Álvaro Cueva

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O cantor, compositor, sócio do Clube Caiubí de Compositores paulistano Álvaro Cueva, lançou em 2005 seu primeiro álbum independente – “Canabi Emotiva”, com participação de Alexandre Cueva, Zé Rodrix, Toninho Ferragutti, Proveta e Marcelo Pretto, entre outros.

Em 1989 junto com a Banda Rés lançou o LP – Rés Derelictae, com várias de suas composições. Participou de vários Festivais Musicais em Tatui, Avaré, Sorocaba, Ribeirão Preto, Carrefour, Projeto Nascente – USP etc. E formou-se em Artes Cênicas/USP, tendo na teatralidade de suas canções uma das características mais marcantes de seu trabalho. É membro do coral cênico da UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo e apresenta com seu grupo a peça musical de sua autoria: Kátia e Paulo, baseada em várias de suas composições.

Segue a entrevista exclusiva com Álvaro Cueva para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 16.10.2011:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Álvaro Cueva: Nasci no dia 07/02/1964 em São Paulo. Sou paulistano até a medula.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Álvaro Cueva: Meu pai (Affonso Moraes) é compositor. Eu sempre fui uma espécie de gravador portátil do velho. Quando ele esquecia suas canções, eu lembrava. Com sete anos de idade, eu o vi ganhar Festivais de Música e decidi ser compositor também. E realmente me lembro de primeiras tentativas com essa idade. Ah, meus tios eram cantores, dos “Titulares do Ritmo’”, Gravaram em 1970 a “A Taça do Mundo é Nossa”. Quando papamos o mundial, eu tinha seis anos. Depois meu tio Chico me levava pra cantar músicas do Padre Zezinho, lá pelos dez anos de idade.

03) RM: Qual a sua formação musical e acadêmica fora música?

Álvaro Cueva: Sou formado em Direito e em Artes Cênicas pela USP. Estudo violão e canto em coral-cênico há muitos anos. Tenho pouca familiaridade com escrita/leitura musical, mas sigo as ‘bolinhas’ no coletivo cantante.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Álvaro Cueva: Nenhuma influência, musical, ou não, jamais deixou de ter importância para mim. Na música, além da influência familiar, ou talvez por causa dela, me liguei muito à canção pré Bossa Nova, aos seresteiros do rádio e à geração dos festivais. Sou muito ignorante em quase todo tipo de canção que não seja brasileira e não me orgulho nem um pouco disso (já me orgulhei!). Há quase sete anos que sou muito influenciado todas as segundas feiras pelo que conheço através do Clube Caiubi (www.clubecaiubi.ning.com).

05) RM: Quando, como e onde  você começou a sua carreira musical?

Álvaro Cueva: Discos religiosos do Padre Zezinho, gravados nas “Irmãs Paulinas”, nos anos 70. Mas não tenho uma atuação eminentemente profissional, no sentido de viver de música.

06) RM: Fale do seu primeiro CD (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical do CD? E quais as músicas que se destacaram no CD?

Álvaro Cueva: o CD – “Canabi Emotiva”, com participações especialíssimas de meu irmão, Alê Cueva, do meu parceiro, Zé Rodrix, do Proveta, do Toninho Ferragutti, do Marcelo Pretto, do Betinho Sodré, todos amigos queridos. O título do CD, é uma comparação do estado de paixão desenfreada com uma dependência química qualquer. O sujeito apaixonado (e nessa canção ele se afastou do ser amado!) se sente preso, dependente, entorpecido por seu próprio sentir. Aí é só um joguinho de palavras, “Canabi sativa – canabi emotiva”. Já havia gravado um LP em 1989, num grupo musical autoral, “Rés Derelictae”.  Minhas canções mais solicitadas, no CD – Canabi, são: “Bosconeana”, “Serenata para a Moça do 1301″, “Kátia e Paulo” e “Paulo Responde”. Todas fizeram parte de uma peça musical minha que esteve em cartaz entre 2009 e 2010 com o coral-Cênico da UNIFESP. “Kátia e Paulo” – Uma Alegoria Paulistana, direção musical de Eduardo Fernandes e direção cênica de Marcelo Lazzaratto.

07) RM: Como você define o seu estilo musical?

Álvaro Cueva: Juro que não o defino. Sou um compositor paulistano. Crio em vários ritmos e mesclo vários gêneros. Nas poucas prateleiras de lojas de disco remanescentes, me enquadram em MPB. Mas não gosto deste ou de outros rótulos.

08) RM: Como você se define como cantor/intérprete?

Álvaro Cueva: Sou um cantor disciplinado e sei timbrar minha voz com as de meus pares, quando canto coletivo. Sozinho, sou um cantor emotivo, romântico, tentando a sutileza.

09) RM: Você estudou técnica vocal?

