Baba de Cobra

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Os músicos da banda “Baba de Cobra” tocam juntos desde 2004 após lançamento do CD – Fragmentos de Marcos Duprá. O CD teve uma ótima receptividade do público tendo sido muito ouvido no site da Trama Virtual. Através deste CD a banda tocou em diversos lugares em São Paulo (Centro Cultural de São Paulo, no Blen Blen Bar, Faculdade de matemática da USP, Clube Caiubi de compositores, Céu Butantã, Céu Grajau, etc).

Os músicos: Marcos DupráFernando HipólideAndré PedrãoMarcelo Adrio e Ricardo Bueno, perceberam que havia uma identidade musical em comum, eles começaram o processo de gravação do primeiro CD – Olho virado e lançaram já como “Baba de Cobra”. Levou um ano para a gravação do CD e o resultado foi gratificante para todos os músicos. Neste CD tiveram as participações especiais de Morena Rosa, cantora maranhense com uma voz maravilhosa e do contagiante Paulão, da banda Velhas Virgens.

O “Baba de Cobra” tem como proposta uma visão moderna da música popular e faz diversas experiências estético-musicais. Eles procuram não se prender a rótulos e conferem às suas músicas uma roupagem particular evitando o lugar comum da música atual. O grupo tem como principal filosofia a invenção.

Segue abaixo entrevista exclusiva da banda “Baba de Cobra” para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 15.02.2011:

01) RitmoMelodia: Qual a data de nascimento e a cidade natal dos membros da banda?

Marcos Duprá: Teclado e voz – Marcos Duprá e nome de batismo: Marco Aurélio do Prado Garcia. Ex- integrante da banda de blues “Honorável Cabaré”, grupo que tocou em diversas cidades do interior de São Paulo, e compositor do CD – Fragmentos lançado há três anos. Nascido em São Paulo em 11.05.1970.

Fernando Hipólide: Guitarra – nome de batismo: Fernando Gramani Hipólide. Ex–integrante da banda “Fábula”, banda underground do final da década de 80, compositor da peça erudita “A Grande Tríade”, baseado no livro de mesmo nome sobre o Taoísmo. Nascido em São Paulo em 25.06.1966.

André Pedrão: Contrabaixo – Nome de batismo: André Luiz Aguiar. Ex–integrante da banda “Fábula”, e ex-integrante do grupo “Clube do Chinelo”, banda que fez um trabalho humorístico usando como tema a música brega. Nascido em São Paulo em 23.08.1970.

Marcelo Adrio: Bateria – Nome de batismo: Odair Marcelo Barbosa Quintiliano de Camargo. Membro da bateria Escola de Samba Mocidade Alegre, ex – membro da banda “Pó de Anjo” e produtor musical de diversos artistas entre eles o grupo Cantilena e autor do musical infantil “Quintal da minha casa”. Nascido em São Paulo em 01.07.1972.

Ricardo Bueno: Percussão – Nome de batismo: Ricardo Bueno Terra. Integrante da bateria da Escola de Samba Mocidade Alegre, ex-membro da banda Monokini. Nascido em São Pauloem 09.06.1973.

02) RM: Como foi o primeiro contato com a música pelos membros da banda?

André Pedrão: Um violão comprado pelo meu irmão foi o ponta pé inicial. Até então ouvia e ouço de tudo um pouco.

Marcos Duprá: A primeira influência de todos foi o Rock. Acho que como todo bom garoto que mora numa cidade grande, aquela energia do Rock pega você. Como nos conhecemos há pelo menos 20 anos os caminhos foram sendo parecidos, no entanto cada um tem sua particularidade. O Marcelo Adrio, baterista, e o Ricardo Bueno, percussionista, são fissurados em ritmos brasileiros. O Fernando Hipólide, guitarrista, traz muito o psicodelismo e maluquices em geral. Eu e o André, baixista, acabamos por optar por um pouco de cada coisa.

03) RM: Qual a formação musical e\ou acadêmica dentro ou fora música dos membros da banda?

André Pedrão: Sou corretor Imobiliário e quando vendo um apartamento. Gasto tudo com a música. Sou autodidata (não sei uma escala) e agora sou hipertenso também.

