Carlinho Motta

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O compositor, violonista e cavaquinhista carioca, Carlinho Motta, nasceu no bairro do Irajá, subúrbio do Rio de Janeiro, terra de bambas da Música Popular Brasileira. Foi lá que, aos 13 anos de idade, começou a aprender violão. Aos 15 subiu pela primeira vez no palco, defendendo a sua primeira composição em um Festival de Música na escolar.

Carlinho começou a tocar Contrabaixo na noite aos 17 anos, com um grupo de rock, e depois passou a fazer bailes com o grupo “Força da Noite”, onde tocava música de discoteca.  Foi aos 19 anos que pegou pela primeira vez no Cavaquinho. Apaixonado pelo novo instrumento aprendeu novos sons e, com a ajuda do músico e arranjador Abel Sampaio, descobriu um novo universo musical: o Samba, a Bossa Nova e a MPB.

Durante seus estudos musicais, junto com os músicos Alfredo Figueiredo, Marcos José e Edmilson Ramos fundou o “Grupo Canto do Bar”, com quem tocou por várias casas noturnas na Capital e no Interior do Estado do Rio de Janeiro.

Vivendo na nata musical carioca, começou a tocar os famosos sambas dos grandes mestres nacionais como João Nogueira, Cartola, Candeia, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, Noel Rosa, Martinho da Vila. Pela Bossa Nova, bebeu da fonte de grandes compositores: Tom Jobim, João Gilberto, Vinícius de Morais, Toquinho, Edu Lobo, também passeando pela MPB de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tim Maia, Djavan e João Bosco. A influência do rock, do jazz, da discoteca e do samba criou o seu estilo atual de música: um Samba-rock com muito balanço, tendo como referências do estilo os cantores Bebeto e Seu Jorge.

Em 2009, Carlinho Motta, passa a integrar o “Clube Caiubi de Compositores”, projeto que reúne mais de oito mil artistas entre compositores, poetas e letristas, com o propósito de mostrar as melodias que criava em seu violão. Neste clube, conheceu muitos talentos e imediatamente começou a realizar algumas parcerias, dentre elas, um trabalho com Agenor Neto, com quem gravou seu primeiro CD/EP Autoral no final de 2012.

O artista coleciona cerca de 50 músicas autorais, onde fala da vida, de amor, de união, do cotidiano, da saudade. Destas, 23 já foram gravadas e aos outras 17 estão sendo trabalhadas para projetos futuros. Com o auxílio do arranjador e produtor musical de Lobão Ramos, Carlinho Motta lançou, em dezembro de 2014, o CD – “Entre o Samba e a Bossa”, totalmente Autoral, fruto de parcerias com os artistas do “Clube Caiubi de Compositores”: Duda Flores, Marcio Celli, Luiz Carlos Santos, Naldo Miranda, Carlos Konka e Luciano Linhares.

Em outubro de 2015, em visita a Lisboa e Porto em Portugal, o artista fez participações em shows de músicos locais, levando o “sambalanço” para terras Lusitanas.

Em 2018 lançou o EP – “Meu canto”, com músicas autorais que transitam entre o samba-rock, xote e bolero. Dentre as canções, o single “Seduz” já tem clipe disponível no Youtube. As músicas de seus dois CDs solo e do EP Autoral, em parceria com Agenor Neto estão todas disponíveis no Deezer e Spotify.

Hoje, sob a produção da Dona da Casa Produções, Carlinho Motta se prepara a gravação do terceiro CD solo, só com músicas autorais, com uma agenda de shows direcionada à divulgação deste novo projeto.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Carlinho Motta para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01.07.2019:

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Carlinho Motta: Nasci no dia 24 de março de 1959, na cidade do Rio de Janeiro.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música?

