C Estevam

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C Estevam
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O cantor e compôs carioca C Estevam vem fazendo música há pelo menos uns 25 anos. Toca vários instrumentos e produz seus álbuns.

Ainda adolescente, pegava emprestado o violão Di Giorgio de seu pai, um nato seresteiro, para cantar e tocar grandes nomes da nossa MPB: Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, João Bosco, Toquinho e Vinícius Moraes, Luiz Melodia, Tom Jobim, Edu Lobo. E por outro lado ouvia os vinis de sua mãe, além dos grandes da MPB também, muita soul e disco music da época! EW&F, Chic, Sister Sledge, Donna Summer, Barry White, Banda Black Rio. Isso tudo serviu de atmosfera para desenvolver sua própria sonoridade, que também privilegia o groove com sotaque brazuca. Uma mistura de MPB, Samba, Soul, R&B, FUNK, Jazz, Pop, Rock em canções autorais e releituras de artistas consagrados.

São três discos independentes lançados e atualmente prepara seu quarto álbum, só com canções de própria inéditas. Parcerias com Vicente Viola, Fabio Puglise e com a participação de grandes músicos. Seu filho Nicolas Estevam, também cantor, compositor e multi-instrumentista, dividirá uma das músicas com C Estevam tocando guitarra e cantando. C Estevam segue fazendo algumas apresentações em eventos, Festivais de Música.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Claudio Estevam para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01.08.2018:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

C Estevam: Nasci no dia 29 de julho no Rio de Janeiro.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

C Estevam: Meu primeiro contato com a música foi em casa mesmo. Meu pai cantava e tocava violão. Rolava muito Lupicínio Rodrigues, Cartola, Herivelto Martins. Serestas, boleros, samba-canção. E por outro lado também ouvia os vinis da minha mãe que hoje é DJ. Muito Soul, Black and Disco Music, Jazz e MPB. Barry White, Donna Summer, Chic, Luiz Melodia, João Bosco, Gilberto Gil, Tom Jobim, Elis Regina, EW&F. Aí pegava o Violão do meu pai e ficava tentando tirar as canções que também rolavam nas rádios na época. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Léo Jaime, Toquinho e Vinícius Moraes, Tom Jobim. Naquela época as revistinhas com as letras das canções e as cifras com os acordes, ajudavam bastante (risos).

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

C Estevam: Comecei de forma autodidata a cantar e tocar violão e guitarra aos dezessete anos. Meu pai me deu minha primeira guitarra e um amplificador legal. Após tirar as canções dos grandes nomes da MPB, comecei a compor minhas primeiras canções ao violão. Depois estudei um pouco de guitarra com Alexandre Valadão por um tempo. Cheguei à conclusão que precisava expandir meus horizontes musicais, seja harmonicamente, na composição e no arranjo, então resolvi estudar Harmonia com Sérgio Benevenuto na Escola Rio Música. Cursei também Administração na Faculdade Moraes Júnior.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

C Estevam: Minhas influências musicais: Djavan, Chico Buarque, Caetano Veloso, João Bosco, Gilberto Gil, Banda Black Rio, Luiz Melodia, Marvin Gaye, Stevie Wonder, Tom Jobim, Edu Lobo, Sarah Vaughan, Elis Regina, EW&F (Earth Wind And Fire), João Gilberto. De uns tempos pra cá tenho ouvido muito: Amy Winehouse, Jamie Cullum, Leila Maria, Céu, Lenine, Ed Motta, Incognito, Jamiroquai, Luiz Melodia, Bárbara Mendes, Andréia Dutra, Gal Costa, Pearl Jam, Rush. As influências que deixaram de ter importância pra mim, já nem me lembro (risos).

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

C Estevam: Comecei minha carreira musical nos barzinhos da vida, na noite, em 1992. Foram muitos shows e apresentações até chegar a gravar meu primeiro disco em 2001.

06) RM: Quantos CDs lançados, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)?

C Estevam: Três discos lançados e preparando o quarto atualmente. São eles:  “Outra Cor” – EP (2001), com a participação de Marcelo Mariano, João Castilho, Jessé Sadoc, Sacha Amback, entre outros. “Urbano Pop Plugado” (2006), com a participação de Marcos Suzano, Cláudio Souza, Gê Fonseca, Jessé Sadoc, entre outros. “Virtualmente” (2010), com a participação de Vini Lobo, Júnior Crispim, Flávio dos Prazeres, Jorginho Trompete, entre outros. Todos os discos só com canções inéditas e de minha própria autoria. No novo, quarto álbum,  algumas parcerias, dentre elas Vicente Viola e Fábio Puglise.