Marcos Duprá: Todos estudaram música com exceção de mim e do André que somos autodidatas. O Fernando Hipólide é arquiteto e o Marcelo Adrio além de ser formado pelo Barro Branco é formado em Gastronomia.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância dos membros da banda?

André Pedrão: Sou fã do Led Zeppelin que é minha maior referência. Mas ouço de tudo, de tudo um pouco. As influencias continuam importantes. Marcos Duprá – Eu gosto de ouvir muita coisa. Quando garoto a primeira coisa que quis tocar foi The Beatles e acabei tocando Rock e Blues por algum tempo. Depois comecei a ouvir bastante MPB, Caetano Veloso, Chico Buarque, Tom Jobim. Todas essas formas musicais me influenciam, mas gosto muito de como o Tom Zé no disco Estudando o Samba trabalhou. E muito do Itamar Assumpção, acho que essas são as influências no momento mais ativas. O que deixou de ter importância para os membros na banda é fazer música como todos já fizeram, ou seja, procuramos novos caminhos.

05) RM: Quando, como e onde  começou a banda? Explique a escolha do nome da banda?

Marcos Duprá: A “Baba de Cobra” nasceu em 2004 no lançamento do meu CD – “Fragmentos” que foi feito no Centro Cultural São Paulo. Daquela reunião percebemos que a empatia era tão grande que nasceu o grupo. Escolher um nome é sempre complicado para uma banda, pois requer um comum acordo entre todos. O nome acabou sendo o de uma música que eu tinha feito, mas os motivos da escolha de cada um por esse nome foram diversos. Para um foi legal por ser um nome com raízes brasileiras. E para outro por ser um nome que sugeria uma banda venenosa. Para mim, por ser um nome que agradou a maioria da banda.

06) RM: Quantos CDs lançados?

André Pedrão: Temos um CD – “Olho Virado”. E estamos preparando uma novidade, não só um CD!

07) RM: Como você define o estilo musical da banda?

Marcos Duprá: É um estilo heterogêneo. Não cabe uma definição específica já que as influências de cada membro são diferentes. E o resultado disso vem no próprio som. Do Rock ao baião, passando pelo funk, balada, pop.

08) RM: Como é o processo de compor na banda?

André Pedrão: Para mim é fácil fazer e tocar música, mas difícil é guardar, pois não sei escrever na partitura o que crio. Marcos Duprá: O meu processo no CD – “Olho virado” era de compor a letra e melodia. E depois construir o arranjo em cima da canção em conjunto com os outros membros da banda. No novo CD eu tenho usado muito o processo de compor a melodia junto com os arranjos. E é interessante como mudou a forma de pensar música, mas não acredito que seja algo definitivo.

09) RM: Quais são os principais parceiros musicais da banda?

André Pedrão: Eu faço minhas músicas só, mas sempre aberto a opiniões dos parceiros. Marcos Duprá: É uma banda onde todos colaboram com ideias para o resultado final. Mas normalmente eu (Marcos) e o Fernando Hipólide trocamos mais figurinhas.

10) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

André Pedrão: A meu ver não existe prós e sim muita dificuldade, principalmente para shows e de grana. Marcos Duprá: Os contras são muitos, mas citá-los seria cair no discurso geral. Os prós estão justamente no fato de você não ter o rabo preso com nada e nem ninguém.

11) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

André Pedrão: Com alguns bons trabalhos Legião Urbana e Titãs, por exemplo, marcaram. Mas não tenho boas lembranças… Marcos Duprá: O cenário pop brasileiro em minha opinião como formador musical se autodestruiu. Falo isso como opinião própria e não da banda. Para mim o último compositor inventivo que o Brasil trouxe foi o Itamar Assumpção. Gosto muito do Carlos Careqa, do Edvaldo Santana e outras figuras que procuram esse tipo de caminho. Acredito que quem regrediu foram aqueles que acharam a fórmula para ter seu pingo de sucesso e ficam batendo nessa tecla o tempo todo.

12) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

André Pedrão: Difícil. Fiquei aqui queimando o “Tico e o Teco” e não sei. Se o cara ou banda é exemplo por outro lado é sem qualidade. E o contrário também. Marcos Duprá: Muitas vezes o profissionalismo não vem abraçado com a qualidade artística. Citando apenas quem me vem a mente, Raul seixas e Tim Maia são exemplos de artistas que se lixavam para o aspecto “profissional” mas tinham uma qualidade indiscutível. Acho que hoje tem profissionalismo demais e a qualidade artística é deixada de lado. As vezes o artista tem que pirar um pouco pra não se tornar uma máquina de ganhar dinheiro.

13) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Marcos Duprá: Você já citou tudo que já aconteceu com a banda. Eu tocava em uma banda de Rock fomos tocar num bar no bairro Bela Vista – Bixiga – SP que se chamava “Persona”. Subimos no palco e vimos que atrás tinha um pano branco esticado atrás de nós. Achamos estranho, mas começamos a tocar. De repente estamos lá mandando um som do Deep Purple e olhamos a platéia se mijando de rir. Quando olho pra trás tinha um transexual fazendo uma performance atrás do pano branco. Foi como tocar naqueles cabarés alemães dos filmes do Fassbinder (risos).

14) RM: O que mais deixa feliz e triste na carreira musical dos membros da banda?

André Pedrão: Feliz é a liberdade. Cada um faz o que quer dentro das composições. E a maior tristeza é sem dúvida não conseguir viver delas. Marcos Duprá: O que nos deixa mais feliz é termos um grupo em que podemos brincar de música. Porque é isso que realmente importa. É triste você ter um trabalho bacana e não ter onde tocar. E quando arrumamos um lugar pra tocar somos tratados como se fosse uma droga qualquer. Nem ligam se você fez boa música, só se preocupam com quantas pessoas você trouxe.

15) RM: Nos apresente a cena musical de sua cidade?

André Pedrão: Sampa é sem dúvida a melhor cena musical do País. O problema é procurar e achar! Marcos Duprá: São Paulo é uma cidade bacana nesse sentido, tem muita opção para quem quer ouvir algo. O único problema é que hoje os bares querem apenas bandas covers (que só tocam músicas de sucessos). O que sinceramente enche o saco.

16) RM: Quais os músicos e bandas que você recomenda ouvir?

André Pedrão: Eu (risos). Hermeto PascoalRushAmado BatistaClube dos CornosLed Zeppelin e claro o “BABAdeCOBRA”!

Marcos Duprá: Se eu fosse fazer uma lista não caberia aqui. Ás vezes eu acho engraçado como se ouve música hoje. É uma coisa de tribo e não tem a ver com qualidade musical. Eu sou roqueiro vou ouvir rock. Eu sou da MPB vou ouvir música brasileira. Não gosto disso. Quando eu era garoto lembro-me da minha mãe ouvindo um programa do Eli Corrêa. Que tocava muita música brega, mas tocava também Caetano VelosoChico Buarque e outros. Nas rádios FMs tocava-se Guilherme Arantes14 bis. Meu pai assistia todo domingo programa de música caipira. Todas essas coisas são legais de ouvir. Eu não recomendaria as pessoas ouvirem um determinado músico ou banda, mas se tornarem mais ecléticas no que ouvem.

17) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as músicas tocarão nas rádios?

Marcos Duprá: Não faço mais música pensando nisso. Gosto de compor e tocar. E se algumas pessoas ouvirem, eu me darei por satisfeito. Por isso não faço mais concessões ao compor. E tenho consciência de que pago o preço por isso.

18) RM: O que vocês dizem para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

André Pedrão: Vai fundo. Mas bem fundo!Tente ser o que eu não consegui!

Marcos Duprá: Não faça isso (risos). Costumo brincar que não sei o que funciona, mas sei exatamente o que não funciona. Por exemplo: desorganização, falta de ensaios, atrasos, promessas de sucesso…

19) RM: Quais os projetos futuros?

André Pedrão: Gravar o novo CD, se possível um CD CONCEITUAL. Marcos Duprá: O Novo CD é um projeto que nos está deixando muito ansiosos. São músicas diferentes estamos mais maduros e sabemos melhor o que queremos.

19) RM: Quais os contatos?

Marcos Duprá: (11) 99724 – 5434 | [email protected] | www.myspace.com/babadecobra  | www.clubecaiubi.ning.com/profile/BabadeCobra


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.