Beto Soul

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Beto Soul
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Desde muito cedo, Beto Soul esteve ligado a música. Sua maior inspiração era o avô que sempre trouxe a arte para dentro de casa, e tudo ficou ainda mais forte ao ganhar o primeiro violão da irmã.

Ainda na adolescência, começou a compor suas primeiras canções e melodias, e já planejava uma carreira musical para o futuro. O amor pela música foi tanto, que Beto aprendeu tocar violão sozinho, transformando o instrumento em seu grande parceiro de palco e composições. Com o passar do tempo participou de diversos festivais e circuitos culturais, entre os mais importantes estão o “Ultra-Som” promovido pela MTV, onde conquistou o primeiro lugar e o Rumos Cultural do Itaú. Recentemente o cantor fez um tour em alguns países da Europa levando a mais genuína música brasileira para diversos palcos.

O terceiro e mais recente trabalho do cantor e compositor Beto Soul convida para um mergulho profundo e direto para “O lugar que não se vê”. É a busca, dentro de si, por novos caminhos e respostas. O EP revela, pela ótica do compositor, algumas situações que permeiam nosso cotidiano, como o medo, a indiferença ou a cegueira diante da difícil realidade que encaramos diariamente.

De cara com a miséria estampada em alguma esquina das grandes cidades ou a latente solidão vivida por muitos, por vezes disfarçada em alguma companhia, qual sentimento cada um de nós saca de dentro de si para seguir em frente? “Ficar sem você” e “Linha cruzada”; são canções que tratam do amor. “Entregue” aborda o medo. A dura realidade de São Paulo vem na canção “A cidade das esquinas pouco iluminadas”. A viagem para dentro de si fica por conta da canção que dá nome ao EP, “O lugar que não se vê”. A única parceria é a dançante e lúdica “Veja bem”, composta com o guitarrista Fabio Negroni.

Segue entrevista exclusiva com Beto Soul para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 23.03.2018:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Beto Soul: Nasci no dia 04.03.1977 em São Caetano do Sul, apesar de só ter nascido em São Caetano do Sul.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música?

Beto Soul: Fui apresentado à música pelo meu avô materno. Ele foi um grande violonista e quando pequeno, ficava grudado nele para ouvi-lo tocar.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Beto Soul: Estudei até o ensino médio. Na música sou autodidata.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Beto Soul: Minhas principais influências continuam sendo as mesmas da vida toda: Gilberto Gil, Caetano Veloso, Djavan, João Bosco, Clube da Esquina, Elis Regina, Novos Baianos, Lenine. E dos artistas da nova geração gosto muito do Dani Black, Marcelo Jeneci e da Céu. Nenhum deles deixou de ter importância.

05) RM : Quando, como e onde você começou a sua carreira profissional?

Beto Soul: Eu considero oficialmente o início da minha carreira na gravação do meu primeiro CD em 2002/2003, mas no final dos anos 90 eu já tocava pela noite de Sampa (São Paulo).

06) RM: Quantos CDs lançados, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que entraram no gosto do seu público?

Beto Soul: Tenho três CDs lançados. O primeiro – “Gema do mundo” (2003), o segundo, “Mais além” (2008) e agora estou lançando o terceiro, “O lugar que não se vê”. Tive o privilégio de ter grandes músicos nos meus trabalhos: Milton Guedes, Julinho Teixeira, Fernando Caneca, Camilo Mariano, Carlinhos Noronha, Pedro Cunha, Rodrigo Brás, Augusto Bapt, Fabio Negroni, Valter Gomes, Ricardo Parronchi, Davi Rangel, entre outros… Todos os CDs trazem a MPB como principal influência, apesar dos CDs: “Mais além” e “O lugar que não se vê”, terem uma linguagem um pouco mais “Pop”. As canções que entraram no gosto do público dos trabalhos anteriores foram: “Dois meninos” e “Vestida de saudade” (Gema do mundo) e “Pra te ver bem” (Mais além). Do trabalho novo ainda não tive essa resposta do público porque acabei de lançá-lo.

07) RM: Como você define o seu estilo musical?

Beto Soul: Sou um cantor e compositor de música popular brasileira, essa é melhor definição.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Beto Soul: Estudei um pouco, um ano aproximadamente.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Beto Soul: Muito importante, apesar de não ter estudado por muito tempo, eu acho que todo cantor deveria estudar. Primeiro para conhecer melhor esse nosso instrumento e segundo para não usá-lo de forma inadequada.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Beto Soul: Pra mim Elis Regina ainda continua sendo a maior de todas. Mas acho Maria Bethânia, Zizi Possi, Mônica Salmaso e Ney Matogrosso, sensacionais.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Beto Soul: Dificilmente componho quando quero, geralmente é quando menos espero. Muitas vezes estou tocando Violão e do nada pinta uma melodia. As letras de um modo geral aparecem com maior facilidade.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Beto Soul: Tenho poucos parceiros, meu processo de composição é mais solitário, mas o principal foi o Léo Biá Pimenta, parceiro em todas as canções no primeiro CD (Gema do mundo) e em algumas do CD (Mais além).

