Baggaroots

Baggaroots 1 Entrevista - Música - Revista Ritmo Melodia
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Tempo de Leitura: 17 minutos

Baggaroots foi o nome escolhido pelos irmãos Flávio e Fábio Dantas para a banda de reggae que sonhavam ter.

O interesse pela música iniciou em 2000, quando começaram a tocar Reggae. A partir daí Fábio assumiu a bateria como seu instrumento, enquanto Flávio começou a tocar guitarra, compor e cantar suas primeiras músicas. Depois de participações em pequenas bandas locais, foi em meados do ano de 2007, que os irmãos criaram um projeto próprio a fim de mostrar suas ideias. Flávio (vocalista) obedecia pelo apelido de Bagga desde os 10 ano de idade acabou se tornando o nome do projeto: Baggaroots. Começam a se apresentar com suas composições próprias, fazendo e participando em vários eventos e shows com diversos artistas de diversos gêneros da música brasileira e internacional. Já tendo feito abertura de shows para bandas como: SEPULTURA, TRIO VIRGULINO, EDSON GOMES e outros artistas de gêneros variados. Flávio, principal compositor da banda é formado em História e Pedagogia. Um apaixonado e curioso estudante de filosofia, também formado em produção musical pela escola de produção – AudioBrasil, procura temperar suas composições com esse embasamento. As mensagens de suas músicas falam de amor, positividade, sentimentos compartilhados no senso comum, as questões sociais são principal característica de suas letras, abordar temas políticos, socioculturais, e também ecológicos. Tudo isso em uma riqueza e variações de ritmos extremamente dançantes, misturas, o suingue da música baiana, prevalecendo o gênero Reggae músic. Além disso, a banda também faz cover de grandes artistas brasileiros e estrangeiros.

O grupo é formado por, além dos dois irmãos Flávio e Fábio, outros três artistas com vasta influência de todos os gêneros da música nacional e internacional: Gabo Styler – Pianista e produtor musical; Luciano Serrado – Contrabaixista e compositor musical; Alex Lobão – guitarrista solo e professor de música. O grupo que faz um trabalho independente vem conquistando espaço aos poucos na mídia nacional e também em plataformas de música internacional como a N1M e muitos fãs por meio de shows em todo o Brasil, atualmente com mais de 10 mil seguidores nas redes sociais. O Baggaroots tem participado de projetos governamentais e não governamentais que discutem os principais problemas atuais da sociedade global, num contexto geral e principalmente do Brasil, suas principais atividades são os shows que fazem em locais públicos e privados, além de participações em sarau e palestras e discussões culturais dentro de espaços educativos como escolas, shows beneficentes e ONGs. As ideias nas letras das musicas revelam a grande preocupação dos criadores desse projeto com a educação e o meio ambiente e também problemas relacionados a políticas sociais. Para o Baggaroots, o homem hoje sofre de problemas mentais e comportamentais por seu desligamento da natureza e falta de humanização e uma sociabilização mais engajada.

A banda tem dois discos lançados, sendo o primeiro CD – “Canção de Amor” em 2008. Esse disco com 10 músicas dançantes e conteúdo de ideias positivas para o bem comum. O segundo CD – “Brasileiro” lançado em 2018. Esse com letras impactantes, com temas variados sobre as questões brasileiras como fauna e flora. São 10 canções fortes e com ideias atuais que corroboram com as questões e os ritmos atuais no Brasil e no mundo. Após oito anos do primeiro álbum o Baggaroots demonstra o amadurecimento das ideias e o aprimoramento das composições, com um repertório que vem conquistando cada vez mais o cenário do reggae nacional. Suas músicas chamam atenção por saírem do lugar-comum do reggae. Suas letras são bem elaboradas, inteligentes e voltadas, principalmente, para o reconhecimento e respeito das culturas brasileiras, além do combate à violência e ao preconceito. As variações melódicas um grande diferencial do Baggaroots mostram que a raiz e a tradição do reggae permanecem, mas a inovação inteligente traz frescor e apresenta novos rumos para esse gênero musical tão importante, que entretém, mas, acima de tudo, possui desde sempre o compromisso de despertar consciências.

