As Bastianas

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As Bastianas após percorrer o Brasil espalhando seu canto e seu encanto com o CD – “Chama pra Dançar”, o grupo se prepara para lançar seu próximo CD e mostrar que além de bom de forró, é bom de coco, ciranda, maracatu e outros ritmos nordestinos.

O grupo nasceu dentro da Universidade Federal da Paraíba em Março de 1999, com o objetivo de divulgar e resgatar as raízes da autêntica música nordestina. Com um estilo original que beira o rústico, mas abraça o contemporâneo de forma única. Um som popular que se aproxima ao erudito. Suas influências vão de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, João do Vale, Marinês, Trio Nordestino, Sivuca, Dominguinhos, até Lia de Itamaracá e Selma do Coco. Recentemente o grupo viu sua vida registrada no livro “As Bastianas Origem, percalços e percursos”, das jornalistas Rejane Negreiros e Andréa Mesquita, que retratam, nesta obra, a trajetória e o merecido sucesso destas talentosas garotas nos quatro cantos do país. São críticas e as opiniões de músicos, jornalistas e estudiosos da nossa música e cultura. É assim que estas jovens mulheres prestam sua homenagem a Jackson do Pandeiro, o paraibano que gravou com grande sucesso a música “Sebastiana” de Rosil Cavalcanti (e por isso o nome do grupo).

Segue abaixo entrevista exclusiva com o grupo “As Bastianas”  para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado em 04.04.2007:

01) RitmoMelodia: Qual a cidade de origem do grupo “As Bastianas”? 

“As Bastianas”: O grupo nasceu em João Pessoa – PB. Dentre as integrantes estão uma da cidade de Itabaiana – PB, duas de Campina Grande – PB e as quatro restantes são de João Pessoa – PB.

02) RM: Quais as influências musicais de cada uma?

“As Bastianas”: Todas temos fortes influências da música regional, fomos criadas ouvindo Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, João Do Vale, Marinês. Mas também existem influências da música erudita (que estudamos na Universidade e que também é apaixonante), do samba raiz, do choro. Mas de uma forma geral, a MPB está presente em nossas vidas desde a infância.

03) RM: Qual a formação escolar e musical de cada uma? 

“As Bastianas”: Angélica Lacerda – acordeom e voz; estudou psicologia, música e atualmente está cursando Educação Artística na UFPB.

Lany Marks – percussão; estudou Biologia na UFPB e estuda música há quatro anos na Escola de Música Anthenor Navarro do Espaço Cultural da Paraíba.

Regina Limeira – violão; é a mais novinha e ainda está terminando o segundo grau, mas estuda violão desde os oito anos de idade.

Zilanda Ramos – percussão; Estudou violão e percussão na escola de Música Antenor Navarro do Espaço Cultural e atualmente estuda percussão (curso de extensão) na UFPB.

Lidja Ramalho – zabumba; Estuda percussão no Rottary Club há alguns anos.

Francisco Limeira – baixo elétrico; Nosso Tião é bacharelando em Comunicação Social/jornalismo. E estudou percussão e baixo elétrico por muitos anos, atualmente tem se dedicado ao estudo do baixo elétrico e a UFPB;

Regina Negreiros – produtora; Acadêmica do curso de Filosofia na UFPB e pesquisadora da música brasileira.

04) RM: Como e quando surgiu o grupo. A escolha do nome, qual a formação inicial, qual o instrumento de cada uma?

“As Bastianas”: O grupo surgiu em março de 1999 na Universidade Federal da Paraíba, com o objetivo de resgatar e divulgar a nossa autêntica música nordestina. O nome é uma homenagem a Jackson do Pandeiro que gravou a célebre “Sebastiana” (Rosil Cavalcanti). Da formação inicial até hoje já passaram muitas bastianas, foram quatro formações nesses oito anos, sendo que a formação anterior e a atual foram as mais duradouras. A atual já vai com três anos e a anterior três anos e meio. Dessas formações, apenas Angélica Lacerda (acordeon e voz) e Regina Negreiros (produtora) estão desde o início.

05) RM: Porque escolheram o ritmo Forró. E já bateu alguma vez o arrependimento pela escolha?

“As Bastianas”: O forró é o que pulsa de mais forte em nós, é nossa raiz nordestina e nosso maior patrimônio cultural. De forma alguma nos arrependemos por esta escolha da qual muito nos orgulhamos.

06) RM: Quando e onde vocês começaram a carreira musical?

“As Bastianas”: Todas nós temos históricos anteriores com a música, mas profissionalmente tudo começou em João Pessoa – PB, ao entrar no grupo. Isso vale inclusive pra produção!

07) RM: Quantos CDs lançados?

