Banda Muléstia

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Banda Muléstia
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A Banda “Muléstia” formada no final de 2011 em Campinas – SP, nasceu da ideia de misturar algumas características de Reggae com o Forró. A origem do nome é da expressão “moléstia”, muito utilizada pelos nordestinos em várias situações do cotidiano.

Os integrantes são: Daniel Colossal (Voz / Guitarra/Charango), Luigi Zampieri (Bateria/Voz), Renato Dias (Baixo). Jonas e Rafael Virgulino são os convidados especiais em algumas faixas que enriquecem o som da banda com suas sanfonas.

Sempre com letras poéticas, o repertório envolve tanto o público que alguns fãs já tatuaram parte dos refrãos de algumas canções. “Muléstia” já dividiu palco com bandas como Maneva, Planta & Raiz, Mato Seco, Ventania, e outros nomes do Reggae nacional.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Daniel Colossal para a em 02.05.2016:

01-) Ritmo Melodia – Qual a data de nascimento e cidade natal dos fundadores da banda Muléstia?

Daniel Colossal – Eu sou o fundador da banda Muléstia. Nasci em 07 de maio de 1983 em Cafelândia – SP

02-) RM – Como foi o primeiro contato com a música dos membros da banda Muléstia?

Daniel Colossal – Todos encontraram em alguns instrumentos algo que os completava. E foram muitas bandas e vários caminhos até se encontrarem no Muléstia.

03-) RM – Qual a formação musical e acadêmica fora música dos membros da banda Muléstia?

Daniel Colossal – Daniel Colossal (Voz/Guitarra) é formado em produção audiovisual, Luigi Zampieri (Bateria/Voz) em Produção Musical e atualmente estuda arquitetura e Renato Dias (Baixo) é Engenheiro.

04-) RM – Quais são as influências musicais no passado e no presente dos membros da banda Muléstia? Quais deixaram de ter importância?

Daniel Colossal – No passado, eu diria que todos tiveram seu pacote básico de Rock. O reggae também vem de décadas atrás, mas atualmente por curiosidade sobre pesquisa e etnias temos ouvido artistas vindos de todos os continentes.

05-) RM – Quando, como e onde  vocês começaram a banda Muléstia?

Daniel Colossal – A ideia da formação veio no segundo semestre de 2011, algumas gravações se iniciaram e seu primeiro show com direito a um “EP” físico se deu em 14 de abril de 2012.

06-) RM – Quantos discos lançados e quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram das gravações)? Qual o perfil musical de cada álbum? E quais as músicas que você acha que caíram no gosto do seu público?

Daniel Colossal – São três Discos. Areia e Palha (2012), Novas possibilidades (2013) com participação do Rapper Renan (Grupo Inquérito) e Aureliah Milagres ex (Forrueiros), Sentimentos convertidos lançados ao ar (2015) com participação de Rafael Beibi (Dona Zaíra).

Ainda hoje recebemos notificações de execuções em rádios nordestinas da música Areia e Palha. Vou morar na cachoeira deste mesmo álbum sem dúvida é a mais cantada pela galera e também vale uma atenção especial à versão que fizemos de “Filme Triste – John D. Loudermilk” também consagrada com Trio Esperança na década de 60. Em Novas Possibilidades apontamos a música que leva esse mesmo título e também “Desapego”.

07-) RM – Como vocês definem o estilo da banda Muléstia dentro da cena reggae?

Daniel Colossal – Diríamos que é um autêntico Forreggae e muito diferenciado. Às vezes chegamos a pensar que isso traça um caminho um pouco mais árduo, pois nem sempre as pessoas estão de ouvidos abertos ao novo.

08-) RM –  Qual a relação do reggae e do forró na banda Muléstia?

Daniel Colossal – A necessidade de executar algo que tocasse as pessoas através das letras e das melodias trouxe o Reggae. A própria facilidade de dissipar alegria do Forró foi quem o trouxe para nós uma fusão perfeita.