O projeto Baggaroots está completando 12 anos de existência e resistência pela cultura Reggae e a arte de se expressar musicalmente. Um trabalho dialético com a sociedade que tocar em pontos em que precisam ser refletidos por todos, buscando através do entretenimento musical, melhorias para toda coletividade.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Flávio Dantas vocalistas e compositor da banda Baggaroots para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 25.10.2019:

01) RitmoMelodia: Qual sua data de nascimento e sua cidade natal?

Flávio Dantas | Baggaroots: Eu nasci no dia 22.12.1982 e meu irmão Fábio Dantas no dia 28.12.1980 em Crisópolis – BA. Em 1997 nos mudamos para São Paulo.

02) RM: Conte como foi o seu primeiro contato com a música?

Flávio Dantas | Baggaroots: Eu sempre fui fascinado pela questão da música, desde pequeno, com meus irmãos e amigos, fazíamos instrumentos artesanais, como; bateria e instrumentos de percussão, mas com 13 anos de idade, em 1995 vim morar em São Paulo. Em 2000 eu morava em uma viela no Parque Regina na região de Campo Limpo na Zona Sul, tinha de 17 para 18 anos, um dia saindo da viela havia um vizinho com um violão na mão. O violão estava com o cavalete das cordas quebrado, as cordas tudo solta, eu estava de bicicleta, a minha bicicleta era tudo que eu tinha, então eu virei para o rapaz e perguntei se ela queria trocar o violão pela bicicleta, ele me perguntou se eu ia querer trocar mesmo com o violão quebrado, eu disse; sim. Ele me deu o violão e a apostila para aprender. Eu fui correndo para casa consertar o violão. Esse foi meu primeiro instrumento de verdade, o tenho até hoje, 19 anos depois. A partir daí comecei a aprender e logo em seguida compor minhas primeiras músicas.

03) RM: Qual sua formação musical e acadêmica fora música?

Flávio Dantas | Baggaroots: Eu sempre tive muito interesse pela música, procurei estudar música no mesmo ano que comecei a aprender a tocar Violão. Havia um projeto em São Paulo que apoiava e fomentava a cultura e arte nas periferias, era chamado de ”PROJETO 50” (teatro, aulas de violão, desenho, etc) estudei muito pouco tempo, tinha que trabalhar, alguns anos depois consegui uma bolsa de estudos músicas por um projeto da prefeitura de Taboão da Serra na escola Liceu de Artes, cursei Técnica Vocal e Teoria Musical, era um curso profissionalizante com duração de 5 anos, mas, só fiquei 6 meses, tinha que trabalhar e não dava tempo para estudar. Fiz algumas aulas de Técnica Vocal com um amigo quer era músico profissional. Em 2016 me formei em História pela Faculdade Anhanguera e em 2018 em Pedagogia pela Universidade Paulista São Carlos. Atuo como professor em Auto Escola na disciplina Educação no Transito. Em 2019 cursei Produção Musical, Técnico de áudio e produção musical digital e analógica pela Escola de áudio e produção AudioBrasil.

04) RM: Quais suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Flávio Dantas | Baggaroots: Até os 13 anos de idade em Crisópolis – BA, o rádio só tocava músicas antigas e novas de carnaval, mas tocava as músicas de Edson Gomes, eu e meus irmãos gostávamos e um irmão que viajava para outras cidades e gostava de reggae, trazia fitas K7 de Luck Dub e Alpha Blondy. Esses três artistas foram minhas principais referências no gênero Reggae. Gostava do som de outros artistas que tocavam reggae, do som de Gilberto Gil e cantores de axé music dos anos 90. As minhas influências é uma mistura de gêneros dentro da cultura afro descendente. Depois outras bandas e artistas me inspiraram, como artistas do Blues, Soul e outros gêneros, principalmente o Blues Inglês e americano e ritmos latinos. Algumas bandas eram ou ainda são influências, porém, vou deixando de seguir algumas. Eu por gostar de música com letras relacionadas às questões sociais, algumas influências deixaram de ser importante quando as suas ideias, a meu ver, não atende mais a satisfação do que quero e gosto de ouvir.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical? 

