Affonso Moraes

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Affonso Moraes
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O cantor, compositor e advogado paulista Affonso Moraes nos Anos 60 e 70, produziu e atuou junto ao conjunto vocal “Titulares do Ritmo” na gravadora – Pauta.

Ele venceu os festivais universitários da FMU de 1972 e 1973. Concorreu nos Festivais de Música: Primeira Semana da Canção Brasileira de São Luis do Paraitinga – SPFestival de Tatuí e Canta São Paulo, promovidos pela Sec. Est. de Cultura. Recebeu em 1998 o prêmio “parceiro da cultura”, concedido pelo então secretário de Estado da cultura, Marcos Mendonça. É um membro ativo do Clube Caiubi de Compositores (http://clubecaiubi.ning.com/profile/AffonsoApparecidoMoraes).

Em clima de festa, Affonso Moraes abre o seu primeiro CD – “Já era hora” com o samba que dá nome ao CD, cantando ao lado dos filhos Álvaro, Bel e Alê Cueva. Aos 74 anos, Affonso grava seu primeiro disco e apresenta sambas, entre algumas canções, compostos ao longo de mais de 50 anos. São imagens da São Paulo dos anos 40, da Praça da Sé dos 60, do cotidiano dos 70, das dores de amores, das brejeirices, dos últimos anos quando passou a se dedicar integralmente à música depois de uma vida profissional intensa, principalmente atuando como advogado. Curiosamente, um de seus primeiros trabalhos foi como engraxate – essa profissão que faz parte do currículo de tantos sambistas paulistas. Nascido em 1934 numa fazenda no interior paulista, logo veio pra capital, onde aos 4 anos de idade já era o mascote do Cordão de Samba Azul e Branco na Vila Anastácio, comunidade em que participou até os anos 50 e também atuou nos Regionais de Jordão e Guerino.

Ele é fã de Ataulfo Alves, Braguinha, Cartola, Pixinguinha e Heitor dos Prazeres. E aos 15 anos ele já fazia canções. Não se dedicou totalmente à música nestes 74 anos de vida, mas acabou por forjar uma família musical. Seus filhos cantam, compõem, arranjam e colocam em cada faixa deste Já era hora a marca do “Seu Affonso”, um apaixonado pela sonoridade das palavras, pela canção.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Affonso Moraes para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa  em 16.12.2012:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Affonso Moraes: Nasci no dia 29.09.1934 em Quatá, interior de São Paulo.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Affonso Moraes: Meu primeiro contato com a música se deu na Vila Anastácio. Um bairro operário localizado em São Paulo, nas décadas 30 e 40. Lá havia todo tipo de música. Desde as clássicas até as folclóricas (inclusive música cigana húngara), passando naturalmente pela prodigiosa música popular brasileira.

03) RM: Qual a sua formação musical e acadêmica fora música?

Affonso Moraes: Formação musical eu não tenho. Formação acadêmica: Graduação e pós-graduação (especialização) em Direito.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Affonso Moraes – Influências musicais. No passado: Pixinguinha, Radamés Gnatalli, Dorival Caymmi, Herivelto Martins, Sílvio Caldas, Braguinha, Lamartine Babo, Geraldo Pereira, Noel Rosa, Titulares do Ritmo, entre tantos outros. No presente: Chico Buarque, Gilberto Gil, Edu Lobo, Tom Jobim, Egberto Gismonti. Nenhuma dessas influências deixou de ter importância para mim, mesmo porque determinaram meu gosto musical e, até certo ponto, meu modo de compor.

05) RM: Quando, como e onde  você começou a sua carreira musical?

Affonso Moraes: Praticamente não tenho carreira profissional na música. Componho e canto exclusivamente por amor à arte.

06) RM: Fale do seu primeiro CD (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical do CD? E quais as músicas que se destacaram no CD?

