Ana Paula Nogueira

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Ana Paula Nogueira
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A cantora, compositora cearense Ana Paula Nogueira é uma das grandes vozes da nova música brasileira.

Com marcante interpretação e presença de palco impar, essa artista trilha um caminho seguro e forte na linha do forró tradicional inspirado na obra de Luiz Gonzaga. Com uma carreira premiada em vários Festivais de Música Regional, ela foi uma das finalistas no programa ídolos na TV Record em 2012; escolhida entre mais de 1000 candidatos de todas as regiões do Brasil, por um júri de peso que tinha: Fafá de Belém, Marcos Camargo e Supla. Conquistou o prêmio de melhor interprete e o segundo lugar no Forró Fest 2014 realizado pela TV Cabo Branco afiliada a Rede Globo na Paraíba. É membro da Associação Luiz Gonzaga dos Forrozeiros do Brasil, com sede na cidade de Exú – PE.

Talento, coragem, humildade e um grande espírito musical, essas são algumas das qualidades dessa grande artista nordestina que chegou para marcar o seu nome e a sua arte na história da música Brasileira.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Ana Paula Nogueira para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 18.02.2019:

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Ana Paula Nogueira: Nasci no dia 04 de julho de 1989. Tenho dupla naturalidade, nasci na cidade de Barbalha – Ceará, e vivi infância e adolescência junto à minha família em GranitoPernambuco. Fui registrada como Ana Paula Nogueira da Silva.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Ana Paula Nogueira: Na infância não lembro bem minhas referências, por que tudo começou mesmo aos 13 anos de idade na escola. Assistia muito TV e sei que me imaginava sendo atriz, modelo, cantora e tudo o que tinha de mágico na Televisão. Mas foi na escola que cantei para o público; uma música que ouvia bastante na rádio e formei uma banda de forró improvisada com colegas de sala. Não lembro bem que relação eu tinha com a música, já que o teatro era o que eu mais praticava quando estudava, mas cantei e não parei mais.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Ana Paula Nogueira: Cheguei à cidade do Crato (CE) aos 17 anos de idade para cursar Bacharel em Biologia, e terminei o curso em 2011. Logo em seguida entrei na Universidade Federal do Cariri – UFCA para cursar Licenciatura em Música o que conclui em 2017. Neste espaço Fiz uma especialização em Arte Educação e outra em Cultura Popular, Arte e Educação no Campo – Residência agrária, em 2015. Ao mesmo tempo em que busquei gravar CD e DVD, além de buscar espaços para mostra a minha musicalidade.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Ana Paula Nogueira: Acho que escutei muito as bandas de forró que iniciaram na década de 90 como “Mastruz com Leite”, “Magnifico”, “Lagosta Bronzeada”, principalmente na minha adolescência, depois passei a conhecer a obra de Luiz Gonzaga a fundo e me apaixonei pelo ritmo, pela letra, pelo Artista. Busquei referências parecidas desde então.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira profissional?

Ana Paula Nogueira: O marco do descobrimento da minha atividade enquanto cantora aos 13 anos de idade, na cidade de Granito (PE). Já participava das festividades locais, como aniversários, coral de Igreja e ventos escolares. Mas busquei me profissionalizar no ano de 2012, quando ingressei na Universidade para cursar música, além disso, no mesmo ano, gravei meu primeiro CD – “Certidão Nordestina”, e participei de um reality show em TV aberta Nacional, denominado Ídolos. Em 2016, também participei de outro Reality intitulado The Voice Brasil, também em TV Aberta Nacional. Nesta época já morava e trabalhava como Agente Comunitário de Saúde no Crato (CE), onde ainda faço morada.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Ana Paula Nogueira: Em 2012 lancei o primeiro CD – “Certidão Nordestina”, nesse álbum o ritmo de forró predomina. O estúdio escolhido foi o tão referenciado pelos forrozeiros da região “Áudio Estúdio Brasil”, localizado em Monteiro na Paraíba, comandado pelo sanfoneiro Dejinha de Monteiro e sua Família. A Música de trabalho “Certidão Nordestina” que leva o nome do CD, dos compositores Ermano Moraes e Cleiton Ribeiro. Em 2014, lancei o DVD gravado ao Vivo em Granito (PE). No DVD Convido amigos e compositores do CD para cantar junto comigo. Participaram os artistas, Djesus, Flavio Leandro, Targino Gondim, Elmo Oliveira, Irah Caldeira, Cinthya Michelle, integrante do grupo já extinto, mas atuante na época, “Godiva’s”, Epitácio Pessoa e Fábio Carneirinho. E teve como música de trabalho “Fez foi dar certo”, do compositor Cicero Sampaio. Em 2015 Lancei o CD – “Encantos”, com “Fez Foi Dar Certo” (Cicero Sampaio) e “Ser Nordestino é ter Poder” (Juscelino Gerônimo). Com a primeira lancei o meu primeiro Vídeo Clip, gravado pela equipe do BW estúdio, e está disponível no meu canal no You Tube. Já a “Ser Nordestino é Ter Poder”, levou prêmio de segundo lugar e melhor Intérprete em um dos maiores Festivais de Forró do Nordeste, o “Forró Fest na Paraíba”, em 2014.   Além destas, optei por reunir nesse álbum as músicas do DVD gravado ao Vivo em 2014. Em dezembro de 2018 lancei o vídeo clipe, produzido pelo BW Estúdio, com quem mantive a parceria desde 2015, da minha primeira composição “E por Falar em Flores”, já disponível em todas as plataformas digitais. Nela coloquei todo o romantismo que um xote pode abraçar. Foi composta em parte na cidade do Crato e finalizada com a inspiração do encontro de forrozeiros em Itaúnas – Espirito Santos, onde teve os primeiros arranjos do amigo sanfoneiro Ranier Oliveira. E finalizada no Áudio Estúdio Brasil, em Monteiro, na Paraíba.