Flávio Dantas | Baggaroots: Comecei a minha carreira musical em 2007. Depois de ter tocado em duas bandas de amigos em 2003, eu e meu irmão Fábio Dantas (baterista) ficamos parados, sem praticar música com banda. Eu nunca parei de compor e tocar meu Violão, sempre há muitas ideias para serem relatadas através da música que, para mim é uma maneira de me expressar. Em meados do ano de 2007 eu e meu irmão decidimos criar um projeto definitivo, a banda Baggaroots, e estamos por aqui, vivos e fazendo música.

06) RM: Quantos discos lançados?

Flávio Dantas | Baggaroots: São dois discos lançados. Um em 2008 e o outro em 2018. O primeiro CD – “Canção de Amor” com 10 canções, a música que dá o nome ao álbum é preferida, mas outras músicas caíram no gosto do público: “SIRENE”, “MORENA”, “VIOLÊNCIA NÃO. Nesse álbum participaram os músicos que compunha a banda na época, hoje na banda sou eu e meu irmão Fábio Dantas (baterista). No segundo CD – “Brasileiro” junto com meu irmão baterista convidei alguns amigos músicos para participar da gravação Mike Smith – guitarrista, Guilherme, Val – guitarrista e professor de música; Leandro Kintê, multi-instrumentista e produtor musical, Fábio Dantas – baterista, Wilson Psico – produtor e Flávio – Baggaroots – vocalista. Quanto ao perfil musical desses álbuns, o Baggaroots mantém a característica de banda de protesto. Nosso objetivo com a música é protestar, mas não só, é também falar de virtudes, alegria, denunciar, erguer a bandeira do respeito a diversidade, a natureza e abordar questões de cunho político-social. Os dois álbuns mantém esse mesmo perfil de diálogo com o senso comum, ideias de sentimento comum. Nesse segundo álbum as músicas que estão no gosto do público são: “BRASILEIRO”, “QUE SAUDADES”, “CORTA O CORAÇÃO” que já ganhou um vídeo-clip, “MEDO” que é um clássico reggae, “DE MAL A PIOR” que também é um reggae bem pesado com ideias bem fortes de senso comum.

07) RM: Como você define seu estilo musical dentro da cena reggae?

Flávio Dantas | Baggaroots: Eu tomo um pouco de cuidado para falar sobre isso, é difícil se autodenominar, na realidade não sou eu quem define, o nosso jeito de fazer já é o que é, é música de protesto, mas falamos também de amor, algumas músicas tratam de romances expressados de maneira não vulgar ideias de senso comum – eu particularmente gosto de definir o estilo da banda como estilo “revolucionário” porque fazemos música Reggae de um jeito diferente, um estilo próprio de composições ritmos e ideias, que tem a influência de vários ritmos e artistas de gêneros diferentes encontrou o próprio jeito de construir as músicas e, dialogar através delas, revolucionando não só a maneira de expressar as ideias que se propaga, mas também a maneira de como se constrói os ritmos, mantendo a essência pura do Reggae (protesto).

08) RM: Como você se define como cantor/intérprete?

Flávio Dantas | Baggaroots: Como cantor, eu mantenho a essência do que acredito que ser minha missão com a música. Eu tenho indignação com a injustiça, eu me sensibilizo com a injustiça praticada contra o “outro”, por isso, cursei História, a injustiça me afeta desde sempre. Sempre quis entender melhor as coisas, o porquê das injustiças, porque existe miséria, preconceito, desigualdades – isso sempre me afetou diretamente. Eu sou um artista visionário, não na minha totalidade, talvez um pouco, mas, prefiro me definir como um artista revolucionário, de protesto, que tem uma missão, que é cantar para aqueles que são afetados pelas mesmas coisas que sempre me afetaram, falar do pai e da mãe, supremos (natureza). Um artista que utiliza apenas a música e a arte do conhecimento e da literatura para compor as ideias e expressá-las.

09) RM: Quais os cantores e cantoras que você admira?

