André – Homem de Pedra

HDP
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André – Homem de Pedra
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A estreia do projeto Homem de Pedra nos palcos se deu em janeiro do ano 2000 em Brasília-DF e a energia sentida naquele primeiro show foi suficiente para o cantor e compositor, André compreender que a música seria parte fundamental de sua vida dali em diante.

De 2000 até 2010 o Homem de Pedra passou por algumas formações com diferentes músicos de Brasília gravando dois CDs (demos) e um vídeo clipe e participando de vários shows e festivais de Música no Distrito Federal e pelo Brasil inclusive dividindo o palco com grandes artistas nacionais até que no fim de 2011 com a saída definitiva dos integrantes; André assume de vez o nome e o trabalho do Homem de Pedra e lança o CD – “Claridade” que marca uma nova fase e trás um reggae mais moderno e dançante; recheado de samplers e batidas eletrônicas misturando Reggae, Ragga e uma pitada de RAP em que se destaca a música “Ditada Populares” veiculada em várias rádios por todo Brasil e com clipe lançado na internet. André, inspirado e levado pela nova sonoridade, adota um novo formato em suas apresentações e começa a fazer shows também no formato Sound System que consiste em um “Selecta”, DJ que solta às bases instrumentais das músicas, usando e abusando de delays, sintetizadores e efeitos enquanto André segura nos vocais.

Em 2014 o Homem de Pedra se muda pra São Paulo e no segundo semestre desse mesmo ano lança seu novo show no formato sound system intitulado “Homem de Pedra Live” junto com o DJ e produtor paulistano Wagner Bagão (Dubalizer).

2015 começou a produção de quatro músicas inéditas para o EP – “+Amor” e do novo show que trás uma novidade nunca antes vista nos palcos brasileiros que é a junção do formato “sound system” com o formato “reggae band”. Nesse novo show o Homem de Pedra “botar fogo” na pista de dança mostrando um reggae diferente e moderno com uma batida empolgante que não deixa ninguém ficar parado e com as mensagens positivas de paz, amor e denúncia que sempre foram parte integrante e principal nas letras do Homem de Pedra!

Segue abaixo entrevista exclusiva com André – Homem de Pedra para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01.10.2016:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

André – Homem de Pedra: Eu nasci no dia 16.04.1974 em Brasília-DF.

02) RM: Conte como foi o seu primeiro contato com a música?

André – Homem de Pedra: Foi dentro de casa, pois a minha mãe era musicista e fazia parte de uma banda quando jovem e cantava e tocava Piano e Violão. Eu cresci vendo ela cantando e tocando nos aniversários e encontros que aconteciam em nossa casa.

03) RM: Qual a sua formação musical e acadêmica fora música?

André – Homem de Pedra: Eu sou um cantor autodidata, fiz algumas aulas de canto que me ajudaram bastante no começo, mas nunca estudei música a fundo. Toco Violão o suficiente para poder me ajudar a compor, pois não toco nada (risos). Sou formado em Educação Física e sou contramestre de Capoeira, profissões que exerci durante 20 anos da minha vida até largar tudo em 2012 e começar a viver “pra música”!

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

André – Homem de Pedra: Eu cresci ouvindo muito MPB, Bossa Nova e música clássica por causa da minha mãe, mas como meu pai é do interior de Goiás, eu também ouvi muita música sertaneja (risos). Escutei muito Led Zeppelin, Pink Floyd e Rolling Stones, por influência da minha irmã mais velha. Mas foi na Capoeira por volta dos 15 anos de idade, que eu tive o contato com o reggae, pois, meu Mestre era fã do Edson Gomes e eu me identifiquei muito com as letras e o ritmo. E foi quando comecei a escrever minhas primeiras letras e me apaixonei de vez pelo ritmo e pela arte de compor. Todos os gêneros têm um pouco de importância na minha vida, pois foi parte da minha formação musical.

05) RM: Quando, como e onde  você começou a sua carreira musical?