Os três CDs misturavam várias influências Do Soul ao pop, passando pelo samba, samba-rock, baião. Misturando elementos eletrônicos a percussões, sopros, guitarras, violão. Cantei, produzi e arranjei os três, tocando violão, guitarra, teclados e programei grooves e texturas. O próximo, o quarto álbum será mais orgânico e menos eletrônico, com bateria mesmo na maior parte das faixas e com a participação de grandes músicos também! Meu filho Nicolas Estevam participa em duas faixas, cantando e tocando guitarra. As músicas mais executadas e pedidas nos shows: “Outra Cor”, “Sem Medida Nem Limite”, “Bom Lugar”, “Virtualmente”, “A Felicidade é o Que Nos Resta”, “Opinião”, “Cuidado com o Avião”, “Tela”, “Por Quanto Tempo”.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

C Estevam: Nova Música Brasileira com Influências do soul, samba e pop.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

C Estevam: Não.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

C Estevam: Não estudei técnica vocal e nem tenho nenhum cuidado específico com a voz atualmente.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

C Estevam: Elis Regina, Sarah Vaughan, Leila Maria, Andréia Dutra, Amy Winehouse.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

C Estevam: Normalmente faço primeiro a melodia em cima da progressão harmônica, sem letra. Depois tento colocar a letra, quando não consigo chamo os parceiros (risos).

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

C Estevam: Tive duas parcerias até hoje. Vicente Viola e Fabio Puglise. Costumo compor mais sozinho mesmo.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

C Estevam: Ainda ninguém por enquanto, mas ainda não perdi a esperança né… Todo compositor espera ter a obra gravada por algum intérprete que admira.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

C Estevam: Prós: Liberdade de direcionamento da carreira e de criação, principalmente. Contras: Dificuldades de divulgação falta de execução pública por falta de verbas e pouca visibilidade.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

C Estevam: Minha estratégia é compor e gravar minhas canções, lançando-as e produzindo com amor,  qualidade e verdade sempre! Nos palcos cantar além das minhas canções, canções de outros autores que admiro e que me emocionam.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

C Estevam: Fazer tudo, o grande desafio do atual músico e ou artista independente… Da composição ao arranjo e produção, venda de shows e dos álbuns, além do estudo e ensaios constantes para o aprimoramento artístico. Utilizo as ferramentas e tecnologias disponíveis atualmente, como a internet e gravações no meu home estúdio.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

 C Estevam: Ajuda na divulgação, embora haja muita pulverização de conteúdo, com inúmeras canções sendo lançadas simultaneamente; atrapalha com o mp3 e o streaming, que praticamente extinguiram a venda de downloads de mp3 e dos CDs! Além disso, a remuneração para os direitos autorais e conexos são insípidas. Temos muito a evoluir nesse sentido!

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

C Estevam: Não vejo desvantagens, só a vantagem de poder gravar e produzir com qualidade em casa!

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

C Estevam: Procuro fazer um trabalho musical com identidade própria.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

C Estevam: Acredito que música de qualidade fica, permanece eternizada… Tom Jobim, Djavan, Chico Buarque, Miles Davis, Stevie Wonder, Lenine… Revelações nas últimas décadas… Snarky Pupkins banda instrumental excelente. Ouço tantas coisas, que fica difícil de me lembrar nesse momento (riso). Acho que a mídia tem revelado muita coisa ruim e de qualidade duvidosa, né.

21) RM: Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

C Estevam: Lenine, João Bosco, Djavan, Leila Maria

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

C Estevam: A pior foi cantando na noite quando um bêbado tirou meu microfone do pedestal para cantar comigo (risos). E uma vez que fiz um show num Bar de um Hotel no bairro Leblon no Rio de Janeiro que ao final do show disse que não tínhamos nada a receber, pois todo o público era de hóspedes e eles não pagavam o couvert artístico! Pasmem (risos).

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

C Estevam: Fico feliz  por poder fazer meu trabalho, lançá-lo, divulgá-lo para o mundo e para meus fãs. Triste pela banalização da nossa cultura e a total inversão de valores na música brasileira. Onde quanto pior, melhor! Os jovens, salvo raríssimas exceções, consomem música de péssima qualidade. Qual será o futuro da nossa música?

24) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

C Estevam: Cena só existe no mainstream. Cena independente no Rio de Janeiro praticamente inexiste.

25) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

C Estevam: São muitos, não vou citar nomes, pois posso esquecer-me de alguém (risos).

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

C Estevam: Dificilmente tocam.

27) RM : O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

C Estevam: Trabalhe duro, com amor, dedicação, estude e siga em frente com personalidade e atitude!

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música? Não participo.

29) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música ainda é relevante para revelar novos talentos?

C Estevam: Acho de pouquíssima relevância…

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela mídia da cena musical brasileira?

 C Estevam: Como já dito anteriormente, a mídia tem divulgado praticamente só música de baixa qualidade. Total inversão de valores!

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

C Estevam: Importantíssimo, quando você consegue oportunidade ou tem um padrinho ou um forte conhecimento nessas instituições.

32) RM: Comente sobre o circuito de Bar do Rio de Janeiro?

C Estevam: Alguns poucos lugares ainda para fazer seu som.

33) RM: Quais os seus projetos futuros?

C Estevam: Meu projeto futuro, na verdade já é presente, meu novo quarto álbum de inéditas. Acompanhem as novidades no meu www.cestevam.com e as escute as novas canções no Soundcloud, Spotfy, Deezer, Apple Music. Já tem dois singles novos do novo álbum rolando lá!

34) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs? 

C Estevam: [email protected]  | (21) 99643 – 3915 | www.cestevam.com

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.