Carlinho Motta: Meu primeiro contato quando criança foi vendo meus tios tocando violão e ouvindo músicas com minha mãe e meu pai. Da minha família eu era o único que era envolvido com música, mas agora tem uma prima (Duda Perreti) que canta muito e penso que, seguindo em frente, pela qualidade dela, será uma grande surpresa no futuro.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Carlinho Motta: Em música sou autodidata. E sou formado em Economia e Pós Graduado em Marketing.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Carlinho Motta: No passado as grandes bandas de rock, e posteriormente os grandes compositores e intérpretes de samba, Bossa Nova, Balanço.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Carlinho Motta: No Rio de Janeiro mesmo, em uma banda de rock no colégio, fazíamos shows em festas e depois, em outros grupos, fazendo bailes.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Carlinho Motta: CD solo somente dois, em 2014 o CD – “Entre o Samba e a Bossa”, em 2018 o EP – “Meu Canto”, mas em 2012, junto com Agenor Neto, gravamos o meu primeiro trabalho em parceria com esse compositor de várias canções, no CD – EP Autoral e todos estão disponíveis nas plataformas digitais: Spotify, Dezzer e Youtube.

07) RM: Como você define seu estilo musical

Carlinho Motta: Tenho músicas e composições em vários estilos, mas gosto muito do balanço e Samba-rock, para cantar. Mas como o meu público é bem eclético, dou uma variada, mas sempre dentro da música brasileira.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Carlinho Motta: Sim, mas somente quando precisei gravar minhas músicas, meus CDs. Antes disso eu era autodidata, como sou nos instrumentos que toco. Nunca tinha entrado em uma escola, a minha jornada musical e a necessidade de cantar, me formou. Eu antes fazia sempre Back Vocal, não era cantor de frente e foi exatamente por isso que eu tive a necessidade de aprender a colocar melhor a minha voz, por isso as aulas de canto, primeiro com João Schmidt, depois com Lenna Pablo. Eles me abriram um horizonte, mas estou sempre estudando, não podemos parar, sempre tem algo a aprender, sempre tem que aprimorar a técnica!

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Carlinho Motta: É fundamental por dois motivos, primeiro pelo respeito que temos que ter com nossos fãs, com o nosso público e depois porque é a saúde do seu instrumento de trabalho, se você canta, precisa cuidar das suas cordas vocais, necessita saber como colocar a voz para que saia com qualidade e segurança.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Carlinho Motta: Ellen de Lima, Zizi Possi, Nana Caymmi, Elza Soares, Dilma Oliveira, Lenna Pablo, Geovanna Martins, Juçara Freire, entre outras, são tantas as belíssimas vozes femininas neste país e os cantores; os já falecidos Emílio Santiago, Cauby Peixoto, e atualmente gosto muito de ouvir cantando Diogo Nogueira, Jorge Aragão, Agenor Neto, Lenine, Seu Jorge, João Bosco, entre muitos…

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Carlinho Motta: Acontece naturalmente, leio alguma letra que me enviam ou algo que escrevo, busco saber como ela quer ser cantada, no caso de melodia e letra minha, como aconteceu com “Amor Principal” e outras músicas, elas vem quando dedilho algo no violão, a letra aparece junto, meio mágico a coisa; não tenho nenhuma técnica para fazer música, como alguns compositores.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Carlinho Motta: Agenor Neto, Carlos Konka, Juçara Freire, Duda Flores, mas tenho música com vários parceiros.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Carlinho Motta: No momento o Agenor Neto, meu parceiro, gravou cinco de nossas músicas e a cantora Maria Guedes, que gravou um acalanto chamado “Dorme em paz”, parceria minha com Agenor Neto, uma música infantil (https://soundcloud.com/carlinho-motta/dorme-em-paz).