Flávio Dantas | Baggaroots: Os cantores de Reggae e de outros gêneros, exemplo da MPB: Seu Jorge, Belchior, Gilberto Gil, Caetano, Djavan, e vários outros menos conhecidos. De Reggae; Dionorina, Edson Gomes, Tribo de Jah, Sine Calmon, Tony Garrido, Alpha Blondy, Burning Spear, Luck Dub, Tiken Jah Fakoly, Bob Marley, os filhos do Bob Marley gosto como artistas, Edy Vox etc. Outros artistas que gosto de muitos: Rap – GOG, Marcelo D2, Mano Brown, Criolo, Maria Gadú. Do Rock fico mais com os clássicos, admiro bastante U2 e outros artistas que compõe músicas relacionadas a questões sociais e sobre a natureza. São muitos os artistas que admiro e a maioria tem um “em comum” relacionado às questões que me interessa.

10) RM: Quem são seus parceiros musicais?

Flávio Dantas | Baggaroots: Eu compus minhas primeiras músicas para os dois álbuns da Baggaroots. Até hoje não apareceu outros artistas que tenha oferecido alguma composição para esse projeto, mas isso nunca foi uma ideia imperativa, não vejo problema em cantar ou interpretar composições de outros artistas.  Meus parceiros musicais hoje, pelo menos dois deles, são produtores e compositores, ainda não interpreto nada deles, mas espero que aconteça em breve.

11) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Flávio Dantas | Baggaroots: Sentimos dificuldades em ter que fazer tudo de maneira independente, pois ainda não sobrevivemos totalmente da arte. Eu sou professor e sustento a minha família desse trabalho e não da arte. Há essa dificuldade enorme que está atrelado a uma série de coisas e a privação financeira que dificulta expandir a visibilidade da imagem da banda e evolução do projeto. O legal é que independente você é dono de si, o grupo decide como serão as coisas, qual será a cara de cada ideia nova a ser apresentada.

12) RM: Quais as ações empreendedoras que você prática para desenvolver sua carreira?   

Flávio Dantas | Baggaroots: Estou recém-formado em produção musical e investindo em produção. Temos dois CDs lançados e cada CD tem 10 músicas, ou seja, somos uma banda que compõe bem, produzimos bastante conteúdo. Hoje estamos investindo mais em produção e também preocupados nos investimentos em marketing e na tentativa de a banda ter mais visibilidade.

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da sua carreira musical?

Flávio Dantas | Baggaroots: Prejudica em quase nada. Usamos a internet para divulgação da imagem da banda (vídeos, fotos, live, músicas, etc). Tento tirar mais proveito, sem muitos prejuízos nesse sentido.

14) RM: Como você analisa o cenário reggae brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Flávio Dantas | Baggaroots: O cenário reggae em São Paulo, algumas bandas se destacaram e ganharam popularidade e visibilidade, mas isso ocorreu em todas as outras regiões do país, muitas bandas novas surgiram ou ganharam visibilidade, com estilos de reggae variados (mais pop ou mais underground, mais roots). Várias bandas surgiram nem todas me agradam e isso é pouco relevante, não deixo de ver a importância dessa proliferação da música reggae em todas as esferas. As revelações: Planta e Raiz, Natiruts, Chimarruts, banda 4e20, Vibrações, Mato seco, Ponto de equilíbrio e outras ai. Essas foram bandas que se destacaram nas mídias, no cenário, como bandas de Reggae, independentemente de ser mais roots ou pop. Há também muitas bandas no Nordeste, Bahia, Recife, e outros lugares que apresentam bandas novas com novas musicalidades dentro do gênero Reggae.  Deve ter mais um monte que não me lembro. O reggae mundial aí é outra coisa, são muitos artistas top nas paradas de sucesso, muitas bandas jovens. Quanto às bandas mais antigas, são praticamente as mesmas de três ou quatro décadas passadas que ainda se mantém solidas: Edson Gomes, Tribo de Jah, Edy Vox, Dionorina, Sine Calmon, e outros artistas mais antigos ainda vivos e atuantes.

15) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (Home Studio)? 

