Beto Porto

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Beto Porto
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O cantor, violonista e compositor pelotense Beto Porto tem uma trajetória musical de prestígio em Pelotas – RS com mais de 20 anos interpretando suas composições, música instrumental e produção musical.

Aos nove anos de idade iniciou a sua vida musical tocando as primeiras notas no Violão. A família foi a sua grande influenciadora, pois o pai, primos, tios e irmãos, todos possui vocação musical. O seu trabalho está registrado em diversas atuações em eventos culturais da cidade, no Estado e na participação como instrumentista em shows de outros músicos. O seu primeiro CD – Por Onde Andas, lançamento independente em 2002. Colaborou para divulgar a proposta musical deste artista, sendo muito bem recebido pela crítica e pelas emissoras de rádio de Pelotas – RSBeto canta neste primeiro CD, o cotidiano, o amor e a natureza. Além da carreira solo, ele participa de algumas bandas como “JAZZVALLI”- Jazz, Bossa Nova e MPB, QUINTETO PAUSAS & NOTAS e Grupo de Chorinho Reminiscências.

Lançou seu segundo CD – Ciclo da Criação. Neste novo trabalho, ele atinge a sua maturidade musical, com uma proposta nova, de composições próprias e inéditas. Uma obra, que além de sua interpretação marcante, mostrando a visão crítica do compositor através de suas letras. E os arranjos bem elaborados conversando harmoniosamente com cada música. Com este disco já conquistou grandes vitórias. Participou do “Projeto Imagem e Comprador”, projeto este que visa exportação da música brasileira para outros países, amparado pela BMA e APEX do Brasil. E pessoas ligadas à arte de modo geral estiveram no Rio Grande do Sul para ter um primeiro contato com músicos gaúchos para apresentação no exterior. Ele foi indicado para fazer parte destas apresentações, escolhido entre 258 músicos, dentre eles grandes nomes da música brasileira como: Papas da Língua, Nenhum de Nós, Geraldo Flach, dentre outros.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Beto Porto para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa  em 01.04.2012:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Beto Porto: Eu nasci no dia 07 de Abril de 1966 em Pelotas – RS.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Beto Porto: Comecei cedo, pois meu tio e meus primos já tocavam e são pessoas mais velhas do que eu. Então, eu acompanhava principalmente meu tio Milton Alves que toca até hoje no reduto do Choro de Pelotas chamado Bar Liberdade junto com grandes nomes do Choro da cidade. Em especial o Avendano Júnior e meu irmão mais velho (Régis Porto) que toca violão e participou nos anos 70 e 80 de um Festival Nativista do Rio Grande do Sul chamado Califórnia da canção. Com o Violão tive um contato bem cedo e me apaixonei pela música e pelo Violão. Eu com 9 anos de idade já fazia alguns barulhos no Violão, mas foi com 14 anos que comecei a me interessar mais pela música e pelo Violão e também pelo canto, quanto a compor foi com mais ou menos 16 anos.

03) RM: Qual a sua formação musical e acadêmica fora música?

Beto Porto: Minha formação musical até então era da prática toquei muito tempo em bares de Pelotas – RS e região e até hoje toco. Comecei a estudar música como autodidata e em 2010 ingressei na Universidade Federal de Pelotas no curso de música bacharelado em composição.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Beto Porto: As minhas influências do passado foram como já descrito antes meu tio Milton Alves, meu irmão Régis Porto e um compositor chamado Mário Barbara Dornelles. No presente poderia descrever muitos compositores, mas vou citar alguns que julgo mais importante, como João Bosco, Djavan, Ivan Lins, Milton Nascimento, Jorge Vercillo. Os que deixaram de ser importantes acho que só aqueles que não tiveram relevância no meu trabalho nem saberia te dizer quais.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Beto Porto: Comecei a minha carreira em 1986 tocando em um Bar chamado Tabaris – na praia do Laranjal – Pelotas – RS. E participando de Festival de Música aqui em Pelotas, Festival Estudantil e depois Festival Aberto.

06) RM: Quantos CDs lançados e quais os anos de lançamentos (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que se destacaram de cada CD?

Beto Porto: Tenho dois CDs lançados em produção independente. O primeiro foi lançado em 2002, o segundo em 2009, os músicos que participaram são todos músicos aqui de Pelotas, no primeiro participou Dagoberto Gracioli (baixo), Ricardo Porto (bateria), Neco Eidelwein (sax alto e soprano), Helio Mandeco (guitarra), Heber Barbosa (teclados), Jucá de Leon (percussão).  No segundo CD foram Dagoberto Gracioli (baixo), Jhabu Franco (bateria), Neco Eidelwein (sax alto e soprano), Luiz Passos (teclados), Matheus Porto (guitarra), Leonardo Vergara(guitarra), Anne Campos (vocais), Possidôneo Tavares (Bandoneon), Juca De Leon (percussão). O perfil de cada um deles é bem distinto. O primeiro tem uma “pegada” mais Pop, MPB pop. O segundo mais maduro e mais trabalhado em termos de arranjos e até mesmo as composições. É mais Brasil e latino mesmo. As músicas que se destacaram neste primeiro CD foram: “Praia do laranjal”, “Fato consumado”, que teve uma boa aceitação dos meios de comunicação local. E com a música: “Fato consumado” participei de uma coletânea da rádio de Pelotas – RS.