Affonso Moraes: Meu primeiro CD – “Já era Hora” foi lançado em 2009. Vários músicos dele participaram. Por sua importância (e competência), vale destacar o multi-instrumentista Alexandre Cueva, que fez todos os arranjos básicos e tocou (às vezes vários instrumentos) em todas as faixas. Destaco também Edu Malta (contrabaixista) e Rodrigo “Digão” Braz (baterista), que, por igual, participaram de todas as faixas. O perfil do CD é predominantemente de sambas, com realce para três músicas: “Meio-dia na Praça da Sé”, “Cantando em dó” e “Missão Cumprida”, faixas 3, 4 e 16, respectivamente.

07) RM: Como você define o seu estilo musical?

Affonso Moraes: Meu estilo musical é bastante eclético, mas o básico é o samba, em suas diversas manifestações.

08) RM: Como você se define como cantor/intérprete?

Affonso Moraes: Sou mais intérprete do que cantor.

09) RM: Você estudou técnica vocal?

Affonso Moraes: Não.

10) RM: Quais os cantores e cantoras que você admira?

Affonso Moraes: Cantores: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Emílio Santiago, Álvaro Cueva, Alexandre Cueva e Élio Camalle. Cantoras: Fabiana Cozza e Dandara Modesto.

11) RM:  Como é seu processo de compor? Quem são seus parceiros musicais?

Affonso Moraes: Não tenho, exatamente, um processo único para compor. Às vezes a inspiração vem num átomo e nasce logo a música (letra e melodia). Outras vezes, acode-me apenas uma ideia que julgo interessante e a feitura da música reclama bastante mais da transpiração do que do talento. Meus parceiros musicais mais constantes são meus filhos: Álvaro e Alexandre Cueva. Ultimamente, tenho parceiros como o poeta Léo Nogueira, do Clube Caiubi (www.clubecaiubi.ning.com).

12) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Affonso Moraes: Prós: compor e atuar sem peias, com plena liberdade criativa. Contras: falta de apoio financeiro e logístico. E, sobretudo, falta de acesso à grande mídia.

13) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro? Em sua opinião quem foram as revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Affonso Moraes: O cenário musical brasileiro segue sendo muito criativo, mas é ocultado pela preguiça da mídia. A qual, apesar de se intitular investigativa, acomoda-se em destacar apenas os grandes nomes (não necessariamente talentosos). Nas duas últimas décadas, revelações que se consolidaram, a meu juízo, foram Chico César, Zeca Baleiro e Zeca Pagodinho. Quem mais regrediu, em termos estritamente artísticos, foram Maria Rita e Dudu Nobre.

14) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Affonso Moraes: Caetano Veloso, Geraldo Azevedo, Egberto Gismonti.

15) RM: Quais situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Affonso Moraes: Como me apresento quase sempre graciosamente, em espetáculos com finalidade social (bibliotecas, casas de cultura e de folclore), não enfrentei, ainda, tais situações desconfortáveis citadas na pergunta.

16) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Affonso Moraes: Feliz é a qualidade dos novos artistas e criadores principalmente os do Clube Caiubi, na cidade de São Paulo. E triste é eles serem desconhecidos ainda, graças à modorrenta grande mídia. Salvo exceções como a da revista RitmoMelodia.

17) RM: Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

Affonso Moraes: A cena musical mais conhecida (a divulgada pela TV e pelo Rádio) é de pobreza franciscana, tanto em São Paulo como em todo o Brasil. A contrapartida: há vida inteligente e grandes talentos, escondidos na noite de São Paulo.

18) RM: Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Affonso Moraes: Cantores: Álvaro e Alexandre Cueva e Élio Camalle. Bandas: Garatuja (instrumental, apresenta-se no Teatro da VilaRua Jericó, 256, Vila Madalena, no Projeto Comboio de Cordas); 4+1 (quando seus componentes, todos do Clube Caiubi, se reúnem); e Coral da UNIFESP.

19) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Affonso Moraes: Não.

20) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Affonso Moraes: Meu filho, você vai sofrer muito.

21) RM: Quais os seus projetos futuros?

Affonso Moraes: Continuar compondo.

22) RM: Quais os seus contatos?

Affonso Moraes : [email protected] | (11) 3251 – 4831 e 3586 – 2862.

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.