07) RM: Como você define o seu estilo musical?

Ana Paula Nogueira: É até difícil definir, mediante os estilos musicais que eu canto e que já cantei durante muito tempo. Mas é o Forró o meu carro chefe. Um pedaço do universo da música Regional Nordestina, e deste som imbuídos às várias referências musicais que sempre escuto, bebo da fonte da MPB também.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Ana Paula Nogueira: Durante a Faculdade sim, antes não. Meu conhecimento sobre ela ainda é muito superficial, mas sempre estou buscando melhorar.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Ana Paula Nogueira: É um caminho obrigatório, para aquele que querem a música e o canto como profissão. Cantar e estudar técnica são na verdade, o meio que temos de usar todos os recursos da nossa voz e de também preservá-la.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Ana Paula Nogueira: São várias mais adoro ouvir: Amelinha, Marinês, Elba Ramalho. Escuto muito Marisa Monte.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Ana Paula Nogueira: Não toco com maestria nenhum instrumento, mediante estas dificuldades, prefiro criar minhas composições de forma espontânea e sem acompanhamento harmônico, apenas ao som do metrônomo, para não me perder no ritmo.  Quando estou em sintonia com isso, apenas fecho os olhos e a melodia vem, aí procuro gravar, e depois analiso a letra, onde sempre preciso acrescentar ou retirar palavras até sentir que ela está pronta.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição? 

Ana Paula Nogueira: Os amigos músicos mais próximos. Embora sejam poucos. Ultimamente tenho tentando fazer sozinha, porém, músicos como Cinthya Michele, Zizi Alves, Cicero Sampaio e Luciana Rodrigues, formaram os primeiros amigos com quem sentei para compor.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Ana Paula Nogueira: Atualmente somente eu. Este é um dos meus planos para os anos seguintes, lançar minhas composições às quais ninguém ainda conhece.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Ana Paula Nogueira: Para minha é a dificuldade de transitar entre o mercado da música, pensando enquanto produto cultural, e o que conheço como arte. Tenho pouco conhecimento de empreendedorismo e acredito que me aprofundar no assunto resolveria muitos entreves enquanto cantora, compositora, enfim, artista e me manter no universo dos negócios.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Ana Paula Nogueira: Procuro sempre referências que estejam funcionando bem, e elas são muitas, então estudos, busco informações, me aproximo de quem conhece o assunto a fim de seguir os bons exemplos.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Ana Paula Nogueira: No momento sei que estudar Marketing e administração cairia bem para melhorar minha carreira profissional. No mais procuro me associar em instituições que buscam promover a minha arte de forma independente e expandir ainda mais minhas redes de contato.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Ana Paula Nogueira: Vejo a internet mais como possibilidades que um entrave. Depende muito dos planejamentos que fazemos para usá-la como ferramenta de divulgação.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Ana Paula Nogueira: Nós artistas caminhamos para onde está o povo. E o povo precisa escutar o nosso melhor, é nesse sentido que vejo estas tecnologias. Não exponho nada para o meu público sem antes ter a certeza que está na melhor qualidade, tanto para mim, quanto para quem me segue. É uma questão importante no meu trabalho. Escutei de muito cedo minhas inspirações falarem sobre este assunto, e busco trabalhar dentro desta perspectiva.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Ana Paula Nogueira: Eu observo sempre quem já está há tempos no mercado e quem está surgindo. Minha melhor estratégica é está onde estão pessoas estão. Sempre há o que aprender ao assistir um show, ver um DVD. Ouvir entrevistas e quando puder estar em contato direto com artistas, músicos, diretores, produtores. Buscar parcerias é o caminho. Depois disso, reinventar suas próprias ações, performances de palco, composições, aquele trabalho de formiguinha que o público só ver depois de pronto. Naturalmente ressurgimos diferente e conquistamos mais espaços e mais satisfação pelo que fazemos.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Ana Paula Nogueira: Eu vejo um mercado musical efêmero, muito exigente e ao mesmo tempo tendencioso. Por outro lado quem sobrevive nesse meio, é quem luta pelos sonhos, ou seja, os persistentes. São os persistentes que volto o olhar de análise e estudo. Quem veio antes e quem veio depois, para permanecer, só o tempo define. Mas quem permanece tem aí o meu respeito.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Ana Paula Nogueira: Bem perto de mim tem um cara que admiro demais, ele é um modelo que busco seguir: Flávio Leandro. Sempre observo a Elba Ramalho. Observo como ela se mantém no mercado cantando o que eu mais gosto e principalmente, como intérprete, passando de geração em geração, deixando um legado, mas sempre inovando.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Ana Paula Nogueira: Cantar e não receber todos os músicos que conheço já passou ou talvez ainda passe. Mas a pior situação de tensão foi diante da dificuldade de encontrar um sanfoneiro para um show importante com data marcado próximo demais. É uma sensação de impotência estranha que eu gostaria de nunca mais passar.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Ana Paula Nogueira: Cantar e está em contato com o público é sempre o mais divertido. O mais difícil é lidar com a dinâmica de um trabalho autônomo que depende muito dos contatos e das relações pessoais da equipe de trabalho para fazer o show acontecer de forma satisfatória. É uma carreira difícil mais é o desafio para todo artista.

24) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Ana Paula Nogueira: Aqui no Crato (CE) o mercado para a minha musicalidade ainda é bem reduzido, por que sempre limitei meu repertório ao meu gosto musical. Um luxo, eu sei, e, portanto sempre sanei a falta de recurso para manter esse show, com atividades além da arte do canto, assim consigo manter esse luxo sempre comigo. 

25) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Ana Paula Nogueira: Aqui no Crato (CE) são vários. Mas sempre cito os mais queridos, “Na base da Chinela”, um grupo de Forró maravilhoso que atua na região do cariri cearense. Indico os artistas Fabio Carneirinho, Flávio Leandro, Djesus, Epitácio Pessoas, Irah Caldeira e tantos outros que me inspiram no dia a dia com tanta musicalidade e talento.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Ana Paula Nogueira: Nas rádios de grande audiência é mais difícil, afinal trata-se de um mercado da música muito bem estruturado. Mas na região que moro conto com as amizades e grandes parcerias para tocarem a minha música sem o pagamento do jabá. O que faz com que minha música circule na região sem grandes investimentos. Sou conhecedora do meu espaço e limitações, busco sempre aproveitar o que está a minha disposição o máximo possível. Tem dado certo até aqui. Mas sempre olhando onde posso voar mais alto. Leva tempo e determinação já estou nessa sabendo disso.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Ana Paula Nogueira: Vá em frente.  Todo caminho terá desafios, dores, alegrias, confortos, nosso querer e vontade, além do amor pela música sempre superará os desânimos e insatisfações futuras. Faz parte.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Ana Paula Nogueira: Tudo depende do ângulo em que se objetiva e se dá maior credibilidade. Eu nasci em Festivais de Música na região do Cariri cearense, eles me proporcionaram a visibilidade necessária para novos contatos e experiências musicais que não vejo em outros eventos. Há mais prós que contras na minha visão.

29) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música ainda é relevante para revelar novos talentos?

Ana Paula Nogueira: Sim. São excelentes oportunidades para se mostrar e estabelecer contatos.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Ana Paula Nogueira: A grande mídia tem o seu objetivo centrado no entretenimento, se sua musicalidade condiz com este objetivo, um ponto a mais na sua carreira musical. Nós como artistas é que precisamos reinventar nosso modo de ver e a fazer música com zelo e seriedade, naturalmente a grande mídia se dobra ao profissionalismo. Tenho isso em mente com a música que componho.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Ana Paula Nogueira: São Instituições importantes no processo de divulgação do nosso trabalho musical. É mais um caminho que temos para alcançar o público que queremos.

32) RM: O circuito de Bar ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Ana Paula Nogueira: Os Bares se formalizam a grande escola dos músicos, ao menos para mim se constrói assim. São públicos e intenções diferentes mais repletos de novos aprendizados. Todo músico que queira aumentar seu leque de experiências, seja como instrumentista ou intérprete precisar saber o que é uma noite cantando em um Barzinho.

33) RM: Quais os seus projetos futuros?

Ana Paula Nogueira: É mostrar minhas composições, aquilo que penso e sou estão imbuídos nos acordes e letras destas canções. E toda a minha energia para o futuro estará dentro desta perspectiva.

34) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Ana Paula Nogueira: Os fãs podem me encontrar nas redes sociais do Instagran, Facebook e youtube procurando por @anapaulanogueiraoficial | [email protected]. Os contatos para shows podem ser através da Assessoria da Associação Luiz Gonzaga dos Forrozeiros do Brasil, através do contato (87) 99910 – 9323 falar com Rafaela.


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.