“As Bastianas”: II Bienal da UNE – Ano 2001 gravado no Rio de Janeiro – Música: Minha Terra; Forró Universitário Vol II – Ano: 2002 – gravado em São Paulo – Música: Pode Me Esperar; Forró da Band – Ano: 2002 – gravado em São Paulo – Música: Pode Me esperar; Cooperativa Brasil Ao Vivo – Ano: 2002 – gravado em Campinas/SP – Músicas: Chama Pra Dançar e Desassossego; CD Bastianas – Chama Pra Dançar – 14 faixas inclusive uma regravação de “ASA BRANCA” – Ano: 2002 – gravado em São Paulo – Participações de Dominguinhos e Cabruêra – Selo: Trace Discos; CD Bastianas – Chama Pra Dançar 2ª Edição – 13 Faixas – Ano 2003 – gravado em São Paulo – Participações de Dominguinhos e CabruêraDVD As Bastianas – Chama Pra Dançar – gravado na Cooperativa Brasil em Campinas/SP – ao vivo no ano de 2002. Colcha de Retalhos – Próximo CD. Previsto para maio de 2007 como marco dos sete anos da nossa história cultural. Participações: Escurinho, Cátia de França, Biliu de Campina e outros ilustres nordestinos. Gravado no Estúdio Peixe Boi em João Pessoa/PB.

08) RM: Quais os principais compositores que vocês gravam e quais as composições de vocês?

“As Bastianas”: Buscamos gravar compositores desconhecidos para dar oportunidades a estes. Temos algumas exceções no caso de “Asa Branca” (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira), do compositor paraibano Escurinho e da nossa querida Cátia de França.

09) RM: Quais as principais dificuldades enfrentadas no inicio da carreira e nos dias atuais?

“As Bastianas”: O grande problema é falta de investimento e incentivo. Desde o início temos andado com nossas próprias pernas, buscando meios de dignificar e qualificar cada vez mais o nosso trabalho, mas sem ajuda de ninguém, exceto dos amigos e da família. Uma grande alegria nossa foi ter encontrado amigos como Dominguinhos, que apostou no nosso trabalho desde o primeiro instante.

10) RM: Como vocês foram recebidas no meio musical tipicamente masculino?

“As Bastianas”: O mais difícil é manter-se respeitada e tratar com educação e respeito os mais engraçadinhos, mas são poucos os desafios desse tipo. No mais, sempre fomos bem tratadas e bem recebidas, com muito respeito e carinho.

11) RM: Encontraram de forma verdadeira algum padrinho musical famoso?

“As Bastianas”: Segundo Dominguinhos, sim. Ele nos deu muita força nos momentos que mais precisamos. Seremos sempre muito gratas a ele, principalmente a sanfoneira que ganhou seu acordeom branquinho do nosso querido mestre.

12) RM: Como vocês analisam a cena do Forró no nordeste e no sudeste?

“As Bastianas”: No nordeste é muito complicado. O forró eletrônico, o novo forró elétrico e a oxent music invadem as casas e os cérebros dos nordestinos que cada vez mais se distanciam de suas raízes musicais. No sudeste temos mais espaço pra tocar, pra aparecer. A cena para o bom e velho forró é melhor, mas sabemos que apesar do forró não morrer nunca, em alguns momentos ele enfrenta dificuldades e em outros ele é só júbilo. É o famoso modismo que toma conta dos jovens! Mas felizmente o forró hoje entra na casa de jovens e de pessoas de menor idade, do branco e do negro, do pobre e do rico. Esse foi um grande passo!

13) RM: Vocês foram favorecias com a badalação no sudeste do “Forró Universitário”. Vocês chegaram a participar dessa cena musical?

“As Bastianas”: Acreditamos que todos os grupos e artistas de forró pé de serra foram favorecidos, até porque houve uma quebra do preconceito com relação a esse gênero musical, nas classes média e alta.

14) RM: Quais os prós e contras de uma carreira musical na cena independente?

“As Bastianas”: A vantagem é que temos a liberdade de escolha do repertorio, arranjo, lugares aonde ir, com que ir. Somos independentes, no entanto sem uma gravadora fica mais difícil entrar na mídia e divulgar nosso trabalho de uma forma mais coesa.

15) RM: Está valendo a pena ter escolhido a carreira musical como profissão?

“As Bastianas”: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Amamos a música e por nada a deixaremos.

16) RM: O que aborrece mais vocês no meio artístico?

“As Bastianas”:  É a cobiça e a inveja. O dinheiro é mais importante, para alguns, do que a alma.

17) RM: Quais os projetos futuros?

“As Bastianas”: Lançar nosso próximo CD em maio e continuar realizando nossos shows.

Contatos: (83) 99964 – 2274 | 98749 – 1884 (Regina Negreiro) | [email protected] | www.bandasdegaragem.com.br/asbastianas

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.