09-) RM – Daniel Colossal, como você se define como cantora/intérprete?

Daniel Colossal – Eu sempre me vi muito mais como Compositor/Instrumentista do que Cantor. O que acabou me trazendo muita noção técnica e musical. Minha voz é pouco comercial tanto que já confundiram com voz feminina muitas vezes, e também já identificaram, por exemplo, influência de música sertaneja raiz e outras coisas mais!

10-) RM – Daniel Colossal, quais os cantores e cantoras que você admira?

Daniel Colossal – Eu ficaria dias para responder essa questão. Digamos que eu admire a música do mundo. Os melisimas do oriente médio e também os berros do death metal. Dai já da pra perceber que realmente são várias gavetas para escolher.

11-) RM – Quem são os autores das canções da banda Muléstia?

Daniel Colossal – Com exceção de “Filme triste – 2012” e “Canto d´Oxum – 2015” que são releituras, as músicas são compostas por mim, letra e melodia.

14-) RM – Quais outras bandas de reggae regravaram os seus reggae?

Daniel Colossal – Temos na rede alguns vídeos de fãs tocando algumas delas, mas bandas profissionalmente nenhuma ainda.

15-) RM – Quais as ações empreendedora que vocês praticam para desenvolvimento da carreira musical?

Daniel Colossal – Fazemos um trabalho de Distribuição de CDs em plataformas digitais de todo o mundo, divulgação das músicas de trabalho em Rádios e a interação com o público através das redes e canais oficiais.

16-) RM – O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da carreira musical?

Daniel Colossal – A internet transborda material. Alguns gostam de pesquisar o que lhe agrada, o que é legal. Nosso trabalho costuma ser conquistar àqueles que sabemos que poderiam gostar de nosso som através de seus interesses. Em outras palavras um público segmentado. Sem ela tudo isso seria muito mais complicado.

17-) RM – Como vocês analisam o cenário reggae brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Daniel Colossal – Temos artistas excepcionais que por escolherem um segmento pouco explorado pelo mercado estão aprendendo a erguer-se com as próprias conquistas. Acreditamos que aquilo que é verdadeiro sempre terá seu valor e prevalecerá. Já o caminho para perdurar é com certeza a superação através da música. Ou seja, aquele que surpreende o fã ou a si mesmo a cada trabalho executado. Este também é nosso lema!

18-) RM – Quais as vantagens e desvantagens do fácil acesso a tecnologia  de gravação (Home estúdio)?

Daniel Colossal – O mais importante ainda continua sendo a música. Com pouco ou muito equipamento a chave será o que fazer com ambos. Já ouvimos coisas incríveis feitas na garagem e algumas não tão agradáveis feitas com super produções. É muito relativo, mas podemos afirmar que ninguém melhor que você para produzir o próprio trabalho. O homeStudio continua sendo nossa opção.

19-) RM – No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente uma carreira musical. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo, mas a concorrência se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Daniel Colossal – Isso é um conjunto de fatores. Tudo deve ser bem feito como, por exemplo: Show, material visual, redes sociais, repertório, músicas autorais, CD, agenciamento. Se tudo isso for feito com seriedade mesmo os que não são tão diferenciados conseguirão trabalhar dignamente.

20-) RM – Qual ou quais os músicos já conhecidos do publico que vocês têm como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Daniel Colossal – Os próprios convidados que já participaram de nossos CDs são os exemplos para nós. Mas basta saber que os que estão fazendo acontecer estão só colhendo o que plantaram. Nada vem por vir.

21-) RM – Quais as situações mais inusitadas aconteceram na carreira musical?

Daniel Colossal – Para uma banda que ainda é pequena, essas coisas continuam acontecendo. Podemos citar condições precárias, falta de pagamento e planejamento em eventos. Mas sempre superamos da melhor forma possível e tomamos como lição.

22-) RM – O que deixam vocês mais felizes e mais tristes na carreira musical?