07) RM: Como você define o seu estilo musical?

Beto Porto: Com uma série de influências que vai desde a música regional do sul até a música popular brasileira e influências de interpretes da nossa música. Atualmente cursando música na Universidade, que é oposto ao universo musical no qual trabalho profissionalmente. Pude conhecer vários compositores da música erudita e contemporânea. Então, meu estilo musical. Poderia dizer que é universal com uma pitada de todas essas influências, mas com uma forte tendência para a música brasileira, ou seja, MPB POP REGIONAL ERUDITA.

08) RM: Como você se define como cantor/intérprete?

Beto Porto: Eu canto só para perpetuar minhas obras, não me considero um excelente interprete, mas dar para quebra o galho.

09) RM: Você estudou técnica vocal?

Beto Porto: Sim. E ainda estudo na Universidade.

10) RM: Quais os cantores e cantoras que você admira?

Beto Porto: Cantores admiro o João Bosco, Djavan,  e cantoras gosto de Leni Andrade, Gal costa, Leila Pinheiro, Zizi Possi.

11) RM: Como é seu processo de compor? Quem são seus parceiros musicais?

Beto Porto: Meu processo de composição tem duas formas. Nas minhas canções populares, geralmente eu faço a melodia e depois coloco a letra em cima. Mas atualmente como tenho parceiros letristas: Marco Fragoso e Antonio Carlos, eu crio a melodia a partir das letras deles. Sempre buscando sonoridades diferentes em termos de acodes e harmonias.

12) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Beto Porto: Com uma carreira independente é mais difícil de conseguir atingir a grande massa. Mas hoje temos a internet como uma ferramenta essencial de disseminar o trabalho para outros lugares, mas ao mesmo tempo cada dia fica mais difícil de sobreviver profissionalmente da música, pelo menos aqui no Sul.

13) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Beto Porto: O cenário musical brasileiro está repleto de boas músicas, ótimos compositores, excelentes interpretes. Mas também temos as porcarias enlatadas que as grandes gravadoras conseguem manipular a mídia. Diria que as grandes revelações das últimas décadas foram Lenine e Jorge Vercillo, estes dois compositores que citei permanecem e cada vez mais consolidam seu nome no mercado fonográfico brasileiro.

14) RM: Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Beto Porto: Todos os que citei nas outras perguntas.

15) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Beto Porto: Bah, já me aconteceram tantas coisas nesses mais de vinte anos de profissão. Falta de condição técnica de equipamento de som e de palco. Mas uma situação em especial que foi a primeira vez que participávamos de um programa de calouros aqui em Pelotas na extinta Rádio Cultura o programa era de um acordeonista chamado Saraivinha. E quando a banda subiu no palco para interpretar a canção, éramos cinco integrantes, para nossa surpresa só tinha um microfone, então ficamos todos em volta daquele microfone e cantamos e tocamos assim mesmo. E tantas outras como um Bar na praia de Arambaré na cidade de Camaquã, que saiu uma briga e deu até tiros e situações inusitadas assim para pior já aconteceu comigo no palco…

16) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Beto Porto: O que me deixa mais feliz é poder tocar e cantar e passar uma energia positiva para as pessoas. E, fazer com que as pessoas pensem a respeito das coisas e refletiam sobre o que estamos cantando. E o mais triste é a falta de respeito com os músicos e artistas em geral pela grande mídia e com a falta de comprometimento dos órgãos governamentais para com a cultura brasileira.

17) RM: Nos apresente a cena musical na cidade que você mora.

Beto Porto: A cena musical aqui é basicamente centrada em cima de bares, já que uma cidade universitária propicia a este mercado. Os bares funcionam todos os dias e quase todos oferecem música ao vivo. E tem os projetos culturais como o Sete ao Entardecer, que é um projeto municipal e acontece todos os anos com um show apresentado todas as segundas feiras as 18:30 priorizando o trabalho autoral. E as feiras da região sempre oferecem música durante a feira apresentando diversos shows locais.

18) RM: Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Beto Porto: Recomendo ouvir músicas instrumentais com Yellow Jacks, Pat Martino, Luiz Salinas, Pat Metheny, Lee Ritenour, Pedro Aznar, Jonh Patitucci,Mike Stern, João Bosco, Ivan Lins, Jorge Vercillo, Djavan e etc…

19) RM: Você acredita que sem o pagamento do Jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Beto Porto: Acredito que nas rádios alternativas sim, mas nas grandes rádios FMs acho pouco provável.

20) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Beto Porto: Estude bastante e o máximo que puder. E seja um ótimo profissional cumprindo horários fazendo o trabalho de transcrição quando for o caso e faça isso sempre com muita paixão.

21) RM: Quais os seus projetos futuros?

Beto Porto: Formar-me no curso de composição, fazer um mestrado e um doutorado. E gravar um disco com meu parceiro musical Antonio Carlos, meu mais recente parceiro e seguir tocando sempre.

22) RM: Quais seus Contatos?

Beto Porto: [email protected] / www.betoporto.com.br   / (53) 99134 – 2028

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.