André – Homem de Pedra: A primeira banda que montei foi em 1997 e se chamava Reggaiz. Era mais uma reunião de capoeiristas querendo fazer reggae com Violão, Atabaque e Caxixi (risos). Mas foi com o projeto Homem de Pedra, que fundei logo depois em 1999, que comecei a trabalhar de forma profissional com a música.

06) RM: Quantos discos lançados e quais os anos de lançamento(quais os músicos que participaram das gravações)? Qual o perfil musical de cada álbum? E quais as músicas que caíram no gosto do seu público?

André – Homem de Pedra: O Homem de Pedra já passou por varias “transformações” e formações até chegar ao formato atual que é solo. Na primeira fase, gravamos dois CDs “demos” e um clipe. Depois de 2009 comecei a trabalhar em carreira solo e gravei o CD – “Claridade” lançado no final de 2011 e o EP “+Amor” lançado em julho de 2015 e mais o single “Contador de Estrelas” produzido por Alexandre Carlo do Natiruts em dezembro de 2015. A música “Ditados Populares” que faz parte do CD – “Claridade”, com certeza foi a que caiu no gosto da galera!

07) RM: Como você define o seu estilo musical dentro da cena reggae?

André – Homem de Pedra: Eu não gosto muito de rótulos, mas se parece muito com o New Roots, pois, é minha maior influência atualmente.

08) RM: Como você se define como cantor/intérprete?

André – Homem de Pedra: Sou compositor e canto de atrevido (risos).

09) RM: Quais os cantores e cantoras que você admira?

André – Homem de Pedra: No reggae eu curto o rei Bob Marley, David Hinds do Steel Pulse que para mim é a melhor banda de reggae do mundo! Da atualidade eu curto muito o Alborosie e o Gentleman. Mas tem muito grandes cantores na cena! Não dá para limitar não (risos). No Brasil eu curto o Alexandre Carlo, Marcelo Mira, Dom Lampa, Edson Gomes, Marceleza. Fora do reggae sou fã da voz de Milton Nascimento, Djavan e João Bosco.

10) RM: Quem são seus parceiros em composições musicais?

André – Homem de Pedra: Eu não tenho muitos parceiros de composição, mas é algo que tenho vontade que aconteça!

11) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

André – Homem de Pedra: Os prós sempre estarão relacionados com estar fazendo o que você ama e acredita. Algo que vem de você e isso não tem preço nem cachê no mundo que pague. Agora os contras são muitos, a maioria (risos). Tudo conspira contra, é uma carreira complicadíssima para quem vive de Arte no Brasil, onde nada funciona, onde o dinheiro destinado à música, arte e cultura é pouco e ainda é desviado e onde a educação é arma de massificação e controle ou seja uma missão “quase” impossível para quem quer viver com o mínimo de dignidade trabalhando com música.

12) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

André – Homem de Pedra: Eu estou sempre pensando em uma forma para que a música do HDP – Homem de Pedra alcance um público ouvinte sempre maior. Hoje em dia a internet é a maior ferramenta para esse objetivo, então estou sempre tentando movimentar as redes sociais através de postagens de frases das letras, vídeos caseiros, vídeos clipes e novas músicas para que no meio de tanta informação o nosso som possa chamar a atenção e realizar o seu papel principal que é informar, levar cultura, poesia e mensagens positivas pra quem estiver disposto a tirar um pouco do seu precioso tempo para ouvir. Hoje em dia acho que bandas independentes e com poucas condições financeiras tem que empreender através da divulgação da sua música pela internet e a partir dai, tentar vender seus shows e produtos relacionados ao trabalho: CDs, camisetas, bonés, adesivos etc.

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da sua carreira musical?

André – Homem de Pedra: A internet hoje é a maior ferramenta de divulgação e democratizou muito a divulgação da música, mas ao mesmo tempo bombardearam de informações e conteúdos os internautas. Então acho que ela ajuda nesse sentido de que qualquer pessoa pode com facilidade divulgar a sua música pela internet, mas formar e manter um público fiel como antigamente se tornou agora um pouco mais complicado pela quantidade de coisas que são jogadas na Internet a cada segundo e que acabam na maioria das vezes prendendo muito mais a atenção do público em geral.