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Carlinho Motta: Desenvolver uma carreira independente dá mais liberdade para criar, para decidir sobre o futuro do trabalho, porém vai está sozinho para resolver todas as tarefas que envolvem uma carreira musical, como redes de relacionamento, a decisão sobre contratos, se vai tocar em uma determinada casa ou não. Temos que arcar com todos os compromissos desta carreira, agendar, contratar e divulgar o trabalho. Por outro lado, mesmo independente, mas com uma assessoria, uma produtora, você pode se dedicar exclusivamente à sua expertise musical, àquilo que você domina, sem preocupação com a parte da produção, com os detalhes das redes sociais. Uma assessoria te dá à retaguarda para que você possa estar totalmente ligado no seu ofício. Tendo uma equipe por trás de sua carreira, seu desenvolvimento se torna muito melhor, você consegue ter mais exposição, mas visibilidade.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Carlinho Motta: Antes eu tinha muitas tarefas a executar, procurar espaço, divulgar shows, verificar todas as necessidades para o show, como som, iluminação e cenário. Hoje, como sou artista da Dona da Casa Produções, eles cuidam de tudo pra mim, contrato, espaço, som, iluminação, todas as necessidades, deixando para mim somente os ensaios, as composições, arranjos, enfim, tudo o que preciso para executar bem a minha tarefa, subir ao palco e cantar.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Carlinho Motta: Como disse antes, todas as ações partem da Produtora A Dona da Casa, eles empreendem, pesquisam, desenvolvem, divulgam, agendam, fazem todo este trabalho para mim. Eu cuido das músicas, mas estou sempre ligado nos acontecimentos, estamos sempre em contato para todas as ações que eles precisam tomar, sou sempre comunicado, é uma troca bem interessante. Eu cuido da minha parte e eles cuidam das deles e nos reunimos para ajustar e decidir todas elas.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Carlinho Motta: Ajuda muito, com ela cheguei a lugares que não tinha a possibilidade de chegar, me tornei mais conhecido, conheci muitos parceiros que hoje compõem comigo, conheci pessoas que me ajudaram muito até mesmo a conhecer aqueles que hoje cuidam de minha carreira, a minha Produtora.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia de gravação (home estúdio)?

Carlinho Motta: A vantagem é poder gravar as músicas em casa, em seu ambiente, mas você tem que dominar essa tecnologia para que saia perfeito, como muitos fazem hoje, e essa é uma grande desvantagem porque você se desvirtua um pouco de sua missão, é bom para ter músicas para apresentar aos outros intérpretes para que gravem as suas músicas, ou para um arranjador para que ele possa fazer os arranjos e você, posteriormente, possa gravar suas próprias músicas.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Carlinho Motta: A escolha do repertório é fundamental para que você possa se destacar. Quando vou gravar minhas músicas, levo várias para ter opções de escolha, dentro de um seguimento, dentro de uma linha, para que você possa determinar como será o trabalho. Ter um roteiro para a gravação das músicas é muito bom porque você tem uma meta, um caminho, dessa maneira fica mais fácil se destacar, apesar de tanta gente de talento no mercado musical. Acredito que, no meu caso, a principal diferença é que sou compositor e também canto músicas de outros compositores já conhecidos. Faço uma mescla entre o que componho e o que está em evidência.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Carlinho Motta: Estamos vivendo um tsunami de coisas ruins e boas, não vejo oportunidade para todos, somente alguns meios de comunicação atendem aos anseios de novos artistas. Vejo muita gente boa sem conseguir apresentar seu trabalho. Quanto aos artistas que surgiram nas últimas duas décadas são vários que tem consistência e merecem estar no lugar que conquistaram.