Daniel Colossal – As várias formas de reconhecimento vinda das pessoas. Na maioria das vezes super positiva. Poucas coisas nos deixam tristes, até porque a música feita por nós é sempre por prazer.

23-) RM – Quais os músicos ou/e bandas que vocês recomendam ouvir?

Daniel Colossal – Podemos citar algumas descobertas recentes como Trevor Hall, Selah Sue, Nhako, isso falando somente de algumas vertentes que se cruzam com nosso som.

24-) RM – Vocês acham que as suas músicas tocarão nas rádios sem pagar o jabá?

Daniel Colossal – O mercado gira em torno do dinheiro. Mas ainda existem várias rádios que ousam em tocar nossas músicas por acharem interessantes. Somos a prova disso e podemos dizer que o que foi tocado foi de coração. Nunca pagamos nada por isso.

25-) RM – O que vocês dizem para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Daniel Colossal – Um trabalho árduo como qualquer outra carreira.

26-) RM – Como vocês analisam a relação que se faz do reggae com o uso da maconha?

Daniel Colossal – O reggae vem de um país onde a maconha é algo cultural. Isso sempre o marcará, mas na realidade ela está em todos os outros estilos e cantos do mundo. Com ou sem música as pessoas continuarão usando.

27-) RM – Como vocês analisam a relação que se faz do reggae com a religião Rastafari?

Daniel Colossal – É praticamente impossível não se ligarem, mas também pode haver reggae sem a religião e a religião sem reggae. É o que defendemos.

28-) RM – Algum de vocês são adeptos a religião Rastafari?

Daniel Colossal – Não. Depois de tentarmos conhecer vários aspectos de várias religiões somos parte de cada uma delas.

29-) RM – Os adeptos a religião Rastafari afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como vocês analisam essa afirmação?

Daniel Colossal – Em partes isso faz sentido, mas também é uma visão limitada e conservadora. O Reggae foi criado naquela época, naquele lugar e ligando àquela religião. Poderíamos também dizer então que o verdadeiro reggae foi somente aquele? De qualquer forma, acreditamos que o conceito reggae será sempre verdadeiro com rastafarianismo ou não. A música é algo mágico e não pode se pensar nela com preconceito algum.

30-) RM – Na sua opinião porque o reggae no Brasil não tem o mesmo prestigio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Daniel Colossal – Todo o mercado musical é muito mais explorado e difundido nestes lugares. Nossa visão é de que o que acontece lá são somente mais produção e business. De resto, temos tantas grandes e boas bandas como ambos.

31-) RM – O que falta para as bandas de reggae no Brasil fortalecerem o movimento sem se apegarem a gosto pessoal da vertente que optaram em tocar?

Daniel Colossal – Achamos que existe ajuda verdadeira de um para com o outro dentro do reggae. O mais cruel sem dúvida é quando falamos de almejar dinheiro dentro de uma realidade que só enxerga o dinheiro. Ai não existe o legal ou interessante, mas somente o que gera renda.

32-) RM – Quais as atitudes individuais dos músicos permitem vida longa para uma banda?

Daniel Colossal – As músicas devem viver suas próprias experiências em todos os aspectos. Musicalmente isso também é indispensável.

33-) RM – Qual a motivação de fazer letras profundas e poéticas em tempo de músicas descartáveis ganhando o gosto do publico em geral?

Daniel Colossal – Não há nada mais valioso do que receber uma mensagem de algum fã dizendo sobre o quanto sua letra o ajudou em alguma situação da vida. Sem dúvidas dos troféus o maior.

34-) RM – Quais os projetos futuros da banda?

Daniel Colossal – Pensamos em ter algumas novas músicas com participações de artistas de outros países que muito admiramos. E talvez uma produção ao vivo.

35-) RM – Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Daniel Colossal –  www.mulestia.com.br | [email protected] (19) 9.8124 6537 | 3306 – 9080 | www.facebook.com/mulestia | www.youtube.com/bandamulestia | www.instagram.com/mulestia

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.