14) RM: Como você analisa o cenário reggae brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

André – Homem de Pedra: O cenário do reggae “brasuca” bem promissor nesse momento, tem muita coisa nova e estilos de reggae bem diversificados rolando por ai que deram uma arejada na cena. Mas não temos uma grande revelação do reggae como tivemos nas últimas décadas como Edson Gomes e Tribo de jah nas antigas, Cidade Negra, Natiruts, Ponto de equilíbrio e Planta & Raiz, ou seja, tem ai uma lacuna de aproximadamente uns 10 anos. Natiruts manteve mais o padrão de profissionalismo no business da música e hoje colhe os frutos desse investimento e trabalho.

15) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia  de gravação (Home Studio)?

André – Homem de Pedra: As vantagens são óbvias: acessibilidade, baixo custo etc. As desvantagens estão sempre relacionadas à qualidade desse material, né?

16) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

André – Homem de Pedra: Eu já citei meus conterrâneos do Natiruts que em minha opinião é a maior banda de reggae do Brasil na atualidade e um verdadeiro exemplo de profissionalismo e sucesso. Mas tem muitos artista da nova safra na correria e que vem mostrando muito profissionalismo nas produções e divulgações do seu material.

17) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

André – Homem de Pedra: Muitas! Afinal são quase 18 anos de HDP – Homem de Pedra (risos) na estrada. Mas acho que a maior gafe foi no show que fiz em Fortaleza – CE abrindo para banda O Rappa e que na minha entrada no palco bem na hora que eu falava “boa noite Fortaleza”, eu tropecei em um monitor e cai na frente de um público de mais de cinco mil pessoas (risos).

18) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

André – Homem de Pedra: A maior felicidade é saber que pessoas são tocadas pelo meu som, que minha música faz a diferença na vida de alguém, que é a trilha sonora de um momento da vida de alguém e quando você fica sabendo disso é a melhor sensação do mundo e não tem cachê que pague esse sentimento de missão cumprida. A maior tristeza é a dificuldade que temos de viver profissionalmente da música. E de não ter o retorno financeiro necessário para viver com o mínimo de dignidade. E a falta de políticas culturais eficientes que apoiem e valorizem os artistas independentes.

19) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

André – Homem de Pedra: Atualmente, eu estou morando em Natal-RN que pela minha primeira impressão tem uma cena crescente e bem interessante com qualidade e diversidade. No reggae a banda Rastafeeling tem um trabalho maravilhoso por aqui. Gosto muito também da galera do Du Souto que mistura um pouco de tudo e faz um som bem original.

20) RM: Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

André – Homem de Pedra – Dos gringos eu curto e recomendo a nova geração do reggae: Alborosie, Gentleman, Damian Marley, Seeed, Protoje.

Dos Brasucas tem Cidade Verde, MonkeyJahyam, Dom Lampa, Rastafeeling, Rupestre, Dubalizer , Alma D’jem, tem muita coisa boa por ai!!

21) RM: Quais os cantores e cantoras que gravaram as suas canções?

André – Homem de Pedra: Eu tive uma música que foi produzida e arranjada pelo Alexandre Carlo do Natiruts e que ele canta e tem também os vocais da lenda jamaicana Lee Scratch Perry. E mais recentemente a galera da banda Maskavo me pediu uma canção e devem lançar no próximo CD deles.

22) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

André – Homem de Pedra: Nas FM, eu diria que é impossível tocar sem pagar o jabá, mas as rádios menores e rádios da net já estão até tocando bem para minha alegria (risos).

23) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

André – Homem de Pedra: Eu diria “Vai estudar que é melhor (risos)”. É uma escolha muito sofrida e uma carreira muito injusta, mas quando a música está dentro de você não tem como não tentar, se jogar e pagar para ver se aguenta (risos).

24) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com o uso da maconha?

André – Homem de Pedra: Fumar maconha ser tão relacionado ao reggae estar ligado ao movimento Rastafari que foi tão difundido pelo maior artista e divulgador do reggae: Bob Marley. Isso faz parte da cultura deles e não tem como desvincular. Mas a maconha assim como outras drogas é uma realidade no meio musical e em tantos outros meios. E uma coisa nada tem haver com outra! Reggae é reggae e maconha é maconha e um não depende em nada do outro!

25) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com a religião Rastafari?

André – Homem de Pedra: Eu acho que sem o Rastafari, talvez não existisse o reggae. E isso nós não podemos ignorar, mas hoje em dia o reggae se tornou muito maior e universal e ultrapassou toda essa questão religiosa. E igual a questão da maconha, uma coisa em nada depende da outra.

26) RM: Você usa os cabelos dreadlock. Você é adepto a religião Rastafari?

André – Homem de Pedra – Eu usei dreadlock por 10 anos de 1997 a 2007, mas nunca fui adepto da religião Rastafari. Usava mais por ser amante da cultura negra, praticante de capoeira e curtia o visual. Mas depois achei que ficou banal e se tornou quase que um padrão no meio da galera do reggae no Brasil, ai então eu fiz questão de cortar, pois não sou muito de seguir nenhum tipo de “padrão”(risos).

27) RM: Os adeptos a religião Rastafari afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como você analisa essa afirmação?

André – Homem de Pedra: Só eles fazem o que é reggae verdadeiro?(risos)! Isso não existe!

28) RM: Na sua opinião quais os motivos para o reggae no Brasil não ter o mesmo prestigio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

André – Homem de Pedra: Eu não sei o real motivo, mas pela porcaria que a maioria dos brasileiros escutar, eu penso que o principal motivo é a falta de cultura e educação da maioria da população.

29) RM: Quais os prós e contras de usar o Riddim como base instrumental?

André – Homem de Pedra: Eu não sou um grande instrumentista e adoro escrever e compor. Eu não vejo nada de contra de usar o Riddim, só vejo a favor!

30) RM: Você faz a sua letra em cima de um Riddim já conhecido usando uma linha melódica diferente?

André – Homem de Pedra: Sim. A linha melódica diferenciada da letra é que é o grande desafio de se compor em cima de um riddim, ainda mais se a base instrumental for conhecida. Prefiro compor em cima de riddins que nunca escutei nenhuma versão (risos).

31) RM: Você acrescenta e exclui arranjos de um Riddim já conhecido?

André – Homem de Pedra: Sim. Isso pode acontecer quando toco com banda, pois, os músicos sempre inventam e acrescentam coisas novas e se fica legal porquê não?

32) RM: Quais os prós e contras de fazer show usando o formato Sound System (base instrumental sem voz)?

André – Homem de Pedra: O maior contra é que a galera no Brasil ainda não assimilou muito esse formato e ver com um pouco de desconfiança. E tem os produtores que por ser um formato mais enxuto: Selecta (DJ) e o cantor; querem economizar também na estrutura de equipamento de som. Se for feito nas condições ideais, não deixa a desejar em relação ao formato banda.

33) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com Alexandre Carlo (vocal e compositor do Natiruts)?

André – Homem de Pedra: Eu conheço o Alexandre Carlo e nos falamos há muitos anos, mas nunca fomos “amigos íntimos”. No inicio de 2015 nos encontramos em Brasília e no meio da conversa eu perguntei se interessava a ele produzir um trabalho do HDP e ele curtiu a ideia, então eu mandei o material inédito que eu tinha e ele escolheu duas músicas para fazer a produção e os arranjos. A primeira foi “Contador de Estrelas” que eu lancei no fim de 2015 e a segunda é “Armadura” que conta com os vocais do próprio Alexandre Carlo e também da lenda jamaicana o pai do DUB Lee Scratch Perry e que será o próximo single do HDP a ser lançado muito em breve!

34) RM: Quais os seus projetos futuros?

André – Homem de Pedra: Continuar fazendo música com um pouco mais de reconhecimento e o mínimo de dignidade para viver.

35) RM: Quais os seus contatos para show e para os fãs?

André – Homem de Pedra: Todas as informações, músicas pra download gratuito e contatos para shows com o HDP só acessar o site: www.homemdepedra.com.br

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.