagem ao cantor e compositor paraibano  Zé Ramalho.

Sua primeira música de trabalho foi ESTRANGEIRISMO, em que brinca com as palavras inglesas de uma maneira que faz com que o público perceba o exagero do uso desta língua em nosso país.

Além das apresentações musicais, ele tem um trabalho rico com publicações de poesia de Cordel, com vários títulos lançados, e mais algumas dezenas para lançar.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Carlos Silva para www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 16.01.2017:

01) Ritmo Melodia : Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Carlos Silva : Eu nasci no dia 14 de Abril de 1963 em São Paulo.

02) RM : Fale do seu primeiro contato com a música?

Carlos Silva : Comecei em uma banda no interior da Bahia em 1980 e depois vieram os Festivais de Música.

03) RM : Qual a sua formação musical?

Carlos Silva : Eu sou autodidata, aprendi nos conservatórios da vida: noites paulistanas.

04) RM : Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Carlos Silva : No passado, ouvia de Jerry Adriani a Raul Seixas, Tom Jobim João Gilberto, Caetano Veloso, outros. Luiz Gonzaga, Jovem Guarda, os estilos brega, são os que ainda gosto.

No presente Vander Lee (falecido em 2016), Lenine, Zeca Baleiro, MC Gaspar (Z’africa Brazil), Siba, Mestre Ambrósio entre outros. Todos ainda hoje têm muita importância na minha trajetória musical.

05) RM : Quando, como e onde você começou a sua carreira na área musical?

Carlos Silva : Em 1980 quando fazia parte da banda TRANSA 4 em Itamira – BA, interior baiano.

06) RM : Quem já gravou músicas sua? Qual estilo musical de cada CD? E quais as musicas que entraram no gosto do público?

Carlos Silva : Tive o privilegio de ter a minha música (OITO PILHA É HUM REAL – BRAZIL ESTAMENTAL, gravada pelo meu parceiro musical Zé de Riba, com participação de músicos do grupo Funk como Le Gusta. Karina França, Nininho de Uauá, Sidney Viana, Elson dos Teclados, e  mais recente Gaspar do Záfrica  Brazil, com participação de Zeca Baleiro, na música “Rapimbolada” e Gaspar junto com Lou piensa gravou “Vou Misturar o RAP”. Há uma mesclagem que vai da MPB  ao brega  e o Rap. Acredito que a minha musica mais executada em rádios foi “Oito pilha é hum real”  que teve repercussão na Europa através de Zé de Riba, com a gravadora francesa Urban jungle. Estou acreditando também, no sucesso da música “Rapimbolada”  a mais recente (conforme citado acima).

07) RM : Você já gravou um CD você cantando as suas composições?

Carlos Silva : Sim. Gravei três CDs autorais e um homenageando Zé Ramalho.

08) RM : Como é o seu processo de compor?

Carlos Silva : Solitário e acompanhado do meu Violão.

09) RM : Como compositor é mais difícil colocar melodia em letra ou em poema ou colocar letra em melodia?

Carlos Silva : Costumo fazer tudo junto. A inspiração já vem completa.

10) RM : Quem são seus principais parceiros de composição?

Carlos Silva : Sandra Regina, Zé de Riba, Ney Barbosa e Gaspar.

11) RM : Quais as cantoras(es) que você admira?

Carlos Silva : Zé Ramalho, Chico César, Alceu Valença, Maria Bethânia, Zizi Possi, tem tanta gente boa, que não caberia aqui.

12) RM : Quais as compositores (as) que você admira?

Carlos Silva : Lucio Barbosa, Vidal França, João Bosco, Roberto Carlos, Renato Russo, Cazuza, Paulinho Pedra Azul, Lobão e por ai segue…

13) RM : Qual a importância do Clube Caiubi para os compositores?

Carlos Silva : Frequentei durante um tempo e acredito na proposta do Caiubi, em reunir compositores de muita competência e qualidade, oferecendo um bom espaço para divulgação dos mesmos.

14) RM : Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Carlos Silva : Os prós: Liberdade para gravar o que você quiser sem intervenções.

Os contras: Difícil acesso a mídia marrom.

15) RM : Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Carlos Silva : Procuro montar um bom repertório e ser acompanhado de bons músicos, pois me preocupo muito com a qualidade a ser apresentada. E estar sempre antenado ás  novidades.

16) RM : Quais as ações empreendedora que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Carlos Silva : Busco parceiros para produzir meus trabalhos e shows.

17) RM : O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira  musical?

Carlos Silva : A internet ajuda a divulgar meus trabalhos com rapidez. A desvantagem é que não recebo direitos sobre as obras executadas. Por exemplo, a música Estrangeirismo.

18) RM : Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Carlos Silva : Hoje é tudo mais prático, até em casa mesmo, você produz um CD e no outro dia já lança no mercado independente.

19) RM : No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar o CD não é mais o grande obstáculo. Mas concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Carlos Silva : Procuro seguir um estilo próprio e o meu diferencial é que incluo poemas e Cordel durante o meu show.

20) RM : Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Carlos Silva : O Cenário Brasileiro atual está muito mercantilista e isso faz com que a qualidade dos trabalhos seja deprimente. As revelações Zeca Baleiro, Siba, Tom Zé (descoberto de lá pra cá) Titãs, Paralamas do Sucesso, Biquíni Cavadão. Falar em regressão é até ofensivo fazê-lo, pois mesmo fora da mídia, os caras ainda são referências da boa música (que restou).