21) RM: Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Carlinho Motta: João Bosco, para citar um artista mais antigo e Jorge Vercillo e Diogo Nogueira, dos mais recentes.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Carlinho Motta: Bem, foram várias, mas a mais marcante foi quando eu tocava no Grupo Canto do Bar e fomos tocar em um clube no Rio de Janeiro. Nós chegamos com nossos instrumentos para fazer o show – nosso grupo era a atração do Show-Baile da noite – o porteiro nos pediu os ingressos e informamos que nós éramos do Grupo que faria o show. Ele disse que somente poderíamos entrar se estivéssemos com os ingressos; caso contrário, nada feito. Pedimos então que chamasse o diretor social do clube e ele disse que não podia sair dali, pois tinha recebido essa ordem: Não sair dali e só entrar com ingresso. Conclusão: não entramos e não fizemos o show, pois ele não permitiu que um de nós entrasse para chamar o responsável pelo clube.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Carlinho Motta: Mais feliz é quando escuto ou leio alguém falando do meu trabalho, quando vejo que o público está dançando quando canto, quando cantam minhas músicas em meus shows. O mais triste é quando vejo que muita gente não nos vê como trabalhadores, quando acham que estamos brincando, nos divertindo somente, isso é uma das coisas que me entristece muito.

24) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Carlinho Motta: O Rio de Janeiro está com poucos espaços para apresentações musicais, muitas casas estão fechando, a insegurança e a falência do povo estão afastando o público dos shows.

25) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Carlinho Motta: Vários, Juçara Freire, Dilma Oliveira, Agenor Neto, Helô Mouzer, Marcio Bragança, André Marçal, Celso Caurio Rocha, entre outros, temos muitos bons artistas no Rio de Janeiro.

26) RM: Você acredita que as suas músicas tocarão nas rádios sem o pagamento do jabá?

Carlinho Motta: Elas já tocam, porém a maioria das rádios em que toca é rádio web, no Rio de Janeiro, no Guarujá – SP e outras cidades do Brasil. A vantagem das rádios webs é que elas tocam no mundo todo e isso aumenta a audiência de nosso trabalho, muita gente no mundo todo conhece nossa música.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Carlinho Motta: Estude muito, trabalhe muito, não acredite em milagres, leia bastante, frequente show, assista vídeos e seja humilde. A vida de um artista é bastante intensa e cansativa, mas o prazer é grande demais. E nunca deixe que digam que você não trabalha; se é isso que você ama, essa é a sua missão. Enfrente as dificuldades e lembre-se, as barreiras que encontramos, devemos usar com trampolim para o próximo passo.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música? Revelar novos talentos?

 Carlinho Motta: Já participei muito de Festivais de Música no início de carreira, já ganhei prêmio em Festivais de Música, mas há muito não participo. É uma grande escola, uma boa vitrine, muitos artistas apareceram e ficaram conhecidos por causa dos Festivais de Música. Hoje não tem a mesma visibilidade dos Festivais de Música dos anos 60, 70 e 80 que eram transmitidos ao vivo pela TV, mas é muito bom participar. É uma grande vitrine, sem o impacto de antes, mas ainda assim é uma grande oportunidade de revelar talentos.

29) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Carlinho Motta: Está muito difícil; um pequeno grupo é privilegiado, sem questionar se é bom ou ruim o estilo de música que se apresenta hoje em dia, mas está bem claro que o comércio é a mola mestra na música hoje em dia, se aquele “produto” vende, vamos divulgar e se “pagamos” para veicular, vamos divulgar. Temos grandes talentos em nosso país que não estão tendo oportunidade.

30) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Carlinho Motta: Muito importante, são espaços que dão oportunidade a vários artistas, se você entregar um projeto bem estruturado, você consegue participar.

31) RM: O circuito de Bar de sua cidade ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Carlinho Motta: Sim, apesar de muitos Bares estarem fechando, ainda é uma boa opção.

32) RM: Quais os seus projetos futuros?

Carlinho Motta: Levar minhas músicas pelos quatro cantos do mundo, fazer muitos shows por este país e em outros que acreditarem em meu trabalho e continuar compondo coisas que falem de amor, de amizade, de alegria, de família.

34) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Carlinho Motta: Com a minha Produtora, A Dona da Casa https://www.adonadacasaproducoes.com | Show com Renata Oliveira(21) 99992 – 8293 | Imprensa com Deborah Athila(21) 97675 – 0010 | [email protected] | [email protected]


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.