Beto Mi

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Beto Mi
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O cantor, compositor e poeta paulista Beto Mi,  a sua sensibilidade à flor da pele traz a luz do dia poemas sonoros.

Ele iniciou a sua carreira musical em uma época de ouro da nova safra da MPB (Ressaca da ditadura militar nos anos 80) que valorizava a profundidade da mensagem do texto em igualdade com a bela melodia. Seus amigos caipiras de poesia sonora são: Beto Guedes, Sá e Guarabyra, Flavio Venturinni, Renato Teixeira e muitos outros. Tive o prazer de ser um jovem aprendiz de música (Violão) na década de 90 que valorizava as músicas com letras poética. Uns amigos colocaram para tocar o som do Beto Mi e nas aulinhas de violão aprendia: “Pra não dizer que não falei dos versos” (Hélio Matheus) um dos seus sucessos que somadas com: “Sonhos de Primavera” (Beto Mi), “Espelhos” (Beto Mi e Nilson Chaves), “Volto Já” (Beto Mi), “O Ano que Virá”, “Um tempo pra Sonhar” (Beto Mi) e “Espanhola” (Flavio Venturinni e Guarabyra) encantaram muitos ouvidos no Brasil.

Vi o primeiro show do Beto Mi em 1991 no Parque do Povo – Campina Grande – PB ele deixou o autografo na minha camisa. Em São Paulo 2004 recebi um e-mail do Beto Mi me agradecendo por citá-lo em uma matéria para a RitmoMelodia. Pude saber dos seus novos projetos musicais, culturais e educacionais no Vale do Paraíba.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Beto Mi para  a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em Dezembro de 2004:

01) RitmoMelodia: Fale do seu primeiro contato com a música.

Beto Mi: Meu primeiro contato com a música aconteceu muito cedo, pois sou de uma família de músicos. Meu pai e minha mãe tocavam piano, acordeon, cantavam. E sou sobrinho, por parte de pai, dos “Trigêmeos de Maracaju”Marcelo, Haroldo e Aécio Miranda, pianistas clássicos, que se apresentavam em concertos, tocando a seis mãos.

02) RM: Qual sua cidade de origem e sua data de nascimento?

Beto Mi: Eu nasci em Guaratinguetá, que na língua tupy significa “Garças Brancas” – Vale do Paraíba – São Paulo. Nasci no dia 04 de Julho do Século, ou melhor, Milênio passado…Sou Canceriano, Velho. Registrado como Humberto Miranda Neto.

03) RM: Quais as suas influências musicais?

Beto Mi: Meu pai é do Mato Grosso, descendente de Escoceses, Libaneses e Portugueses; e minha mãe é de São Paulo, descendente de Italianos e Portugueses. Devido a essa cultura, totalmente miscigenada, nasci ouvindo muita música, desde os compositores clássicos como Beethoven, Bach, Mozart, etc, passando pelos, hoje também clássicos, Ray Charles, Frank Sinatra, Gleen Miller, Dilermando Reis, Bonfiglio de Oliveira, Luiz Gonzaga, João Pacífico, Angelino de Oliveira, Noel Rosa, etc,…   Enfim, uma bela seleção de “Músicas da Melhor Qualidade” que, além de me fazer apaixonar, me deu uma referência, uma base, que me acompanha e sustenta até hoje!   Sem falar, logicamente, na minha adolescência, de Beatles, Yes, Pink Floid, Chico Buarque, Geraldo Vandré, Milton Nascimento, Roberto Carlos, Gil, Caetano, Sá & Guarabyra, Ivan Lins e outros. Alguns hoje, amigos e parceiros, que somaram e ajudaram, de maneira brilhante, na minha formação!

04) RM: Fale do seu início na carreira musical.

Beto Mi: A minha carreira musical começou muito cedo, pois desde pequeno, 5 ou 6 anos de idade, já fuçava no piano e no acordeon dos meus pais!   Profissionalmente falando, a minha carreira começou no final da década de 70. Participando dos Festivais de MPB, que chamaram a atenção das gravadoras para o meu trabalho, na época!

05) RM: Quantos CDs gravados ? Quais as músicas de destaque?

Beto Mi: Eu tenho, entre Compactos, LPs e CDs gravados, 8 discos. O que penso, pela minha obra musical, muito pouco, devido à minha produção nesses vinte anos de estrada fonográfica.  Gostaria de poder fazer mais, muito mais. Acredito que isso se deva ao mercado musical, que se interessa, hoje, por músicas que tenham um apelo comercial imediato. Entre as músicas, gravadas por mim, de minha autoria ou não, poderia destacar: “Anjo da Guarda”, “Ói U Trem”, “O Ano Que Virá”, “Sonhos de Primavera”, “Volto Já”, “Pra Dizer Que Não Falei Do Verso”, “Espelhos” e “Espanhola”, que foram e são, até hoje, sem sombra de dúvidas, os meus maiores sucessos!

06) RM: Defina seu trabalho musical?