Álvaro Cueva: Há mais de 20 anos. Nunca deixo de praticar, mesmo que poucas horas por semana.

10) RM: Quais os cantores e cantoras que você admira?

Álvaro Cueva: Élio Camalle e Clarisse Grova, ambos meus parceiros.

11) RM:  Como é o seu processo de compor? Quem são seus parceiros musicais?

Álvaro Cueva: Tenho muitos processos e muitos parceiros. Prefiro compor letra e melodia ao mesmo tempo. Mas já fiz letras para melodias, melodias para letras, pedaços de ambas, já compus de cabeça, ou ao violão, partindo da harmonia ou da melodia, da poesia quase parnasiana até o escracho total. A melodia é o que me vem mais facilmente. Mas quase sempre me elogiam especialmente as letras. Penso que ambas (letra e melodia) são quase uma coisa só: sons que emocionam e se apoiam uns nos outros. Adoro cada parceiro, sem exceção, até aqueles que ainda não conheci pessoalmente (tenho pra lá de trinta ou quarenta). Um parceiro costuma ser parceiro de vida, para além da canção. Mas reconheço que compor com o Alê Cueva, com o Márcio Policastro, com o Affonso Moraes e com o Léo Nogueira, me deixa especialmente orgulhoso.

12) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Álvaro Cueva: Penso que essa “independência” tem pouco a ver com o sentido literal da palavra. É a independência do “todos no palco na terra de ninguém”. Mas prefiro ler a atualidade tentando apenas aceitá-la, sem muito julgamento. Por que já analisei demais. E isso chegou a me tornar rancoroso, inconformado. O que, além de atrapalhar a criação, tira o artista do campo em que ele deve ser realmente e especialmente útil, na sensibilização do ser humano. Na sua capacidade de vasculhar os cantos mais recônditos da alma do homem. Ficar reclamando da falta de espaço ou da falta de reconhecimento, além de criar uma péssima aura de ”coitadismo”, que eu rejeito, parece ainda desculpa para uma eventual incapacidade de cumprir a sua razão de ser nesta Terra. Ou seja, o Van Gogh até tinha o direito de resmungar o quanto quisesse por sua má sina comercial, mas jamais poderia deixar de criar o que criou porque o mundo foi cruel com ele. Uma cigarra tem o dever de ser uma cigarra.

13) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro? Em sua opinião quem foram as revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Álvaro Cueva: Não creio em regresso, embora creia em progresso. E creio também em momentos especiais, sempre únicos, na vida e na música. Meus ídolos são também minha platéia. Aplaudo o Sonekka, o Affonso, o Roney Giah, o Élio Camalle, a Renatinha Pizzi. E eles também me assistem.

14) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Álvaro Cueva: Egberto Gismonti, Paulinho da Viola, Pixinguinha e Baden Powell.

15) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Álvaro Cueva: Minha memória continua a ser a de um bêbado, embora eu não beba há quase dez anos. Mas me apresentar de fogo (bêbado), foi o de pior e mais estranho. Sensação ruim de falta de respeito comigo, com a platéia e com minha própria criação.

16) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Álvaro Cueva: Feliz é ouvir minhas canções nas bocas de meus três filhos, de dois anos e as gêmeas, de três. Triste é perceber que alguém da platéia me escapa, se dispersa, num momento de entrega.

17) RM: Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

Álvaro Cueva: São Paulo é uma “perversa patroa”. Não há no mundo local mais propício à fusão criativa musical. Mas, por ser uma das principais “geradoras de opiniões” do Brasil, ela dita uma “moda” musical que quase sempre está em descompasso com o que realmente de bom se cria aqui mesmo.

18) RM: Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Álvaro Cueva: Os músicos do Clube Caiubi de Compositores e do Comboio de Cordas.

19) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Álvaro Cueva: Bom, nada sei do futuro. Mas, se tocar, será sem jabá. Sou contra. E se fosse a favor, me faltaria o dinheiro para pagar para as minhas músicas tocarem na programação das rádios.

20) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Álvaro Cueva: Que bom! Que você seja bom e faça o bem!

21) RM: Quais os seus projetos futuros?

Álvaro Cueva: Gravar as músicas do musical “Kátia e Paulo” e ensaiar o musical “Ópera Chica”, ambos de minha autoria e apresentados pelo Coral da UNIFESP. Apresentar e gravar as parcerias com Alê Cueva e Léo Costa, do meu grupo musical TODOS ACORDES.

22) RM: Quais seu contatos ?

Álvaro Cueva:(11) 98359-7796 | 3283-5637 | [email protected] www.alvarocueva.com.brhttp://clubecaiubi.ning.com/profile/alvarocueva http://www.myspace.com/alvarocueva http://www.youtube.com/user/cameratamanzione#grid/user/E76F221DFADD1DC1


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.