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Beto Soul: Ainda ninguém.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Beto Soul: Os prós são: Ter total controle sobre sua carreira e sobre suas canções. Os contras: Maior dificuldade para trilhar e alcançar os objetivos.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Beto Soul: Gerar conteúdo digital, estar o mais próximo possível dos fãs e estar na estrada fazendo show.

16) RM : Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Beto Soul: Ter uma carreira independente, estar na estrada fazendo shows com todas as dificuldades que encontramos no dia a dia, são ações empreendedoras permanentes.

17) RM : O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Beto Soul: Ela ajuda em sua maior parte. O problema é que nem tudo que colocam na rede é bacana, mas esse é um dos preços desses espaços democráticos.

18) RM : Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Beto Soul: Eu acho bem legal, já escutei sons fantásticos gravados em casa. Desde que haja o mínimo de critério nas produções, não vejo desvantagem.

19) RM : No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Beto Soul: Nunca pensei muito nessa questão de ter um “diferencial” no meu trabalho. Faço música com a minha alma, minha verdade e acho que é assim que tem que ser. Hoje existem muitos artistas seguindo uma mesma receita para fazer música, quase como alguém que faz um bolo para o café… Acho isso péssimo e as músicas piores ainda.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Beto Soul: Existem dois cenários, o que a grande mídia coloca goela abaixo para as pessoas, que em sua grande parte não me agrada em nada. E o cenário mais “independente”, riquíssimo na construção poética e musical, porém com muita dificuldade em chegar à grande massa. Quem pintou nas últimas duas décadas com obras consistentes são vários, dentre eles estão; Lenine, Chico César, Zeca Baleiro, etc… E que permanecerão para a história da nossa música. Quem regrediu não me vem ninguém em mente.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Beto Soul: Acho que de um modo geral todos os que conseguiram chegar e solidificar suas carreiras são exemplos.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Beto Soul: Uma vez durante um show a luz do palco se apagou por alguma pane elétrica na iluminação. Era noite e o lugar onde acontecia o evento era aberto. Foi quando a plateia, depois de esperar por alguns minutos, começou acender os faróis de alguns carros que estavam próximos, na direção do palco. Apesar do susto o final do show com a luz dos faróis ficou bem interessante (risos).

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Beto Soul: Fazer música é uma felicidade. O triste é a falta de espaço e visibilidade na grande mídia.

24) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Beto Soul: São Paulo tem uma cena musical riquíssima, que borbulha o ano inteiro, tem boa música para todos os gostos.

25) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Beto Soul: A lista é grande, mas vou indicar os trabalhos de Edu Sereno, Lugó e Théo. Grandes compositores da nova geração.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Beto Soul: Acho bem difícil isso acontecer nas rádios comerciais. Hoje temos em São Paulo duas rádios que, pelo que eu saiba, não cobram, a rádio USP e Brasil Atual.  

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Beto Soul: Não é fácil, mas se você acredita no seu sonho vá enfrente.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Beto Soul: Não vejo nada contra. Toda manifestação que gera espaço, seja ela para música, teatro, dança, etc… Que nutre e revela algo novo é muito bem vinda.

29) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música ainda é relevante para revelar novos talentos?

Beto Soul: Sim. Talvez não seja mais tão relevante como já foi um dia, mas com certeza muitos talentos ainda surgem pelos festivais espalhados pelo país.

30) RM : Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Beto Soul: De baixíssima qualidade, principalmente por parte da TV aberta. Hoje a mídia só coloca, para a grande massa, o que é de interesse dela e dos empresários. A música Brasileira é muito maior do que eles oferecem.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical em São Paulo?

Beto Soul: Essencial! São esses espaços que dão visibilidade para a cena independente, não só de Sampa, mas de boa parte do Brasil.

32) RM: O circuito de Bar nos Bairros Vila Madalena, Vila Mariana, Pinheiros, Perdizes e adjacência ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

 Beto Soul: Ainda são. Apesar de termos pouquíssimos Bares voltados para a divulgação dos artistas de música autoral.

33) RM: Quais os seus projetos futuros?

Beto Soul: Nesse momento só penso em divulgar e levar esse meu novo trabalho para o maior número de localidades e pessoas possível.

34) RM : Quais seus contatos para show e para os fãs?

Beto Soul: [email protected] | www.betosoul.com.br  | www.facebook.com/betosoulmusica |Instagram: @betosouloficial

Confira o Mini Doc sobre a trajetória artística de Beto Soul: https://www.youtube.com/watch?v=JhFg1thITpE

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.