Beto Mi: Como bem o disse, há alguns anos atrás, o grande compositor Alcyr Pires Vermelho: “Beto Mi é um Cantador Urbano, pois consegue traduzir, na sua música, o lirismo da cultura do povo do interior com o concretismo da realidade das grandes cidades”.   Disse isso em Ubá – MG, em 1982, se referindo a minha música “Ói U Trem”. Eu concordo com ele, pois trago em minhas músicas as raízes caipiras, temperadas com o cotidiano das grandes cidades mundiais, como São Paulo, onde vivi e convivi (com grandes mestres) e aprendi, por 12 anos!

07) RM: Fale do novo CD ?

Beto Mi: O meu novo trabalho musical é o CD – “Planeta Caipira”. É um trabalho que faz parte do Projeto Educativo, Musical, Cultural e Ambientalista “Planeta Caipira”. Um projeto aprovado pela Fundação ABRINQ pelos Direitos da Criança e pela Fundação SOS Mata Atlântica. É composto por músicas que falam da cultura caipira, do habitante da mata, o homem do campo, povo do interior, das suas raízes, suas origens, da natureza e da preservação de todo esse patrimônio!

08) RM: Como você vê o mercado musical brasileiro?

Beto Mi: Vejo um retrato da realidade sócio-cultural brasileira, um “Deus nos acuda” ou um “Seja o que Deus quiser”!  Todo mundo correndo atrás, tentando livrar o seu! Em função disso, o mercado musical, no que tange as gravadoras, se enfraqueceu, perdeu muito em qualidade e deu abertura para os independentes, a pirataria e a internet que, de uma forma ou de outra, ocuparam os seus espaços e estão aí fazendo e divulgando o seu trabalho e, diga-se de passagem, um excelente trabalho! De quem é a culpa? Não sei, as gravadoras dizem que só fabricam o que as rádios querem tocar e as rádios, por sua vez, falam que só tocam o que recebem das gravadoras, que são elas que fabricam !?!?!? Na realidade, a qualidade cedeu espaço à quantidade!

09 -) RM – Quais os prós e contras de fazer um trabalho musical com uma poética ignorada pela grande mídia ? 

BM – “Deus deu ao artista o dom de deixar que a sua alma se desprenda dele e viaje pelo mundo . . . Para que ele possa traduzir depois, em poesia, o que Ele criou” Beto Mi –Partindo dessa premissa, acredito que quando você desenvolve um trabalho verdadeiro, retrata a  realidade da sua alma e, com certeza, traduz a de mais alguém !!! Isso faz com que o seu trabalho encontre espaço e ecoe no coração das pessoas!!! Quanto à grande mídia, penso, como já disse, que a MPB perdeu espaço para as “coisas” descartáveis e de retorno imediato! Tudo virou uma questão financeira, puramente comercial, onde os produtores, ou melhor, “pseudoprodutores” só pensam em fabricar, vender e ganhar dinheiro. Não se importando com a qualidade e muito menos com a questão cultural! A música popular tem o poder de traduzir o registro da realidade de um país, a história do seu povo, e penso que, infelizmente, nós perdemos esse momento e, com isso, a oportunidade de deixar registrado, musicalmente, para as gerações futuras, um período da nossa verdadeira história! No entanto, não podemos generalizar e nem esquecer que dentro desse grande mercado, totalmente capitalista, existem profissionais sérios e pessoas respeitáveis como: Jô Soares, Serginho Groisman e outros, que primam pela cultura e pela arte, cedem espaço e ajudam na manutenção e na divulgação da boa música brasileira!!!

10-) RM – Qual foi o melhor período de sua carreira?

BM – Durante todos esses anos de estrada tive muitos momentos bons na minha carreira, começando pela época dos Festivais, onde fui muito premiado, reconhecido e lançado profissionalmente, por assim dizer !!! Depois vieram os discos e os sucessos com: “Anjo das Guarda” e “Pra Dizer Que Eu Não Falei Do Verso” em 83, “Espelhos” em 86, e a fulminante “Espanhola” em 89 . . . Momentos maravilhosos, de muita divulgação, muitas viagens, muitos shows pelo Brasil, muitos encontros, muitos amigos, Prêmio SHARP 90, muito trabalho. . . Tudo divino e maravilhoso!!! Na década de 90 a MPB ficou um pouco esquecida!?!?!? A minha música, como tantas outras, passou a tocar menos e os shows ficaram mais escassos!!! Comecei então, em 94, a desenvolver um registro de tudo o que vi e aprendi com o povo, grande mestre, nessas minhas andanças pelo interior do Brasil!!! Aí surgiu o “Planeta Caipira”, que eu venho trabalhando até hoje e, penso, se não o melhor, é um grande momento da minha carreira!!!

11-) RM – Fale do seu contato com a  Paraíba ?