Flávio Dantas | Baggaroots: Eu quase não vejo desvantagens. Quando lançamos o primeiro CD em 2008 o acesso à tecnologia e produção ainda era difícil, nós gastamos muito na época. Nós ficamos a mercê de uma gravadora e um produtor que de certa forma tirou proveito de nós, fora os custos financeiros que eram altos para conseguir produzir um trabalho básico. Hoje temos acesso a tudo, tudo ainda custa muito caro no Brasil quando se refere à tecnologia de produção musical. Pagamos muito caro em tecnologia e instrumentação, os estudos nessa área são mais acessíveis, mas ainda um pouco caro, porém, sabemos que é possível produzir um bom trabalho com material de baixo custo ou custo médio, podendo-se aprender produção até pela internet.

16) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Flávio Dantas | Baggaroots: Admiro a qualidade artística de algumas bandas nacionais, Ponto de Equilíbrio é uma delas, é uma banda que tem o espetáculo bem organizado, a parte técnica é muito boa. Sobre exemplo de profissionalismo, em relação a bandas nacionais, eu tenho poucas referências, observo só a performance na maioria das vezes. Tem um cara que admiro muito o profissionalismo dele, é o Fauzi da banda TRIBO DE JAH, gosto do jeito profissional sempre elegante do Fauzi, além de admirar o nível intelectual desse artista. As minhas maiores referências de profissionalismo e trabalho artístico são de artistas internacionais: ALPHA BLONDY, TIKEN JAH FAKOLY, STEEL PULSE e outros.

17) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Flávio Dantas | Baggaroots: Nesses quase 13 anos de Baggaroots já passamos por muitas coisas, de tudo que se imaginar já passamos, vou falar apenas de três delas. A primeira foi um dia que fomos fazer o segundo show do dia aqui em São Paulo, no bairro Jabaquara, era dia das crianças, era um show beneficente para distribuição de presentes, nesse dia dividimos o palco com a banda Sensimilla DUB. A promessa era de um grande espetáculo em uma grande estrutura, era um dia de garoa e frio. Saímos de um show em uma Fábrica de Cultura no bairro Capão Redondo e fomos sentido Jabaquara, chegando ao local do evento não havia estrutura nenhuma no local, apenas um pequeno palco e também havia um pouco de gente. Ficamos aguardando até que chegou a organizadora do evento (NANÁ ROOTS), ela chegou dentro de um caminhão que trazia os equipamentos de som. Tocamos em um palco sem cobertura com a garoa molhando os instrumentos, mas posso te garantir que foi um show muito bacana e gravamos um vídeo tocando “DE MAL A PIOR” que ficou com áudio bom que deu para postar no youtube e é bem assistido. O segundo caso inusitado foi quando fomos abrir o show para a banda SEPULTURA pelo evento da Cooperativa de Músicos de São Paulo (Coopermusp). A estrutura de show era muito boa porque era para comportar a banda SEPULTURA, só que a banda não foi por falta de cachê e como nosso cachê era baratinho então nós invadimos o palco e fizemos um grande show no Dia da Consciência Negra. O terceiro caso foi o dia que fomos abrir o show para o grande ícone do reggae Edson Gomes aqui no Capão Redondo em uma Casa de Show. No camarim o Edson me perguntou como estava o som, eu então respondi: lá embaixo o som está bom – ele logo me rebateu me perguntando: “lá embaixo? Flávio, você é o público ou o cantor? Você quando canta escuta o som lá de baixo ou o som do palco?” (risos). Foram experiências interessantes, algumas inusitadas (risos).

18) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Flávio Dantas | Baggaroots: O que me deixa feliz é poder cantar, a banda fazendo show, a satisfação quando as pessoas escutam, se identificam e gostam das nossas músicas. O que me deixa um pouco triste na arte é quando por algum motivo não estou trabalhando exclusivamente com a música pelo fato de ter que trabalhar outras áreas para conseguir dinheiro e a dificuldade de propagar as músicas e fazer shows remunerados, mas resistimos.

19) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Flávio Dantas | Baggaroots: Não.

20) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Flávio Dantas | Baggaroots: Deve investir na área musical, observar se é realmente o que quer. Investir em conhecimento na área através de cursos técnicos e de nível superior em música se necessário. E se qualificar para ser entendedor do que faz para conseguir fazer algo com qualidade e lutar.

21) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com o uso da maconha?

Flávio Dantas | Baggaroots: Muitas vezes essa relação se dá de maneira desagradável, porém, eu não vejo como um problema ou algo negativo para o reggae. Desde o princípio da sua fundação o reggae sempre esteve mesmo relacionado ao uso da erva cannabis sativa. Os primeiros cantores de reggae, Bob Marley, os famosos “ROCKERS”, muitos deles faziam e fazem músicas defendendo o uso da erva. O uso da erva é antigo, por povos antigos e antecede a ideia do reggae, mas da Jamaica antiga e da cultura de povos antigos que ali habitavam, na fundação. No caso da música reggae, por ser um ritmo musical que mexe com a espiritualidade e que instiga a reflexão do próprio eu, “eu e eu”. A erva causa efeitos que se assimilam a essas mesmas ideias, instiga a reflexão, então logo perceberam essa relação. BOB MARLEY sempre defendeu e falou dessa relação espiritual entre a música e o consumo da erva que o ajudava a compreender as coisas de maneira mais profunda, mais crítica. É mais uma questão de conhecimento e emancipação da herança preconceituosa relacionada a visão que foi implantada sobre a erva. Nós não devemos ter vergonha alguma sobre essa relação, temos sim que assumir isso, embora, isso não significa que para ser ou fazer música reggae o artista necessariamente precise consumir a erva. Essa relação se dá por um sentir, certa singularidade, algo relacionado ao “eu e eu”. Como se a erva aprofundasse a maneira em que você produz, sente e expressa os sentimentos através de uma batida musical reproduzida por um som mais representado por frequências graves.

22) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com a religião Rastafári?

Flávio Dantas | Baggaroots: Acho tranquilo, normal, porém hoje em dia essa questão é muito mais difundida do que na Jamaica antiga. O rastafári era a religião daqueles povos das encostas caribenha, tirados da África para exploração de colônias nos períodos de escravidão e transportes de escravos para as colônias. Rastafári era religião de povos antigos que acreditavam em uma profecia que dizia que um dia seria coroado um príncipe que os tirariam da miséria ou da pobreza, opressão que viviam – daí vem à questão Haile Selassie ou Hailé Selassié batizado como Tafari Makonnen e posteriormente chamado por Rás Tafari. Bob Marley entre outros, eram influenciados pela religião, era a cultura tradicional religiosa da ilha jamaicana, tendo o maior número de ocupantes escravos. Bob Marley começou a carreira artística na época onde toda essa questão se deu. Bob sempre fez músicas tratando da sua forma de ver o mundo baseada nas crenças e nos fatores que viviam na época. Por isso, a relação reggae – rastafári sempre se deu assim, de maneira bem representativa. É preciso entender a historicidade dessa questão. Os rastafáris têm como crença baseada em uma profecia antiga e sempre foram relacionados ao reggae porque o maior percursor e fundador do gênero eram rastafári. E repetindo o que falei lá em cima, hoje essa questão é muito mais difundida não correspondendo somente a questão jamaicana. Hoje em dia tem grupos e tipos de crenças e rastafáris diferentes em diversos lugares do mundo e, todos eles utilizam o reggae como uma linguagem de expressão popular onde podem relatar suas ideias, crenças, sentimentos etc…

23) RM: Você usa os cabelos dreadlock. Você é adepto a religião Rastafári?

Flávio Dantas | Baggaroots: Não uso mais dreadlock, mas já usei durante alguns anos, não continuo usando por uma questão capilar, mas sempre gostei e se pudesse usaria para sempre. Não sou adepto da religião rastafári, mas respeito e admiro. E digo mais, se eu tivesse uma religião essa seria rastafári, embora eles digam que não é religião, mas, na lógica é sim, sempre foi porque se trata de uma crença e além do mais, tem um messias um libertador (Haile Selassie / Rás Tafari).

24) RM: Os adeptos a religião Rastafári afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como você analisa essa afirmação?