21) RM : Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Carlos Silva : Zé Ramalho.

22) RM : Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Carlos Silva : As coisas mais inusitadas foram:

Quando Mirian Clarck ligou para minha casa em São Paulo para uma entrevista para o programa do Jô Soares. Ficamos conversando por mais de uma hora e no final, a minha pré-entrevista não convenceu o pessoal da pauta, por falta de coisas hilárias.

Outra foi quando fui fazer um show de forró em Embu das Artes – SP; e o sanfoneiro não apareceu. Fiquei louco e desorientado que tive que pegar um sanfoneiro no laço pra fazer o show, senão, perderia o cachê.

Outra foi quando fui cantar em uma festa de igreja e comecei com a música do Zeca Baleiro: “o cara mais Underground que eu conheço é o diabo”. Pense em uma vaia que até hoje dói no ouvido. Mas serviu de aprendizado.

23) RM : O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Carlos Silva : O que me deixa mais feliz, é quando estou apresentando o meu trabalho para o público.

O que me deixa triste é a desvalorização artística quando os contratantes passam meses para pagar o cachê.

24) RM : Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Carlos Silva : Aqui em Feira de Santana – BA, é a decadência musical que impera. Poucos aqui sabem quem é: Xangai, Elomar, Vital Farias, e muita gente boa da nossa MPB. O que impera aqui é Arrocha, Pagode e Pisadinha.

25) RM : Quais os músicos, bandas da cidade que você mora  você indica como uma boa opção?

Carlos Silva : Nenhum.

26) RM : Você acredita que sem o pagamento de jabá suas músicas tocarão nas rádios?

Carlos Silva : Aqui no nordeste tocam sim. Nas cidades baianas Petrolina, Juazeiro, Feira de Santana não pago nada e eles tocam minhas músicas. Sou grato a essa galera que compreende a nossa luta.

27) RM : O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Carlos Silva : Faça um curso profissionalizante e tenha a música como um hobby. Pois, existe muito sangue sugas que não abre porta, não indica caminho e não fortalece a arte.

28) RM : Quais os prós e contras de ter morado em São Paulo? Você morou em que ano e quanto tempo?

Carlos Silva : Não existe pró e nem contra, o que conta é o seguinte: todo artista que não tem a grande mídia ao seu lado, tem que correr o mundo, se não, a gente não fica conhecido. Sinto muitas saudades de Sampa, e em breve estarei voltando para novas apresentações.

29) RM : É “ouro de tolo” pensar que a vida vai mudar 100% para melhor saindo do interior para ir morar e trabalhar no sudeste?

Carlos Silva : Ainda hoje muita gente acredita em uma vida melhor e muitos atingem os seus objetivos, mas a luta é árdua.

30) RM : Quais os prós e contras de voltar a morar no interior do nordeste?

Carlos Silva : O Prol é a tranquilidade, menos violência e mais sociabilidade.

Os contras: de uma forma ou de outra, sempre vão existir em qualquer lugar.

31) RM : Quando você vai lançar seu livro de Cordel? Quais os temas tratados no livro?

Carlos Silva : É um livro com poemas e contos e crônicas, colhidas da minha vivencia no sertão da Bahia, que será lançado pela Editora Talento em 2015. Os livros de Cordel já somam 34 lançados, abordam temas variados que a gente utiliza em palestras em escolas.

32) RM : Qual o seu contato pessoal e profissional com o poeta, compositor e cantor Costa Senna?

Carlos Silva:- Costa Senna é um poeta pelo qual tenho admiração e respeito pelo seu trabalho. Fiz uma participação em um dos seus CDs.

33) RM : Qual o seu contato pessoal e profissional com o cantor, compositor Vidal França?

Carlos Silva : Vidal França um mestre e um parceiro musical. Um amigo que participamos de vários projetos em São Paulo. Assinou os arranjos  do meu primeiro Single.

34) RM : Qual o seu contato pessoal e profissional com o cantor, compositor Marco Mendes?

Carlos Silva : Marco Mendes um dos grandes amigos que a vida me fez conhecer. Admiro muito esse cabra.

35) RM : Qual o seu contato pessoal e profissional com Edinho e Cida Lobo?

Carlos Silva – Edinho e Cida Lobo também fizeram parte desse meu caminhar em São Paulo.

36) RM : Qual o seu contato pessoal e profissional com o jornalista paraibano Assis Ângelo?

Carlos Silva : Assis Ângelo é parceiro de todos nós e um autêntico divulgador da cultura brasileira. São tantos que eu gostaria de citar aqui, pois tenho carinho por todas as pessoas que ajudaram escrever a minha caminhada. Citei apenas alguns, mas a lista é imensa. Muito obrigado à todos.

37) RM : Quais os seus projetos futuros?

Carlos Silva : Lançar mais um CD com minhas músicas e outro de poesias utilizando principalmente a literatura de cordel. E participar de várias feiras culturais e bienais pelo país.

37) RM : Quais os seus contatos?

Carlos Silva : (75) 99107– 1658 (whatsApp) | | [email protected] | Twiter @poetacantador | http://www.recantodasletras.com.br/autores/POETACANTADOR  | www.facebook.com/carlos.silva.poetacantador  |


Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.