BM – A minha história de amor com a Paraíba começou em 1983.   Após o lançamento, em São Paulo, do meu primeiro disco, na época LP, “Beto Mi”, pela RCA Victor / BMG Arióla, fui para o Rio de Janeiro, para fazer a divulgação do meu trabalho.Nesse período, fui apresentado, pelo Paulo (RCA), para um amigo seu, da Paraíba.   Esse amigo se chamava Edílson Belo da Costa, o Dado Bello.   A partir daquele momento nos tornamos amigos e, através dessa amizade, veio o convite para conhecer e realizar um Show em João Pessoa.Essa oportunidade surgiu em 1984, quando fiz uma temporada no nordeste e, aceitando o convite de Dado Bello, fizemos, no dia 31 de março, o Show “Pelas Diretas”, no Circo Piolim, praia de Tambaú. Depois disso, vieram outros e outros, no Teatro Santa Roza e no Paulo Pontes, onde tive a honra de cantar e viver momentos maravilhosos e inesquecíveis da minha vida.Nesse período fiz muitos amigos, que me acolheram, me ajudaram com o meu trabalho, e que permanecem até hoje.  Pessoas como: Alberto Arcela, que produziu o meu primeiro Clip “Sonhos de Primavera”, e Naélia; Milton Nóbrega; Ivan Buriti e Lena; Martinho; Fernando Braz; Joab Borges; Ricardo Anísio; Chico Noronha; Denise Vilar; Onofre Araújo; Gil Sabino; Kaká Maia; Rosana Carneiro; Dra. Túlia; e tantas outras…

De João Pessoa, partia, sempre, para Campina Grande, outra grande paixão, pra fazer shows no Teatro Municipal, antes e depois da reforma, no Parque do Povo e no CEU (Centro Estudantil Universitário), às margens do Açude Velho.Em Campina Grande, atendendo a um pedido dos meus amigos Pádua Pombo e Heloisa, fiz um show em prol da estadualização da Universidade (Hoje UEPB).Através de Pádua e de Venâncio, conheci Ronaldo Cunha Lima, que na época era Prefeito, e seu filho Cássio Cunha Lima, que era candidato a Deputado Federal.Naquela época, ele era um jovem, como nós, sonhador e visionário, para o qual eu tive o prazer e a honra de emprestar a minha voz.Valeu a pena, hoje, graças ao seu excelente trabalho, ele é o Governador do Estado. Campina, também, é a terra de Capilé, meu parceiro de festivais; de Sidoval, TV Campina Grande, que hoje trabalha e mora perto de mim, aqui no Vale do Paraíba; de Mauri Nascimento, que quando estudava Jornalismo, me pediu autorização para gravar, em fita K7, o meu show, no Teatro Municipal e, mais tarde, depois de formado, me entrevistou para o Jornal Gazeta do Sertão. E de um jovem poeta (Carlos Brás Cuba) que em um show no Parque do Povo me pediu um autógrafo na camiseta.E que hoje como jornalista me entrevista para sua revista musical on-line.  Eu não poderia encerrar esta entrevista, sem citar Geraldo Vandré, Zé Ramalho, Elba Ramalho, Tadeu Mathias e Herbert Vianna, grandes artistas, que encontrei na estrada, durante esta minha caminhada musical, e que me acolheram, como todo paraibano, com o maior carinho do mundo. Pois é gente, esta é a minha história de amor com a Paraíba, um lugar onde eu me sinto totalmente em casa. A todos vocês, uma pequena homenagem:

BOLERO DE JAMPA

Beto Mi

No fim da tarde a moçada se reúne

E vai pro Jacaré

Ouvir um som e assistir ao pôr do sol

Coisa mais linda é

O mar chegando e abraçando de mansinho

O rio Sanhauá

Batendo forte, com carinho, um coração.

Que ainda é criança

João é gente, feliz mente, e como gente.

É feita pra brilhar

Linda Pessoa faz dos olhos da lagoa

Os olhos pra chorar

Belo mais belo, mais que belo, Dado Bello

Irmão de Aninha

Passo a passo traz esquadro e compasso

E abraça Jampa

12-) RM – Quais os projetos para 2005?

BM – Espero poder continuar desenvolvendo, lançar o CD e produzir o Show “Planeta Caipira”, da forma que eu enxergo, para que eu possa cantar ao vivo para as pessoas, esse meu novo trabalho !!! É o que eu gosto de fazer!!!

Contatos: 12 – 3133-9398 – 9713 – 2383  – www.betomi.com.br 

Discografia:

  *  Compacto Regional – Gravadora RCA Victor  (1982)

*    Compacto Nacional “Ói U Trem” – Gravadora RCA Victor  (1983)

*    LP “Beto Mi”- Gravadora RCA Victor  (1983)

*    LP “Espelhos”- Gravadora Polydisc  (1986)

*    LP “Um Tempo Prá Sonhar”- Gravadora WB / Continental  (1989)

*    CD “Andarilhos da Luz”- Selo próprio “BTM”  (1995)

*    CD “16 Anos de Beto Mi”- Selo próprio  “BTM”  (1999)

*    CD “Planeta Caipira” – Gravadora  DNZ  (2003)

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.