Flávio Dantas | Baggaroots: Nunca vi alguém fazendo tal afirmação. Como respondi em uma pergunta anterior, o reggae e a religião rastafári, hoje, é muito difundido no mundo, passou a ter várias vertentes que seguem ideias diferentes, então, esse tipo de afirmação, a meu ver, além de ser pouco embasada é um tanto quanto egocêntrica.

25) RM: Na sua opinião porque o reggae no Brasil não tem o mesmo prestigio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Flávio Dantas | Baggaroots: Para entender essa questão é preciso voltar ao passado e compreender a construção da nação brasileira. O Brasil foi um dos últimos países a abolir a escravidão e isso é um tanto quanto recente, depois desse processo veio o processo de construção da nação e a coisa se deu exatamente aí. Um país em que uma parcela da classe branca e rica que ficou com a maior parte da riqueza da nação, foi quem construiu a identidade nacional. E construiu essa identidade que criou falsos mitos. Nessa criação de falsos mitos, os verdadeiros heróis foram quase apagados ou abafados na história. Essa classe que sempre deteve a riqueza e os meios de produções nunca investiu ou aprovou movimentos de artes revolucionários, de resistência para subsistência, ou conscientização. Nesse processo de construção nacional qualquer expressão artística sofre com a falta de incentivo ou investimento. Essa é a mentalidade daqueles que participaram da construção de uma nação sem dar voz aqueles que ficaram a margem da história. O reggae tinha a relação com o uso da erva cannabis sativa num país de mentes fechadas. Eis aí a diferença de outros lugares do mundo em que as coisas e a mentalidade são mais desenvolvidas em que a arte tem espaço para se expressar na sociedade. O Brasil ficou apenas com o preconceito. Esse fato não é único e exclusivo do Brasil, o reggae em si teve dificuldades para existir e ser aceito em outros países, exemplo, Inglaterra, a França, etc. Basta ler sobre a história da banda STEEL PULSE. No início essa banda não conseguia espaço para tocar, porque eram negros, feios e com cabelos esquisitos. Mas foram ganhar espaço através do movimento PUNK que abriram espaço para shows do STEEL PULSE, que é pioneira do reggae na Inglaterra. A diferença entre o Brasil e outros países é a demora em mudar essa realidade e fazer com que o reggae seja um gênero musical com boa visibilidade social, sofra menos preconceito e seja mais aceito.

26) RM: Quais os prós e contras de usar o Riddim como base instrumental?

Flávio Dantas | Baggaroots: Eu sou músico multi-instrumentista, eu gosto de tocar instrumentos, mas, vejo essa possibilidade como algo normal. Usar Riddim é antigo, se reacendeu dentro da cultura reggae. Eu vejo como algo positivo que faz com que seja atraído público jovem para conhecer mais a música reggae, um cantor se apresentando com base instrumental do Riddim e depois se interesse por vertente de banda. Hoje tem muitos jovens artistas e eles propagam a sua composição como podem e uma base instrumental de uma música já conhecida (Riddim) se torna mais fácil para o cantor\compositor criar as suas músicas.

27) RM: Você faz a sua letra em cima de um Riddim já conhecido usando uma linha melódica diferente?

Flávio Dantas | Baggaroots: Não exatamente, mas já compus letra baseada em uma letra e melodia de um artista conhecido.

28) RM: Você acrescenta e exclui arranjos de um Riddim já conhecido?

Flávio Dantas | Baggaroots: Não, nunca produzir dessa maneira, mas considero isso algo comum, depende do que você quer produzir.

29) RM: Quais os seus projetos futuros?

Flávio Dantas | Baggaroots: Produzir tudo que eu poder e investir no fortalecimento da Baggaroots e fazer mais shows.

30) RM: Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Flávio Dantas | Baggaroots: (11) 95829 – 3229 |   [email protected]  | [email protected]

BAGGAROOTS- CORTA O CORAÇÃO (CLIPE)

 

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BAGGAROOTS- CAMELÔ (EDSON GOMES)

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BAGGAROOTS NO DIA DAS CRIANÇAS NO JABAQUARA (2013)

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BAGGAROOTS NA ABERTURA DO SHOW PARA O SEPULTURA, NO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA (2012)

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BAGGAROOTS NO CARNAVAL DA BAHIA 2018

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.